quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A figura de Viriato




Viriato Herói Ibérico

«Quando ainda não existiam os reinos medievais com as suas peculiaridades nem os Estados modernos com a sua história nacional, Portugal e Espanha constituíam um todo, uma paisagem e uma mesma gente capaz de fazer da Península a sua casa e de enfrentar junta as intempéries e formas de vida extremamente duras. à margem de fronteiras, estabelecidas ao acaso com o passar dos séculos ou o esquadro da política, a história portuguesa e espanhola era então - e foi até à entrada na Idade Média - uma única história peninsular.»


( História de Espanha por Fernando G. de Cortázar e José Manuel G. Vesga ) 

Quem era Viriato?



Viriato é citado por Diodoro ( XXXIII ) que diz que Viriato "nascera na Lusitânia, cerca do Oceano", talvez na região de Estremadura, entre o Tejo e o Douro, e, como pastor que era, filho da montanha, possivelmente oriundo da Serra da Estrela ( Mons Herminius ). Dizem os seus antigos biógrafos, como Orósio, Diodoro, Lívio e outros, que Viriato, na sua mocidade, apascentara rebanhos e fora caçador,

Em seguida fizera-se bandoleiro; depois, mais audaz que outros, foi capitão de ladrões de estrada, cujo bando praticava, simultânemante com outros bandos semelhantes, frequentes assaltos, saqueando os povoados das regiões mais ricas das planícies do Sul; e finalmente, como chefe do exército lusitano, fora o terror dos Romanos. 

Lucílio chamou-lhe o "Aníbal bárbaro", igualando o seu génio militar ao do grande general cartaginês. A sua estratégia foi a luta de guerrilhas muito popular com os guerreiros hispanos, mas usada por Viriato não já só para a defensiva, como também para o ataque.

O Aparecimento de Viriato


Viriato aparece na História, quando em 147 AC se opôe a rendição dos lusitanos a Caio Vetílio, que os tinha cercado no vale de Betis , na Turdetânia. Viriato lembra aos seus companheiro a traição anterior de Galba, em que mais de 30.000 lusitanos foram assassinados, homens , mulheres e crianças e outros foram vendidos como escravos nas Gálias. 

Demonstrou-lhes que os romanos eram inimigos falsos, sem palavra e que já os haviam atraiçoado miseravelmente, conseguindo assim convencê-los, e é eleito chefe. 

Derrota os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície do Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, fazendo nas fileiras inimigas uma espantosa chacina, tendo sido morto o próprio Vetílio. Seguidamente os lusitanos destroçam as tropas de Cayo Pláucio, tomando Segóbriga e as de Cláudio Unimano, que em 146 AC era o governador da Hispânia Citerior. Em 145 AC os lusitanos voltam a derrotar as tropas romanas de Caio Nígidio.

Em 145 AC Quinto Fábio Máximo, irmão de Cipião "O Africano" é nomeado cônsul na Hispania Citerior e é encarregado da campanha contra Viriato ao comando de duas legiôes. Ao princípio tem algum êxito mas Viriato recupera e em 143-142 AC volta a derrotar os romanos em Baecula e obriga-os a refugiar-se em Córdova.

Simultaneamente, seguindo o exemplo do chefe lusitano, as tribos celtibéricas revoltavam-se contra as prepotências romanas, acendendo uma luta que só terminaria em 133 AC com a queda de Numância.

Em 140 AC Viriato derrota o novo cônsul Fábio Máximo Servilliano, matando mais de 3.000 romanos, encurralando o inimigo e podendo destroçá-lo, mas deixou Servilliano libertar-se da posição desastrosa em que se encontrava, em troca de promessas e garantias de os Lusitanos conservarem o território que haviam conquistado. Em Roma esse tratado de paz foi depois considerado humilhante e vexatório e o Senado romano volta atrás, e declara-lhe guerra.


Morte de Viriato em 140 AC assassinado por Audax, Ditalkon e Minuro
Viriato tinha agora um exército desfalcado e fatigado das lutas. Apagava-se a sua estrela. O novo governador Quinto Servílio Cipião reforçado com tropas de Popílio Lenas, dispunha de forças muito superiores. 


Viriato em Zamora
Viriato foi compelido a pedir a paz, tendo que entregar aos romanos os principais revoltosos. Enviou a Servílio três emissários, Audax, Ditalkon e Minuros, que Viriato considerava dos seus melhores amigos.

Estes foram subornados por Servílio que lhes prometeu honras e dinheiro em troca do assassinato do seu chefe. 

Estes assim procederam, e o glorioso caudilho foi por eles morto quando se encontrava a dormir na sua tenda.

Os Portugueses de hoje consideram este seu remoto antepassado lusitano uma das mais belas e sugestivas figuras simbólicas do espírito de independência, de estóica heroicidade e de sacrifício total pelas liberdades pátrias. 

Em 1940 foi erigida em Viseu uma estátua à memória de Viriato. 

A Espanha considera também Viriato ( e está no certo, pois Viriato é um herói hispano muito anterior à formação das nacionalidades ibéricas ) como seu antepassado, e já tinha anteriormente feito o mesmo, erguendo-lhe uma estátua em Zamora, que contem na sua base a sugestiva legenda: 

                                                      TERROR ROMANORUM.

Um comentário:

Luís Filipe Martins disse...

Viriato e os Lusitanos na História fala tanto de nós, como povo e da nossa mentalidade. Ainda hoje nos lamentamos e nós somos a causa dos nossos males. Penso de cada vez estar mais perto de compreender a sua solidão e o facto de quando menos se espera-se, ele aceitar pactuar com os "romanos". A vida e o tempo nos ensinam tantas coisas. Um homem está de verdade "vivo" se o não deixamos morrer em nós.