terça-feira, 29 de outubro de 2013

REIS DE PORTUGAL


Reis de Portugal
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Dinastia de Borgonha
Os construtores de Portugal
D. Afonso I - (1139 - 1185 ) -" O Conquistador"

 

1º Rei de Portugal

D. Afonso Henriques , filho do conde D. Henrique e de D. Teresa, nasceu provavelmente na alcáçova de Coimbra, em Guimarães ou talvez até em Viseu,  nos fins de 1108 ou princípios de 1109. Casou em 1146 com Mafalda de Sabóia, filha de Amadeu III de Sabóia, e do matrimónio tiveram pelo menos sete filhos, um dos quais o futuro rei Sancho I. Morreu em 6 de Dezembro de 1185 e está sepultado na igreja de Santa Cruz em Coimbra. D. Afonso Henriques foi armado cavaleiro na antiga Igreja de São Salvador em Zamora.
 

 
Chamado Afonso Henriques por (Afonso, filho de D. Henrique, aqui radica a designação que os muçulmanos lhe atribuíram, Ibn-Arrik - «filho de Henrique»).Sendo neto do Imperador Afonso VI, Afonso Henriques de 1128-1140 usará o título de Dux, e já não a de Comes, como fez seu pai. E Pela Graça de Deus, Rei dos Portugueses (Dei Gratiae, Rex Portugalensium) de 1140-1189

 

.D.Sancho I (1185-1211) - "O Povoador"
 
2º Rei de Portugal
 
D. Sancho I nasceu a 11 de Novembro de 1154, em Coimbra, filho de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda. Casou em 1174 com D. Dulce de Aragão e morreu também em Coimbra em 26 de Março de 1211. O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do pai.

Fundou a cidade da Guarda, em 1199, e atribuiu cartas de foral na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), etc., povoando assim áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha.

Sancho I dedicou muito do seu esforço governativo à organização política, administrativa e económica do seu reino. Acumulou um tesouro real e incentivou a criação de indústrias, bem como a classe média de comerciantes e mercadores.

 

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D. Afonso II - (1211 - 1223)  "O Gordo", "O Gafo" ou "O Crasso"
 
3ª Rei de Portugal
 
D. Afonso II era filho de D. Sancho I e de D. Dulce, nasceu a 23 de Abril de 1185 em Coimbra, e morreu a 25 de Março de 1223 na mesma cidade. Está sepultado em Alcobaça. Casou com D. Urraca filha de D. Afonso VIII de Castela.

Os primeiros anos do seu reinado foram marcados por violentos conflitos internos entre Afonso II e as suas irmãs Mafalda, Teresa e Sancha (a quem seu pai legara em testamento, sob o título de rainhas, a posse de alguns castelos no centro do país -Montemor-o-Velho, Seia e Alenquer -, com as respectivas vilas, termos, alcaidarias e rendimentos), numa tentativa de centralizar o poder régio, o que foi resolvido apenas com o confisco dos bens e exílio para Castela ou recolhimento a mosteiros das infantas.

O primeiro conjunto de leis portuguesas é de sua autoria e visam principalmente temas como a propriedade privada, direito civil e cunhagem de moeda. Foram ainda enviadas embaixadas a diversos países europeus, com o objectivo de estabelecer tratados comerciais


 

D. Sancho II  (1223-1248) " O Capelo"
4ª Rei de Portugal
D. Sancho II, quarto rei de Portugal, nasceu em Coimbra talvez entre em 1209 e 1210, e morreu em Toledo em 4 de Dezembro de 1248, onde se pensa que está sepultado na sua Catedral. Era filho de D. Afonso II e de Urraca, neto, pelo lado materno do rei de Castela, Afonso VIII, e de Leonor de Inglaterra. Subiu ao trono em Março de 1233.
 
Herdou o trono com 13 anos e embora sendo bom guerreiro, digno continuador de D. Afonso Henriques, foi fraco administrador e político, completamente incapaz de resolver os problemas do reino, deixados pelo seu pai e vítima da sua falta de habilidade política acabou por ser deposto pelo Papa, a favor de seu irmão D. Afonso III.


Sancho II viria a chefiar um reino que atravessava uma profunda crise económica que já se tinha feito sentir nos tempos do seu avô Sancho I, devido a uma série de factores conjunturais e locais, como as más colheitas e consequente subida de preços e fome, ou a escassez dos frutos de pilhagens e saques a potências inimigas nos últimos anos do seu reinado.
Casou em data incerta, mas não antes de 1240, com D. Mécia Lopes de Haro, neta de Afonso IX de Leão. Não teve filhos, parece por ser impotente.

 

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D. Afonso III ( 1248- 1279 ) - O Bolonhês
 

5º Rei de Portugal

D. Afonso III era o segundo filho de D. Afonso II e de D. Urraca, e nasceu provavelmente em Coimbra em 5 de Maio de 1210. Casou inicialmente com D. Matilde, condessa de Bolonha em 1238, e o seu segundo casamento com D. Beatriz filha ilegítima de D. Afonso X - O Sábio, só foi legalizado em 1263, depois da morte de D. Matilde. Morreu a 16 de Fevereiro de 1279 e está sepultado em Alcobaça.
Como segundo filho, Afonso não deveria herdar o trono destinado a Sancho e por isso viveu em França, onde se casou com Matilde II de Bolonha em 1235, tornando-se assim conde jure uxoris de Bolonha. Todavia, em 1246, os conflitos entre Sancho II e aIgreja tornaram-se insustentáveis e o Papa Inocêncio IV ordenou a substituição do rei pelo conde de Bolonha. Afonso não ignorou a ordem papal e dirigiu-se a Portugal, onde se fez coroar rei em 1248 após o exílio e morte de Sancho II em Toledo,
D. Dinis I (1279 - 1325) - "O Lavrador"

6º Rei de Portugal D. Dinis era filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela nasceu a 9 de Outubro de 1261. Casou com D. Isabel de Aragão. Morreu a 7 de Janeiro de 1325. Está sepultado em Odivelas, no Mosteiro de São Dinis.

Foi cognominado O Lavrador ou O Rei-Agricultor, pelo impulso que deu no reinoàquela actividade, e ainda O Rei-Poeta ou O Rei-Trovador, pelas Cantigas de Amigo e de Amor que compôs, e pelo desenvolvimento da poesia trovadoresca a que se assistiu no seu reinado. Foi o primeiro rei português a assinar os seus documentos com o nome completo. Mandado educar esmeradamente pelo seu pai, presume-se que tenha sido o primeiro rei português não analfabeto.


Salvou a Ordem dos Templários em Portugal através da criação da Ordem de Cristo, que lhe herdou os bens no reino português, depois da sua extinção e apoiou os cavaleiros da Ordem de Santiago ao separarem-se do seu mestre castelhano.
O reinado de D. Dinis acentuou a predilecção por Lisboa como local de permanência da corte régia. Não existe uma capital, mas a localização de Lisboa, o seu desenvolvimento urbano, económico e mercantil vão fazendo da cidade o local mais viável para se afirmar como centro administrativo por excelência.

 

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D.Afonso IV  ( 1325 - 1357 ) " O Bravo"
7º Rei de Portugal
 
Filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão, D. Afonso IV nasceu em Lisboa a 8 de Fevereiro de 1291. Casou em 1309 com D. Beatriz filha de Sancho IV de Castela. Faleceu em Lisboa a 28 de Maio de 1357 e está sepultado na capela-mor da Sé de Lisboa.
Apesar de ser o único filho legítimo de seu pai, Afonso não seria, de acordo com algumas fontes, o favorito do rei D. Dinis, que preferia a companhia de D. Afonso Sanches, um dos seus bastardos (legitimado). Esta preferência deu lugar a uma rivalidade entre os dois irmãos que, algumas vezes, deu lugar a confrontos armados.
Em 1325, Afonso IV tornou-se rei e, como primeira decisão, exilou Afonso Sanches para Castela, retirando-lhe de caminho todas as terras, títulos e feudos concedidos pelo pai de ambos. O exilado não se conformou e do outro lado da fronteira orquestrou uma série de manobras políticas e militares com o fim de se tornar ele próprio rei. Depois de várias tentativas de invasão falhadas, os irmãos assinaram um tratado de paz, sob o patrocínio da Rainha Santa Isabel

D.Pedro I (1357-1367) - "O Cruel ou O Justiceiro"

8º Rei de PortugalD. Pedro I (Coimbra8 de Abril de 1320 - Estremoz18 de Janeiro de 1367) foi o oitavo Rei de Portugal. Mereceu os cognomes de O Justiceiro (também O Cruel, O Cru ou O Vingativo), pela energia posta em vingar o assassínio de Inês de Castro, ou de O-Até-ao-Fim-do-Mundo-Apaixonado, pela afeição que dedicou àquela dama galega. Era filho do rei Afonso IV e sua mulher, a princesa Beatriz de Castela. Pedro I sucedeu a seu pai em 1357.

Pedro é conhecido pela sua relação com Inês de Castro, a aia galega da sua mulher Constança, que influenciou fortemente a política interna de Portugal no reinado de Afonso IV. Inês acabou assassinada por ordens do rei em 1355, mas isso não trouxe Pedro de volta à influência paterna.

Como rei, Pedro revelou-se um bom administrador, corajoso na defesa do país contra a influência papal (foi ele que promulgou o famoso Beneplácito Régio, que impedia a livre circulação de documentos eclesiásticos no País sem a sua autorização expressa), e justo na defesa das camadas menos favorecidas da população. Na política externa, Pedro participou ao lado de Aragão na invasão de Castela.

D. Pedro reinou durante dez anos, conseguindo ser extremamente popular, ao ponto de dizerem as gentes «que taaes dez annos nunca ouve em Purtugal como estes que reinara elRei Dom Pedro».

  
 
Fernando I (1367-1383) "O Formoso"
 
9º Rei de PortugalD. Fernando I, nono Rei de Portugal, nasceu a 31 de Outubro de 1345 em Lisboa. Era filho do rei Pedro I de Portugal pela sua mulher, a princesa Constança de Castela. Fernando sucedeu a seu pai em 1367 e faleceu tuberculoso em  22 de Outubro de 1383.

Foi cognominado O Formoso ou O Belo (pela beleza física que inúmeras fontes atestam) e, alternativamente, como O Inconsciente ou O Inconstante (devido à sua desastrosa política externa que ditou três guerras com a vizinha Castela, e até o perigo, após a sua morte, de o trono recair em mãos estrangeiras).
D. Beatriz I - ( 1383 - 1385 )
10º Rei de Portugal

Rainha de jure e de facto (era a única herdeira legítima do trono deixado vago pela morte de D. Fernando I), D. Beatriz, casada com João I de Castela, foi aclamada Rainha em grande do Reino, exercendo a regência em seu nome, durante quase dois anos, a rainha-viúva, sua mãe D. Leonor Teles de Menezes; o seu marido D. João de Castela acrescentou mesmo o senhorio dos Reinos de Portugal e Algarve aos seustítulos, e mandou cunhar moeda com as armas de Leão e Castela partidas com as de Portugal.

Contudo, desde o início do reinado, várias vilas e cidades do reino começaram-se a revoltar, temendo a perda da independência, vindo paulatinamente a engrossar o partido que se foi constituindo à roda do Mestre de Avis.
Dinastia de Aviz
 
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  D.João I (1385-1433) - "O de Boa Memória"
 
11º Rei de Portugal

Filho bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega de nome Teresa Lourenço, D. João I nasceu em Lisboa aos 11 de Abril de 1357 e faleceu na mesma cidade em 14 de Agosto de 1433. Casa-se em Fevereiro de 1387, na cidade do Porto, com D. Filipa de Lencastre filha de Jonh of Gaunt, Duque de Lencastre. D. João I foi de facto um Rei de Boa Memória. 

Foi pai, foi avô e deixou a filhos e filhas, assim como aos netos, casa opulenta.À data da morte do rei D. Fernando I, sem herdeiros directos, Portugal parecia em risco de perder a independência. A rainha D. Leonor Teles de Menezes era impopular e olhada com desconfiança. Ter tornado pública a sua ligação amorosa ao nobre galego João Fernandes Andeiro, que vivia no paço, atraiu todas as críticas contra a sua pessoa e contra o conde Andeiro. Para além do mais, a sucessão do trono recaía sobre a princesa D. Beatriz, casada com o rei João I de Castela.

Com o apoio de um grupo de nobres, entre os quais Álvaro Pais e o jovem D. Nuno Álvares Pereira, e incentivado pelo descontentamento geral, o Mestre de Avis matou o conde de Andeiro no paço, a 6 de Dezembro de 1383 e iniciou o processo de obtenção da regência em nome do Infante D. João.
 
D. Duarte I (1433- 1438) " O Eloquente"
12º Rei de Portugal
 
D. Duarte I nasceu em Viseu a 31 de Outubro de 1391, filho de João I e de Filipa de Lencastre. Casou com D. Leonor de Aragão. Morreu em Tomar a 9 de Setembro de 1438. sucedeu a seu pai em 1433. Foi cognominado o Eloquente pelo verbo usado nas obras que escreveu; alternativamente, é também chamado o Rei-Filósofo. Recebeu o seu nome em homenagem ao avô de sua mãe, o rei Eduardo III da Inglaterra.

Desde muito jovem, D. Duarte acompanhou o seu pai nos assuntos do reino, sendo portanto um herdeiro preparado para reinar; em 1412 foi formalmente associado à governação pelo pai, tornando-se seu braço direito.

Ao contrário de seu pai, D. João I, foi um monarca preocupado em gerar consenso e ao longo do seu curto reinado: convocou as Cortes cerca de cinco vezes, para discutir assuntos de estado. Duarte deu continuidade à política de incentivo à exploração marítima e de conquistas em África.

 
D. Afonso V ( 1438 -1481 ) - "O Africano"
13º Rei de Portugal
 
D. Afonso V nasceu em Sintra em 15 de Janeiro de 1432, filho de D. Duarte e de D. Leonor de Aragão, e casou em 6 de Maio de 1447 com a sua prima D. Isabel, filha de D. Pedro, Duque de Coimbra. Faleceu em Sintra em 28 de Agosto de 1481.
Durante a sua menoridade, Portugal foi regido pela sua mãe, Leonor de Aragão, de acordo com o desejo expresso em testamento pelo rei Duarte de Portugal. No entanto, por ser mulher e estrangeira, Leonor de Aragão não era uma escolha popular e a oposição cresceu. 9 de Junho de , D. Afonso V atinge a maioridade e assume o controlo do reino. 

15 de Setembro do mesmo ano, desejoso de mostrar independência política, anula todos os editais aprovados durante a regência. A situação torna-se instável e, no ano seguinte, levado por informações que mais tarde viriam a provar-se falsas, D. Afonso declara o tio e sogro D. Pedro rebelde e inimigo do reino.

Juntamente com Afonso de Bragança, derrota o Duque de Coimbra na batalha de Alfarrobeira, onde este é morto em combate. Depois desta batalha e da perda do mais notável príncipe da Ínclita geração, D. Afonso V passa a ser totalmente controlado pelo Duque de Bragança.
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D. João II  (1481-1495)- "O Príncipe Perfeito"
14º Rei de Portugal

Filho primogénito do rei D. Afonso V e de D. Isabel, D. João II nasceu em Lisboa a 5 de Maio de 1455. Casa em 16 de Setembro de 1473 com D. Leonor ( A Fundadora das Misericórdias ).

Morreu em Alvor em 25 de Outubro de 1495, no meio de pavorosa agonia, correndo vozes no tempo, do que fazem ecos os cronistas, de que a morte foi devida a peçonha misturada com a água.

D. João II foi uma das maiores figuras da nossa história, não tanto pelas qualidades pessoais, como pelos métodos de governo, sobretudo pela obra que realizou no fortalecimento do poder régio. 

Ainda que a nobreza portuguesa chamava "Tirano" a D. João II, o melhor elogio da sua figura foi o de sua prima Isabel a Católica rainha de Espanha, que disse quando soube da sua morte : "- Murió el Hombre !"



 

 
D. Manuel I (1495-1521) "O Afortunado"
15º Rei de Portugal e 1º do Brasil
 
D. Manuel I era o nono filho do infante D. Fernando ( filho de D. Duarte ) e de D. Brites, nasceu em Alcochete em 31 de Maio de 1469 e faleceu em Lisboa a 13 de Dezembro de 1521estando sepultado na capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Casou a primeira vez em 1497 com a viúva do infante D. Afonso, D. Isabel filha dos Reis Católicos.

Com a morte de D. Isabel em 1498, voltou a casar em 1500 com a infanta D. Maria, irmã da sua primeira mulher. Viuvo de novo em 1517, volta a casar com D. Leonor, irmã de Carlos V, e que fora primeiramente destinada ao seu filho.
D. João III (1521- 1557) - "O Piedoso"
16º Rei de Portugal e 2º do Brasil
 
Primeiro filho do matrimónio de D. Manuel I com D. Maria, nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1502. Casa na vila do Crato em 10 de Fevereiro de 1525 com D. Catarina da Áustria irmã mais nova de Carlos V. Faleceu em 11 de Junho de 1557 e está sepultado na capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos.

Figura controversa,. D. João III foi admirado por alguns( Carolina Michaelis, Gomes de Carvalho, Mário Brandão, etc.) e criticado por outros ( Herculano ).
 
D. Sebastião (1557-1578) - "O Desejado"
17º Rei de Portugal e 3º do Brasil
 
Nasceu em 20 de Janeiro de 1554 filho do príncipe D. João, jurado herdeiro do trono em 1554 e D. Joana de Áustria, filha de Carlos V. Morreu na batalha de Alcácer-Quibir em 4 de Agosto de 1578. D. Sebastião nasceu vinte dias depois da morte do seu pai, sendo por isso "O Desejado".

Pouco inteligente e pouco culto ( Joel Serrão - Dicionário de História de Portugal ) de temperamento irrequieto e impulsivo, extraordinariamente vaidoso, nunca admitiu a mais pequena observação ou ouviu qualquer conselho.

Ainda que tivesse ficado na história como O Desejado, as suas incapacidades de governante foram trágicas para Portugal, levando-nos em Alcácer-Quibir à nossa maior derrota militar, seguida da perda da independência. Os seus desequilíbrios mentais, agora muito na moda, são descritos em pormenor na História de Portugal de Veríssimo Serrão.



Cardeal D. Henrique " O Casto" (1578-1580)



 
18º Rei de Portugal e 4º do Brasil
 
O Cardeal D. Henrique nasceu em Lisboa a 31 de Janeiro de 1512, filho de D. Manuel I e da sua segunda mulher D. Maria sendo o derradeiro monarca da casa de Avis. Morreu em Almeirim a 31 de Janeiro de 1580, e por ordem de Filipe I, o seu corpo foi transferido para os Jerónimos.
D. António I ( Prior do Crato ) 1580-1580 - O Determinado



 
19º Rei de Portugal e 5º do Brasil

D. António I foi rei de Portugal desde 19 de Junho de 1580, data da sua formal aclamação ao trono em Santarém, até à derrota na batalha de Alcântara, a 25 de Agosto seguinte. Era filho do infante D. Luís e de  Violante Gomes, de alcunha a "Pelicana" que era membro da pequena nobreza, e por quem o infante D. Luís se deixara fascinar e com quem casara em segredo, portanto neto de D. Manuel I.
Continuou a reinar no entanto "de jure" a partir do estrangeiro, e reinou "de facto" até 1583 no território açoriano, onde prosseguiu a guerra ao invasor, faleceu em Paris em 26 de Agosto de 1595. A historiografia oficial negou-lhe a condição de rei (por ser tido como filho bastardo e cristão-novo o que não é verdade pois era real aLegitimidade de D. António), tanto sob os Filipes, como também sob os Braganças.
Dinastia Filipina
 


Filipe I " O Prudente" ( Filipe II de Espanha)1580-1598 - O Prudente
 
20º Rei de Portugal e 6º do Brasil
 
Filipe I, nasceu em 21 de Maio de 1527, em Valladolid, filho de Carlos V e de Isabel de Portugal. Era portanto neto de D. Manuel I. O seu primeiro casamento foi em em 13 de Novembro de 1543 com D. Maria Manuela de Portugal, filha de D. João III e de D. Catarina, que morreu de parto em 1545.
 
Volta a casar em 1554 com Maria Tudor, rainha de Inglaterra que faleceu em em 1558 . Casou depois em 1559, com Isabel filha do rei de França e de Catarina de Médicis que morre em 1568. Volta a casar com Ana de Austria ilha de Maximiliano II. Filipe I morre no Escorial em 13 de Setembro de 1598. Transformou Madrid em capital do reino.
 
De ele disse um autor espanhol : « Gobernó el vastísimo imperio integrado por Castilla, Aragón, Cataluña, Navarra y Valencia, el Rosellón, el Franco-Condado, los Países Bajos, Sicilia, Cerdeña, Milán, Nápoles, Orán, Túnez, Portugal y su imperio afroasiático, toda la América descubierta y Filipinas. Después de viajar por Italia y los Países Bajos y ser reconocido como sucesor regio en los estados flamencos y por las Cortes castellanas, aragonesas y navarras, se dedicó plenamente a gobernar desde la corte madrileña con gran empeño.»
 
Filipe II " O Piedoso" (1598-1621)- Filipe III de Espanha -  O Piedoso
 
21º Rei de Portugal e 7º do Brasil

Filipe III de Espanha nasceu em Madrid em 14 de Abril de 1578 e morreu em Madrid, no Alcazar, de febre ou erisipela em 31 de Março de 1621). Foi Rei de Espanha e Rei de Portugal da dinastia Filipina, como Filipe II, entre 1598 e a sua morte. Era filho deFilipe II de Espanha e Ana de Áustria.

Casou em 18 de Abril de 1599 na catedral de Valência com Margarida da Áustria-Estíria ou de Habsburgo, nascida em Graz em 25 de Dezembro de 1584 e morta de parto no Escorial em 3 de Outubro de 1611).
Filipe III " O Grande" (1621-1640) - Filipe IV de Espanha - O Grande
 
22º Rei de Portugal e 8º do Brasil

Filipe IV de Espanha , o Grande, foi Rei de Espanha, entre 1621 e a sua morte, e Rei de Portugal, como Filipe III até 1 de Dezembro de 1640.

Nasceu em Valladolid em 8 de Abril de 1605, e morreu em Madrid em 17 de Setembro de 1665. Teve os apelidos de o Gordo, El Grande, o Rei Planeta. Foi, como Filipe III, rei de Portugal, de Nápoles, da Sicília, rei titular de Jerusalém, rei da Sardenha. Príncipe das Astúrias, aclamado rei da Espanha em 31 de Março de 1621 aos 16 anos. Rei dos Países Baixos, foi Duque de Milão, Conde da Borgonha e Conde de Charolais, Conde de Artois.

Casou em 1615 com Isabel de França ou de Bourbon, que faleceu em Madrid em 1644. Casou depois com Mariana de Austria. Filipe III, teve 13 filhos legítimos e 11 bastardos.
“Libertino sem convicção, voluptuoso sem alegria”, comentavam dele. E disseQuevedo: “A Nuestro rey lo llaman El Grande al estilo de los agujeros, que cuantas más tierras les quitas, más grandes son.”
 
Dinastia de Bragança
 


D. João IV (1640 - 1656) - O Restaurador
 
23º Rei de Portugal e 9º do Brasil
 
D. João IV de Portugal e João II de Bragança, nasceu em Vila Viçosa a 19 de Março de 1604 e faleceu em 6 de Novembro de 1656 e foi o fundador da Dinastia de Bragança. 

Casou em Elvas, com D. Luísa de Gusmão a 12 de Janeiro de 1633. .Ainda que as cortes confirmaram a ascensão da dinastia de Bragança e a coroação de João IV em 28 de Janeiro de 1641, o sucesso do novo regime não foi assegurado senão em 1668 quando a Espanha reconheceu a independência de Portugal.
Era filho de D. Teodósio, 7º duque de Bragança que tinha casado em 1603 com D. Ana de Velasco, filha de João Fernandes de Velasco, condestável de Castela, 1º Duque de Frias, conde de Haro, marquês de Berlengo, dos concelhos de Estado, Guerra e Marinha, governador de Milão e presidente de conselho de Itália.
Afonso VI (1656 -1683) - O Vitorioso
 
24º Rei de Portugal e 10º do Brasil
 
D. Afonso VI, nasceu em Lisboa filho de D. João IV e de D. Luisa de Gusmão. Casou por procuração em 27 de Junho de 1666 com Maria Francisca Isabel, Mademoiselle de Aumalle. Morreu em Sintra em 12 de Agosto de 1683.
Pedro II ( 1683 - 1706) - O Pacífico
 
25º Rei de Portugal e 11º do Brasil
 
D. Pedro II que nasceu em Lisboa em 26 de Abril de 1648 e faleceu no Palácio de Palhavã a 9 de Dezembro de 1690, foi casado primeiramente com a sua cunhada D. Maria Francisca Isabel de Sabóia de quem teve uma filha. Casou depois com D. Maria Sofia de Newburg ( 1666-1699) de quem teve 8 filhos.
D.João V - O Magnífico (1706 - 1750)



 
26º Rei de Portugal e 12º do Brasil
 
O seu reinado, que durou de 1706 até à sua morte em 1750, foi um dos mais longos da História portuguesa. Recebendo o nome de João Francisco António José Bento Bernardo, nasceu em Lisboa a 22 de Outubro de 1689, filho de D. Pedro II e de D. Maria Sofia de Neuburgo, e foi aclamado rei a 1 de Janeiro de 1707. 

Casou em 9 de Julho de 1708 com D. Maria Ana da Áustria ( que nasceu em Lintz a 7 de Setembro de 1683 ), filha do imperador Leopoldo I e de sua terceira mulher Leonor Madalena.

Morreu em Lisboa em 31 de Julho de 1750 e está sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora. D. Maria Ana faleceu no palácio de Belém a 14 de Agosto de 1754, estando sepultada no Mosteiro de S. João Nepomuceno, dos Carmelitas Descalços Alemães, de onde o seu coração foi levado para a Alemanha.

 
D. José I (1750 -1777) - O Reformador



 
27º Rei de Portugal e 13º do Brasil
 
D. José I (Nasceu em 6 de Junho de 1714 - Faleceu em 24 de Fevereiro de 1777), de nome completo José Francisco António Inácio Norberto Agostinho de Bragança, cognominado O Reformador devido às reformas que empreendeu durante o seu reinado, foi Rei de Portugal da Dinastia de Bragança desde 1750 até à sua morte. Casou em 1750 com Mariana Vitória de Espanha
D. Maria I (1777 - 1816 ) - A Piedosa
 
28º Rei de Portugal e 14º do Brasil

D. Maria I (Nasceu em Lisboa17 de Dezembro de 1734 - Faleceu no Rio de Janeiroa20 de Março de 1816). Jaz na Basílica da Estrela, em Lisboa, para onde foi transladada. Baptizada Infanta Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, foi Rainha de Portugal entre 1777 e 1816, sucedendo ao seu pai, o rei José I. Maria foi ainda Princesa do BrasilPrincesa da Beira e Duquesa de Bragança.

Ficou conhecida pelo cognome de A Piedosa ou a A Pia, devido à sua extrema devoção religiosa (foi ela, por exemplo, que mandou construir a Basílica da Estrela em Lisboa), e também como A Louca, devido à doença mental manifestada com veemência nos últimos 24 anos de vida.
D. Pedro III ( 1777-1786)

Rei-consorte de D. Maria ID. Pedro III (Nasceu em 5 de Julho de 1717 — Faleceu em 25 de Maio de 1786), baptizado Pedro Clemente Francisco José António de Bragança, Infante de Portugal,Senhor do InfantadoGrão-Prior do Crato, posteriormente Príncipe consorte do Brasil e Rei consorte de Portugal, foi o quarto filho do rei D. João V e da rainha D. Maria Ana.

D. Pedro era assim irmão de D. José I. Em 6 de Junho de 1760 casou com a sobrinha e herdeira da coroa D. Maria Francisca. Com a subida da mulher ao trono em 1777 tornou-se rei consorte de Portugal .
D. João VI ( 1816 - 1826 ) - O Clemente
 
29º Rei de Portugal e 15º do Brasil
 
Segundo filho de D. Maria I e de D. Pedro III, o futuro D. João VI - João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael - nasceu no Palácio Real da Ajuda, perto de Lisboa - o chamado "Paço Velho" -, a 13 de Maio de 1767. Foi seu padrinho de baptismo, por procuração, o rei de França, Luís XV. Faleceu em Lisboa em 10 de março de 1826.

Teve vários irmãos, José, outro João, Mariana Vitória, Clementina e Isabel, três dos quais morreram de tenra idade. 

Pedro I - 1º Imperador do Brasil e Pedro IV de Portugal - O Rei-Soldado
 
30º Rei de Portugal (Por sete dias) e Pedro 1º do Brasil
 
Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon nasceu em 12 de Outubro de 1798 na sala D. Quixote do palácio de Queluz, próximo a Lisboa. Faleceu no mesmo palácio de Queluz em 24 de Setembro de 1834.

Era filho do futuro rei de Portugal, D. João VI, então príncipe regente, e da infanta Carlota Joaquina, filha de Carlos IV da Espanha. Seus primeiros mestres foram o Dr. José Monteiro da Rocha, ex-jesuíta, e frei António de Nossa Senhora da Salete.

D. Maria II ( 1826 - 1828 ) e ( 1834 - 1853 ) - A Educadora
 
31º Rei de Portugal
 
Nasceu a 4 de Abril de 1819 e morreu em 15 de Novembro de 1853, era filha de D. Pedro IV de Portugal (I do Brasil) e da arquiduquesa Leopoldina de Áustria. Casou em 1835 com o príncipe Augusto de Leuchtenberg, que morreu pouco depois. Desposou em segundas núpcias o príncipe D. Fernando Saxe-Coburgo-Gotha, em 1836. 

Teve de se adaptar ao novo sistema da monarquia parlamentar e, durante o seu reinado, conheceu várias revoltas e golpes de Estado, tendo exercido com determinação a sua autoridade, demonstrando coragem e firmeza de espírito. Foi mãe dos reis D. Pedro V e D. Luís, dois dos seus 11 filhos.  
D. Miguel I ( 1828 - 1834 ) - O Absolutista
 
32º Rei de Portugal
 
Dom Miguel I de Bragança (Nasceu em Queluz26 de Outubro de 1802 - Morreu emSchloß Karlshöhe (Palácio de Karlshöhe) em Bronnbach14 de Novembro de 1866),
 
De seu nome completo Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon, foi oficialmente o terceiro filho do rei Dom João VI de Portugal (há dúvidas se não seria filho de Da. Carlota Joaquina e do 6º Marquês de Marialva) e irmão mais novo do Imperador D. Pedro I do Brasil.
 
D. Miguel foi Rei de Portugal durante o período das Guerras Liberais (1828-1834).
D. Pedro V  ( 1853 - 1861 ) - O Bem-Amado
 
33º Rei de Portugal
 
Sucedeu a Maria II, o seu filho mais velho, Pedro V, (1853-61) filho do seu segundo matrimónio com Fernando de Saxe-Coburg, que casou com Stephanie of Hohenzollern Sigmaringen em 1858. ( Estefânia ). 

Prometia ser um monarca capaz e consciencioso mas morreu de febre tifóide em 11 de Novembro de 1861. Nasceu em 16 de Novembro de 1861.
D. Luis I ( 1861 - 1889 ) - O Popular ou O Bom
 
34º Rei de Portugal
 
D. Luís I (31 de Outubro de 1838 - 19 de Outubro de 1889), de seu nome completo Luís Filipe Maria Fernando Pedro de Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando de Bragança, foi o segundo filho da rainha D.Maria II e de D.Fernando de Saxe-Coburgo-Gota.
 
Luís herdou o trono depois da morte do seu irmão mais velho, D.Pedro V em 1861. Ficou conhecido como O Popular; Eça de Queirós chamou-lhe O Bom.
D. Carlos I ( 1889 - 1908 ) - O Oceanógrafo
 
35º Rei de Portugal
D. Carlos I (Nasceu a 28 de Setembro de 1863 – Faleceu a 1 de Fevereiro de 1908), de seu nome completo Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança, foi o penúltimo Rei de Portugal. Nascido em Lisboa, era filho do rei Luís I de Portugal e da princesa Maria Pia de Sabóia, tendo subido ao trono em 1889.

Foi cognominado O Diplomata (devido às múltiplas visitas que fez a MadridParis eLondres, retribuídas com as visitas a Lisboa dos reis Afonso XIII de Espanha,Eduardo VII do Reino Unido, do Kaiser Guilherme II da Alemanha e do presidente da República Francesa Émile Loubet), O Martirizado e O Mártir (em virtude de ter morrido assassinado), ou O Oceanógrafo (pela sua paixão pela oceanografia, partilhada com o pai e com o príncipe do Mónaco).
D. Manuel II ( 1908 - 1910 ) - O Desventurado
 
36º Rei de Portugal

D. Manuel II (Nasceu a 15 de Novembro de 1889 - Faleceu em 2 de Julho de 1932), de seu nome completo Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança, foi o trigésimo sexto Rei de Portugal.

D. Manuel II sucedeu ao seu pai, o rei D. Carlos I, depois do assassinato brutal deste e do seu irmão mais velho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908. Antes da sua ascensão ao trono, D. Manuel foi duque de Beja e Infante de Portugal.

O Monarca que viveu mais tempo, foi D. Maria I, com 82 anos. Seguiu-se D, Afonso Henriques e D. João I, com 76 anos. O que morreu mais novo foi D. Pedro V com 20 anos. 

Normalmente o  trono passava de pais para filhos, excepto no caso de D. Afonso III que sucedeu a seu irmão, a D. João I , filho bastardo de D. Pedro I, que sucedeu a sua meia sobrinha D Beatriz, D. Manuel I que sucedeu a seu primo D. João II, a  D. Sebastião que sucedeu a seu avô, D. João III, por morte prematura de seu pai, o infante D. João Manuel, e o Cardeal D. Henrique, irmão de D. João III, que sucedeu ao seu sobrinho neto, D. Sebastião, que morreu na batalha de Alcácer-Quibir.

Filipe I de Portugal e II de Espanha, filho de Carlos V e de Isabel de Portugal, sucedeu a seu tio, o Cardeal D. Henrique, irmão de sua mãe. D. Pedro II, sucedeu a seu irmão D. Afonso VI. D. João IV era trineto de D. Manuel I. Nos casos de D. Pedro IV e D. Miguel I, ambos sucederam a seu pai D. João VI. D. Luís I, sucedeu a seu irmão D. Pedro V.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Arquitetura Românica em Portugal


Arte visigótica

Arte visigótica é aquela que designa as expressões artísticas criadas pelos visigodos, que entraram na península Ibérica em 415 e se tornaram o povo dominante da região até à invasão dos mouros em 711. Este período da arte ibérica se notabiliza pela arquitetura, artesanato (especialmente ourivesaria) e a escrita visigótica.

Os únicos exemplares sobreviventes da arquitectura visigótica do século VI são a igreja de São Cugat do Vallés em Barcelona, a ermida e Igreja de Santa Maria de Lara, a Capela de São Frutuoso em Braga, a Igreja de São Gião na Nazaré e alguns vestígios da Igreja de Cabeza de Griego, em Cuenca. 

Contudo o seu estilo propagou-se nos séculos seguintes, embora os exemplos mais notáveis sejam rurais e estejam na maioria em ruínas. Algumas das características da arquitectura visigótica são:

Planta de basílica, e por vezes cruciforme, podendo ser uma combinação de ambas, com espaços bem compartimentados.
Arcos em forma de ferradura sem pedras de fecho.
Ábside rectangular exterior.
Uso de colunas e pilares com capitéis coríntios de desenho particular.
Abóbodas com cúpulas nos cruzamentos.
Paredes em blocos alternando com tijolos.
Decoração com motivos vegetais e animais.

Capela de São Frutuoso em Braga
Exemplares sobreviventes de arquitectura visigótica:

Capela de São Frutuoso (Braga)
Igreja de São Gião (Nazaré)

Ourivesaria

A ourivesaria visigótica desenvolveu-se essencialmente em Toledo e é composta principalmente de coroas e broches com motivos geométricos, que foram encontrados em escavações de tumbas. Na cidade de Toledo, foram encontrados vários objetos de arte visigótica no século IX, que ficaram conhecido como o Tesouro de Guarrazar, descoberto perto de Fuente de Guarrazar. 

Coroa de Recesvinto (672)
O tesouro está dividido, com parte dos objectos no Museu de Cluny, em Paris e outra parte no Museu Arqueológico Nacional de Espanha, em Madrid, embora grande parte dos objectos originais tenha desaparecido ou sido roubada.

Sé Velha de Coimbra

A Sé Velha de Coimbra localiza-se na freguesia de Coimbra (anteriormente Sé Velha), na cidade e concelho de Coimbra, distrito de mesmo nome, em Portugal.

Constitui-se em um dos edifícios em estilo românico mais importantes do país. A sua construção começou em algum momento depois da Batalha de Ourique (1139), quando Afonso Henriques se declarou rei de Portugal e escolheu Coimbra como capital do reino. 

Na Sé está sepultado D. Sesnando, conde de Coimbra.

Coimbra (a Aeminium da época romana) é sede episcopal desde o século V, sucedendo a vizinha Conímbriga, invadida pelos Suevos em 468. 
Apesar da longa história, não há notícias precisas sobre a catedral de Coimbra desde a época germânica até a construção da Sé Velha.

Em 1139, após a decisiva Batalha de Ourique, Afonso Henriques decide financiar a construção de uma nova catedral, provavelmente devido à anterior estar muito deteriorada. 

As obras devem ter começado em tempos do bispo Bernardo (m. 1146), mas o impulso definitivo foi dado em 1162 com o bispo D. Miguel Salomão, que ajudou a financiar a construção da catedral.

A Sé Velha de Coimbra é a única das catedrais portuguesas românicas da época da Reconquista a ter sobrevivido relativamente intacta até os nossos dias. A Sé Velha e, em menor grau, as Igrejas de Santiago e São Salvador, são expoentes da fase afonsina do românico coimbrão. Outras igrejas da cidade como a do Mosteiro de Santa Cruz e a de São João de Almedina foram muito alteradas e perderam seu carácter românico.

Nave Central

Vista do exterior, a Sé Velha lembra um pequeno castelo, com muros altos coroados de ameias e com poucas e estreitas janelas. A aparência de fortaleza é comum às catedrais da época e explica-se pelo clima bélico da Reconquista. A fachada oeste (principal) tem uma espécie de torre central avançada com um portal de múltiplas arquivoltas e um janelão parecido ao portal. 

Os capitéis, arquivoltas e jambas do portal e do janelão são abundantemente decorados com motivos românicos com influências árabes e pré-românicas. A fachada é reforçada nos cantos por contrafortes que ajudam a compensar a forte inclinação do terreno. 

A fachada norte tem dois portais de estilo renascentista, sendo notável a Porta Especiosa, um pórtico de três andares, tipo retábulo, construído na década de 1530 por João de Ruão. Esse portal é uma das principais obras do primeiro renascimento em Portugal. 

Do lado este observa-se a abside principal românica e os dois absidíolos, sendo que o do lado sul foi modificado em estilo renascentista. Sobre o transepto há umatorre-lanterna quadrangular românica com algumas alterações no século XVIII.

Sé de Braga


A Sé de Braga, o primeiro monumento românico português, deriva de Compostela, adaptada à sua função de metropolita, e não de templo de peregrinação, donde a planta ter sido a duma igreja de três naves, com transepto e cabeceira composta apenas de capela-mor e absídiolos. Do século XII são ainda o portal principal, modificado nos séculos XV e XVI, e a porta lateral, ou do Sol com decoração da época.

Este românico de Braga irradiou por toda a região de Entre Douro e Minho, sobretudo nos elementos decorativos, pois são raras as igrejas de três naves, como as de Travanca, Mosteiro de Pombeiro e São Pedro de Rates. 

Define-se ainda outro e importante grupo com as igrejas de Paço de Sousa, Roriz, Cete e Fonte Arcada, já dos séculos XII e XIII, caracterizadas principalmente pelas arcaturas torreadas e emprego alternado de colunas cilíndricas ou prismáticas, além de especial lavor na decoração dos ábacos e plintos. 

Na zona raiana, influenciada pelo românico da Galiza, distribuem-se as igrejas de Igreja de Nossa Senhora da Orada, Igreja de São Fins de Friestas e Convento de Ganfei, a mais notável de todas, pelas suas três naves e impressionante escultura de capitéis.

Sé do Porto

A Catedral (Sé) da cidade do Porto, situada no coração do centro histórico da cidade do Porto, é um dos principais e mais antigos monumentos de Portugal.

História

O início da sua construção data da primeira metade do século XII, e prolongou-se até ao princípio do século XIII. Esse primeiro edifício, em estilo românico, sofreu muitas alterações ao longo dos séculos. Da época românica datam o carácter geral da fachada com as torres e a bela rosácea, além do corpo da igreja de três naves coberto por abóbada de canhão. A abóbada da nave central é sustentada por arcobotantes, sendo a Sé do Porto um dos primeiros edifícios portugueses em que se utilizou esse elemento arquitectónico.

Sé do Porto
Na época gótica, cerca do ano de 1333, construiu-se a capela funerária deJ oão Gordo, cavaleiro da Ordem dos Hospitalários e colaborador de D. Dinis, sepultado em um túmulo com jacente. Também da época gótica data o claustro (séc XIV-XV), construído no reinado de D. João I. Este rei casou-se com D. Filipa de Lencastre na Sé do Porto em 1387.

O exterior da Sé foi muito modificado na época barroca. Cerca de 1736, o arquitecto italiano Nicolau Nasoni adicionou uma bela galilé barroca à fachada lateral da Sé. Cerca de 1772 construiu-se um novo portal em substituição ao românico original. As balaustradas ecúpulas das torres também são barrocas.

Claustros góticos da Sé do Porto.
À esquerda da capela-mor, encontra-se um magnífico altar de prata, construído na segunda metade do século XVII por vários artistas portugueses. Este foi salvo das tropas francesas em 1809 por meio de uma parede de gesso construída apressadamente.

Ainda nesta área esquerda é especialmente notável a imagem medieval de Nossa Senhora de Vandoma, (padroeira da cidade).

No século XVII a capela-mor original românica (que era dotada de um deambulatório) foi substituída por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, construído entre 1727-1729, é uma importante obra do barroco joanino, projectado por Santos Pacheco e esculpido por Miguel Francisco da Silva. As pinturas murais da capela-mor são de Nasoni. O transepto sul dá acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria do século XVIII de Nasoni conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamorfoses de Ovídio.

A Sé integra três belos órgãos. Um deles, no coro-alto, marca em Portugal um período que dá início ao desenvolvimento organístico. Trata-se de um instrumento do construtor Jann, o mesmo do órgão da igreja da Lapa (Porto), ambos promovidos pelo esforço e iniciativa do Cónego Ferreira dos Santos.

Sé de Lisboa

A Sé de Lisboa, inicialmente designada de Igreja de Santa Maria Maior, foi mandada construir em 1150 por D. Afonso Henriques, três anos depois de ter conquistado Lisboa aos Mouros.

Sé de Lisboa foi construída no local de uma antiga mesquita, para o primeiro bispo de Lisboa, o cruzado inglês Gilbert de Hastings.
Fachada da Sé
Os três terramotos que a devastaram no século XV, bem como o de 1755, foram bastante inclementes para com a Matriz de Lisboa, dedicada a Santa Maria Maior, que sofreu danos e foi sendo renovada ao longo dos séculos.

Construída, ao que tudo indica, sobre a antiga mesquita muçulmana, o primeiro impulso edificador da Sé de Lisboa deu-se entre 1147, data da reconquista da cidade, e os primeiros anos do século XIII, projecto em que se adoptou um esquema idêntico ao da Sé de Coimbra, com três naves, trifório sobre as naves laterais, transepto saliente e cabeceira tripartida.

Capela de S. Bartolomeu
Nos séculos seguintes deram-se as transformações mais marcantes, com a construção da Capela de Bartolomeu Joanes, do lado Norte da entrada principal, o claustro dionisino, que apesar da sua planta irregular se inclui na tipologia de claustros góticos portugueses e, especialmente, a nova cabeceira com deambulatório, mandada construir por D. Afonso IV para seu panteão familiar.

A Sé de hoje é uma mistura de estilos. O interior é de três naves com seis tramos, sendo a central coberta por abóbada de canhão e as laterais por abóbadas de aresta, com um falso trifórioem grande parte do seu perímetro superior. 

O transepto é igualmente abobadado, coroado por rosáceas em ambos os topos. A cabeceira, substituída nos reinados de D. Afonso IV e D. João I, seria provavelmente formada por ousia e dois absidíolos semicirculares abobadados. 

No coração do templo, o cruzeiro era iluminado por uma torre-lanterna de vários andares, caída em 1755. A fachada, com as duas torres sineiras ameadas, bem como a esplêndida rosácea, mantém um sólido aspecto românico.

O escuro interior é na sua maior parte simples e austero e já quase nada resta dos embelezamentos feitos por D. João V na primeira metade do século XVIII. Para lá da nave românica renovada, a charola tem nove capelas góticas.

Pia Batismal
Na Capela de Santo Ildefonso pode-se ver o sarcófago do século XIV de Lopo Fernandes Pacheco, companheiro de armas de D. Afonso IV, e da sua esposa Maria Vilalobos. O túmulo está esculpido com a figura barbuda do nobre, de espada na mão, e da esposa, com um livro de orações e os cães sentados a seus pés. Na capela adjacente estão os túmulos de D. Afonso IV e da esposa D. Beatriz.

O claustro gótico a que se chega pela terceira capela da charola, tem duplos arcos elegantes com belos capitéis esculpidos. Uma das capelas ainda exibe um portão de ferro forjado do século XIII. 

Nos Claustros, as escavações arqueológicas revelaram vestígios árabes, romanos e fenícios.

À esquerda da entrada a capela franciscana contém a pia onde o santo foi baptizado em 1195, e está decorada com azulejos que representam Santo António a pregar aos peixes. Na capela adjacente existe um Presépio barroco feito de cortiça, madeira e terracota de Machado de Castro.
Capela Mor

O tesouro encontra-se no topo da escadaria, à direita. Abriga uma variada colecção de pratas, trajes eclesiásticos, estatuaria, manuscritos iluminados e relíquias associadas a São Vicente.

A peça mais preciosa da catedral é a arca que contém os restos mortais do santo, transferidos do Cabo de São Vicente para Lisboa em 1173. A lenda diz que dois corvos sagrados mantiveram uma vigília permanente sobre o barco que transportava as relíquias. Os corvos e o barco tornaram-se no símbolo da cidade de Lisboa. Diz-se também que os descendentes dos dois corvos originais viviam nos claustros da catedral.

Órgãos

A Sé de Lisboa alberga três órgãos de períodos diferentes. O instrumento mais antigo encontra-se do lado do Evangelho e foi construído por Joaquim António Peres Fontanes entre 1785 e 1786, conjuntamente com um órgão semelhante do lado da Epístola, que foi transferido para o Panteão Nacional (Igreja de Santa Engrácia) nos anos 60 para permitir a instalação do novo órgão Flentrop.  O órgão Peres Fontanes tem um manual e pedaleira e neste momento já não se encontra operacional. 

O órgão da Epístola foi construído por D. A. Flentrop em 1964 e restaurado em 2012, também pelo mesmo atelier de organaria.  O órgão tem 51 registos, quatro manuais e pedaleira. 

A planta da Sé do Porto é de três naves com transepto. Vários vestígios românicos são visíveis em todo o monumento como nas bases das torres e na fachada do transepto. 

Nos arredores da cidade, a igreja de Santa Marinha de Águas Santas, de uma só nave, com ábside quadrangular e absídiolo, distingue-se pelos portais, as frestas e os capitéis esculpidos.

Na cidade de Bragança ergue-se, a Domus Municipalis, simples e admirável exemplar da arquitectura românica civil. 


Sé Velha de Coimbra e Sé de Lisboa

Santa Cruz de Coimbra, apesar da transformação que sofreu com o manuelino, conserva ainda vestígios da primitiva construção românica. A Sé Velha é típica do românico com três naves, a central de abóbada de berço, transepto pouco pronunciado e cabeceira de ábside e absídiolos semi-circulares. A escultura dos capitéis é a mais representativa do românico em Portugal. 

A Sé de Coimbra irmana-se com a de Lisboa, que lhe é posterior, talvez pelos mesmos mestres, Roberto e Bernardo, trabalharem em ambas, em meados doséculo XII. Além de ter mais um tramo e torres, o monumento de Lisboa tem os arcos e pilares num românico mais evoluído.

Românico na Estremadura

Na Estremadura encontramos ainda as igrejas de S. João do Alporão, em Santarém, monumento de transição para o gótico; S. Pedro de Leiria e Sta. Maria de Alcácer do Sal (1217).

Fim do Românico e adopção do Gótico

Quando a Reconquista chegou ao sul do país, o românico estava a terminar. A planta da Sé de Évora é de três naves com transepto muito saliente e tradicional lanterna no cruzeiro. É, no entanto, o mais nacional dos monumentos portugueses, pois assimilou as formas eruditas às tradicionais populares. A Ordem de Cister trouxe, com a sua reforma, uma arte mais austera com o emprego de arcos apontados e abóbadas de berço quebrado, como em São João de Tarouca, o primeiro mosteiro da ordem fundado em 1140.

Igrejas menores, como as de Santa Maria de Fiães, Santa Maria de Aguiar e Santa Maria do Bouro, filiam-se neste grupo, em que se impõe, pelas dimensões, o mosteiro de Alcobaça. A cabeceira, com deambulatório e capelas radiantes de abóbadas de berço, é antiga, ao lado das construções dos arcos botantes exteriores. Ao longo da sua construção medieval, o mosteiro de Alcobaça ilustra a passagem da arquitectura cisterciense do românico para o gótico.

 Igreja de São Pedro de Ferreira.

A actual igreja não foi começada antes dos finais do século XII. Em 1281, o mosteiro passou para a posse dos Beneditinos, que empreenderam, então, a construção que ainda hoje vemos. 


Apesar da datação relativamente tardia, e das proporções da sua igreja (que temos de considerar modestas), o conjunto constitui um dos nossos mais interessantes monumentos românicos, em especial pelos referentes regionais artísticos que confluíram no seu estaleiro. 



A marcha das obras terá sido bastante rápida, não se identificando rupturas no processo construtivo, o que poderá indicar uma situação de desafogo económico pouco comum na época.

Tipologicamente, trata-se de um templo de nave única, segmentado em quatro tramos, com capela-mor mais baixa que o corpo, dotada de duplo tramo, sendo o último semicircular. 

No exterior, manifesta-se, já, algum requinte construtivo, como o recurso a contrafortes nos pontos de apoio dos tirantes do telhado da nave (situação que se justifica pela sua grande altura), a utilização de bandas lombardas a todo o redor ou a disposição do portal principal, em desenvolvido e saliente gablete.

 Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa -PENAFIEL (Portugal)

O principal mosteiro medieval da bacia do rio Sousa possui uma história rica, que tem o seu início muito antes da construção do edifício que, na atualidade, subsiste. Em 956, uma primeira comunidade familiar foi aqui fundada por D. Tructesindo Galindiz e sua mulher, Animia, sobre os restos do que se pensa ter sido uma uilla romana, mas de que não se detetaram ainda vestígios materiais. 


Sensivelmente um século depois, o cenóbio foi objecto de grandes reformas, no contexto proto-românico que caracteriza as décadas finais do século XI na diocese de Braga. Em 1088, com a presença solene do bispo D. Pedro, o novo templo foi sagrado.

As dúvidas acerca da cronologia exata a atribuir às diferentes partes do conjunto iniciam-se com essa sagração. Sabemos que, nos inícios do século XII, o mosteiro estava já na posse dos Beneditinos que, com certeza, patrocinaram a construção do atual edifício, mas a data exata desta vasta campanha e, sobretudo, o ritmo das obras não estão, ainda, suficientemente esclarecidos. 


De acordo com RODRIGUES, 1995, p.244, as obras não se terão iniciado antes de 1166, e prolongaram-se extraordinariamente, avançando lentamente sobre todo o século XIII e entrando, mesmo, no XIV (ALMEIDA, 1986, p.90).