quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

De Foz Côa a Júlio César - 18.000AC-45AC

Introdução à História de Portugal


O autor deste "blog" é de formação na área da engenharia de Telecomunicações, e a História é apenas um "hobby". Agradeço ao meu amigo costaricense Eng. Carlos Fonseca, que desde os finais dos anos sessenta me iniciou nos domínios da informática. O único mérito do autor deste site, foi o de recolher, compilar e fazer a montagem técnica de textos e imagens, da informação recolhida. Dedicado também à memória de Matilde Rosa Araújo, recentemente falecida, que foi minha professora no ciclo preparatório (1948/49) . Grande senhora e excelente profissional, que sabia incutir nos alunos o gosto por aquilo que ensinava.

Assim, este pequeno trabalho não tem pretensões, e só pretende divulgar na Internet a História de Portugal, de forma simples, agradável e concisa, aproveitando as facilidades das novas tecnologias de suporte, e aconselha-se a quem pretender mais e melhores esclarecimentos, a ler ou consultar a bibliografia que se indica neste "blog".

A História de Portugal não começou com o 25 de Abril de 1974, nem sequer com a independência de Leão e Castela conseguida por D. Afonso Henriques. Viriato que lutou e morreu pela defesa destas terras e destas gentes, foi assassinado cerca de 1.250 anos antes do nascimento do nosso primeiro rei !


Está também na tradução em inglês no Blog http://history-of-portugal.blogspot.com


A Península Ibérica (do grego) ou Península Hispânica (do latim)

A Península Ibérica ou Hispânica, é geograficamente uma
península na Europa localizada no sudoeste deste continente. Hoje podemos localizar politicamente nesta península três países, Portugal, Espanha, Andorra e o Território Ultramarino Inglês de Gibraltar.

Formando quase um
trapézio, a Península liga-se ao continente europeu pelo istmo constituído pela cordilheira dos Pirenéus, sendo rodeada a norte, oeste e parte do sul pelo oceano Atlântico e a restante costa sul pelo mar Mediterrâneo.

Com uma altitude média bastante elevada, apresenta predomínio de planaltos que estão rodeados de cadeias de montanhas e que são atravessados pelos principais rios. Os mais importantes são o
rio Tejo, o rio Douro e o rio Guadiana, que têm a parte terminal do seu curso em Portugal, desaguando, tal como o rio Guadalquivir no oceano Atlântico, e o rio Ebro, que, por sua vez, desagua no mar Mediterrâneo.

As elevações mais importantes são a Cordilheira Cantábrica, no Norte, a
serra Nevada e a serra Morena, no Sul, e ainda a serra de Guadarrama, na Cordilheira Central, de que a serra da Estrela é o prolongamento ocidental. Densamente povoada no litoral, a Península Ibérica tem fraca densidade populacional nas regiões interiores.
A península tem 582.925 quilómetros quadrados.. O ponto mais alto é o Mulhacén com 3.478 metros de altura. O rio mais longo é o Tejo, com um curso de 1007 km (731 km em Espanha e 275 km em Portugal).


Ibéria provem do río Íber, provavelmente o actual Ebro, ainda que também pudesse ser o Guadalquivir ou outro rio da região de Huelva, donde textos muitos antigos citam um rio Iberus e um povo ao que chamam Iberos. Desde tempos remotos os gregos chamavam Ibéria à Península.

A maior parte da sua superfície continental está configurada como uma
meseta, com uma altura média de 600 metros sobre o nível do mar; o seu litoral norte, noroeste e oeste é rochoso e com alcantilados, sendo o litoral este, sudeste e sul mais suave. De acordo à situação geográfica, a Península Ibérica também forma parte da França, já que penetra até ao sul deste país.


A chegada do Homem à Península

O homem chegou à Península Ibérica bem cedo na história. As estações arqueológicas mais antigas localizam-se no litoral da Estremadura e no sudoeste do Algarve, ocupadas por culturas acheulenses ou mesmo abbevillenses, com quase 1 milhão de anos. Tratava-se de seres humanos do grupo Homo Erectus. Recolectores, subsistiam, em formas já mais desenvolvidas, nos começos da última glaciação.

Sucederam-lhes os caçadores e ao Homo Erectus o homem do Neandertal ( homo sapiens neanderthalensis ) aparecido há mais de 100.00 anos. Todas as culturas dos chamados Paleolítico Inferior, Paleolítico Médio, Paleolítico Superior e Mesolítico se acham representadas em Portugal, com maior ou menor intensidade.
Vídeo sobre a Hispania pre-histórica:

As gravuras mais antigas conhecidas no vale do Côa (até Março de 95) eram identificáveis com o Solutrense médio antigo, ou seja, teriam sido feitas há mais ou menos 20 000 anos. Parece serem a prova mais marcante da presença humana mais antiga, no território português.( A cultura Solutrense situa-se entre 18 000 a. C. e 15 000 a.C.)

As Origens humanas mais antigas

As origens humanas mais antigas, achadas em Portugal, são ossadas tipo Neanderthal em Furninhas. A maioria das indústrias Paleolíticas peninsulares estão aí representadas, mas uma cultura distinta surge nos meados do Mesolítico nas zonas baixas do Vale do Tejo, datadas de cerca de 5.500 AC. As culturas Neolíticas chegaram da Andaluzia.
No primeiro milénio AC os povos Celtas entraram na Península pelos Pirinéus, e por pressão natural, muitos grupos dirigiram-se para ocidente. As culturas de Hallstatt trouxeram a fundição do ferro e a fabricação de armas e outros objectos do mesmo metal, ao Vale do Tejo. Os Fenícios e mais tarde os Cartagineses influenciaram fortemente o sul de Portugal no mesmo período.

Chegada dos Fenícios ( Provável em 1.200 A.C. )

Os fenícios, tal como os hebreus, eram um povo de origem semita. Por volta de 3000 a.C., estabeleceram-se numa estreita faixa de terra com cerca de 35 km de largura, situada entre as montanhas do Líbano e o mar Mediterrâneo. Com 200 km de extensão, corresponde a maior parte do litoral do atual Líbano e uma pequena parte da Síria.

Por habitarem uma região montanhosa, com poucas terras férteis, os fenícios voltaram-se para o mar, dedicando-se à pesca e ao comércio marítimo. O aparecimento do ferro nas regiões do Mediterrâneo oriental teve projecção na Península Ibérica. Ao redor do ano 1.000 A.C., os Fenícios estabeleceram feitorias para aumento do comércio, buscando metais em troca de produtos do seu fabrico ( tecidos, estatuetas, objectos de barro). A sua vinda à Ibéria deu origem à fundação de Gadir ou Gades ( Cádis), de Hispalis (Sevilha) e talvez de Malcarteia (Algeciras).


No território português teriam visitado a zona terminal do Tejo, e também a foz do Sado e região costeira do Mondego ao Douro. Deixaram alguns vocábulos na fala peninsular , como ippo - Olisipo(Lisboa) e Collipo(leiria), assim como o étimo saco. Pouco se conhece sobre a contribuição fenícia no nosso território.


O alfabeto, uma criação fenícia

O que levou os fenícios a criarem o alfabeto foi justamente a necessidade de controlar e facilitar o comércio. O alfabeto fenício possuía 22 letras e era, portanto muito mais simples do que a escrita cuneiforme e a hieroglífica. Realmente foi a primeira vez que se tentou "desenhar" os sons da fala, representando-os por letras, em vez da representação ideográfica por hieróglifos ou similares.


Chegada dos Celtas ( Anos 1.000-800 A.C. )

Na primeira metade do século X A.C. chegaram à Península vários povos a que se dá o nome genérico de Celtas e cuja origem tem dado larga discussão. Encontraram uma terra despovoada e os seus habitantes a viver ainda na Idade do Bronze (Iberos). enquanto os invasores já utilizavam o ferro, na construção de utensílios para uso doméstico e na construção de armas. Provinham da cultura de Adlerber, no centro da Europa.

Chegada dos Gregos ( Século VII A.C. )

Chegaram no século VII A.C. Fundaram colónias no Mediterrâneo, como Massilia (Marselha), Dianium (Dania), Zacunthos (Sagunto). Em vários pontos da costa portuguesa acharam-se encontraram-se objectos e ferro, ânforas, esculturas de marfim e outros de origem helénica, como por exemplo na necrópole de Alcácer do Sal.

Não influenciaram directamente a língua portuguesa, pois foi pela via romana que se introduziu a quase totalidade do helenismos na nossa língua. Quanto à criação de Lisboa por Ulisses e Santarém pelo seu filho Abidis, não passm de histórias muito em moda no Renascimento. Comerciavam tecidos, cerâmica e objectos de vidro e utilizavam já moedas para as suas trocas comerciais.

Chegada dos Cartagineses ( Século III A.C. )

.A passagem dos Cartagineses pelo ocidente Peninsular, no século III A.C., quando da Segunda Guerra Púnica, deixou poucas marcas. Mas já antes tinham feitorias na zona de Gades, mantendo estreitas relações comerciais com a zona do Levante. A exploração das minas era o seu principal objectivo, mas não há provas que as tenham buscado no território português.

Foi durante o governo de Amílcar Barca, quando Cartagena se tornou a capital da Hispânia Púnica (238-229), que foram submetidas pelos cartagineses algumas tribos de lusitanos. Há vestígios da sua influência em Ossnoba (Faro)e, no tempo de Aníbal, teriam fundado Portus Hannibalis, que devia localizar-se em Portimão ou Alvor.

Marcas da presença humana

As marcas da presença humana neste período da História do território onde hoje é Portugal, são imensas e por todo o País se encontram ruínas de Antas, Menires, Cromeleques ( Conjuntos de Menires ) castros, citânias, desde 4.000 A.C. até Séc. IV e Séc. III A.C.
Cerca de 500 AC, as culturas da Idade do Ferro predominavam no norte. Povoações Célticas, entrincheiradas no alto dos montes ( castros, citânias) conservaram a sua vitalidade depois da conquista Romana

Após a Primeira Guerra Púnica ( 264-241 AC ), os Cartagineses decidiram conquistar a Península Ibérica . Mas o seu domínio , aliás incompleto no quadro geográfico hispânico, foi efémero. Com a Segunda Guerra Púnica ( 218 - 201 AC ) Roma dominou as costas este e sul da península, e os povos célticos que tinham sido absorvidos pela população indígena ocuparam o oeste.

Já existiam Castros durante o Neolítico e a Idade do Bronze, muito antes das Invasões Célticas. Julga-se que a Cultura Ibérica desses povoados se misturou com os elementos célticos sem quebras de continuidade

Chegada dos romanos

Uma federação céltica, a Lusitânia, resistiu à penetração romana sob o brilhante comando de Viriato. Depois do seu assassinato ( cerca 140 AC ), Decius Junius Brutus pôde marchar para o norte, através do centro de Portugal, atravessou o rio Douro e subjugou a Galiza.

Julio César esteve na Lusitânia em campanhas militares de pacificação, e governou o território por algum tempo. A mais famosa das campanhas foi a batalha de Munda contra Pompeu ( 45 AC ), no comando da sua veterana e famosa 10ª Legião.


Segue-se a - Origem dos Iberos -

Quem eram os Iberos?

Origem dos Iberos

Os Iberos eram um povo pré-histórico que vivia no Sul e no Este do território que mais tarde tomou o nome de Península Ibérica. As ondas de emigração de povos Célticos que desde o século VIII até ao século VI AC entraram em massa no noroeste e zona centro da actual Espanha, penetraram também em Portugal a Galiza, mas deixaram intactos os povos indígenas da Idade do Bronze Ibérica no Sul e Este da península.

Os geógrafos gregos deram o nome de Ibéria, provavelmente derivado do rio Ebro ( Iberus ), a todas as tribos instaladas na costa sueste, mas que no tempo do historiador grego Herodotus ( 500 AC ), é aplicado a todos os povos entre os rios Ebro e Huelva, que estavam provavelmente ligados linguisticamente e cuja cultura era distinta dos povos do Norte e do Oeste. Havia no entanto áreas intermédias entre os povos Célticos e Iberos, como as tribus Celtiberas do noroeste da Meseta Central e na Catalunha e Aragão.




Guerreiros Ibéricos

Das tribos Iberas mencionadas pelos autores clássicos, os Bastetanos eram territorialmente os mais importantes e ocupavam a região de Almeria e as zonas montanhosas da região de Granada. As tribos a Oeste dos Bastetanos eram usualmente agrupadas como "Tartessos", derivado de Tartéssia que era o nome que os gregos davam à região.

Os Turdetanos do vale do rio Guadalquivir eram os mais poderosos deste grupo. Culturalmente as tribos do noroeste e da costa valenciana eram fortemente influenciadas pelas colónias gregas de Emporium ( a moderna Ampúrias ) e na região de Alicante a influência era das colónias fenícias de Malaca ( Malága ), Sexi ( Almuñeca ), e Abdera ( Adra ), que passaram depois para os cartagineses.

Na costa este as tribos Iberas parecem ter estado agrupadas em cidades-estado independentes. No sul houve monarquias, e o tesouro de El Carambolo, perto de Sevilha, parece ter estado na origem da lenda de Tartessos. Em santuários religiosos encontraram-se estatuetas de bronze e terra-cota, especialmente nas regiões montanhosas. Há uma grande variedade de cerâmica de distintos estilos ibéricos.

Foi encontrada cerâmica ibérica no sul da França, Sardenha, Sicília, e África e eram frequentes as importações gregas . A esplêndida Dama de Elche, um busto com características que mostram forte influência clássica grega. A economia Ibérica tinha uma agricultura rica , forte exploração mineira e uma metalurgia desenvolvida.

A língua Ibérica era uma língua não Indo-Europeia, e continuou a ser falada durante a ocupação romana. Ao longo da costa Este utilizou-se uma escrita Ibérica, um sistema de 28 sílabas e caracteres alfabéticos, alguns derivados dos sistemas fenício e grego, mas de origem desconhecida. Ainda sobrevivem muitas inscrições dessa escrita, mas poucas palavras são compreendidas, excepto alguns nomes de locais e cidades do III século, encontradas em moedas.

Os Iberos conservaram a sua escrita durante a conquista romana, quando se começou a utilizar o alfabeto latino. Ainda que inicialmente se pensou que a língua Vasca era descendente do Ibero, hoje considera-se que eram línguas separadas.

( Condensado da Enciclopédia Britânica )

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A Província da Lusitânia - 45AC-411DC

Primeira Guerra Púnica

Após a Primeira Guerra Púnica ( 264-241 AC ), os Cartagineses decidiram conquistar a Península Ibérica . Mas o seu domínio , aliás incompleto no quadro geográfico hispânico, foi efémero. Com a Segunda Guerra Púnica ( 218 - 201 AC ) os cartagineses foram totalmente derrotados, Cartago foi destruída, e Roma dominou as costas este e sul da península, e os povos célticos que tinham sido absorvidos pela população indígena ocuparam o oeste.

Uma federação céltica, a Lusitania, resistiu à penetração romana sob o brilhante comando de Viriato. Depois do seu assassinato ( cerca 140 AC ), Decius Junius Brutus pôde marchar para o norte, através do centro de Portugal, atravessou o rio Douro e subjugou a Galiza. Julio César governou o território por um tempo.

Resistência Lusitana

Campanhas de Viriato contra os romanos Em 147 AC opôe-se à rendição dos lusitanos a Caio Vetílio, que os tinha cercado no vale de Betis , na Turdetânia. Derrota os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície do Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, fazendo nas fileiras inimigas uma espantosa chacina, tendo sido morto o próprio Vetílio. Seguidamente os lusitanos destroçam as tropas de Cayo Pláucio, tomando Segóbriga e as de Cláudio Unimano, que em 146 AC era o governador da Hispânia Citerior. Em 145 AC os lusitanos voltam a derrotar as tropas romanas de Caio Nígidio.

Exército romano

Em 145 AC Quinto Fábio Máximo, irmão de Cipião "O Africano" é nomeado cônsul na Hispania Citerior e é encarregado da campanha contra Viriato ao comando de duas legiões. Ao princípio tem algum êxito mas Viriato recupera e em 143-142 AC volta a derrotar os romanos em Baecula e obriga-os a refugiar-se em Córdova.

Simultaneamente, seguindo o exemplo do chefe lusitano, as tribos celtibéricas revoltavam-se contra as prepotências romanas, acendendo uma luta que só terminaria em 133 AC com a queda de Numância.

Em 140 AC Viriato derrota o novo cônsul Fábio Máximo Servilliano, matando mais de 3.000 romanos, encurralando o inimigo e podendo destroçá-lo, mas deixou Servilliano libertar-se da posição desastrosa em que se encontrava, em troca de promessas e garantias de os Lusitanos conservarem o território que haviam conquistado. Em Roma esse tratado de paz foi depois considerado humilhante e vexatório e o Senado romano volta atrás, e declara-lhe guerra.

Viriato tinha agora um exército desfalcado e fatigado das lutas. Apagava-se a sua estrela. O novo governador Quinto Servílio Cipião reforçado com tropas de Popílio Lenas, dispunha de forças muito superiores. Viriato foi compelido a pedir a paz, tendo que entregar aos romanos os principais revoltosos, entre os quais se encontrava Astolpas, o seu próprio sogro.

Teve que entregar também muitos outros, aos quais os romanos cortaram as mãos, costume lusitano, que os romanos não desdenhavam adoptar noutras ocasiões. Enviou a Servílio três emissários, Audax, Ditalkon e Minuros, que Viriato considerava dos seus melhores amigos.

Estes foram subornados por Servílio que lhes prometeu honras e dinheiro em troca do assassinato do seu chefe. Estes assim procederam, e o glorioso caudilho foi por eles morto quando se encontrava a dormir na sua tenda.

Sertório

Quinto Sertório mal sucedido como pretor da Hispânia Citerior, cargo que assumiu em 83 AC, refugiou-se na Mauritânia, A convite dos lusitanos regressa à Península Ibérica em 80 AC para os comandar.

Obteve várias vitórias sobre os romanos, mas mesmo contando com com as forças de Perpena e com o apoio de Mítridades, rei de Ponto, Sertório começou a perder terreno quando os generais romanos adoptaram novas estratégias de luta. Considerado o primeiro organizador dos povos hispânicos, morreu assassinado durante um banquete, em Osca, por oficiais liderados por Perpena.

Octavio César Augusto

No ano 25 AC , governando já Augusto, a conquista da Hispânia ( Península Ibérica ) pelos romanos, estava terminada. A Hispânia foi dividida em três Províncias; Bética, Hispânia Citerior ou Tarraconense, e Lusitânia. O actual território português caba dentro da Tarraconense até ao rio Douro. Para Sul, entrava nos limites da Lusitânia.

Augusto mandou edificar Augusta Emerita ( Mérida ) e tornou-a capital da Lusitania. A Galiza ao Norte do Douro, tornou-se uma província separada sobe os Antoninos. Nos tempos Romanos a região de Beja e Évora foram um farto celeiro de trigo.

O vale do Tejo foi famoso pelos seus cavalos e quintas, e havia minas importantes no Alentejo. Ruínas romanas notáveis incluem o "Templo de Diana" em Évora e a cidade de Conimbriga (Condeixa-a-Nova ).

Augusta Emerita ( Mérida ) - Capital da Lusitânia

A data provável da fundação da Colónia Augusta Emerita, capital da Lusitânia, é 25 A.C. , depois da conquista de Lancia pelos exércitos romanos na guerra travada contra "cântabros e astures". Foi fundada pelo legado imperial Publio Carisio, por ordem de Augusto, para assentar os legionarios veteranos “veterani legionari”.

Augusta Emerita era era um enclave estratégico, junto do rio Anas e que punha em comunicação a província da Bética com as do noroeste peninsular e as terras da franja mais meridional da Hispania com o Oeste ( Olisipo ). A nova colónia organizou-se seguindo os parâmetros romanos de planificação urbana, organização territorial e administrativa, donde se desenvolveu a romanização do extenso território do ocidente peninsular.

Expansão máxima da Lusitania - Para fins judiciais a província da Lusitânia ( 16-15 A.C. )estava dividida em três unidades mais pequenas, chamadas "conventus". Pacensis (da sua capital Pax Julia) hoje Beja, Scallabitanus ( de Scallabis) hoje Santarém, e Emeritensis ( de Emerita, que era a capital de toda a província) hoje Mérida.

Comentário - As marcas dos seis séculos ( desde a chegada de Decimus Julius Brutus a Conimbriga em 139 A.C. e a sua destruição pelos suevos em 468 D.C. ) em que o território que hoje é Portugal, pertenceu às províncias romanas da Hispânia - Lusitânia ( do Douro até ao Algarve ) e Tarraconense, ( do Douro até ao Minho - são imensas.

Poderá no entanto dizer-se dizer-se que o vínculo administrativo da Lusitânia com Roma termina em 411 quando o imperador Honório, após um prolongado período de guerra civil, estabeleceu um pacto com os Alanos concedendo-lhes a Lusitânia. . Entre 415-417, os Alanos são expulsos pelos Visigodos que impõem o seu domínio no território da Lusitânia a sul do Tejo

Desde o próprio nome do País - Portugal deriva de Portus Cale - Portucale .- à língua - o português actual deriva do latim vulgar falado pelos soldados e colonos romanos e do latim literário utilizado na administração - até às leis e organização administrativa e eclesiástica do país.

Romanização - Os romanos exerceram grande influência no modo de vida dos povos peninsulares.. A maioria destes povos viviam em castros ou citânias, organizados em tribos e tinham um grau de civilização rudimentar. Com os Romanos, desenvolveu-se o cultivo da vinha, do trigo, da oliveira e árvores de fruto. Surgiram novas indústrias e desenvolveram-se outras, como a olaria, as forjas, as minas e a salga de peixe. Divulgou-se a língua e a numeração romana. Em resumo, civilizaram-se.

Também são inúmeras as ruínas de vilas, cidades, monumentos, aquedutos para abastecimento de água, fortificações, estradas e pontes romanas espalhadas por todo o Portugal. Algumas, como uma antiga cidade romana perto de Óbidos, já descrita por Plínio, só recentemente foram encontradas nas escavações para a construção de uma auto-estrada, quase na entrada do terceiro milénio.


Esta cidade romana chamava-se Eburobrittium , e deve ter sido construída e ocupada entre os séculos I A.C. e V D.C. Foi descoberta em 1995 quando da construção da auto-estrada A8.

O próprio D. Afonso Henriques, mais de um milénio depois da chegada dos romanos, utilizou a antiga estrada romana e muçulmana que o levou com facilidade para o Sul, distante mais de 200 km do seu castelo de Leiria, até Ourique no Alentejo, no famoso fossado por terras muçulmanas, que ficou conhecido pela batalha de Ourique.

Desde Augusto e até D. Afonso Henriques, o território onde hoje é Portugal foi governado por cerca de:

58 Imperadores Romanos , 37 Reis Visigodos , 23 Príncipes Muçulmanos e 30 Reis de Leão e Castela. No total cerca de 148 governantes em perto de 1.200 anos. Como Nação independente Portugal tem só cerca de 850.

Lisboa, a capital de Portugal esteve debaixo do domínio romano 614 anos, desde 205 A.C. até 409 D.C. Júlio César deu-lhe a dignidade de de "mucipium" com o nome de Felicitas Julia. Em 409 D.C. foi conquistada pelos Alanos, que foram expulsos pelos Suevos e depois reconquistada pelos Visigodos.

O Cristianismo chegou à Lusitânia no século III e à Galiza somente no século IV onde os ensinamentos heréticos e ascéticos de Gaul Priscillian, bispo de origem belga, foram mais influentes e retardaram a sua penetração.

Nota - Para uma informação bastante detalhada deste período histórico, leia-se História de Portugal - edição monumental - pelo professor Damião Peres.

Segue-se - A Figura de Viriato -

Quem eram os Lusitanos?

Origem dos Lusitanos

Hoje é simples, lusitano é sinónimo de português e denomina todo aquele que seja cidadão de Portugal.

Mas esclarecer a origem dos lusitanos, que viviam há 2.300 anos na Hispânia ou Península Ibérica, parece não ser tarefa fácil.


A.H. de Oliveira Marques diz na sua História de Portugal, que quando os romanos conquistaram e civilizaram a Península Ibérica para sempre ( século II AC até século I) encontraram vários povos indígenas, entre os quais os Lusitani e os Celti que não tinham grande diferença entre si e que os primeiros eram com toda a probabilidade povos indígenas celticizados.

A Enciclopédia Britânica, diz que os lusitanos eram um povo ibérico e que no território que hoje é Portugal, resistiram à penetração romana até século II DC. mas que não se tem a certeza se os Lusitanos eram povos iberos celticizados, ou estavam relacionados com os Celtas Lusões do Nordeste da Península Ibérica.

O Dicionário de História de Portugal, de Joel Serrão, dedica várias páginas ao assunto e esclarece um pouco melhor. Aparentemente foi Estrabão, geógrafo e historiador grego dos começos da nossa era, quem primeiramente se referiu aos lusitanos como « a maior das tribos ibéricas, com a qual muitos anos lutaram os Romanos». Plínio e Ptolomeu, assim como outros escritores antigos também se referiram aos "celtici".

Num recente estudo sobre a etnologia dos lusitanos, o Dr. Scarlat Lambrino, partilhando a opinião de Schulten, procurou demonstrar com argumentos bastante convincentes, que tanto os Lusitanos como os Lusones eram povos de origem céltica, talvez procedentes dos Alpes Suíços, entrados na Península quando das migrações célticas, tendo-se os Lusones fixado na região das nascentes do Tejo e os Lusitanos continuando a marcha, seguindo o vale desse rio até ao Atlântico, possivelmente em busca de melhores terras.

Parece também que a palavra Lusos foi uma criação literária empregada pelos humanistas dos séculos XVI e XVII, baseados num passo mitológico de Marco Varrão ( Plinio, III, 8) que filia o topónimo Lusitânia em Lusus ou Lysa, filhos de Baco.

Inspirado nesta fantasiosa lenda, deu Camões à epopeia nacional o título de Lusíadas ( A Britânica diz que Camões chamou Lusíadas ao seu poema épico, derivado de Lusitânia - Província Romana ), com o significado de filhos ou descendentes daquele Luso da mitologia.

Alexandre Herculano, por outro lado, colocou-se porém num ponto de vista exageradamente oposto e recusou-se a aceitar qualquer relação étnica entre os antigos lusitanos e os Portugueses actuais. No entanto esta sua opinião é insustentável pelo ponto de vista dos conhecimentos actuais.

Mais detalhes sobre os Lusitanos ( Ver Dicionário de História de Portugal - de Joel Serrão )

Os lusitanos eram um povo guerreiro e agrário. A minas no território hispânico davam-lhes o ferro que servia para os seus instrumentos de guerra, sobretudo as compridas lanças, que não poupavam o inimigo. Foi assim, como um povo guerreiro e agrário, que conseguiram dominar a quase totalidade da Península Hispânica.

Era gente aguerrida, formando tribos sem coesão política e que escolhia povoações fortificadas, vivendo do pastoreio e da agricultura. Cultivavam o vinho, o trigo e a cevada, dedicando-se também à pesca. Fabricavam o pão com landes torradas, obtinham a cerveja com base na cevada, alimentavam-se de carne de cabra, usavam a manteiga em vez de azeite.

Estrabão escreveu que os lusitanos eram "a mais poderosa das nações ibéricas e que, entre todas, por mais tempo deteve as armas romanas". Disse também que os lusitanos eram sóbrios e frugais, bebendo só água, cerveja de cevada e leite de cabra. Dormiam deitados no chão. Usavam cabelos compridos como as mulheres, untavam-se com azeite e celebravam jogos vários de destreza física. Fabricavam pão de farinha de glandes de carvalho. Só bebiam vinho em festins. O vestuário dos homens era preto e de lã grosseira ou pelo de cabra.

Sacrificavam aos deuses e consultavam as entranhas humanas em prisioneiros, aos quais cortavam muitas vezes a mão direita. Os criminosos condenados à morte eram despenhados em precipícios, os parricidas lapidados. Casavam à maneira dos gregos. Tito Lívio escreveu que os lusitanos fizeram parte do exército cartaginês de Aníbal que invadiu a Itália ( 218 A.C. ). Diodoro, Possidónio, Plínio, Apiano, Plutarco, etc., escreveram sobre os lusitanos.

(Condensado da Enciclopédia Portuguesa-Brasileira) escala

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A figura de Viriato

Quem era Viriato?

Viriato é citado por Diodoro ( XXXIII ) que diz que Viriato "nascera na Lusitânia, cerca do Oceano", talvez na região de Estremadura, entre o Tejo e o Douro, e, como pastor que era, filho da montanha, possivelmente oriundo da Serra da Estrela ( Mons Herminius ). Dizem os seus antigos biógrafos, como Orósio, Diodoro, Lívio e outros, que Viriato, na sua mocidade, apascentara rebanhos e fora caçador,

Em seguida fizera-se bandoleiro; depois, mais audaz que outros, foi capitão de ladrões de estrada, cujo bando praticava, simultânemante com outros bandos semelhantes, frequentes assaltos, saqueando os povoados das regiões mais ricas das planícies do Sul; e finalmente, como chefe do exército lusitano, fora o terror dos Romanos.

Lucílio chamou-lhe o "Aníbal bárbaro", igualando o seu génio militar ao do grande general cartaginês. A sua estratégia foi a luta de guerrilhas muito popular com os guerreiros hispanos, mas usada por Viriato não já só para a defensiva, como também para o ataque.

O Aparecimento de Viriato

Viriato aparece na História, quando em 147 AC se opôe a rendição dos lusitanos a Caio Vetílio, que os tinha cercado no vale de Betis , na Turdetânia. Viriato lembra aos seus companheiro a traição anterior de Galba, em que mais de 30.000 lusitanos foram assassinados, homens , mulheres e crianças e outros foram vendidos como escravos nas Gálias.

Demonstrou-lhes que os romanos eram inimigos falsos, sem palavra e que já os haviam atraiçoado miseravelmente, conseguindo assim convencê-los, e é eleito chefe.

Derrota os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície do Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, fazendo nas fileiras inimigas uma espantosa chacina, tendo sido morto o próprio Vetílio. Seguidamente os lusitanos destroçam as tropas de Cayo Pláucio, tomando Segóbriga e as de Cláudio Unimano, que em 146 AC era o governador da Hispânia Citerior. Em 145 AC os lusitanos voltam a derrotar as tropas romanas de Caio Nígidio.

Em 145 AC Quinto Fábio Máximo, irmão de Cipião "O Africano" é nomeado cônsul na Hispania Citerior e é encarregado da campanha contra Viriato ao comando de duas legiôes. Ao princípio tem algum êxito mas Viriato recupera e em 143-142 AC volta a derrotar os romanos em Baecula e obriga-os a refugiar-se em Córdova.

Simultaneamente, seguindo o exemplo do chefe lusitano, as tribos celtibéricas revoltavam-se contra as prepotências romanas, acendendo uma luta que só terminaria em 133 AC com a queda de Numância.

Em 140 AC Viriato derrota o novo cônsul Fábio Máximo Servilliano, matando mais de 3.000 romanos, encurralando o inimigo e podendo destroçá-lo, mas deixou Servilliano libertar-se da posição desastrosa em que se encontrava, em troca de promessas e garantias de os Lusitanos conservarem o território que haviam conquistado. Em Roma esse tratado de paz foi depois considerado humilhante e vexatório e o Senado romano volta atrás, e declara-lhe guerra.

Viriato tinha agora um exército desfalcado e fatigado das lutas. Apagava-se a sua estrela. O novo governador Quinto Servílio Cipião reforçado com tropas de Popílio Lenas, dispunha de forças muito superiores. Viriato foi compelido a pedir a paz, tendo que entregar aos romanos os principais revoltosos. Enviou a Servílio três emissários, Audax, Ditalkon e Minuros, que Viriato considerava dos seus melhores amigos.

Morte de Viriato em 140 AC assassinado por Audax, Ditalkon e Minuros

Estes foram subornados por Servílio que lhes prometeu honras e dinheiro em troca do assassinato do seu chefe. Estes assim procederam, e o glorioso caudilho foi por eles morto quando se encontrava a dormir na sua tenda.
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domingo, 10 de fevereiro de 2008

Bárbaros e Muçulmanos 411-1095DC

Primeiras invasões

Ano de 255 D.C., notícia da primeira invasão germânica .Atacam cidades do Norte de Hispânia, Tarragona, Clunia, e no Mediterrâneo em geral. As cidades reduzem-se e fortificam-se. Não se perde o tempo com monumentos. Pode considerar-se o começo do fim da Hispania romana.

Anos 407-409 D.C. chegam em massa os invasores germânicos. Os vândalos vão para o Sul, os Suevos para Noroeste e os Alanos para nordeste. Os invasores germânicos são considerados às vezes como libertadores do jugo romano, outras vezes como invasores. Os efeitos imediatos das invasões são a insegurança e a anarquia. Sucedem-se os saques e as emigrações em massa . Perde-se a estabilidade imperial. Bandas incontroladas de gente que perdeu as suas terras dedicam-se ao roubo. Roma pactua com os visigodos para restabelecer a ordem na Hispania.

Vándalos (Silingos e asdingos)

Eram um povo guerreiro de origem germânica, que mantiveram um reino no norte de África desde 429 até 534 DC., e que saquearam Roma em 455 DC. O seu nome (vandalismo), é sinónimo de maldade e destruição.

Fugindo dos Hunos no começo do século V, invadiram e destruíram parte da Gália e estabeleceram-se na Hispania em 409. Fixaram-se a Este da Gallaecia e no ocidente da Bética. Em 429 D.C. passaram para África e chegaram a dominar todo o norte do continente. A sua religião era o Arianismo.

Compreendiam o ramo do Asdingos que foi para a Gallaecia, e o dos Silingos que se localizaram na Bética (Andaluzia), tendo sido destroçados em 418 D.C. pelo rei visigodo Valia e acolhendo-se os raros sobreviventes à protecção de Gunderico, rei vândalo da Gallaecia. Com o seu último rei, Gaiserico, passaram em 429 D.C. para a África.. Tornaram-se federados de Roma em 435, mas quatro anos mais tarde saíram da tutela romana, tomaram Cartago e formaram uma autocracia independente.

Chegaram a ter um grande poder naval. Estabeleceram-se firmemente no noroeste da Tunísia e nordeste da Algéria e evntualmente anexaram a Sardenha, Córsega e a Sícilia. As suas frotas piratas controlaram muito do Mediterrâneo ocidental. Sob o mando de Gaiserico, os Vândalos invadiram a Itália e capturaram Roma em Junho de 455 DC. Ocuparam a cidade durante 14 dias saqueando e pilhando todas as obras de arte valiosas.

Eram ardentes cristãos arianos, e as suas perseguições à igreja Católica Romana foram ferozes, particularmente durante os últimos anos do reinado de Huneric ( reinou de 477-484), que tinha sucedido a Gaiserico. Em 533 os Bizantinos debaixo do comando de Belisário invadiram o Norte de África derrotaram e destruíram o reino Vândalo para sempre, restaurando as igrejas da Igreja católica Romana

Alanos
Povo de origem iraniana, guerreiro e nómada que chegaram do Irão à costa Este do Mar Negro. Os alanos apareceram mencionados na literatura romana no 1º século DC, e eram descritos como um povo guerreiro especializado na criação de cavalos.

Em 370 DC, empurrados pelos Hunos, tiveram que emigrar para Oeste, atravessando as Gálias com os Vândalos e os Suevos ( 406 DC) até chegar à Hispania e assentaram-se no centro da península. Misturaram-se com os Vândalos e passaram da península Ibérica para África. Os reis vândalos tinham o título oficial de "Reis dos Vândalos e ddos Alanos".

Suevos (Quados e Marcomanos)

Povo germânico, também chamado Suebi ou Suevi. No século I DC, a maioria dos Suevos viviam à volta do rio Elba. Desalojados pelos Hunos, alguns Suevos atravessaram o Reno e em 409 DC entraram na Hispania, assentando-se principalmente no noroeste ( Gallaecia). Em 447 DC, sob o mando do seu rei Rechila, os Suevos espalharam-se pelas províncias Romanas da Lusitania e Baetica.
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Apesar dos Suevos terem entrado em Hispania como pagãos, o seu rei Rechiar subiu ao trono como cristão em 448. Foi mais tarde derrotado pelos visigodos comandados por Teodorico II em 456. Um pequeno número de Suevos sobreviveram debaixo do comando de Maldras ( reinou de 456-460) e alguns reis rivais até 585, quando o seu reino foi anexado pelo estado Visigodo.

Visigodos

Um dos dois grupos em que se dividiu o povo Godo, um dos mais importantes povos germânicos. Os Visigodos separam-se dos Ostrogodos no século IV DC, e invadiram os territórios Romanos, estabelecendo grandes reinos na Gália e na Hispania. Os Visigodos eram agricultores na Dácia ( actual Roménia ) quando foram atacados pelos Hunos em 376 e dirigiram-se através do rio Danúbio invadindo o Império Romano.O Império permitiu-lhes a sus entrada mas os exageros tributários das autoridades Romanas levou-os à revolta e ajudados pelos Ostrogodos derrotaram o exército Romano em 378 matando o próprio imperador Valente, em Andrinopla.

Andaram 4 anos procurando sítio para estabelecer-se, mas em 382 Teodósio I deixou-os instalar em Mesia ( nos Balcãs) dando-lhes terras, aceitando-os como federados de Roma, com a obrigação de defender as fronteiras. Foi nesse período que se converteram ao Cristianismo Ariano. O seu bispo Wulfila traduziu a Bíblia em gótico. Permaneceram em Mesia até 395, mas sob a liderança de Alarico, abandonaram essas terras e dirigiram-se para a Grécia, onde saquearam Atenas, Corinto e Esparta e seguiram para a Itália, onde saquearam Roma em 410. Morre Alarico, e o seu sucessor Ataulfo leva os visigodos para o sudeste da Gália, e invadem a Hispania em 415.

Desde 418 a 475, os Visigodos foram federados de Roma, chamados por Constantino II, que necessitou da sua ajuda militar. Estabeleceram-se na província da Aquitania. O rei visigodo Teodorico I morreu lutando contra Átila na batalha de Catalaunian, e pode considerar-se como o primeiro monarca Visigodo. O seu filho Eurico, declarou-se independente de Roma, e fundou o reino Gálico com capital em Toulouse, que se extendia de do Loire aos Pirinéus e incluia uma grande porção da Hispania.

Seu filho Alarico II, foi derrotado e morto por Clovis e os seus Francos na batalha de Vouillé perto de Poitiers ( 507). Como resultado desta derrota perderam todas as suas possessões na Gália, excepto a Septimania, tira de terra ao longo da costa dos Pirinéus, com Narbona por capital, que os francos nunca foram capazes de conquistar. Acabaram por ser derrotados e destruídos pelos Muçulmanos em 711. Os visigodos governaram Septimania e grande parte da Hispania, tendo Toledo como capital.

Chegada do Cristianismo à Lusitânia

O Cristianismo chegou à Lusitânia no século III e à Galiza somente no século IV onde os ensinamentos heréticos e ascéticos de Gaul Priscillian, bispo de origem belga, foram mais influentes e retardaram a sua penetração.

Com o colapso da fronteira do Reno, ( 406 DC ), os povos bárbaros forçaram a sua entrada na Gália e atravessaram os Pirinéus. Uma tribo germânica, os Suevos, instalou-se na parte sul da Galiza ( 411 DC ) e os seus governantes residiram em, ou perto de, Bracara Augusta (Braga) e Portucale. Anexaram a Lusitânia, e por um tempo dominaram o resto da Península, mas os Visigodos dominaram e extinguiram a sua monarquia (469 DC)

Pouco se sabe até cerca do ano 550, quando a monarquia Sueva foi restaurada e convertida ao Cristianismo por São Martinho de Dume ( S. Martin, natural da Pannonia, actual Hungria ).

Braga é portanto famosa por ser o lugar onde os Visigodos renunciaram ao Arianismo e às heresias Pricilianistas contra a divindade de Cristo.

Em 585 o rei Visigodo Leovigildo derrotou outra vez a monarquia Sueva, toma Braga e anexou o território, mas permaneceu distinto da Espanha Gótica. A igreja de São Martinho agrupou à sua volta os bispos do território Suevo, até cerca do ano 660, a partir do qual, as divisões eclesiásticas foram ajustadas ao antigo sistema provincial romano e a região do sul do Douro foi restaurada como Lusitânia.

Invasão Muçulmana

Com a invasão Muçulmana de 711, e a derrota de Roderico ( Rodrigo) em Guadalete, a única resistência gótica séria, foi feita em Mérida. Com a sua queda todo o noroeste foi submetido. Tropas Berberes ( povos oriundos do Norte de África) foram colocadas no centro de Portugal e Galiza., mas com a revolta dos Berberes e a grande fome na região (740 - 750), estas foram evacuadas.

Braga foi abandonada, mas a população rural aí permaneceu ou foi depois restaurada. Quando ‘Abd ´ar-Rahmän I criou a dinastia Umayyad em Córdova (756), houve alguma resistência no oeste, e talvez tenha colocado algumas tropas Berberes em Mérida e Coimbra. Lisboa foi independente por alguns anos ( cerca de 805).

Por essa época, a conquista do norte da África estava consolidada pelos Árabes e o governador de Ceuta, Juliano ( o conde Julião dos cronistas), que outrora fora fiel ao monarca Visigodo havia cedido seu apoio aos Árabes (apesar de ser Cristão). Mas por quê? O rei Witza, da Hispania, tinha morrido e não foi permitido ao seu filho, Áquila, assumir o trono; os nobres Visigóticos elegeram Rodrigo, para o trono. Segundo Juliano disse aos Árabes, ele odiava Rodrigo, pois este havia desonrado sua filha ( lenda não provada ) , por isso, queria vê-lo derrotado e humilhado.

Os Árabes, que já vinham atacando, por meio de navios, as costas da Espanha há muito tempo, viram nessa inimizade sua chance para invadir e anexar a região que eles conheciam como al-Andalus. Em Junho de 711, Musa ibn Nuçair, o governador do norte da África, enviou à Hispania um exército composto por cem cavaleiros, quatrocentos guerreiros e sete mil Berberes. Os navios para o ataque foram fornecidos por Juliano, governador Visigótico de Ceuta.

Rapidamente, os Muçulmanos tomaram a cidade de Algeciras e os rochedos da costa (hoje conhecidos como Rochedo de Gibraltar). Depois disso, marcharam para Córdoba. O rei da Espanha, Roderico, estava ocupado combatendo os Vascónios, no norte, e demorou certo tempo para conseguir mobilizar seus exércitos para combater os invasores. Enquanto as tropas reais não chegavam, Djabal al-Tariq assolava o sul da península.

Enfim, em 19 de Julho de 711, o Rei Roderico finalmente alcançou a região onde os Árabes estavam e a batalha iniciou-se. Esta iria durar sete dias, ou seja, até o dia 26 e ser decidida pela inteligência do general Árabe.

Numericamente superiores e providos da motivação de defenderem seus domínios, os Visigodos estavam a ponto de derrotar os Árabes. Foi quando Tariq convidou dois irmãos do Rei Witza (o Rei que havia morrido), e fez com eles um pacto: se estes desertassem com suas tropas, seriam poupados e recompensados.

Sendo assim, no dia 26, dia do combate derradeiro, as duas principais frentes da cavalaria Visigótica debandaram e os flancos do exército Hispano ficaram desguarnecidos. Avisados de antemão que isso iria ocorrer, os Muçulmanos atacaram pelos flancos e trucidaram a infantaria Visigótica. Foi um massacre no qual tombou, inclusive, Roderico.

Ficando sem rei, a Hispania não conseguiu reagrupar-se para a defesa e, sendo assim, em dois meses, Tariq havia conquistado totalmente o sul da Hispania e preparava-se para marchar em direcção ao centro.

Musa, na África, ao saber dos sucessos de seu general, reuniu um exército e desembarcou na costa leste da Hispania, formando agora duas frentes de invasão Muçulmana que atacavam a península.

Os nobres Visigóticos que não tinham sido subornados pelos Mouros (nome pelo qual os Europeus, chamavam os Islâmicos), começaram a ser exterminados e, ao procurarem auxílio nas cidades, não eram bem recebidos, pois os Judeus (que dominavam o comércio e, sendo assim, a vida urbana) estavam cansados das perseguições Cristãs impostas a eles pelos Visigodos e preferiam a liberdade de culto (mediante o pagamento de impostos) oferecida pelos conquistadores.

Dessa forma, os partidários de Rodrigo, agora sob o comando de Pelágio, foram isolar-se nas montanhas do extremo norte da Hispania, onde, devido ao posicionamento estratégico, esperavam resistir ao extermínio da mesma maneira que os Bascos vinham fazendo contra eles. Formou-se assim, o primeiro dos Reinos Hispânicos pós-conquista Árabe: o Reino de Astúrias.
Entre 711 e 714, os dois generais Árabes conquistaram toda a Hispania, excepto o Reino das Astúrias, que devido à sua localização de difícil acesso, pode resistir e se tornar, mais tarde, no século IX, o berço da Reconquista da Hispania, reconquista esta que teve o apoio, militar e financeiro, de Carlos Magno (pelo menos em sua fase embrionária).

Quanto a Tariq, foi mais um dos conquistadores esquecidos de nossa História, só não foi totalmente esquecida porque, em homenagem a ele, foi erigida uma cidade (na parte Europeia do estreito), e esta cidade foi baptizada com seu nome, cujas corruptelas futuras tornaram Gibraltar, o mesmo nome com o qual foram rebaptizadas as Colunas de Hércules, pois, se no passado o Semi-Deus havia afastado os perigosos Berberes da Europa por meio da separação dos dois continentes, agora, um general (que nada tinha de Semi-Deus conseguia quebrar a vontade dele e impor a sua, em outras palavras, o Islão ganhava terreno dentro da Cristandade.

Pouco depois, o governador árabe da África, Mouça-ibn-Nokair, sabedor do êxito de Tarik, desembarcou na Espanha, acompanhado de seu exército. E em menos de dois anos efetuou a conquista de quase toda a Península Ibérica. Em 713, na cidade de Toledo, proclamou o califa de Damasco, Omar II (717-720), soberano de todos os territórios conquistados.

Conquista muçulmana da península Ibérica

A restauração das Sés Cristãs da Galiza, a descoberta do suposto túmulo de São Tiago (talvez algumas relíquias do Apóstolo Tiago trazidas desde Mérida - Ver Enciclopédia de la Bíblia - e a construção da sua Basílica em Santiago de Compostela, foram seguidas pela organização da fronteira do território de Portucale (868) por Vimara Peres; Embora Coimbra tenha sido anexada pelos cristãos, voltou outra vez a ser perdida.

Segue-se o - Condado Portucalense -

O Condado Portucalense -1095 - 1139

O nascimento de Portugal

A invasão árabe foi rápida, mas a reconquista do território pelos Visigodos, foi bastante mais lenta. Esta reconquista originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a Reconquista era bem sucedida. Primeiro o Reino das Astúrias que viria a ser dividido entre os filhos de Afondo III das Astúrias quando faleceu. Assim nasceram os reinos de Leão e Castela, e mais tarde, de Navarra e Aragão e da Galiza.

O Condado de Portugal

Pelo século X o condado de Portugal ( norte do Douro ) foi governado por Mumadona Dias seu marido Hermenegildo Gonçalves e os seus descendentes, um dos quais era tutor e sogro do rei Leonês Alfonso V. Mas quando a sua dinastia foi destronada pela casa Navarra - Castelhana de Sancho III o Grande, o condado ocidental perdeu a sua autonomia.

O filho de Sancho III, Fernando I de Castela, reconquistou Coimbra em 1064 mas entregou o seu governo a um moçarabe. Quando os Almorávidas Africanos anexaram a Espanha Muçulmana, Alfonso VI de Leão (1065-1109) e Castela (1072-1109) tomaram providências para a defesa do Oeste, solicitando a ajuda de Henrique, irmão do Duque de Eudes ( Odo ) de Borgonha, casando-o com a sua filha ilegítima Teresa, e fizeram-no conde de Portugal.

Henrique de Borgonha

Henrique de Borgonha (1066Astorga, 24 de Abril de 1112) foi Conde de Portucale desde 1093 até à sua morte. Ele foi o filho de Henrique de Borgonha, herdeiro de Roberto I, Duque de Borgonha e de Beatriz ou Sibila de Barcelona. Era irmão de Eudes I.

Sendo um filho mais novo, Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Guerra de Reconquista. Ele ajudou, enquanto cruzado, o Rei Afonso VI de Leão e Castela a conquistar o Reino da Galiza, que compreendia aproximadamente a moderna Galiza e o norte de Portugal, recebendo como recompensa com a filha dele, Teresa de Leão com a qual casou.

Deve ter ter casado em finais de 1095 com a jovem e formosa Teresa, filha de Afonso VI e de Ximena Moniz. Durante os primeiros anos de matrimónio viveram em Toledo.

Alguns anos mais tarde, em 1096, Henrique tornou-se também o Conde Portucalense, condado até à data dependente do reino de Galiza, devido à pouca habilidade bélica que o seu primo, o Conde Raimundo da Galiza, conduzia contra os Mouros.

Henrique teve vários filhos de Teresa. O mais novo, o único que sobreviveu à infância, foi Afonso Henriques, que se tornou o segundo Conde de Portugal em 1112. No entanto, o jovem Afonso tinha outros planos; em 1128 rebelou-se contra sua mãe que pretendia o condado devolvido a ela e a junção de novo com o reino de Galiza. Por isso, em 1139 reafirmou-se independente de Leão e proclamou-se Rei de Portugal.

O reconhecimento oficial só ocorreu em 1143, com a assinatura do tratado de Zamora, após ter vencido sua mãe e Afonso VI de Leão com Raimundo de Borgonha como aliado, na Batalha de São Mamede em Guimarães. Morre em 30 de Abril de 1112 na cidade de Astorga e está sepultado em Braga.

Teresa, Portucalensis Regina

Desde 1095, portanto, Henrique e Teresa ( que usava o título de rainha - " Portucalensis Regina" - , governaram Portugal e Coimbra. Com a morte de Alfonso VI as suas possessões passaram para a sua filha legítima Urraca e para o seu neto Alfonso VII. Henrique de Borgonha, o bom gaulês, sonhou com o poder, mas tinha muito pouco quando morreu em 1112, deixando Teresa com o seu filho ainda criança, Afonso Henriques.

As intrigas de Teresa com o seu favorito Galego, Fernando Peres de Trava, perderam o favor dos barões portugueses, que em 1128 a derrotaram na Batalha de S. Mamede, e a exilaram. Assim Afonso Henriques tornou-se conde de Portugal.

Batalha de São Mamede

Combate travado a 24 de Junho de 1128 no lugar de São Mamede, nas vizinhanças de Guimarães. Assinala a afirmação da independência portuguesa face à Galiza, pela vitória do jovem D. Afonso Henriques contra as tropas de sua mãe, D. Teresa, e do conde Fernão Peres de Trava. Afonso Henriques comandava um exército de nobres do Condado Portucalense, descontentes com a hegemonia galega sobre os destinos do território de Entre-Douro-e-Minho, personificada na família dos Travas.

O Conde D. Henrique que como já se disse, foi o quarto filho de Henrique de Borgonha, neto do Duque Roberto, bisneto de Roberto I de França, irmão dos Duques Hugo e Eudes de Borgonha, sobrinho-direito da rainha Constança de Leão, sobrinho-neto de S. Hugo, abade de Cluny, e primo co-irmão de Henrique IV de Alemanha.

Parece ter casado en finais de 1095 com a jovem e formosa Teresa, filha de Afonso VI e de Ximena Moniz. Durante os primeiros anos de matrimónio viveram em Toledo. Morre em 30 de Abril de 1112 na cidade de Astorga e está sepultado em Braga.
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