terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Batalha de Ourique




A Batalha de Ourique

Batalha travada em 25 de Julho de 1139, dia de Sant'Iago, entre as forças do nosso primeiro rei e as de um chefe islâmico denominado Esmar. A Batalha de Ourique associa-se à história da aclamação de Afonso Henriques como rei pela nobreza guerreira, em que se descreve o seu regresso triunfal a Coimbra, com a possível indicação de ter sido a partir desse momento que o infante passou a intitular-se rei.


Associada a esta batalha existe uma lenda que a descreve como uma batalha travada contra cinco reis mouros e ganha, ou pela força da protecção divina (versão clerical) ou pela valentia dos cavaleiros (versão nobiliárquica), num caso e noutro dispensadora de terras e riqueza, de reino e realeza. No entanto sobre a batalha real pouca informação existe, o que leva a crer que o confronto de Ourique se teria traduzido, na realidade, numa refrega militar de modestas proporções, quando confrontada com as grandes batalhas da Reconquista.

História da Batalha

Reunidas as suas tropas, no burgo de Coimbra, em Maio de 1139, Afonso Henriques marcha já em fins de Junho sobre Leiria, onde agrega à sua hoste os cavaleiros-vilões e alguma peonagem dos novos concelhos fronteiriços. E daí, num impetuoso fossado sobre as terras sarracenas, interna-se no Gharb, assolando e saqueando lugares, devastando todo o país.

Não tinham esmorecido ainda tanto, apesar de em manifesta decadência, os brios militares dos almóadas, que não congregassem logo as suas tropas e as dos Mouros espanhóis para marcharem ao encontro da hoste afonsina, cortar-lhe o passo, desbarata-la.

Nos campos de Ourique, feriu-se a 25 de Julho a memorável batalha, a que os Mouros, sob o comando de Esmar, levaram num esquadrão, de amazonas as suas próprias mulheres, talvez por carência de forças neste rincão de Aurélia e outras dificuldades mais graves

À excepção desta, afirma Herculano, as circunstâncias da Batalha de Ourique ignoram-se inteiramente. Sabemos só que Afonso Henriques desbaratou os sarracenos, cujo chefe, denominado nas crónicas portuguesas por rei Esmar, a custo salvou a vida com a fuga. O campo ficou alastrado de mortos, entre os quais se acharam os cadáveres de muitas das mulheres que ali tinham vindo e haviam perecido combatendo como as antigas amazonas.

( Condensado de terravista.pt/ancora/1627 - Site que se recomenda por informação sobre Batalhas de Portugal

Nota - D. Afonso Henriques fez construir o castelo de Leiria em 1135, para servir de poderosa base defensiva e ofensiva. Alguns anos mais tarde, atreveu-se mesmo a um ousado, mas de forma alguma inédito "raid", bem no coração da mourama. 


Atravessou o Tejo e internou-se na vasta planície quase deserta do Ribatejo e do Alentejo Norte. Uns 110 Km a sul do Tejoalcançou provavelmente a antiga estrada romana e muçulmana que o levou com facilidade para o Sul, distante mais de 200 Km da fronteira. Em Ourique. pequena cidade perto dessa estrada, encontrou por fim o exército defensivo muçulmano, que conseguiu derrotar à frente de algumas centenas de homens a cavalo ( 1139 ).

Era a sua grande vitória mas não a pode explorar. Tratava-se apenas de uma razia, sem o apoio de qualquer sistema organizado de abastecimentos e cobertura de reservas. Ourique estava longe de mais para ter algum significado na conquista cristã. Afonso Henriques regressou ao reino, muito provavelmente sem ter provocado no Alentejo islâmico qualquer perturbação de monta. 


( História de Portugal - A.H. Oliveira Marques)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Sul Islâmico

O Sul Islâmico

Os Reinos Taifa

Os Muçulmanos chamavam al-Garb al-Andalus (o ocidente de Andaluz) a todo o território para ocidente e noroeste do Guadiana, correspondendo aproximadamente à Lusitânia romana e visigoda. Aí existiam várias grandes e médias cidades, sedes de kura,onde se registaram, ao longo dos séculos, rebeliões importantes e por vezes duradouras.

A partir de século XI, a ruína e o desmembramento do califado de Córdova, que unificara e robustecera toda a Península Ibérica sob domínio islâmico, levaram à criação de vários reinos, chamados de taifa (bandeira), alguns com dinastias de quase um século. 


O governador da marca ou província militar de Mérida, Ibn al-Jilliqi, literalmente o «filho do galego» por pertencer a uma família de cristãos convertidos chefiou a primeira revolta importante, em 868, que autonomizou durante décadas grande parte do sudoeste peninsular, originando a dinastia de Ibn Marwan, com quatro gerações.

Rebeliões no Al-Andaluz

Houve outras rebeliões em Lisboa, Beja e Faro. O estabelecimento de feudos semiautónomos com sede em Mérida-Badajoz, Beja e Faro foram normais no Sudoeste da Península. Sucedeu o mesmo um pouco por toda a parte. A tendência para a desagregação em Al-Andaluz acompanhava a feudalização de quase toda a Europa. 

A partir de 1012 constituíram-se reinos de taifa em Huelva, Badajoz (dinastia dos Banu al-Aftas, com quatro monarcas), Sevilha (Banu ' Abbad, com três monarcas) Niebla (Banu Yahya, com três monarcas), Faro (Banu Harun, com dois monarcas), Mértola e Silves (Banu Muzayn, com dois monarcas). Todos eles abrangeram, durante algum tempo, o espaço «português». O mais importante foi o de Badajoz, que chegou a abarcar todo o Portugal de hoje a sul do Douro - com excepção da parte do Algarve -, além de territórios no vale do Guadiana, actualmente pertencentes a Espanha que durou desde 1022 até 1094.

O fraccionamento do Califado e as lutas, por vezes violentas, em que se envolveram muitos dos reinos de taifa,favoreceram os Cristãos e o progresso da Reconquista. Em meados do século XI, os avanços do rei de Leão e Castela,Fernando I, conquistando Coimbra e ameaçando o vale do Tejo, induziram o rei de Badajoz a pedir auxílio aos chamados Almorávidas. 

Os Almorávidas haviam erguido um imponente império no Norte de África. Sentiu-se a ameaça que representavam para a independência dos pequenos reinos de taifa. Mas os muçulmanos espanhóis não tinham outra escolha. Os Almorávidas desembarcaram na Península, repeliram de facto os Cristãos mas resolveram ficar e reunificá-la sob o seu jugo.

Invertendo alianças, o rei de Badajoz pediu ajuda aos Cristãos, abrindo-lhes as portas de Santarém e de Lisboa (1093). Em vão. O poder almorávida tomara-se forte de mais para que se lhe resistisse. Todo o al-Garb 1hes caiu nas mãos (1094-1095). Pouco depois, as duas referidas cidades eram recuperadas e a fronteira muçulmana atingia novamente a bacia do Mondego.

Os reinos de taifa não duraram o bastante para criar no Sudoeste da Península Ibérica um conjunto político unificado. Para mais, os seus laços com o resto da Espanha muçulmana mantiveram-se sem quebra, dentro dum sistema fácil de comunicações e de relações económicas desenvolvidas. Foram Estados que nunca se sentiram auto-suficientes nem isolados do resto do mundo. 

Os seus chefes jamais assumiram o título de califa, ou sequer o de rei, actuando sempre como representantes de uma autoridade suprema fictícia. Acentuaram-se, apesar de tudo, os localismos durante a sua existência. e tais localismos nunca tiveram força bastante para cristalizar em independência, ajudaram certamente a sacudir um jugo doravante havido por insuportável. 

Metidas nos seus pequenos interesses e oprimidas por um sistema militar cada dia mais pesado e rude, as parcelas locais do al-Garb tomaram-se as melhores aliadas dos cristãos na Reconquista. 

(Condensado da História de Portugal de A.H. de Oliveira Marques)


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A Certidão de Nascimento de Portugal

"Bula "Manifestis Probatum" de Alexandre III

Modernamente, em que tanto se fala da Carta de Pêro Vaz de Caminha, como a certidão de nascimento do Brasil, em sentido figurado claro, vejamos a certidão de nascimento de Portugal como Estado Europeu.

Em 1179, contra o o tributo anual de dois marcos de ouro, 460 gramas, paga adiantadamente, o papa Alexandre III reconhece D. Afonso Henriques como rei, e o seu Estado, Portugal, como reino:

« Alexandre, Bispo, servo dos servos de Deus, ao caríssimo filho em Cristo, Afonso, rei ilustre dos Portugueses e aos seus herdeiros. Para perpétua memória. Está demonstrado com provas manifestas que, através de esforços bélicos e aguerridas pelejas, tens sido um intrépido extirpador dos inimigos do nome cristão e um diligente propagador da fé cristã; e, como bom filho e príncipe católico, tens também tido variadas atenções de benevolência para com a tua mãe a Santa Igreja, deixando aos vindouros um nome digno de louvor e um exemplo a imitar.


Mas é de justiça que também a Sé apostólica ame com sincero afecto aqueles que, por disposição celeste, foram lá do alto escolhidos para governo e salvação do povo, procurando eficazmente aceder às suas legítimas instâncias. Por isso Nós, reconhecendo a tua pessoa dotada de prudência e equidade, e portanto idónea para governar, te recebemos e ao reino de Portugal sob a protecção de São Pedro e Nossa, com todas as honras e dignidades próprias dos reis, concedendo-te por virtude da autoridade apostólica, e confirmando-te na posse de todos os lugares que, com o auxílio da divina graça, conseguires arrancar das mãos dos Sarracenos, sem que os príncipes cristãos teus vizinhos possam alegar sobre eles qualquer pretensões.

E para que a tua devoção e obediência a São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, e à Santa Igreja Romana cresçam cada vez mais, quanto te concedemos a ti pessoalmente isto mesmo concedemos também aos teus herdeiros, tomando como um dever do Nosso "munus" apostólico defendê-los, com a ajuda de Deus, em tudo o que fica concedido. Por tua vez, filho caríssimo, terás o cuidado de te conservar submisso e devotado à Santa Igreja de Roma, exercitando-te, conforme as circunstâncias o permitirem, na dilatação dos confins da fé cristã, de modo que a Sé Apostólica se alegre por tão devoto e glorioso filho e descanse no teu amor.

Como prova de que o predito reino pertence por direito a S. Pedro, tu mesmo, para maior demonstração de reverência, estabeleceste dar- Nos todos os anos, a Nós e aos Nossos sucessores, dois marcos de oiro; o qual censo, para Nossa utilidade e dos nossos sucessores, tu e os teus herdeiros depositareis todos os anos nas mãos do Arcebispo de Braga, que então estiver à frente daquela Sé.»


( Condensado da História de Portugal de A.H. Oliveira Marques )


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Figura de Inês de Castro


Quem era Inês de Castro


D. Inês Pérez de Castro era uma dama galega filha natural de D. Pedro Fernández de Castro, dito senhor da Guerra, grande senhor galego, primo direito de D. Pedro I, camareiro-mor de Afonso XI de Castela e de Aldonza Suárez de Valadares. Veio para Portugal em 1340, no séquito de D. Constança, noiva do infante D. Pedro.

A Formosa D. Inês, a quem chamavam o "colo de garça", impressionou D. Pedro, ao que parece desde os primeiros momentos, e assim nasceu o celebrado e desventurado romance entre os dois.

Diz Fernão Lopes na sua crónica do Rei D. Pedro I :

« que semelhante amor, qual el Rei Dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente he achado em alguma pessoa»

D. Inês Pérez de Castro
Razões de ordem moral e política se levantaram contra o "grande desvairo". No amoroso, o parentesco entre eles ( D. Inês era prima em 2º grau de D. Pedro ), mas sobretudo ao facto de o rei ser casado. 

Quanto às razões políticas, a possibilidade, devida à ambição e influência da família castelhana Castro, de que os filhos da ligação poderem vir a subir ao trono de Portugal, em detrimento de D. Fernando, filho de D. Constança e de D. Pedro I.

Os amores de D. Pedro com D. Inês, começaram cedo logo com a chegada do séquito de D. Constança a Portugal. D. Afonso IV obrigou então Inês a retirar-se para Castela, aonde se conservou até à morte de Constança em começos de 1349. Todavia, logo que a princesa faleceu, D. Pedro fez regressar Inês de Castro, passando a viver com ela maritalmente e tendo dela quatro filhos, nascidos entre 1349 e 1354.

Talvez em 1351, tentou obter do Papa uma bula de dispensa que lhe permitisse o casamento com parente tão chegada. Não o conseguiu e alarmou D. Afonso IV e a alta nobreza cortesã que temia a interferência dos poderosos Castros castelhanos no jogo de influências da política portuguesa. Realmente parece não haver dúvidas que D. Pedro era um joguete nas mãos de Inês de Castro e dos seus parentes castelhanos.

O aspecto político do caso, teve desfecho espectacular na morte de D. Inês ( 7 de Janeiro de 1355 ), ordenada por D. Afonso IV, a conselho de Diogo Lopes Pacheco, Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves. Quando subiu ao trono, em 1357, D. Pedro concluiu o capítulo da chacina de D. Inês com o castigo exemplar de dois dos ex-conselheiros do seu pai. 


Assassinato de Inês de Castro
É curioso assinalar dois rumos diferentes na história de Inês de Castro. Um coevo e popular, considerá-la-ia uma figura antipática e intriguista. Uma mulher perversa e intriguista era uma Inês de Castro. Outro de formação literária, ( Garcia de Resende, Camões, António Ferreira), apresenta-a como uma vítima inocente e infeliz.

( Dicionário de História de Portugal de Joel Serrão )

Assassinato de D. Inês

O rei Afonso IV decidiu então que a melhor solução seria eliminar Inês. Depois de alguns anos no Norte, Pedro e Inês haviam regressado a Coimbra e se instalado no Paço de Santa Clara. 

Mosteiro de Santa Clara
A 7 de Janeiro de 1355, o rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e, aproveitando a ausência de Pedro numa excursão de caça, enviou Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco para executar Inês. Os três se dirigiram ao Mosteiro de Santa Clara em Coimbra, onde Inês se encontrava, e degolaram-na. Tal facto, segundo a lenda, teria originado a cor avermelhada das águas que correm nesse local da Quinta das Lágrimas. 

A morte de Inês fez com que Pedro se revoltasse contra Afonso IV, que responsabilizou pela morte, e provocou uma sangrenta guerra civil. A rainha Beatriz interveio e, após meses de luta, a paz foi selada em Agosto de 1355.

Rainha póstuma

Coroação de Inês como Raínha
Pedro tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360, faz a famosa declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que havia se casado secretamente com Inês, em 1354 "em dia que não se lembrava".

As palavras do rei e de seu capelão foram as únicas provas desse casamento.

O novo rei perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para Castela.

Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados (segundo a lenda, o Rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro, pelas costas, e assistiu à execução enquanto se banqueteava).

Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para a França. Mais tarde foi perdoado pelo rei no seu leito de morte.


Pedro mandou construir dois esplêndidos túmulos - os túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro - no mosteiro de Alcobaça, um para si e outro para onde trasladou os restos de sua amada Inês. 

É curioso assinalar dois rumos diferentes na história de Inês de Castro. Um coevo e popular, considerá-la-ia uma figura antipática e intriguista. Uma mulher perversa e intriguista era uma Inês de Castro. Outro de formação literária, ( Garcia de Resende, Camões, António Ferreira), apresenta-a como uma vítima inocente e infeliz.

( Dicionário de História de Portugal de Joel Serrão )

Tumulo de Inês em Alcobaça
A tétrica cerimónia do beija mão, tão vívida no imaginário popular, provavelmente foi inserida nas narrativas do final do século XVI, depois de Camões descrever, no Canto III de Os Lusíadas, a tragédia da linda Inês, fazendo referência à "mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha". 

Juntou-se a Inês em 1367 e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenda "possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final".


sábado, 24 de agosto de 2013

Raínhas de Portugal - Dinastia de Aviz


D. Filipa de Lencastre ( Phillipa Plantagenet, Duchess of Lancaster ) - D. João I

Rainha de Portugal, nasceu em Leicester em 1359, era filha primogénita de João de Gaunt ( John of Gaunt ), filho do rei Eduardo III de Inglaterra e de D. Branca de Lencastre,( Blanche of Lancaster ) duques de Lancaster. Casou a 2 de Fevereiro de 1387 com D. João I, na Sé do Porto. D. Filipa era irmã de Henrique IV de Inglaterra. Faleceu de Peste Negra em Odivelasem 19 de Julho de 1415. 

Educada em Inglaterra, numa das propriedades rurais de seu pai, pouco se sabe da sua vida até aos 26 anos. Em 1386 embarcou com seu pai, sua madrasta e sua irmã, D. Isabel, para Castela, sendo então prometida a D. João I, rei de Portugal. Deste casamento nasceram oito filhos, descendência essa que
ficou conhecida como a "ínclita geração".

Foi uma rainha generosa e amada pelo povo. Os seus filhos que chegaram à idade adulta seriam lembrados como príncipes cultos e respeitados em toda a Europa.

D. Filipa nunca se desligou dos hábitos ingleses e, por sua influência, novos costumes se introduziram na corte portuguesa, o que viria a manifestar-se na conduta, na formação moral e até na actividade literária de seus filhos D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique e D. Fernando. D. Filipa promoveu sempre o fortalecimento das relações comerciais, políticas e diplomáticas com Inglaterra, sendo já o seu casamento, aliás, um contributo para a consolidação da aliança luso-britânica, estabelecida em 1372. Incitou a fidelidade de Portugal ao papa, acompanhando e interessando-se igualmente pela preparação dos planos para a conquista de Ceuta. ( Leia-se Os filhos de D. João I de Oliveira Martins )

Morreu de peste em Odivelas, nas vésperas da partida para Ceuta, não sem antes entregar a cada um dos infantes, D. Duarte, D. Pedro e D. Fernando, uma espada, com a qual viriam a ser armados cavaleiros por seu pai, D. João I. Foi sepultada em Odivelas, e posteriormente, trasladada para o mosteiro da Batalha, para a Capela do Fundador.

D. Leonor de Aragão - D. Duarte 

Rainha de Portugal, nasceu em 2 de Maio de 1402, filha de Fernando I, rei de Aragão e da Sicília, tornou-se rainha de Portugal pelo seu casamento com D. Duarte, que se celebrou emCoimbra, em 1428. Foi seu irmão, D. Afonso V de Aragão, quem tratou do consórcio, já que nele via a maneira mais eficaz de ligar solidamente as casas reais de Aragão e Navarra e de Portugal.

D. Leonor apoiaria seu marido, D. Duarte, em todo o seu reinado, e, aquando da tomada de decisão sobre a continuação da expansão portuguesa no norte de África, manifestou-se a favor desta empresa,
intercedendo mesmo junto de D. Duarte para que a expedição a Tânger tivesse lugar. D. Duarte tinha-a, de facto, como boa conselheira e uma prova da sua afeição por Leonor, reside no facto de lhe dedicar o Leal Conselheiro, num prefácio dirigido "à muito prezada e amada Rainha e Senhora". Faleceu em Toledo em 19 de Fevereiro de 1449.

Teve 8 filhos: Branca, Afonso, D. Duarte, Pedro, Henrique e Isabel, Fernando e João,

D. Duarte faleceu cedo (1438), deixando então D. Leonor como regente do reino, até D. Afonso V atingir a maioridade. Esta disposição gerou, contudo, grande controvérsia no reino, já que a opinião pública considerava os infantes D. Pedro, D. Henrique e D. João mais capazes de governar. D. Leonor manteve-se, no entanto, como regente até 1440, assinando os actos régios como "a triste rainha", ano em que foi substituída pelo infante D. Pedro, acabando por ser afastada da corte, e exilando-se então em Espanha, vindo a falecer em Toledo. Teve 8 filhos: João, Filipa, D. Afonso V, Leonor, Duarte, Joana, Catarina e Fernando.

D. Isabel - D. Afonso V 

D. Isabel, Rainha de Portugal, também chamada de D. Isabel de Lancastre, D. Isabel de Avis ou mais modernamente, no estrangeiro, D. Isabel de Coimbra; Nasceu em Évora em 1402 e faleceu em 2 de Dezembro de 1455, rainha de Portugal, filha do Infante-Regente D. Pedro, Duque de Coimbra e de sua mulher a princesa D. Isabel de Aragão, condessa de Urgel, filha do rei Jaime II de Aragão. Casou em 6 de Maio de 1447 com o seu primo direito D. Afonso V.

A rainha D. Isabel viveu desde a infância um belo caso de amor com o seu rei e primo, junto de quem foi criada na corte de seu pai, o regente, e que lhe retribuía com fervor essa afeição. Sofreu cruel
desgosto com a intriga urdida pelo 1º Duque de Bragança contra seu pai, que veio a culminar na Batalha de Alfarrobeira, não tendo este incidente no entanto diminuído a afeição e confiança absoluta existentes entre o Rei e a sua Rainha.Teve 3 filhos: João (1451-1452), Joana (1452-1490) e D. João II (1455-1495). 

Antes de morrer, a rainha D. Isabel de Aviz vai obter do rei e marido o arrependimento pelo tratamento dado aoInfante das Sete Partidas, cuja desgraça causara espanto, escândalo e consternação na Europa de 1449. A reabilitação da memória de D. Pedro ficou manifestada nas grandes cerimónias, ordenadas por D. Afonso V, na trasladação processional do corpo do Infante assassinado, pois este deslocava-se para a corte, obedecendo ao chamado do rei, acompanhado apenas de uma pequena comitiva e não armados para a guerra

Da humilde igreja de Alverca, onde por caridade o haviam sepultado em segredo, sob os degraus de pedra da entrada, alguns pescadores do rio Tejo, para Sta. Maria da Vitória da Batalha, junto de seus pais e irmãos. Ali, na Capela do Fundador, jaz também D. Isabel e seu marido, pais, filhos e netos, por ser esta o panteão da Dinastia a que todos

D. Leonor de Lencastre - D. João II 

Casou em 16 de Setembro de 1473. Nasceu a 2 de Maio de 1458 e faleceu em Xabregas, Lisboa, em 17 de Novembro de 1525. Filha do infante D. Fernando (irmão de D. Afonso V) e de D. Beatriz, casou aos 12 anos com o seu primo o futuro rei D. João II, então com15 anos, tornando-se assim rainha de Portugal. Desse casamento nasceu o príncipe D. Afonso, que nasceu em 1475 e morreu de acidente, numa queda de cavalo, em 1491.

Em 1476, ficou como regente do reino, por D. João II ter de se ausentar em defesa de seu pai em Castela. O facto de o seu filho D. Afonso ter morrido cedo levou a que D. João II pretendesse pôr no trono o filho bastardo (D. Jorge), levando D. Leonor a defender os interesses de seu irmão, D. Manuel,
na sucessão.

D. Leonor de Lencastre , destacava-se, pela formosura, inteligência e, sobretudo, pelo muito que sofreu e pelo bem que espalhou, Dona Leonor, a fundadora das Casas de Misericórdias, filha do Duque de Viseu, Dom Fernando, Grão Mestre de Aviz, e Grão Mestre de Santiago; neta Del Rei, Dom Duarte e duas vezes bisneta de Dom João I, Dona Leonor, a "Rainha dos sofredores", era de temperamento muito diverso do seu real consorte. Ela, linda e faceira, era impressionantemente bondosa. Tinha a fisionomia suavíssima, marcada pelos olhos azuis e cabelos louros, herdados de sua bisavó, Dona Filipa de Lencastre

Voltou a ser regente do reino em 1498, já durante o reinado de D. Manuel. Data desse período a criação dasMisericórdias, obra social que cresceu rapidamente e se espalhou por todo o reino. Deve-se-lhe também a construcção doHospital das Caldas que recebeu o nome de Caldas da Rainha (em sua homenagem) e o título de vila (1511). Foi também grande protectora e impulsionadora das artes e letras em Portugal. Fundou ainda os conventos da Madre de Deus e da Anunciada e a igreja de Nossa Senhora da Merceana.

Faleceu em Lisboa, tendo sido sepultada no convento da Madre de Deus. em campa rasa, ao lado da sua irmã, a Duquesa de Bragança.

D. Isabel de Aragão e Castela - D. Manuel I

Rainha de Portugal e primeira esposa de D. Manuel I. Nasceu em Dueñas a 2 de Outubro faleceu de parto em Saragoça em 28 de Agosto de 1498. Filha dos Reis Católicos espanhóis (Fernando e Isabel), veio para Évora em 1479 como caução por parte da vizinha Espanha no tratado das Terçarias de Moura. Aí casou em 1490 com o príncipe herdeiro de Portugal, D. Afonso, filho de D. João II.

Viúva em 1491, por morte de D. Afonso num acidente em Almeirim, voltou a casar, em 1497, com D. Manuel I quando este sucedeu a D. João II, colocando o casamento condições que obrigavam o monarca português a expulsar os judeus do país. Ambos foram jurados herdeiros dos tronos de Castela e Aragão (1498).

D. Isabel viria a morrer ao dar à luz o primogénito, D. Miguel da Paz, que, no próprio dia do nascimento, foi reconhecido e aclamado como herdeiro desses reinos e do de Portugal. O herdeiro, porém, viria a falecer com menos de dois anos de idade, pondo termo às esperanças de uma união ibérica.

D. Maria de Aragão - D. Manuel I

D. Maria de Aragão e Castela ou D. Maria de Trastâmara y Trastâmara Nasceu emCórdoba a 29 de Junho de 1482 , e faleceu em Lisboa a 7 de Março de 1517. Foi foi uma princesa aragonesa, segunda esposa de D. Manuel I, a qual viria a ser rainha de Portugal desde1501 até à sua morte.

Maria era filha dos Reis Católicos, Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão.

Teve quatro irmãos, entre os quais Joana a Louca, rainha de Castela, e Catarina de Aragão, esposa de
Henrique VIII de Inglaterra (da qual o rei inglês se virá a querer divorciar e que estará na origem da separação da Igreja Anglicana da Católica Romana), e ainda Isabel de Aragão(esposa do príncipe Afonso de Portugal e primeira mulher de D. Manuel I).

A morte desta última, em 1498, durante o parto do seu filho, levou a que D. Manuel, numa política de aproximação entre as duas casas reais peninsulares, se viesse a consorciar com a sua irmã Maria em 30 de Agosto de 1500, tendo aí iniciando-se uma ligação dinástica com a Espanha tão profunda que, em última análise, estará na origem dos acontecimentos de 1580.

D. Maria faleceu em 1517, com apenas 35 anos, de causas naturais. Foi sepultada na Madre de Deus, donde foi trasladada para o mosteiro de Belém.Casou com D. Manuel I em 1500. Teve dez filhos, entre os quais D. João III e o cardeal D. Henrique, que foram reis de Portugal, e D. Isabel de Portugal, que casou com o imperadorCarlos V.

D. Leonor de Áustria - D. Manuel I 

Rainha de Portugal, nasceu a 15 de Novembro de 1498 e faleceu em Talavera a 25 de Fevereiro de 1558, era filha de Filipe, o Belo, e de Joana, a Louca. D. Leonor foi educada na corte de seu irmão,
Carlos V, tornando-se, em 1519, a terceira mulher do rei D. Manuel I. Desse matrimónio nasceram o infante D. Carlos, que morreu cedo, e a infanta D. Maria.

Em 1521, ficou viúva de D. Manuel e, em consequência do tratado de Madrid (1526) e do de Cambray (1529), casou com Francisco I de França, no ano de 1530. Após a morte deste, em 1547, regressou aos Países Baixos, para junto de seu irmão Carlos V, morrendo uns anos mais tarde (1558) em Talavera. Foi sepultada no mosteiro do Escorial.




D. Catarina de Áustria - D. João III 

Rainha de Portugal, nasceu em 14 de Janeiro de 1507 e faleceu a 14 de Fevereiro de 1578. Era filha de Joana, a Louca, rainha de Espanha, e de Filipe, o Belo, arquiduque da Áustria e Duque da Borgonha. Casou com D. João III, em 5 de Fevereiro de 1525. Era neta dos reis católicos de Espanha, D. Fernando e D. Isabel, e irmã de Carlos V. Teve papel activo nos negócios do reino, participando nos
conselhos de estado e exercendo influência sobre seu marido.

Em 1557, após a morte de D. João III, tornou-se regente do reino e responsável pela educação do neto, D. Sebastião.

Abandonou a regência em 1562, passando Portugal a ser reinado pelo cardeal-rei D. Henriqueaté aos 14 anos de D. Sebastião. Continuou, porém, a intervir na educação do futuro rei.

Os conflitos entre avó e neto foram em grande número, dada a oposição de D. Catarina aos projectos de D. Sebastião para o norte de África. Recolheu-se ao Paço de Xabregas, morrendo meses antes da batalha de Alcácer Quibir. Foi fundadora de diversos mosteiros e igrejas.



sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Isabel de Portugal - Rainha e Imperatriz



D. Isabel de Portugal 

Rainha de Espanha e Imperatriz da Alemanha 

Infanta de Portugal, rainha de Espanha e imperatriz da Alemanha pelo seu casamento comCarlos V, era filha de D. Manuel I e de D. Maria. Casou em 1526 e, entre os seus filhos, contava-se o futuro Filipe II (I de Portugal). 

Inteligente e de grande beleza física, como o mostra o belíssimo quadro de Ticiano, esta filha de D. Manuel I e neta dos reis católicos, integrou-se perfeitamente no seu papel de rainha, e foi regente de

 
Isabel de Portugal Rainha e Imperatriz
Espanha entre 1528 e 1533 e, mais tarde, entre 1535 e 1538, quando Carlos V se encontrava ausente por motivo de guerras. Assinou, em 1529, o tratado com Portugal sobre as ilhas Molucas.

Tendo morrido de parto em Granada a 19 de Julho de 1539, foi perante o seu cadáver que o duque de Gandia, depois São Francisco de Borja, valido de Carlos V e futuro vice-rei da Catalunha, impressionado pela morte da bela rainha, se decidiu a optar por uma vida religiosa, ingressando na Companhia de Jesus. Inicialmente sepultada em Granada, foi transladada para o Panteão do Escurial em 1574

A princesa casou-se em Almeirim por procuração, em 1 de novembro de 1525, com o seu primo Carlos, representado pelo embaixador Carlos Popeto; e partiu em janeiro de 1526 rumo a Elvas com grande e rica comitiva, dai prosseguindo a viagem em liteira até a fronteira do Caia. Aí, montada em linda égua branca esplendorosamente ajaezada, e com luzido e fidalgo acompanhamento, foi ao encontro da embaixada castelhana que a vinha buscar, encabeçada pelos duques de Calábria e de Béjar e pelo arcebispo de Toledo. 

Escudo de armas de Isabel de Portugal
Passada a fronteira, seguiu para Sevilha onde se encontrava o marido, ali se repetindo solenemente as bodas imperiais nos paços chamados de Reales Alcázares, em Março de 1526. Foi um casamento feliz, pois os noivos se apaixonaram apenas se conheceram, e se isolaram do mundo prolongando uma lua-de-mel que não parecia querer acabar, e apenas terminaria quatorze anos depois, de facto, pela morte da imperatriz.

Deslumbrado com a sua beleza, Carlos V deu-lhe ao casar por nova divisa as três graças, tendo a primeira delas a rosa, símbolo da formosura; a segunda o ramo de murta, símbolo do amor; e a terceira, a coroa de carvalho, símbolo da fecundidade, além do mote.

Na corte castelhana em Toledo, a imperatriz D. Isabel preferiu viver sem se ocupar com política, quase sempre no seu oratório ou convivendo com as numerosas damas portuguesas que a haviam acompanhado até Castela, vigiando as amas dos seus numerosos filhos. 

Ao morrer de sobreparto, catorze anos depois de casada, Carlos V tanto se comoveu com a sua perda que no convento de S. Justo, onde se recolheu durante o luto pesado da viuvez, passava horas a contemplar o seu retrato mais emblemático, pintado por Ticiano.



terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Figura de São Nuno Álvares Pereira


D. Nuno Álvares Pereira

D. Nuno Álvares Pereira nasceu em 1360, em local que não é fácil determinar, embora Cernache de Bonjardim e Flor da Rosa sejam os mais citados. Morreu em Lisboa no Convento do Carmo em 1431. Era filho do Prior da Ordem do Hospital e de Maria Gonçalves do Carvalhal. 

É uma das figuras mais famosas da nossa história, apontada sempre como modelo de virtudes cívicas e religiosas, um dos raros nomes que unanimemente é costume identificar com a própria existência nacional. A imagem de Nuno Álvares familiar a todos os portugueses, assenta em dois depoimentos do século XIV, o de Fernão LopeLopes e o do anónimo da Crónica do Condestrabe. É também essa imagem que reaparece modernamente na prosa sedutora de Oliveira Martins.



É uma das figuras mais famosas da nossa história, apontada sempre como modelo de virtudes cívicas e religiosas, um dos raros nomes que unanimemente é costume identificar com a própria existência nacional. A imagem de Nuno Álvares familiar a todos os portugueses, assenta em dois depoimentos do século XIV, o de Fernão

Foi, na verdade um extraordinário chefe guerreiro, embora se tenha apreciado de diversas maneiras a originalidade das tácticas que empregou. Talvez que essa originalidade na esteja na disposição da hoste para o combate, na utilização da cavalaria apeada e dos arqueiros, mas antes na intuição de que era necessário pôr de lado a velha e lenta maneira de cercar praças, conquistar castelos, negociar e arremeter, em interminável série de recontros, e escolher, em vez disso, a posição e o momento apreciado para decidir de um só golpe a situação.

Foi largamente recompensado em doações de terras, privilégios e honrarias por D. João I, de tal forma que o cronista lhe chamou «o segundo braço da defensão do reino». Tamanha grandeza social, chocou depois contra as tendências políticas e administrativas da Europa do seu tempo e provocou depois vários conflitos sobre jurisdições e domínios que tinham sido doados pelo rei. Em 1423, entra na Ordem dos Carmelitas, humilde e pobre, como desprendido de tudo.

Foi beatificado em 1918. D. Nuno Álvares Pereira foi canonizado como São Nuno de Santa Maria pelo papa Bento XVI às 9h 33min (hora dePortugal) de 26 de Abril de 2009.

( Dicionário de História de Portugal - Joel Serrão )

Guerra com Castela:


1ª Fase - 1384 Cerco de Lisboa e batalha dos Atoleiros ( Alentejo )17.000 a 19.000 combatentes do lado castelhano. Cerca de 7.000 combatentes pelo lado português.

2ª Fase - 1385 Trancoso, Valverde e a grande batalha de Aljubarrota, 14 de Agosto de 1385.

3ª Fase - 1396-97 Escaramuças pouco importantes. A paz foi assinada em 1432.

( A.H. Oliveira Marques - História de Portugal )


Camões imortaliza D. Nuno Álvares Pereira, no Canto IV, estrofe XIV dos Lusíadas:
« Mas nunca foi que este erro se sentisse
No forte Dom Nuno ; mas antes,
Posto que em seus irmãos tão claro o visse,
Reprovando as vontades inconstantes,
Àquelas duvidosas gentes disse,
Com palavras mais duras que elegantes,
A mão na espada, irado e não facundo,
Ameaçando a terra, o mar e o Mundo:
Nuno Álvares Pereira foi beatificado aos 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV, que consagrou o dia 6 de Novembro ao, então, beato. Iniciado em 1940, o processo de canonização foi posteriormente interrompido e, em 2004 reiniciado.

No Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 - acto formal no qual o Papa pediu aos Cardeais para confirmarem os processos de canonização já concluídos -, o Papa Bento XVI anunciou para 26 de Abril de 2009 a canonização do Beato Nuno de Santa Maria, juntamente com quatro outros novos santos.

Foi canonizado como São Nuno de Santa Maria pelo papa Bento XVI às 9h 33min (hora de Portugal) de 26 de Abril de 2009.O processo referente a Nuno Álvares Pereira encontrava-se concluído desde a Primavera de 2008, noventa anos após sua beatificação.