segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Arquitetura Românica em Portugal


Arte visigótica

Arte visigótica é aquela que designa as expressões artísticas criadas pelos visigodos, que entraram na península Ibérica em 415 e se tornaram o povo dominante da região até à invasão dos mouros em 711. Este período da arte ibérica se notabiliza pela arquitetura, artesanato (especialmente ourivesaria) e a escrita visigótica.

Os únicos exemplares sobreviventes da arquitectura visigótica do século VI são a igreja de São Cugat do Vallés em Barcelona, a ermida e Igreja de Santa Maria de Lara, a Capela de São Frutuoso em Braga, a Igreja de São Gião na Nazaré e alguns vestígios da Igreja de Cabeza de Griego, em Cuenca. 

Contudo o seu estilo propagou-se nos séculos seguintes, embora os exemplos mais notáveis sejam rurais e estejam na maioria em ruínas. Algumas das características da arquitectura visigótica são:

Planta de basílica, e por vezes cruciforme, podendo ser uma combinação de ambas, com espaços bem compartimentados.
Arcos em forma de ferradura sem pedras de fecho.
Ábside rectangular exterior.
Uso de colunas e pilares com capitéis coríntios de desenho particular.
Abóbodas com cúpulas nos cruzamentos.
Paredes em blocos alternando com tijolos.
Decoração com motivos vegetais e animais.

Capela de São Frutuoso em Braga
Exemplares sobreviventes de arquitectura visigótica:

Capela de São Frutuoso (Braga)
Igreja de São Gião (Nazaré)

Ourivesaria

A ourivesaria visigótica desenvolveu-se essencialmente em Toledo e é composta principalmente de coroas e broches com motivos geométricos, que foram encontrados em escavações de tumbas. Na cidade de Toledo, foram encontrados vários objetos de arte visigótica no século IX, que ficaram conhecido como o Tesouro de Guarrazar, descoberto perto de Fuente de Guarrazar. 

Coroa de Recesvinto (672)
O tesouro está dividido, com parte dos objectos no Museu de Cluny, em Paris e outra parte no Museu Arqueológico Nacional de Espanha, em Madrid, embora grande parte dos objectos originais tenha desaparecido ou sido roubada.

Sé Velha de Coimbra

A Sé Velha de Coimbra localiza-se na freguesia de Coimbra (anteriormente Sé Velha), na cidade e concelho de Coimbra, distrito de mesmo nome, em Portugal.

Constitui-se em um dos edifícios em estilo românico mais importantes do país. A sua construção começou em algum momento depois da Batalha de Ourique (1139), quando Afonso Henriques se declarou rei de Portugal e escolheu Coimbra como capital do reino. 

Na Sé está sepultado D. Sesnando, conde de Coimbra.

Coimbra (a Aeminium da época romana) é sede episcopal desde o século V, sucedendo a vizinha Conímbriga, invadida pelos Suevos em 468. 
Apesar da longa história, não há notícias precisas sobre a catedral de Coimbra desde a época germânica até a construção da Sé Velha.

Em 1139, após a decisiva Batalha de Ourique, Afonso Henriques decide financiar a construção de uma nova catedral, provavelmente devido à anterior estar muito deteriorada. 

As obras devem ter começado em tempos do bispo Bernardo (m. 1146), mas o impulso definitivo foi dado em 1162 com o bispo D. Miguel Salomão, que ajudou a financiar a construção da catedral.

A Sé Velha de Coimbra é a única das catedrais portuguesas românicas da época da Reconquista a ter sobrevivido relativamente intacta até os nossos dias. A Sé Velha e, em menor grau, as Igrejas de Santiago e São Salvador, são expoentes da fase afonsina do românico coimbrão. Outras igrejas da cidade como a do Mosteiro de Santa Cruz e a de São João de Almedina foram muito alteradas e perderam seu carácter românico.

Nave Central

Vista do exterior, a Sé Velha lembra um pequeno castelo, com muros altos coroados de ameias e com poucas e estreitas janelas. A aparência de fortaleza é comum às catedrais da época e explica-se pelo clima bélico da Reconquista. A fachada oeste (principal) tem uma espécie de torre central avançada com um portal de múltiplas arquivoltas e um janelão parecido ao portal. 

Os capitéis, arquivoltas e jambas do portal e do janelão são abundantemente decorados com motivos românicos com influências árabes e pré-românicas. A fachada é reforçada nos cantos por contrafortes que ajudam a compensar a forte inclinação do terreno. 

A fachada norte tem dois portais de estilo renascentista, sendo notável a Porta Especiosa, um pórtico de três andares, tipo retábulo, construído na década de 1530 por João de Ruão. Esse portal é uma das principais obras do primeiro renascimento em Portugal. 

Do lado este observa-se a abside principal românica e os dois absidíolos, sendo que o do lado sul foi modificado em estilo renascentista. Sobre o transepto há umatorre-lanterna quadrangular românica com algumas alterações no século XVIII.

Sé de Braga


A Sé de Braga, o primeiro monumento românico português, deriva de Compostela, adaptada à sua função de metropolita, e não de templo de peregrinação, donde a planta ter sido a duma igreja de três naves, com transepto e cabeceira composta apenas de capela-mor e absídiolos. Do século XII são ainda o portal principal, modificado nos séculos XV e XVI, e a porta lateral, ou do Sol com decoração da época.

Este românico de Braga irradiou por toda a região de Entre Douro e Minho, sobretudo nos elementos decorativos, pois são raras as igrejas de três naves, como as de Travanca, Mosteiro de Pombeiro e São Pedro de Rates. 

Define-se ainda outro e importante grupo com as igrejas de Paço de Sousa, Roriz, Cete e Fonte Arcada, já dos séculos XII e XIII, caracterizadas principalmente pelas arcaturas torreadas e emprego alternado de colunas cilíndricas ou prismáticas, além de especial lavor na decoração dos ábacos e plintos. 

Na zona raiana, influenciada pelo românico da Galiza, distribuem-se as igrejas de Igreja de Nossa Senhora da Orada, Igreja de São Fins de Friestas e Convento de Ganfei, a mais notável de todas, pelas suas três naves e impressionante escultura de capitéis.

Sé do Porto

A Catedral (Sé) da cidade do Porto, situada no coração do centro histórico da cidade do Porto, é um dos principais e mais antigos monumentos de Portugal.

História

O início da sua construção data da primeira metade do século XII, e prolongou-se até ao princípio do século XIII. Esse primeiro edifício, em estilo românico, sofreu muitas alterações ao longo dos séculos. Da época românica datam o carácter geral da fachada com as torres e a bela rosácea, além do corpo da igreja de três naves coberto por abóbada de canhão. A abóbada da nave central é sustentada por arcobotantes, sendo a Sé do Porto um dos primeiros edifícios portugueses em que se utilizou esse elemento arquitectónico.

Sé do Porto
Na época gótica, cerca do ano de 1333, construiu-se a capela funerária deJ oão Gordo, cavaleiro da Ordem dos Hospitalários e colaborador de D. Dinis, sepultado em um túmulo com jacente. Também da época gótica data o claustro (séc XIV-XV), construído no reinado de D. João I. Este rei casou-se com D. Filipa de Lencastre na Sé do Porto em 1387.

O exterior da Sé foi muito modificado na época barroca. Cerca de 1736, o arquitecto italiano Nicolau Nasoni adicionou uma bela galilé barroca à fachada lateral da Sé. Cerca de 1772 construiu-se um novo portal em substituição ao românico original. As balaustradas ecúpulas das torres também são barrocas.

Claustros góticos da Sé do Porto.
À esquerda da capela-mor, encontra-se um magnífico altar de prata, construído na segunda metade do século XVII por vários artistas portugueses. Este foi salvo das tropas francesas em 1809 por meio de uma parede de gesso construída apressadamente.

Ainda nesta área esquerda é especialmente notável a imagem medieval de Nossa Senhora de Vandoma, (padroeira da cidade).

No século XVII a capela-mor original românica (que era dotada de um deambulatório) foi substituída por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, construído entre 1727-1729, é uma importante obra do barroco joanino, projectado por Santos Pacheco e esculpido por Miguel Francisco da Silva. As pinturas murais da capela-mor são de Nasoni. O transepto sul dá acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria do século XVIII de Nasoni conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamorfoses de Ovídio.

A Sé integra três belos órgãos. Um deles, no coro-alto, marca em Portugal um período que dá início ao desenvolvimento organístico. Trata-se de um instrumento do construtor Jann, o mesmo do órgão da igreja da Lapa (Porto), ambos promovidos pelo esforço e iniciativa do Cónego Ferreira dos Santos.

Sé de Lisboa

A Sé de Lisboa, inicialmente designada de Igreja de Santa Maria Maior, foi mandada construir em 1150 por D. Afonso Henriques, três anos depois de ter conquistado Lisboa aos Mouros.

Sé de Lisboa foi construída no local de uma antiga mesquita, para o primeiro bispo de Lisboa, o cruzado inglês Gilbert de Hastings.
Fachada da Sé
Os três terramotos que a devastaram no século XV, bem como o de 1755, foram bastante inclementes para com a Matriz de Lisboa, dedicada a Santa Maria Maior, que sofreu danos e foi sendo renovada ao longo dos séculos.

Construída, ao que tudo indica, sobre a antiga mesquita muçulmana, o primeiro impulso edificador da Sé de Lisboa deu-se entre 1147, data da reconquista da cidade, e os primeiros anos do século XIII, projecto em que se adoptou um esquema idêntico ao da Sé de Coimbra, com três naves, trifório sobre as naves laterais, transepto saliente e cabeceira tripartida.

Capela de S. Bartolomeu
Nos séculos seguintes deram-se as transformações mais marcantes, com a construção da Capela de Bartolomeu Joanes, do lado Norte da entrada principal, o claustro dionisino, que apesar da sua planta irregular se inclui na tipologia de claustros góticos portugueses e, especialmente, a nova cabeceira com deambulatório, mandada construir por D. Afonso IV para seu panteão familiar.

A Sé de hoje é uma mistura de estilos. O interior é de três naves com seis tramos, sendo a central coberta por abóbada de canhão e as laterais por abóbadas de aresta, com um falso trifórioem grande parte do seu perímetro superior. 

O transepto é igualmente abobadado, coroado por rosáceas em ambos os topos. A cabeceira, substituída nos reinados de D. Afonso IV e D. João I, seria provavelmente formada por ousia e dois absidíolos semicirculares abobadados. 

No coração do templo, o cruzeiro era iluminado por uma torre-lanterna de vários andares, caída em 1755. A fachada, com as duas torres sineiras ameadas, bem como a esplêndida rosácea, mantém um sólido aspecto românico.

O escuro interior é na sua maior parte simples e austero e já quase nada resta dos embelezamentos feitos por D. João V na primeira metade do século XVIII. Para lá da nave românica renovada, a charola tem nove capelas góticas.

Pia Batismal
Na Capela de Santo Ildefonso pode-se ver o sarcófago do século XIV de Lopo Fernandes Pacheco, companheiro de armas de D. Afonso IV, e da sua esposa Maria Vilalobos. O túmulo está esculpido com a figura barbuda do nobre, de espada na mão, e da esposa, com um livro de orações e os cães sentados a seus pés. Na capela adjacente estão os túmulos de D. Afonso IV e da esposa D. Beatriz.

O claustro gótico a que se chega pela terceira capela da charola, tem duplos arcos elegantes com belos capitéis esculpidos. Uma das capelas ainda exibe um portão de ferro forjado do século XIII. 

Nos Claustros, as escavações arqueológicas revelaram vestígios árabes, romanos e fenícios.

À esquerda da entrada a capela franciscana contém a pia onde o santo foi baptizado em 1195, e está decorada com azulejos que representam Santo António a pregar aos peixes. Na capela adjacente existe um Presépio barroco feito de cortiça, madeira e terracota de Machado de Castro.
Capela Mor

O tesouro encontra-se no topo da escadaria, à direita. Abriga uma variada colecção de pratas, trajes eclesiásticos, estatuaria, manuscritos iluminados e relíquias associadas a São Vicente.

A peça mais preciosa da catedral é a arca que contém os restos mortais do santo, transferidos do Cabo de São Vicente para Lisboa em 1173. A lenda diz que dois corvos sagrados mantiveram uma vigília permanente sobre o barco que transportava as relíquias. Os corvos e o barco tornaram-se no símbolo da cidade de Lisboa. Diz-se também que os descendentes dos dois corvos originais viviam nos claustros da catedral.

Órgãos

A Sé de Lisboa alberga três órgãos de períodos diferentes. O instrumento mais antigo encontra-se do lado do Evangelho e foi construído por Joaquim António Peres Fontanes entre 1785 e 1786, conjuntamente com um órgão semelhante do lado da Epístola, que foi transferido para o Panteão Nacional (Igreja de Santa Engrácia) nos anos 60 para permitir a instalação do novo órgão Flentrop.  O órgão Peres Fontanes tem um manual e pedaleira e neste momento já não se encontra operacional. 

O órgão da Epístola foi construído por D. A. Flentrop em 1964 e restaurado em 2012, também pelo mesmo atelier de organaria.  O órgão tem 51 registos, quatro manuais e pedaleira. 

A planta da Sé do Porto é de três naves com transepto. Vários vestígios românicos são visíveis em todo o monumento como nas bases das torres e na fachada do transepto. 

Nos arredores da cidade, a igreja de Santa Marinha de Águas Santas, de uma só nave, com ábside quadrangular e absídiolo, distingue-se pelos portais, as frestas e os capitéis esculpidos.

Na cidade de Bragança ergue-se, a Domus Municipalis, simples e admirável exemplar da arquitectura românica civil. 


Sé Velha de Coimbra e Sé de Lisboa

Santa Cruz de Coimbra, apesar da transformação que sofreu com o manuelino, conserva ainda vestígios da primitiva construção românica. A Sé Velha é típica do românico com três naves, a central de abóbada de berço, transepto pouco pronunciado e cabeceira de ábside e absídiolos semi-circulares. A escultura dos capitéis é a mais representativa do românico em Portugal. 

A Sé de Coimbra irmana-se com a de Lisboa, que lhe é posterior, talvez pelos mesmos mestres, Roberto e Bernardo, trabalharem em ambas, em meados doséculo XII. Além de ter mais um tramo e torres, o monumento de Lisboa tem os arcos e pilares num românico mais evoluído.

Românico na Estremadura

Na Estremadura encontramos ainda as igrejas de S. João do Alporão, em Santarém, monumento de transição para o gótico; S. Pedro de Leiria e Sta. Maria de Alcácer do Sal (1217).

Fim do Românico e adopção do Gótico

Quando a Reconquista chegou ao sul do país, o românico estava a terminar. A planta da Sé de Évora é de três naves com transepto muito saliente e tradicional lanterna no cruzeiro. É, no entanto, o mais nacional dos monumentos portugueses, pois assimilou as formas eruditas às tradicionais populares. A Ordem de Cister trouxe, com a sua reforma, uma arte mais austera com o emprego de arcos apontados e abóbadas de berço quebrado, como em São João de Tarouca, o primeiro mosteiro da ordem fundado em 1140.

Igrejas menores, como as de Santa Maria de Fiães, Santa Maria de Aguiar e Santa Maria do Bouro, filiam-se neste grupo, em que se impõe, pelas dimensões, o mosteiro de Alcobaça. A cabeceira, com deambulatório e capelas radiantes de abóbadas de berço, é antiga, ao lado das construções dos arcos botantes exteriores. Ao longo da sua construção medieval, o mosteiro de Alcobaça ilustra a passagem da arquitectura cisterciense do românico para o gótico.

 Igreja de São Pedro de Ferreira.

A actual igreja não foi começada antes dos finais do século XII. Em 1281, o mosteiro passou para a posse dos Beneditinos, que empreenderam, então, a construção que ainda hoje vemos. 


Apesar da datação relativamente tardia, e das proporções da sua igreja (que temos de considerar modestas), o conjunto constitui um dos nossos mais interessantes monumentos românicos, em especial pelos referentes regionais artísticos que confluíram no seu estaleiro. 



A marcha das obras terá sido bastante rápida, não se identificando rupturas no processo construtivo, o que poderá indicar uma situação de desafogo económico pouco comum na época.

Tipologicamente, trata-se de um templo de nave única, segmentado em quatro tramos, com capela-mor mais baixa que o corpo, dotada de duplo tramo, sendo o último semicircular. 

No exterior, manifesta-se, já, algum requinte construtivo, como o recurso a contrafortes nos pontos de apoio dos tirantes do telhado da nave (situação que se justifica pela sua grande altura), a utilização de bandas lombardas a todo o redor ou a disposição do portal principal, em desenvolvido e saliente gablete.

 Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa -PENAFIEL (Portugal)

O principal mosteiro medieval da bacia do rio Sousa possui uma história rica, que tem o seu início muito antes da construção do edifício que, na atualidade, subsiste. Em 956, uma primeira comunidade familiar foi aqui fundada por D. Tructesindo Galindiz e sua mulher, Animia, sobre os restos do que se pensa ter sido uma uilla romana, mas de que não se detetaram ainda vestígios materiais. 


Sensivelmente um século depois, o cenóbio foi objecto de grandes reformas, no contexto proto-românico que caracteriza as décadas finais do século XI na diocese de Braga. Em 1088, com a presença solene do bispo D. Pedro, o novo templo foi sagrado.

As dúvidas acerca da cronologia exata a atribuir às diferentes partes do conjunto iniciam-se com essa sagração. Sabemos que, nos inícios do século XII, o mosteiro estava já na posse dos Beneditinos que, com certeza, patrocinaram a construção do atual edifício, mas a data exata desta vasta campanha e, sobretudo, o ritmo das obras não estão, ainda, suficientemente esclarecidos. 


De acordo com RODRIGUES, 1995, p.244, as obras não se terão iniciado antes de 1166, e prolongaram-se extraordinariamente, avançando lentamente sobre todo o século XIII e entrando, mesmo, no XIV (ALMEIDA, 1986, p.90).


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Quem eram os Iberos?

Origem dos Iberos

Os Iberos eram um povo pre-histórico que vivia no Sul e no Este do território que mais tarde tomou o nome de Península Ibérica. As ondas de emigração de povos Célticos que desde o século VIII até ao século VI AC entraram em massa no noroeste e zona centro da actual Espanha, penetraram também em Portugal a Galiza, mas deixaram intactos os povos indígenas da Idade do Bronze Ibérica no Sul e Este da península.


Segundo a Britânica

"Iberian, Spanish Ibero , one of a prehistoric people of southern and eastern Spain who later gave their name to the whole peninsula. The waves of migrating Celtic peoples from the 8th to 6th century bc onward settled heavily in northern and central Spain, penetrated Portugal and Galicia, but left the indigenous Bronze Age Iberian people of the south and east intact.

Greek geographers give the name Iberian, probably connected with that of the Ebro (Iberus) River, to tribes settled on the southeastern coast, but, by the time of the Greek historian Herodotus (mid-5th century bc), it applied to all the peoples between the Ebro and Huelva rivers, who were probably linguistically connected and whose material culture was distinct from that of the north and west. "



Os geógrafos gregos deram o nome de Ibéria, provavelmente derivado do rio Ebro ( Iberus ), a todas as tribos instaladas na costa sueste, mas que no tempo do historiador grego Herodotus ( 500 AC ), é aplicado a todos os povos entre os rios Ebro e Huelva, que estavam provavelmente ligados linguisticamente e cuja cultura era distinta dos povos do Norte e do Oeste. 

Havia no entanto áreas intermédias entre os povos Célticos e Iberos, como as tribus Celtiberas do noroeste da Meseta Central e na Catalunha e Aragão.


Das tribos Iberas mencionadas pelos autores clássicos, os Bastetanos eram territorialmente os mais importantes e ocupavam a região de Almeria e as zonas montanhosas da região de Granada. As tribos a Oeste dos Bastetanos eram usualmente agrupadas como "Tartessos", derivado de Tartéssia que era o nome que os gregos davam à região.

Os Turdetanos do vale do rio Guadalquivir eram os mais poderosos deste grupo. Culturalmente as tribos do noroeste e da costa valenciana eram fortemente influenciadas pelas colónias gregas de Emporium ( a moderna Ampúrias ) e na região de Alicante a influência era das colónias fenícias de Malaca ( Malága ), Sexi ( Almuñeca ), e Abdera ( Adra ), que passaram depois para os cartagineses.


Na costa este as tribos Iberas parecem ter estado agrupadas em cidades-estado independentes. No sul houve monarquias, e o tesouro de El Carambolo, perto de Sevilha, parece ter estado na origem da lenda de Tartessos. Em santuários religiosos encontraram-se estatuetas de bronze e terra-cota, especialmente nas regiões montanhosas. Há uma grande variedade de cerâmica de distintos estilos ibéricos.


Foi encontrada cerâmica ibérica no sul da França, Sardenha, Sicília, e África e eram frequentes as importações gregas . A esplêndida Dama de Elche, um busto com características que mostram forte influência clássica grega. A economia Ibérica tinha uma agricultura rica , forte exploração mineira e uma metalurgia desenvolvida.


A língua Ibérica era uma língua não Indo-Europeia, e continuou a ser falada durante a ocupação romana. Ao longo da costa Este utilizou-se uma escrita Ibérica, um sistema de 28 sílabas e caracteres alfabéticos, alguns derivados dos sistemas fenício e grego, mas de origem desconhecida. Ainda sobrevivem muitas inscrições dessa escrita, mas poucas palavras são compreendidas, excepto alguns nomes de locais e cidades do III século, encontradas em moedas.


Os Iberos conservaram a sua escrita durante a conquista romana, quando se começou a utilizar o alfabeto latino. Ainda que inicialmente se pensou que a língua Vasca era descendente do Ibero, hoje considera-se que eram línguas separadas.


( Condensado da Enciclopédia Britânica )

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Quem eram os Lusitanos?


Origem dos Lusitanos

Hoje é simples, lusitano é sinónimo de português e denomina todo aquele que seja cidadão de Portugal.



Mas esclarecer a origem dos lusitanos, que viviam há 2.300 anos na Hispânia ou Península Ibérica, parece não ser tarefa fácil. A.H. de Oliveira Marques diz na sua História de Portugal, que quando os romanos conquistaram e civilizaram a Península Ibérica para sempre ( século II AC até século I) encontraram vários povos indígenas, entre os quais os Lusitani e os Celti que não tinham grande diferença entre si e que os primeiros eram com toda a probabilidade povos indígenas celticizados.

A Enciclopédia Britânica, diz que os lusitanos eram um povo ibérico e que no território que hoje é Portugal, resistiram à penetração romana até século II DC. mas que não se tem a certeza se os Lusitanos eram povos iberos celticizados, ou estavam relacionados com os Celtas Lusões do Nordeste da Península Ibérica.

O Dicionário de História de Portugal, de Joel Serrão, dedica várias páginas ao assunto e esclarece um pouco melhor. Aparentemente foi Estrabão, geógrafo e historiador grego dos

começos da nossa era, quem primeiramente se referiu aos lusitanos como « a maior das tribos ibéricas, com a qual muitos anos lutaram os Romanos». Plínio e Ptolomeu, assim como outros escritores antigos também se referiram aos "celtici".

Num recente estudo sobre a etnologia dos lusitanos, o Dr. Scarlat Lambrino, partilhando a opinião de Schulten, procurou demonstrar com argumentos bastante convincentes, que tanto os Lusitanos como os Lusones eram povos de origem céltica, talvez procedentes dos Alpes Suíços, entrados na Península quando das migrações célticas, tendo-se os Lusones fixado na região das nascentes do Tejo e os Lusitanos continuando a marcha, seguindo o vale desse rio até ao Atlântico, possivelmente em busca de melhores terras.

Parece também que a palavra Lusos foi uma criação literária empregada pelos humanistas dos séculos XVI e XVII, baseados num passo mitológico de Marco Varrão ( Plinio, III, 8) que filia o topónimo Lusitânia em Lusus ou Lysa, filhos de Baco.

Inspirado nesta fantasiosa lenda, deu Camões à epopeia nacional o título de Lusíadas ( A Britânica diz que Camões chamou Lusíadas ao seu poema épico, derivado de Lusitânia - Província Romana ), com o significado de filhos ou descendentes daquele Luso da mitologia.


Alexandre Herculano, por outro lado, colocou-se porém num ponto de vista exageradamente oposto e recusou-se a aceitar qualquer relação étnica entre os antigos lusitanos e os Portugueses actuais. No entanto esta sua opinião é insustentável pelo ponto de vista dos conhecimentos actuais.


Mais detalhes sobre os Lusitanos ( Ver Dicionário de História de Portugal - de Joel Serrão )

Os lusitanos

Os lusitanos constituíram um conjunto de povos ibéricos pré-romanos de origem indo-europeia que habitaram a porção oeste da península Ibérica desde a Idade do Ferro. Em 29 a.C., na sequência da invasão romana a que resistiram longo tempo, foi criada a província romana da Lusitânia nos seus territórios, correspondentes a grande parte do actual Portugal.

A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos. Outros líderes conhecidos eram Punicus, Cæsarus, Caucenus, Curius, Apuleius, Connoba e Tantalus.

Os lusitanos são considerados, por antropólogos e historiadores, como um povo sem história por não terem deixado registos nativos antes da conquista romana. As informações sobre os lusitanos são-nos transmitidas através dos relatos dos autores gregos e romanos da antiguidade o que por vezes causa diversos problemas ou conflitos na interpretação dos seus textos.

Origem

Os antepassados dos lusitanos compunham um mosaico de diferentes tribos que habitaram Portugal desde o Neolítico. Miscigenaram-se parcialmente com os invasores celtas, dando origem aos lusitanos. Não se sabe ao certo a origem destas tribos celtas, mas é muito provável que fossem oriundas dos Alpes suíços e teriam migrado devido ao clima mais quente na península Ibérica.

Entre as numerosas tribos que habitavam a península Ibérica quando chegaram os romanos, encontrava-se, na parte ocidental, a dos lusitani, considerada por alguns autores a maior das tribos ibéricas, com a qual durante muitos anos lutaram os romanos.

Supõe-se que a zona do centro de Portugal era habitada pelos Lusis ou Lysis que teriam dado origem aos Lusitanos. Os Lusis eram provavelmente povos do Bronze Final, linguística e culturalmente de origem indo-europeia e pré-céltica que numa época posterior vieram a sofrer influências hallstáticas e mediterrânicas, isto ao longo dos séculos VIII e VII a.C.

Os Lusis foram referidos pela primeira vez no Ora Maritima de Avieno onde foram chamados de pernix, que significa ágil, rápido e é o adjectivo que se aplicava ao praticante de jogos de destreza física.

Etnia segundo os autores da Antiguidade

Os escritores da Antiguidade identificaram duas etnias na península Ibérica, a ibera e a celta, e qualificavam os seus habitantes como sendo iberos ou celtas ou uma mistura das duas etnias. No entanto o conceito de ibero podia ser usado num sentido geral, isto é, num sentido geográfico, referindo-se ao conjunto dos seus habitantes, num sentido restrito a um conjunto de tribos com a mesma etnia, ou mesmo podia variar consoante o conceito da época, e o mesmo se pode considerar relativamente ao conceito de celta da Ibéria ou celtibero.

Diodoro Sículo considerava os lusitanos um povo celta: "Os que são chamados de lusitanos são os mais valentes de todos os cimbros"Estrabão diferenciava os lusitanos das tribos iberas. Viriato foi referido como líder dos celtiberos. Os Lusitanos também eram chamados de Belitanos, segundo Artemidoro.

Indícios arqueológicos e pesquisas etnográficas relativamente recentes sugerem que os lusitanos estejam ligados aos lígures, possivelmente através de uma origem comum. No entanto, a religião, a onomástica, nomes próprios e topónimos, e escavações nos castros lusitanos revelam tratar-se de um povo celta. Entre os autores modernos não existe consenso, são considerados iberos, lígures ou celtas.

Os guerreiros ibéricos

Os guerreiros ibéricos são citados como tropas mercenárias na batalha de Hímera em 480 A.C.. Os mercenários ibéricos aparecem nos principais confrontos bélicos do Mediterrâneo, tornando-se num dos pilares dos exércitos do Mediterrâneo central. Estão presentes na batalha de Selinute, Agriento, Gela e Calamina. 

Capacete de Lanhoso
Surgem em outros conflitos na segunda guerra grego-púnica, na Sicília, em Siracusa, em Atenas e estão presentes na defesa de Esparta na batalha de Krimios, na Primeira Guerra Púnica, e com os púnicos no norte de África. 

Tito Lívio (218 a.C.) descreve os Lusitanos pela primeira vez como mercenários ao serviço dos cartagineses na guerra contra os romanos.

Os lusitanos foram considerados pelos historiadores como hábeis na luta de guerrilhas. Eram indivíduos jovens na plenitude da sua força e agilidade e seleccionados entre os mais fortes. Neles recai a defesa da comunidade quando está ameaçada. 

A preparação militar dos jovens guerreiros tinha lugar nas montanhas em lugares específicos.

"Em tempo de guerra eles marcham observando tempo e medida; e cantam hinos (paeans) quando estão prontos para investir sobre o inimigo" 6 batendo nos escudos à maneira ibérica.

Falcata Ibérica
Segundo Tito Lívio, os lusitanos eram pacíficos quando não eram acossados.

Mulheres guerreiras

Apiano relata que quando o pretor Brutus, ao perseguir Viriato, atacou as cidades da Lusitânia as mulheres lutavam e morriam valentemente lado a lado com os homens. Depreende-se que de alguma forma o treinamento militar também era dado às mulheres a quem recaia também a defesa dos castros.

Segundo Tito Lívio, são as seguintes as armas utilizadas pelo exército lusitano:

Armamento ofensivo usado na luta corpo a corpo

Punhal de fio recto e antenas atrofiadas ou afalcatado.

Espadas tinham um esmerado processo metalúrgico, com uma resistência e flexibilidade fora do comum para a época. Usavam a espada do tipo La Tène, a espada de antenas atrofiadas e a falcata.

Lança de ponta de bronze - segundo Estrabão, estas lanças eram de uma época antiga e supõe-se que a sua presença se devia a ainda serem usadas em rituais que teriam origem nas tradições das fraternidades guerreiras da idade do bronze.

Labrys, machado de dupla lâmina que aparece em moedas romanas da lusitânia não parece que era usado pelos lusitanos mas pelos cântabros.

Competições Guerreiras

Os guerreiros lusitanos realizavam competições entre si, em que tomava parte a cavalaria e a infantaria; competiam em boxe, luta livre, corridas, faziam combates de grupo e combates entre esquadras. Estrabão reconhecia que os lusitanos lutavam como peltastas, e eram organizados e eficientes a posicionarem-se na linha de batalha ou a movimentarem-se concertadamente para posições estratégicas.

As lutas dos lusitanos contra os romanos começaram como mercenários no exército púnico e depois reacenderam em 193 a.C.. Em 150 a.C. o pretor Sérvio Galba, após ter infligido grandes punições aos lusitanos, aceitou um acordo de paz com a condição de entregarem as armas, aproveitando depois para os chacinar. Isto fez lavrar ainda mais a revolta e, durante oito anos, os romanos sofreram pesadas baixas.

As guerras lusitanas acabaram com o assassínio traiçoeiro de Viriato por três aliados tentados pelo ouro romano. Mas a luta não parou e para tentar acabá-la Roma mandou à península o cônsul Décimo Júnio Bruto Galaico, que fortificou Olisipo, estabeleceu a base de operações em Méron próximo de Santarém, e marchou para o Norte, matando e destruindo tudo o que encontrou até à margem do Rio Lima. Mas nem assim Roma conseguiu a submissão total e o domínio da Lusitânia. A tomada de Numância, na Celtibéria, pelos romanos, foi vista como um símbolo da resistência dos aliados dos lusitanos.

Estruturas dos Povoados

As casas de pedra tinham forma redonda ou rectangular; eram cobertas de palha e ficavam situadas no alto de morros ou colinas, agrupando-se em aldeias - os castros citados pelos historiadores antigos.

As casas eram dispostas ordenadamente e formavam algo semelhante a bairros, organizados por famílias e subdivididos em diversos núcleos habitacionais que distribuíam-se em torno de um pátio, de acordo com a sua função. Incluíam cozinha com lareiras a forno, local de armazenagem de géneros, zonas de dormida, recinto para guarda de animais.

A decoração das casas, em relevo e gravura, era feita com motivos geométricos, em forma de corda, de espinha, com círculos encadeados ou sinais espiralados, tríscelos e tetrascelos, cruciformes e serpentiformes.

Castro da Cárcoda junto à localidade de Carvalhais (São Pedro do Sul)
Nos castros destacava-se um grande edifício de planta circular, para reuniões do conselho comunitário, com bancos ao redor. Havia ainda os balneários públicos para banhos frios e de vapor. As ruas eram calcetadas com pedras regulares.

Encontram-se dois tipos de castros: fortificados, cercados com muralhas defensivas feitas de grandes pedras, chegando a alcançar um quilómetro de perímetro; e abertos, sem estruturas de defesa visiveis. Outros tipos de povoamentos eram os chamados de casais agrícolas. Verifica-se uma relação estreita entre a fortificação dos povoados e a exploração de metais, encontrando-se frequentemente conheiras e minas de filão perto de castros fortificados.

Os instrumentos musicais incluíam a flauta e a trombeta, com que acompanhavam seus coros e danças, de que os romanos deixaram algumas descrições. Homens e mulheres bailavam em danças de roda, de mãos dadas.

A Sociedade Lusitana

sociedade lusitana essencialmente guerreira denotava a presença de uma hierarquia social em que o guerreiro ocupava uma importante posição. Era uma sociedade aristocrática, na qual a maior parte da riqueza estava nas mãos de um grupo reduzido de pessoas. A presença de jóias e de armas nos túmulos indica a presença de uma elite guerreira.

A organização da família lusitana revela uma estrutura gentílica da sua sociedade, era referida nas fontes epigráficas com a designação de gentes ou gentiliates. Os lusitanos encontravam-se unidos entre si por laços de sangue ou parentesco e não pelo território ocupado.
Lunula Ibérica

O tipo de governo era a chefia militar, na qual o líder era eleito em assembleia popular, escolhido entre aqueles que se distinguiam pela coragem, valor, capacidade de liderança e vitórias obtidas em tempo de guerra. 

Os autores gregos referiam-se a estes chefes militares como hegoumenos, isto é, líder, chefe, e os romanos dux. No entanto, o nome de regnator (rei), e principe,também foram referidos. O hospitium, em que adoptavam-se estranhos na comunidade, é também considerado um costume dos lusitanos.

Apiano revela a existência de uma propriedade comunitária, que para além de terras incluía cavalos, produtos agrícolas e diversos outros bens comunitários incluindo um tesouro público, do qual fala Diodoro. Esta propriedade comunitária deveria de coexistir a par da propriedade privada. Os lusitanos eram um povo autónomo (grego: αὐτονόμων), com leis próprias.

Os lusitanos tinham o hábito de frequentar salas onde iam untar o corpo com óleos duas vezes ao dia, tomavam banhos de vapor que emanavam de pedras aquecidas. Lançavam água sobre pedras ao rubro e tomavam em seguida um banho frio. Os balneários eram decorados com gravuras em baixo relevo, como indicam os monólitos Pedra Formosa encontrados em sítios arqueológicos castrejos. Estrabão comenta que viviam de uma maneira simples e limpa semelhante à dos lacedemônios.

As refeições em que os Lusitanos se juntavam, apenas uma vez por dia, tinham lugar numa sala onde sentavam-se em bancos móveis, encostados à volta das paredes da sala. A disposição dos bancos obedecia a uma hierarquia que colocava na frente os de mais idade e seguia uma ordem consoante a posição social.
Motivos Castrejos
O alimento mais característico era o pão de bolota ou glande de carvalho; bebiam leite de cabra e cerveja de cevada, reservando o vinho para as festas, com uma produção desde a época pré-romana.

Caça, pesca (usavam barcos feitos de couro ou pirogas de madeira para navegação dos rios), produção de gado bovino e equino, produção de mel e lã, assim como trigo, cevada, linho e mineração, eram actividades referenciadas.

O custo de vida era muito barato, no século II A.C., os produtos de pesca, ovinos, caprinos e agrícolas abundantes e as peças de caça eram dadas de graça a quem comprava alguns destes produtos.

O escambo era usado nas regiões do interior, onde também usavam peças cortadas de prata batida como dinheiro. Os homens vestiam-se de preto e usavam capas simples, as mulheres capas compridas e vestidos de cores vivas. Os homens usavam os cabelos compridos, como as mulheres, mas que prendiam à volta da testa quando combatiam. Eram tipicamente monogâmicos, casavam-se em cerimónias com rituais semelhantes aos dos gregos.

Culto Religioso

Os lusitanos praticavam sacrifícios humanos e, quando o sacerdote feria o prisioneiro no ventre, faziam-se vaticínios segundo a maneira como a vítima caía. Sacrificavam a Ares, deus da guerra, não só prisioneiros, como igualmente cavalos e bodes. Os sacerdotes, a quem Estrabão chama dehieroskópos, segundo a hipótese de alguns autores, fariam parte de um grupo de pessoas reconhecidas pelo seu prestígio, sabedoria e experiência.

Cabeça Cortada Castreja
Os locais de culto funerários, de grande interesse para os arqueólogos, encontram-se por todo o território da antiga Lusitânia. 

Do período paleolítico, conhecem-se cemitérios onde os corpos estavam dispostos com restos de alimentos, utensílios e armas; do megalítico abundam os dólmens, conhecidos em Portugal como antas ou mamoas - porque os montículos de terra que se acumularam sobre eles criaram essa forma arredondada.

Os santuários eram erigidos nas massas rochosas de locais com certo domínio da paisagem, à beira de cursos de água ou junto a montes. 

Nestes santuários encontram-se cadeirões de pedra, pias e altares, como no Castelo do Mau Vizinho, no Santuário da Rocha da Mina, no Cadeirão da Quinta do Pé do Coelho, ou no Penedo dos Mouros.

Também na área lusitana verifica-se a presença de estátuas chamadas berrões, que assume-se terem sido utilizadas para fins de carácter religioso. Supõe-se que seriam animais sagrados.

Mapa dos Povos Pre-romanos
Os lusitanos eram um povo guerreiro e agrário. A minas no território hispânico davam-lhes o ferro que servia para os seus instrumentos de guerra, sobretudo as compridas lanças, que não poupavam o inimigo. Foi assim, como um povo guerreiro e agrário, que conseguiram dominar a quase totalidade da Península Hispânica.

Era gente aguerrida, formando tribos sem coesão política e que escolhia povoações fortificadas, vivendo do pastoreio e da agricultura. Cultivavam o vinho, o trigo e a cevada, dedicando-se também à pesca. Fabricavam o pão com landes torradas, obtinham a cerveja com base na cevada, alimentavam-se de carne de cabra, usavam a manteiga em vez de azeite.


Estrabão escreveu que os lusitanos eram "a mais poderosa das nações ibéricas e que, entre todas, por mais tempo deteve as armas romanas". Disse também que os lusitanos eram sóbrios e frugais, bebendo só água, cerveja de cevada e leite de cabra. Dormiam deitados no chão. Usavam cabelos compridos como as mulheres, untavam-se com azeite e celebravam jogos vários de destreza física. Fabricavam pão de farinha de glandes de carvalho. Só bebiam vinho em festins. O vestuário dos homens era preto e de lã grosseira ou pelo de cabra.

Sacrificavam aos deuses e consultavam as entranhas humanas em prisioneiros, aos quais cortavam muitas vezes a mão direita. Os criminosos condenados à morte eram despenhados em precipícios, os parricidas lapidados. Casavam à maneira dos gregos. Tito Lívio escreveu que os lusitanos fizeram parte do exército cartaginês de Aníbal que invadiu a Itália ( 218 A.C. ). Diodoro, Possidónio, Plínio, Apiano, Plutarco, etc., escreveram sobre os lusitanos.


(Condensado da Enciclopédia Portuguesa-Brasileira) 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A figura de Viriato




Viriato Herói Ibérico

«Quando ainda não existiam os reinos medievais com as suas peculiaridades nem os Estados modernos com a sua história nacional, Portugal e Espanha constituíam um todo, uma paisagem e uma mesma gente capaz de fazer da Península a sua casa e de enfrentar junta as intempéries e formas de vida extremamente duras. à margem de fronteiras, estabelecidas ao acaso com o passar dos séculos ou o esquadro da política, a história portuguesa e espanhola era então - e foi até à entrada na Idade Média - uma única história peninsular.»


( História de Espanha por Fernando G. de Cortázar e José Manuel G. Vesga ) 

Quem era Viriato?



Viriato é citado por Diodoro ( XXXIII ) que diz que Viriato "nascera na Lusitânia, cerca do Oceano", talvez na região de Estremadura, entre o Tejo e o Douro, e, como pastor que era, filho da montanha, possivelmente oriundo da Serra da Estrela ( Mons Herminius ). Dizem os seus antigos biógrafos, como Orósio, Diodoro, Lívio e outros, que Viriato, na sua mocidade, apascentara rebanhos e fora caçador,

Em seguida fizera-se bandoleiro; depois, mais audaz que outros, foi capitão de ladrões de estrada, cujo bando praticava, simultânemante com outros bandos semelhantes, frequentes assaltos, saqueando os povoados das regiões mais ricas das planícies do Sul; e finalmente, como chefe do exército lusitano, fora o terror dos Romanos. 

Lucílio chamou-lhe o "Aníbal bárbaro", igualando o seu génio militar ao do grande general cartaginês. A sua estratégia foi a luta de guerrilhas muito popular com os guerreiros hispanos, mas usada por Viriato não já só para a defensiva, como também para o ataque.

O Aparecimento de Viriato


Viriato aparece na História, quando em 147 AC se opôe a rendição dos lusitanos a Caio Vetílio, que os tinha cercado no vale de Betis , na Turdetânia. Viriato lembra aos seus companheiro a traição anterior de Galba, em que mais de 30.000 lusitanos foram assassinados, homens , mulheres e crianças e outros foram vendidos como escravos nas Gálias. 

Demonstrou-lhes que os romanos eram inimigos falsos, sem palavra e que já os haviam atraiçoado miseravelmente, conseguindo assim convencê-los, e é eleito chefe. 

Derrota os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície do Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, fazendo nas fileiras inimigas uma espantosa chacina, tendo sido morto o próprio Vetílio. Seguidamente os lusitanos destroçam as tropas de Cayo Pláucio, tomando Segóbriga e as de Cláudio Unimano, que em 146 AC era o governador da Hispânia Citerior. Em 145 AC os lusitanos voltam a derrotar as tropas romanas de Caio Nígidio.

Em 145 AC Quinto Fábio Máximo, irmão de Cipião "O Africano" é nomeado cônsul na Hispania Citerior e é encarregado da campanha contra Viriato ao comando de duas legiôes. Ao princípio tem algum êxito mas Viriato recupera e em 143-142 AC volta a derrotar os romanos em Baecula e obriga-os a refugiar-se em Córdova.

Simultaneamente, seguindo o exemplo do chefe lusitano, as tribos celtibéricas revoltavam-se contra as prepotências romanas, acendendo uma luta que só terminaria em 133 AC com a queda de Numância.

Em 140 AC Viriato derrota o novo cônsul Fábio Máximo Servilliano, matando mais de 3.000 romanos, encurralando o inimigo e podendo destroçá-lo, mas deixou Servilliano libertar-se da posição desastrosa em que se encontrava, em troca de promessas e garantias de os Lusitanos conservarem o território que haviam conquistado. Em Roma esse tratado de paz foi depois considerado humilhante e vexatório e o Senado romano volta atrás, e declara-lhe guerra.


Morte de Viriato em 140 AC assassinado por Audax, Ditalkon e Minuro
Viriato tinha agora um exército desfalcado e fatigado das lutas. Apagava-se a sua estrela. O novo governador Quinto Servílio Cipião reforçado com tropas de Popílio Lenas, dispunha de forças muito superiores. 


Viriato em Zamora
Viriato foi compelido a pedir a paz, tendo que entregar aos romanos os principais revoltosos. Enviou a Servílio três emissários, Audax, Ditalkon e Minuros, que Viriato considerava dos seus melhores amigos.

Estes foram subornados por Servílio que lhes prometeu honras e dinheiro em troca do assassinato do seu chefe. 

Estes assim procederam, e o glorioso caudilho foi por eles morto quando se encontrava a dormir na sua tenda.

Os Portugueses de hoje consideram este seu remoto antepassado lusitano uma das mais belas e sugestivas figuras simbólicas do espírito de independência, de estóica heroicidade e de sacrifício total pelas liberdades pátrias. 

Em 1940 foi erigida em Viseu uma estátua à memória de Viriato. 

A Espanha considera também Viriato ( e está no certo, pois Viriato é um herói hispano muito anterior à formação das nacionalidades ibéricas ) como seu antepassado, e já tinha anteriormente feito o mesmo, erguendo-lhe uma estátua em Zamora, que contem na sua base a sugestiva legenda: 

                                                      TERROR ROMANORUM.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Batalha de São Mamede - 1128

Motivos da batalha

Após a morte de D. Henrique, em 1112, fica D. Teresa a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrem, já que lhe tinha sido dado por seu pai na altura do casamento. Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu irmão Fernão Peres de Trava. Terá até talvez casado em segundas núpcias com Bermudo, do qual terá tido uma filha.


A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta verificada em 1128, protagonizada pela grande maioria dos infanções do Entre Douro e Minho. Estes escolheram para seu caudilho, D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D. Teresa.
  1. "A Galiza, incluindo debaixo desta denominação a extensa província portugalense e que naturalmente se devia considerar como incorporado o território novamente adquirido ao Garb muçulmano, constituía já um vasto estado remoto do centro da monarquia leonesa. 

    Os condes que dominavam os distritos em que esse largo tracto de terra se dividia ficavam assaz poderosos para facilmente se possuírem das ideias de independência e rebelião comuns naquele tempo, tanto entre os sarracenos como entre os cristãos. Afonso VI pôde evitar esse risco convertendo toda a Galiza, na mais extensa significação desta palavra, em um grande senhorio, cujo governo entregou a um membro da sua família (...)"

(História de Portugal de Alexandre Herculano)


Batalha de São Mamede

Na batalha de São Mamede defrontam-se os exércitos do conde Fernão Peres de Trava e o dos barões portucalenses. Estes últimos quando venceram Fernão Peres pretendiam apenas obriga-lo a ceder o governo do condado portucalense ao príncipe herdeiro.

A intervenção dos barões portucalenses, liderada pelos senhores de Sousa e de Ribadouro, resultava de um longo percurso, ao longo do qual as linhagens de Entre Douro e Minho tinham solidificado o poder que exerciam na região. Pretendiam, como desde o tempo da condessa Mumadona Dias ocupar um lugar que não estivesse subordinado a ninguém, a não ser uma autoridade local em serviço dos seus interesses. O jovem herdeiro do condado servia exactamente a essa pretensão. Após a vitória Afonso Henriques tomou a autoridade com todo o vigor.

Afonso VII de Leão, ocupado com as vicissitudes da política leonesa, não atribui importância a esta mudança de poder no condado, e limita-se a aceitar o preito de fidelidade de D. Afonso Henriques em 1137. Porque isso contribuía para engrandecer o prestígio do imperador Afonso VII, a chancelaria leonesa não hesita em atribuir o título de rei ao príncipe português. Podia assim Afonso VII afirmar a sua condição de imperador, o qual tem reis por vassalos.

Entre os pricipais barões portucalenses que participaram na batalha de São Mamede ao lado de D. Afonso Henriques, estão Soeiro Mendes de Sousa «O Grosso» (1121-1137), Gonçalo Mendes de Sousa «Sousão» (1154-1167), Egas Moniz de Ribadouro «O Aio» (1108-1146), Gonçalo Mendes da Maia «O Lidador» e outros.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Conquista de Malaca

A Conquista de Malaca
Veja este site também em http://es.geocities.com/atoleiros


Afonso de Albuquerque

 Condensado de página da NET de José Martins
O  mercado de Malaca, por séculos, foi absorvido pelos árabes que através das rotas do Golfo Pérsico, Mar Vermelho e depois por terra abasteceram os mercados, tradicionais do Norte de África, Veneza, Piza e Génova em Itália. Empórios que deixaram de ter qualquer significado, mercantil, após os portugueses terem chamado a si o abastecimento das "coisas" da Ásia a toda a Europa.

Dez anos depois da chegada dos portugueses ao Oriente, parte do comércio da Índia já era dominado pela Coroa Portuguesa e bem conhecidas as riquezas de Malaca. Porém falta, apenas, explorar as costas do Coramandel e as da ilha de Ceilão.

São úteis e vitais para o bom sucesso da expansão e conquista do comércio oriental todas as informações, sobre os portos e rotas obtidas das tripulações muçulmanas que por inocência ou dinheiro as revelavam. Estavam longe de suspeitar, os muçulmanos, que o objectivo dos portugueses seria arrebatar-lhes o secular, monopólio, do comércio da praça de Malaca.

D. Manuel I vai recebendo, chegadas a Lisboa, as mensagens credíveis dos comandantes das caravelas que navegam de Cochim (Índia) também chamada a "terra da pimenta", da imponência, esplendorosa de Malaca. O Rei Venturoso, sonha, animado pelo espírito do Infante D. Henrique e pretende a todo o custo transformar um Portugal (flagelado pela peste e fome) numa potência económica da Europa.
Em Abril de 1508 uma esquadra naval, sob o comando de Diogo Lopes Soares de Sequeira passa a Barra do Tejo com destino a Malaca. Atraca, primeiro na Ilha de Sumatra, implanta um Padrão na cidade de Pedir, outro em Pecém e a sua frota de naus está ancorada no porto de Malaca no dia 11 de Setembro de 1509

Diogo Lopes Sequeira regressa a Lisboa, sem trazer a boa-nova a D. Manuel I que Malaca já era praça de Portugal. Deixou, pela má sorte, alguns portugueses prisioneiros. Entre os quais está Duarte Fernandes que viria ser o primeiro português a pisar terra siamesa. Fernandes, durante dois anos de detenção, aprendeu a língua malaia, granjeou do Sultão a simpatia que será estendida aos seus companheiros de cárcere. Com isto viria a gozar a total liberdade de movimentação.
Afonso de Albuquerque, finalmente, é o senhor de Goa. O indomável guerreiro e exímio diplomata, prepara uma armada naval e parte para Malaca, com o propósito de a conquistar. Dá-lhe o primeiro assalto em 1511 e arrebata-a. Envia, como emissário, à cidade de AyuthayaDuarte Fernandes para informar o Rei do Sião que Malaca tinha sido conquistada. Fernandes é portador de uma espada, e guarnecida de ouro e diamantes incrustados para presentear o monarca siamês. Foi bem acolhido pelo Rei Rama Thibodi II.
Afonso de Albuquerque, homem intrépido, e de uma metodologia impressionante (que vamos encontrar nas suasCarta a El-Rei de Portugal), nos seus cálculos, para firmar o poderia de Portugal na Ásia, não poderia desistir de conquistar Malaca. 
 
Segundo o historiador John Villiers, num artigo seu, publicado na monografia "Portugal e a Tailândia" - Fundação Calouste Gulbenkian 1988 - relata
 
» Nessa altura, o reino de Sião ainda reclamava a soberania sobre Malaca e Albuquerque, quando planeava atacar este porto, procurou uma aliança com o rei Rama Thibodi II de Ayuthaya (1491-1529), oferecendo-lhe soberania directa sobre todos os territórios governados pelo sultão de Malaca caso o ataque fosse bem sucedido. Para este efeito, enviou Duarte Fernandes (que viera para Malaca em 1509 como oficial da frota portuguesa comandada por Diogo Lopes Sequeira e que falava um pouco de tailandês) a Ayuthaya, onde lhe foi concedida uma audiência com o Rei Rama Thibodi II, na qual este foi presenteado com uma espada cuja bainha era de ouro incrustada com diamantes.
O Rei do Sião, apesar de não manifestar qualquer oposição ao ataque dos portugueses a Malaca, mostrou pouco interesse na proposta da aliança. Deste modo Albuquerque atacou e tomou sózinho a cidade. No entanto, após a conquista, não perdeu tempo a mandar novas embaixadas a Ayuthaya. Em 1512 enviou António Miranda de Azevedo, tendo este permanecido no Sião durante dois anos, regressando a Goa acompanhado de um enviado tailandês portador de uma carta de amizade de Rama Tibodi II para Rei D. Manuel I de Portugal.
Conquista de Malaca
Em 1516, Duarte Coelho deslocou-se a Ayuthaya como enviado do governador de Malaca, tendo concluído o primeiro tratado de aliança e comércio entre o Sião e Portugal. Nos termos do tratado de 1516, os portugueses acordaram em fornecer armas e munições ao Sião em troca da autorização do estabelecimento de feitorias comerciais em Ayuthaya, Ligor, Patani, Tenassarim e Mergui. Também lhes foi concedida a liberdade de culto religioso e, deste modo, pouco tardou a que construíssem uma igreja em Ayuthaya, vindo aí a trabalhar padres missionários. Em comemoração da conclusão do tratado e como marca da possessão de uma nova colónia na capital, Duarte Coelho foi autorizado a erigir um padrão".
 
O sistema de defesa do Reino do Sião, antes dos portugueses encetarem o relacionamento diplomático, era de certo modo bastante obsoleto e, praticamente, as armas de fogo desconhecidas. Nas batalhas a luta era efectuada de lutas corpo-a-corpo, no terreno, ou no dorso de elefantes. As armas de defesa eram facas, espadas e as pontas de lança forjadas no ferro que recebiam a têmpera para lhes dar resistência.»
 
Representam assim os portugueses um papel importante e primordial na defesa do reino do Sião, ensinando os siameses no manuseamento das armas de fogo, como na arte de as construir.