segunda-feira, 22 de julho de 2013

A viagem de Vasco da Gama


A Viagem de Vasco da Gama

Vasco da Gama (Sines, ca. 1460 ou 1469 — Cochim, Índia, 24 de Dezembro de 1524) foi um navegador e explorador português.1 Na Era dos Descobrimentos, destacou-se por ter sido o comandante dos primeiros navios a navegar da Europa para a Índia, na mais longa viagem oceânica até então realizada, superior a uma volta completa ao mundo pelo Equador.2 No fim da vida foi, por um breve período, Vice-Rei da Índia.1

Nasceu provavelmente em 14603 ou 14681 ou ainda 1469,4 5 em Sines,5 na costa sudoeste de Portugal, possivelmente numa casa perto da Igreja de Nossa Senhora das Salvas de Sines. Sines, um dos poucos portos da costa alentejana, era então uma pequena povoação habitada por pescadores.

Vasco da Gama

Era filho legítimo de Estêvão da Gama,1 que em 1460 era cavaleiro da casa de D.Fernando de Portugal, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo. D. Fernando nomeara-o alcaide-mor de Sines e permitira-lhe receber uma pequena receita de impostos sobre a fabricação de sabão em Estremoz. Estêvão da Gama era casado com Dona Isabel Sodré, filha de João Sodré (também conhecido como João de Resende). Sodré, que era de ascendência Inglesa, tinha ligações à casa de D. Diogo, Duque de Viseu, filho de Fernando de Portugal, Duque de Viseu.

Pouco se sabe do início da vida deste navegador. Foi sugerido pelo médico e historiador português Augusto Carlos Teixeira de Aragão, que terá estudado em Évora, onde poderá ter aprendido matemática e navegação. É evidente que conhecia bem a astronomia, e é possível que tenha estudado com o astrónomo Abraão Zacuto.

Em 1492, João II de Portugal enviou-o ao porto de Setúbal, a sul de Lisboa, e ao Algarve para capturar navios franceses em retaliação por depredações feitas em tempo de paz contra a navegação portuguesa – uma tarefa que Vasco da Gama executou rápida e eficazmente.

Descoberta do caminho marítimo para a Índia (1497-1498)

Antecedentes

Desde o início do século XV, impulsionados pelo Infante D. Henrique, os portugueses vinham aprofundando o conhecimento sobre o litoral Africano. A partir da década de 1460, a meta tornara-se conseguir contornar a extremidade sul do continente africano para assim aceder às riquezas da Índia – pimenta preta e outras especiarias – estabelecendo uma rota marítima de confiança.

A República de Veneza dominava grande parte das rotas comerciais entre a Europa e a Ásia, e desde a tomada de Constantinopla pelos otomanos limitara o comércio e aumentara os custos. Portugal pretendia usar a rota iniciada por Bartolomeu Dias para quebrar o monopólio do comércio mediterrânico

Viagem de Vasco da Gama (a preto) e as viagens anteriores dePero da Covilhã (laranja) e Afonso de Paiva (azul), com o caminho percorrido antes de se separarem (a verde).

Quando Vasco da Gama tinha cerca de dez anos, esses planos de longo prazo estavam perto de ser concretizados: Bartolomeu Dias tinha retornado de dobrar o Cabo da Boa Esperança, depois de explorar o "Rio do Infante" (Great Fish River, na actual África do Sul) e após ter verificado que a costa desconhecida se estendia para o nordeste.

Em simultâneo foram feitas explorações por terra durante o reinado de D. João II de Portugal, suportando a teoria de que a Índia era acessível por mar a partir do Oceano Atlântico. Pero da Covilhã e Afonso de Paiva foram enviados via Barcelona, Nápoles e Rodes até Alexandria, porta para Aden, Ormuz e Índia.

Faltava apenas um navegador comprovar a ligação entre os achados de Bartolomeu Dias e os de Pero da Covilhã e Afonso de Paiva, para inaugurar uma rota de comércio potencialmente lucrativa para o Oceano Índico. A tarefa fora inicialmente atribuída por D. João II a Estevão da Gama, pai de Vasco da Gama. Contudo, dada a morte de ambos, em Julho de 1497 o comando da expedição foi delegado pelo novo rei D. Manuel I de Portugal a Vasco da Gama, possivelmente tendo em conta o seu desempenho ao proteger os interesses comerciais portugueses de depredações pelos franceses ao longo da Costa do Ouro Africana.

A chamada Primeira Armada da Índia seria financiada em parte pelo banqueiro florentino Girolamo Sernige.

A viagem


"São Gabriel", "São Rafael" e "Bérrio" c. de 1558. Ilustração do "Roteiro da viagem" de Álvaro Velho.

Manuel I de Portugal confiou a Vasco da Gama o cargo de capitão-mor da frota que, num sábado 8 de Julho de 1497, zarpou de Belém em demanda da Índia.

Era uma expedição essencialmente exploratória que levava cartas do rei D. Manuel I para os reinos a visitar, padrões para colocar, e que fora equipada por Bartolomeu Dias com alguns produtos que haviam provado ser úteis nas suas viagens, para as trocas com o comércio local. O único testemunho presencial da viagem é consta num diário de bordo anónimo, atribuído a Álvaro Velho:9

Contava com cerca de cento e setenta homens, entre marinheiros, soldados e religiosos, distribuídos por quatro embarcações:

São Gabriel, uma nau de 27 metros de comprimento e 178 toneladas, construída especialmente para esta viagem, comandada pelo próprio Vasco da Gama;

São Rafael, de dimensões semelhantes à São Gabriel, também construída especialmente para esta viagem, comandada por Paulo da Gama, seu irmão; no regresso, com a tripulação diminuída, foi abatida em Melinde, prosseguindo na Bérrio e São Gabriel.

Bérrio, uma nau ligeiramente menor que as anteriores, oferecida por D. Manuel de Bérrio, seu proprietário, sob o comando de Nicolau Coelho;

São Miguel, uma nau para transporte de mantimentos, sob o comando de Gonçalo Nunes, que viria a ser queimada na ida, perto da baía de São Brás, na costa oriental africana.

A expedição partiu de Lisboa, acompanhada por Bartolomeu Dias que seguia numa caravela rumo à Mina, seguindo a rota já experimentada pelos anteriores exploradores ao longo da costa de África, através de Tenerife e do Arquipélago de Cabo Verde. 

Após atingir a costa da atual Serra Leoa, Vasco da Gama desviou-se para o sul em mar aberto, cruzando a linha do Equador, em demanda dos ventos vindos do oeste do Atlântico Sul, que Bartolomeu Dias já havia identificado desde 1487. Esta manobra de "volta do mar" foi bem sucedida e, a 4 de Novembro de 1497, a expedição atingiu novamente o litoral Africano. 

Após mais de três meses, os navios tinham navegado mais de 6.000 quilómetros de mar aberto, a viagem mais longa até então realizada em alto mar.

O piloto que o sultão da ilha de Moçambique ofereceu para os conduzir à Índia havia sido secretamente incumbido de entregar os navios portugueses aos mouros em Mombaça. Um acaso fez descobrir a cilada e Vasco da Gama pôde continuar.

A 16 de Dezembro, a frota já tinha ultrapassado o chamado "rio do Infante" ("Great Fish River", na atual África do Sul) – de onde Bartolomeu Dias havia retornado anteriormente – e navegou em águas até então desconhecidas para os europeus. No dia de Natal, Gama e sua tripulação batizaram a costa em que navegavam o nome de Natal (actual província KwaZulu-Natal da África do Sul).

A 2 de Março de 1498, completando o contorno da costa africana, a armada chegou à costa de Moçambique, após haver sofrido fortes temporais e de Vasco da Gama ter sufocado com mão de ferro uma revolta da marinhagem. Na costa Leste Africana, os territórios controlados por muçulmanos integravam a rede de comércio no Oceano Índico. 
Temendo que a população fosse hostil aos cristãos, tentam manter o equívoco mas, após uma série de mal entendidos, foram forçados por uma multidão hostil a fugir de Moçambique, e zarparam do porto disparando os seus canhões contra a cidade.

Na costa do actual Quénia a expedição saqueou navios mercantes árabes desarmados. Os portugueses tornaram-se conhecidos como os primeiros europeus a visitar o porto de Mombaça, mas foram recebidos com hostilidade e logo partiram.

Em Fevereiro de 1498, Vasco da Gama seguiu para norte, desembarcando no amistoso porto de Melinde – rival de Mombaça – onde foi bem recebido pelo sultão que lhe forneceu um piloto árabe, conhecedor do Oceano Índico, cujo conhecimento dos ventos de monções permitiu guiar a expedição até Calecute, na costa sudoeste da Índia. As fontes divergem quanto à identidade do piloto, identificando-o por vezes como um cristão, um muçulmano e um guzerate. Uma história tradicional descreve o piloto como o famoso navegador árabe Ibn Majid, mas relatos contemporâneos posicionam Majid noutro local naquele momento.

Chegada a Calecute
Em 20 de Maio de 1498, a frota alcançou Kappakadavu, próxima a Calecute, no actual estado indiano de Kerala, ficando estabelecida a Rota do Cabo e aberto o caminho marítimo dos Europeus para a Índia.

No dia seguinte à chegada, entre a multidão reunida na praia, foram saudados por dois mouros de Tunes (Tunísia), um dos quais dirigiu-se em castelhano «Ao diabo que te dou; quem te trouxe cá?». E perguntaram-lhe o que vínhamos buscar tão longe; e ele respondeu: «Vimos buscar cristãos e especiaria.», conforme relatado por Álvaro Velho. 

Ao ver as imagens de deuses Hindus Gama e os seus homens pensaram tratar-se de santos cristãos, por contraste com os muçulmanos que não tinham imagens. A crença nos "cristãos da Índia", como então lhes chamaram, perdurou algum tempo mesmo depois do regresso.

Contudo, as negociações com o governador local, Samutiri Manavikraman Rajá, samorim de Calecute, foram difíceis. Os esforços de Vasco da Gama para obter condições comerciais favoráveis foram dificultados pela diferença de culturas e pelo baixo valor de suas mercadorias,17 com os representantes do samorim a escarnecerem das suas ofertas, e os mercadores árabes aí estabelecidos a resistir à possibilidade de concorrência indesejada. 

As mercadorias apresentadas pelos portugueses mostraram-se insuficientes para impressionar o samorim, em comparação com os bens de alto valor ali comerciados, o que gerou alguma desconfiança. Os portugueses acabariam por vender as suas mercadorias por baixo preço para poderem comprar pequenas quantidades de especiarias e jóias para levar para o reino.

Por fim o samorim mostrou-se agradado com as cartas de D. Manuel I e Vasco da Gama conseguiu obter uma carta ambígua de concessão de direitos para comerciar, mas acabou por partir sem aviso após o Samorim e o seu chefe da Marinha Kunjali Marakkar insistirem para que deixasse todos os seus bens como garantia. Vasco da Gama manteve os seus bens, mas deixou alguns portugueses com ordens para iniciar uma feitoria.

Regresso a Portugal

Vasco da Gama iniciou a viagem de regresso a 29 de Agosto de 1498. Na ânsia de partir, ignorou o conhecimento local sobre os padrões da monção que lhe permitiria velejar. Na Ilha de Angediva foram abordados por um homem que se afirmava cristão mas que se fingia de muçulmano ao serviço de Hidalcão, o sultão de Bijapur. Suspeitando que era um espião, açoitaram-no até que ele confessou ser um aventureiro judeu polaco no Oriente. Vasco da Gama apadrinhou-o, nomeando-o Gaspar da Gama.

Na viagem de ida, cruzar o Índico até à Índia com o auxílio dos ventos de monção demorara apenas 23 dias. A de regresso, navegando contra o vento, consumiu 132 dias, tendo as embarcações aportado em Melinde a 7 de Janeiro de 1499. Nesta viagem cerca de metade da tripulação sobrevivente pereceu, e muitos dos restantes foram severamente atingidos pelo escorbuto, por isso dos 148 homens que integravam a armada, só 55 regressaram a Portugal. 

Apenas duas das embarcações que partiram do Tejo conseguiram voltar a Portugal, chegando, respectivamente em Julho e Agosto de 1499. A caravela Bérrio, sendo a mais leve e rápida da frota, foi a primeira a regressar a Lisboa, onde aportou a 10 de Julho de 1499, sob o comando de Nicolau Coelho e tendo como piloto Pêro Escobar, que mais tarde acompanhariam a frota de Pedro Álvares Cabral na viagem em que se registrou o descobrimento do Brasil em Abril de 1500.

Vasco da Gama regressou a Portugal em Setembro de 1499, um mês depois de seus companheiros, pois teve de sepultar o irmão mais velho Paulo da Gama, que adoecera e acabara por falecer na ilha Terceira, nos Açores. No seu regresso, foi recompensado como o homem que finalizara um plano que levara oitenta anos a cumprir. Recebeu o título de "almirante-mor dos Mares das Índia",sendo-lhe concedida uma renda de trezentos mil réis anuais, que passaria para os filhos que tivesse. Recebeu ainda, conjuntamente com os irmãos, o título perpétuo de Dom e duas vilas, Sines e Vila Nova de Milfontes.

Segunda viagem à Índia (1502)

A 12 de Fevereiro de 1502, Vasco da Gama comandou nova expedição com uma frota de vinte navios de guerra, com o objetivo de fazer cumprir os interesses portugueses no Oriente. Fora convidado após a recusa de Pedro Álvares Cabral, que se desentendera com o monarca acerca do comando da expedição. Esta viagem ocorreu depois da segunda armada à Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral em 1500, que ao desviar-se da rota descobrira o Brasil. Quando chegou à Índia, Cabral soube que os portugueses que haviam sido aí deixados por Vasco da Gama na primeira viagem para estabelecer um posto comercial haviam sido mortos. Após bombardear Calecute, rumou para o sul até Cochim, um pequeno reino rival, onde foi calorosamente recebido pelo Rajá, regressando à Europa com seda e ouro.

Gama tomou e exigiu um tributo à ilha de Quíloa na África Oriental, um dos portos de domínio árabe que haviam combatido os portugueses, tornando-a tributária de Portugal. Com ouro proveniente de 500 moedas trazidas por Vasco da Gama do régulo de Quíloa (actual Kilwa Kisiwani, na Tanzânia), como tributo de vassalagem ao rei de Portugal, foi mandada criar, pelo rei D. Manuel I para o Mosteiro dos Jerónimos, a Custódia de Belém.

Nesta viagem ocorreu o primeiro registo europeu conhecido do avistamento das ilhas Seychelles, que Vasco da Gama nomeou Ilhas Amirante (ilhas do Almirante) em sua própria honra.

Vasco da Gama partira com o objectivo de instalar o centro português e uma feitoria em Cochim, após esforços consecutivos de Pedro Álvares Cabral e João da Nova. Bombardeou Calecute e destruiu postos de comércio árabes.

Depois de chegar ao norte do Oceano Índico, Vasco da Gama aguardou até capturar um navio que retornava de Meca, o Mîrî, com importantes mercadores muçulmanos, apreendendo todas as mercadorias e incendiando-o. Ao chegar a Calecute, a 30 de Outubro 1502, o samorim estava disposto a assinar um tratado, num acto de ferocidade que chocou até os cronistas contemporâneos, que o consideraram um acto e vingança pelos portugueses mortos em Calecute da sua primeira viagem.

Em 1 de Março de 1503 inicia-se a guerra entre o samorim de Calecute e o rajá de Cochim. Os seus navios assaltaram navios mercantes árabes, destruindo também uma frota de 29 navios de Calecute. Após essa batalha, obteve então concessões comerciais favoráveis do Samorim. Vasco da Gama fundou a colónia portuguesa de Cochim, na Índia, regressando a Portugal em Setembro de 1503. Vasco da Gama voltou a pátria em 1513 e levou vida retirada, em Évora, apesar da consideração de que gozava junto do rei .

Terceira viagem à Índia (1524)

Em 1519 foi feito primeiro Conde da Vidigueira pelo rei D. Manuel I, com sede num terreno comprado a D. Jaime I, Duque de Bragança, que a 4 de Novembro cedera as vilas da Vidigueira e Vila de Frades a Vasco da Gama, seus herdeiros e sucessores, bem como todos os rendimentos e privilégios relacionados, sendo o primeiro Conde português sem sangue real.

Tendo adquirido uma reputação de temível "solucionador" de problemas na Índia, Vasco da Gama foi enviado de novo para o subcontinente indiano em 1524.  O objectivo era o de que ele substituisse o Duarte de Meneses, cujo governo se revelava desastroso, mas Vasco da Gama contraiu malária pouco depois de chegar a Goa. Como vice-rei atuou com rigidez e conseguiu impor a ordem, mas veio a falecer na cidade de Cochim, na véspera de Natal em 1524.

Túmulo de Vasco da Gama no Mosteiro dos Jerónimos
Foi sepultado na Igreja de São Francisco (Cochim). Em 1539 os seus restos mortais foram transladados para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada), próximo da vila alentejana da Vidigueira, como conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja, a si e aos seus descendentes) desde 1519.

Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos, que foram construídos logo após a sua viagem, com os primeiros lucros do comércio de especiarias, ficando ao lado do túmulo de Luís Vaz de Camões. Há quem defenda, porém, que os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram na vila alentejana. 

Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador na Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.


Títulos e honrarias
Armas dos Gamas, Condes da Vidigueira

Foi feito:
Conde da Vidigueira em 1519 pelo Rei D. Manuel I de Portugal;
Almirante dos mares da Índia;

Segundo Anexo:Lista de governadores da Índia Portuguesa em 1524.

Legado

O comércio de especiarias viria a ser um trunfo para a economia portuguesa, e a viagem de Vasco da Gama deixou clara a importância da costa leste da África para os interesses portugueses: os seus portos forneciam água potável, víveres e madeira, serviam para reparos e como abrigo para os navios esperarem em tempos desfavoráveis (aguardando a monção, ou abrigando-se de ataques). Um resultado significativo desta exploração foi a colonização de Moçambique pela Coroa Portuguesa.

Estátua de Vasco da Gama em Sines
Embora o rei D. Manuel tenha compreendido a importância das suas mercadorias, apesar de escassas, as conquistas de Vasco da Gama foram um pouco abscurecidas pelo seu fracasso em trazer bens comerciais de interesse para as nações da Índia. Além disso, a rota de mar estava repleta de perigos – a sua frota levou mais de trinta dias sem ver terra e apenas 60 dos seus 180 companheiros, numa das suas três naus, regressaram a Portugal em 1498. No entanto, esta jornada abriu a rota do cabo direta para a Ásia.

Na segunda armada à Índia, de Pedro Álvares Cabral, seria feita uma demonstração de poder, com tripulação dez vezes maior e 9 navios a mais.

Da sua esposa, D. Catarina de Ataíde, Vasco da Gama teve sete filhos. Alguns acompanharam-no e vieram a desempenhar importantes cargos no Oriente: Francisco, segundo Conde da Vidigueira; Estêvão, 11º governador da Índia; Paulo; Cristóvão, um mártir na Etiópia; Pedro, Isabel de Ataíde e Álvaro da Gama, Capitão de Malaca.

O poema épico "Os Lusíadas" (1572) de Luís Vaz de Camões, centra-se em grande parte nas viagens de Vasco da Gama. José Agostinho de Macedo escreve o poema narrativo "Gama" (1811), posteriormente refundido e aperfeiçoado no poema épico "O Oriente" (1814), com Vasco da Gama como Herói. A ópera "L'Africaine", composta em 1865 por Giacomo Meyerbeer e Eugène Scribe, inclui a personagem de Vasco da Gama, interpretada em 1989 na San Francisco Opera pelo tenor Placido Domingo. 

O compositor do século XIX, Louis-Albert Bourgault-Ducoudray, compôs uma ópera em 1872 de mesmo nome, baseada na vida e explorações maritímas de Vasco da Gama. A cidade portuária de Vasco da Gama, em Goa, é nomeada em sua memória, como o é a "cratera de Vasco da Gama" na Lua. Existem três clubes de futebol no Brasil (incluindo o Club de Regatas Vasco da Gama) e o Vasco Sports Club, em Goa, também nomeados em sua homenagem. Uma igreja em Cochim, Kerala, a Igreja Vasco da Gama, e o bairro Vasco na Cidade do Cabo, também o homenageiam.


sábado, 20 de julho de 2013

A figura de Afonso de Albuquerque " O Grande"


Afonso Albuquerque o Grande

Afonso de Albuquerque, nomeado O Grande, César do Oriente, Leão dos Mares, o Terribil e o Marte Português. 

De Enciclopédia Britânica " Afonso Albuquerque the Great"

Afonso de Albuquerque foi a maior figura de Portugal no Oriente. Segundo filho de Gonçalo de Albuquerque , senhor de Vila Verde dos Francos, nasceu em Alhandra por volta de 1462, sendo educado na corte de D. Afonso V. Em 1476 acompanhou o futuro rei D. João II nas guerras com Castela, esteve em Arzila e Larache em 1489, e em 1490 faz parte da guarda de D. João II, de quem dizem que foi estribeiro-mor, tendo voltado novamente a Arzila em 1495.

Em 1503 é enviado à Índia, no comando de três naus, tendo participado em várias batalhas, erguido a fortaleza de Cochim e estabelecido relações comerciais com Coulão


Regressou a Portugal em 1504, onde expôs a D. Manuel I a sua visão de um império no Oriente, tendo por base a conquista de posições estratégicas nos mares do Índico. Tendo sido aceite o seu plano, seguiu para a Índia em 1506 como capitão-mor do mar da Arábia.

Conquistou Omã e submeteu Ormuz (1507). Já como vice-rei da Índia, em substituição de D. Francisco de Almeida, conquistou Goa (1510) e Malaca (1511) e entrou no Mar Vermelho em 1513. Com a construção da fortaleza de Ormuz em 1515 concluiu o seu plano de domínio dos pontos estratégicos que permitiam o controle marítimo e o monopólio comercial da Índia.

Ao mesmo tempo, seguiu uma política de miscigenação, favorecendo o casamento das indianas com soldados e marinheiros portugueses, que depois ficavam a servir na administração. Afonso de Albuquerque foi um grande marinheiro e estratega militar, além de ter uma grande capacidade como diplomata, que criou as bases do Império Português do Oriente. Faleceu no ano de 1515.

Diz dele a "Bibliotheca Lusitana" de Diogo Barbosa Machado: «Chamado o Grande pelas heróicas façanhas com que encheu de admiração a Europa e de pasmo e terror a Ásia».


De Enciclopédia Britânica " Afonso Albuquerque the Great"

Resumo

Militar português, nasceu em Alhandra por volta de 1462, de família aristocrática, sendo educado na corte de D. Afonso V. Em 1476 acompanhou o futuro rei D. João II nas guerras com Castela, esteveem Arzila e Larache em 1489, e em 1490 faz parte da guarda de D.João II, tendo voltado novamente a Arzila em 1495. Em 1503 é enviado à Índia, no comando de três naus, tendo participado em várias batalhas, erguido a fortaleza de Cochim e estabelecido relaçõescomerciais com Coulão. 

Regressou a Portugal em 1504, onde expôs a D. Manuel I a sua visão de um império no Oriente, tendo por base aconquista de posições estratégicas nos mares do Índico. Tendo sido aceite o seu plano, seguiu para a Índia em 1506 como capitão-mor domar da Arábia. Conquistou Omã e submeteu Ormuz (1507). Nomeado por D. Manuel governador da Índia em 1508, veio a ocupar o cargo no ano seguinte. Já como vice-rei da Índia, em substituição de D. Francisco de Almeida, conquistou Goa (1510) e Malaca (1511) e entrou no Mar Vermelho em 1513. 

Com a construção da fortaleza de Ormuz em 1515 concluiu o seu plano de domínio dos pontos estratégicos que permitiam o controle marítimo e o monopólio comercial da Índia. Ao mesmo tempo, seguiu uma política de miscigenação, favorecendo o casamento das indianas com soldados e marinheiros portugueses, que depois ficavam a servir na administração.

Afonso de Albuquerque foi um grande marinheiro e estratega militar, além de ter uma grande capacidade como diplomata, que criou as bases do Império Portuguêsdo Oriente. Faleceu no ano de 1515.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Os portugueses chegam `China e ao Japão

As primeiras relações com a China

As primeiras referências

As primeiras referências à China num documento português remontam a 1508 e estão contidas no regimento de viagem dado a Diogo Lopes de Sequeira. A missão do fidalgo consistia em descobrir o entreposto marítimo - comercial de Malaca. 

Mas, pedia-se-lhe, em simultâneo, que tentasse averiguar quem eram os chineses, qual era o seu poderio e que tipo de produtos negociavam.

Foi, precisamente, na sequência da conquista de Malaca por Afonso de Albuquerque que os portugueses atingiram, pela primeira vez, a China em 1513. Fizeram-no a bordo de um barco asiático, integrados numa expedição comercial. O seu chefe de fila era Jorge Álvares, que conseguiu negociar favoravelmente.

A primeira armada oficial chegou a Cantão em 1517, sob o comando de Fernão Peres de Andrade, que também fez bons negócios. Descobriu-se, todavia, que a região estava infestada de piratas e que, devido ao sistema das monções, era impossível explorar o resto do Extremo - Oriente sem uma base permanente.


Mapa da Ástia - 1580

Os portugueses instalam-se em Liampó

Embora a perseguição aos portugueses se tivesse tornado a política oficial do Império Chinês, muitos havia que, a título pessoal, continuaram a deslocar-se, regularmente, para lá, na mira de bons negócios. Eram, pois, autênticos aventureiros, que arriscavam a vida por enfrentarem tanto as autoridades locais como os tufões. Os portugueses tiveram, no entanto, capacidade para jogar com os interesses comerciais de algumas populações costeiras, circunstância que os levou a conseguir um estabelecimento fixo, no ano de 1542, em Liampó.

Ao contrário de Cantão, localizada no sul e inserida na província de Kwang Tung, Liampó pertencia a uma província setentrional, a do Fukien. Em virtude desta localização e do maior raio de acção que era proporcionado pela base, não surpreende que aventureiros portugueses tenham desembarcado no Japão em 1543, desempenhando a partir daí o papel de intermediários nas relações comerciais entre a China e o Império do Sol Nascente, que estavam oficialmente interrompidas por motivos político-diplomáticos.

Desentendimentos com os chineses de Liampó acabaram por acarretar a expulsão dos portugueses em 1545. Fixaram-se, de seguida, em Chinchéu, de onde também foram despedidos em 1548. Porém, os portugueses dispunham então de um forte estímulo - o rico comércio que levavam a cabo entre a China e o Japão, baseado na troca de sedas e porcelanas por prata - pelo que regressaram às imediações de Cantão para negociarem clandestinamente.

Desperto para a importância desse tráfico, o Estado Português da Índia decretou o monopólio sobre a viagem ao Japão, em 1550. O modelo escolhido traduziu-se na concessão anual da viagem a um particular, medida que se revelou um sucesso porque os interessados disputavam esse benefício e teve o condão de ordenar o comércio. Uma armada, capitaneada por Leonel de Sousa, permaneceu ainda no mar da China, entre 1552 e 1554, com o intuito de disciplinar os aventureiros portugueses e alcançar um entendimento com os dignitários chineses. 

Os portugueses instalam-se em Macau

O capitão conseguiu varrer a pirataria que infestava a zona de Cantão. As autoridades locais chinesas apreenderam então quão importantes eram os portugueses não só para manterem os piratas à distância, mas também para dinamizarem o comércio e, por conseguinte, a economia das províncias costeiras. Neste contexto, foi firmado um acordo, à revelia da corte imperial chinesa, o qual acabou por permitir que os portugueses se instalassem, definitivamente, em Macau, por volta do ano de 1557.

Chegada dos Portugueses ao Japão

Os portugueses chegaram ao Japão em meados do século XVI, tendo sido relativamente bem recebidos. Estabeleceram-se desde logo relações comerciais entre os dois povos, nomeadamente a troca da seda chinesa por prata japonesa. Foi através dos portugueses que os japoneses conheceram as armas de fogo e o tabaco, enquanto produto medicinal. Em 1550, o monopólio das viagens ao Japão passara a pertencer às autoridades portuguesas de Goa.

Houve também uma forte relação cultural entre estes dois povos, nomeadamente na assimilação de hábitos e costumes. Foi S. Francisco Xavier que iniciou a missionação no Japão em 1549, tendo os Jesuítas uma influência na conversão de milhares de japoneses à fé cristã.


Com a chegada dos franciscanos ao Japão começou a existir uma rivalidade entre estes e os jesuítas, o que degradou a imagem da religião cristã no Japão. Este confronto entre as duas ordens e a chegada dos holandeses levaram ao agravamento da situação dos portugueses no Japão. Os holandeses conspiravam junto dos governantes japoneses contra os portugueses.

Em 1614, os missionários portugueses foram expulsos do Japão, com uma perseguição aos cristãos japoneses. Em 1639, os portugueses foram definitivamente expulsos do Japão.

O Japão era conhecido desde o tempo de Marco Polo, que lhe chamou Cipango. Mas foram efetivamente os portugueses os primeiros europeus a chegar ao Japão. Põe-se ainda hoje a questão de saber quem foram esses primeiros portugueses: se Fernão Mendes Pinto (autor de Peregrinação) fazia parte deles, ou se foram António Peixoto, António da Mota e FranciscoZeimoto. 

O que é certo é que comerciantes portugueses desde logo começaram a negociar com o Japão. A partir de 1550, o comércio como Japão passou a ser um monopólio, sob chefia de um capitão-mor.Como em 1557 os portugueses se estabeleceram em Macau, na China,isso vai ajudar o comércio com o Japão, principalmente de prata. 

Os missionários desde o início vão entrar também no Japão. É em 1549 que chegam os primeiros, entre eles São Francisco Xavier, que progressivamente vão penetrando pelo Japão, chegando a Nagasáqui em 1569, que foi doada aos Jesuítas em 1580. 


E entre 1582 e 1590 realiza-se a primeira embaixada do Japão à Europa. Em 1587 dá-se uma reviravolta na posição de proteção aos missionários, sendo os Jesuítas expulsos. 

O contacto entre as duas civilizações deixou marcas duradouras. A língua portuguesa foi, no início, o meio de comunicação dos estrangeiros com o Japão. 

Ainda hoje há inúmeros vocábulos deorigem portuguesa. Foi com os portugueses que entrou no Japão aimprensa de tipos metálicos, sendo um missionário português quem escreveu a primeira gramática da língua japonesa. 

Foram também osportugueses que introduziram no Japão as armas de fogo, além de novos conhecimentos nos domínios da medicina, astronomia, matemática, além de ensinarem a arte da navegação dos portugueses.



Figuras da 1ª dinastia

A Figura de D. Sebastião

Nasceu em 20 de Janeiro de 1554 filho do príncipe D. João, jurado herdeiro do trono em 1554 e D. Joana de Áustria, filha de Carlos V. Morreu na batalha de Alcácer-Quibir em 4 de Agosto de 1578. D. Sebastião nasceu vinte dias depois da morte do seu pai, sendo por isso "O Desejado". Pouco inteligente e pouco culto ( Joel Serrão - Dicionário de História de Portugal ) de temperamento irrequieto e impulsivo, extraordinariamente vaidoso, nunca admitiu a mais pequena observação ou ouviu qualquer conselho. 

Ainda que tivesse ficado na história como O Desejado, as suas incapacidades de governante foram trágicas para Portugal, levando-nos em Alcácer-Quibir à nossa maior derrota militar, seguida da perda da independência. Os seus desequilíbrios mentais, agora muito na moda, são descritos em pormenor na História de Portugal de Veríssimo Serrão.


Fugia das mulheres e do amor como o diabo da cruz, tanto porque julgava esse sentimento efeminado incompatível com os seus hábitos guerreiros, e porque o seu espírito religioso lhe fazia ver o ideal da vida humana na castidade ascética. D. Sebastião tornou-se completamente um escravo dos jesuítas, que tudo tinham feito por lhe desenvolver o fervor religioso, que animavam o seu afastamento das mulheres, porque a influencia duma mulher, esposa ou amante, destruiria para sempre a influência do confessor. 

Como as cortes insistiam para que el-rei escolhesse noiva entre as princesas europeias, D. Sebastião resignou-se, e principiou a negociar-se o seu casamento com a célebre Margarida de Valois, irmã de Carlos IX. No entanto o embaixador francês em Lisboa escreveu a Carlos IX, indicando-lhe que D. Sebastião sofria de "blenorragia", estranha doença para quem detestava o sexo fraco, e assim os propósitos de casamento foram cancelados.

Durante uma viagem que fez pelas províncias, fugindo da peste de Lisboa, praticou as maiores extravagâncias. Mandava abrir os túmulos dos reis seus antepassados, extasiava-se diante dos que tinham sido guerreiros, mostrava o mais completo desdém pelos pacíficos, principiando a inspirar a todos os mais sérios receios esta sua índole destemperada e bravia que se curvava ao jugo dos jesuítas. 

Batalha de Alcacer Quibir
Ficou extasiado pelo tamanho das ossadas de D. Afonso III, e repreendeu severamente os restos de D. Pedro I no seu túmulo, que não foi aberto, pelas suas loucuras amorosas com Inês de Castro ! Os restos mortais de D. Sebastião foram sepultados no Mosteiro dos Jerónimos em 1582, com a presença de Filipe I de Portugal. Os negócios de Estado foram sempre um peso para ele, tendo sempre alijado em outros os cuidados da governação. 

Nunca casou," Falar-lhe em casamento é falar-lhe em morte" informava o embaixador de Espanha, e o padre José de Castro conhecedor dos arquivos secretos do Vaticano, dizia que o rei nunca casou porque não podia casar.

A Figura de Fernão Lopes

Fernão Lopes, ( 1380 - 1460 ), historiador português, o primeiro e maior dos cronistas reais portugueses e um dos melhores escritores de prosa em português do século XV. Ocupa um espaço especial na historiografia medieval portuguesa porque foi um dos primeiros a tentar chegar à verdade histórica através da evidência de documentos históricos.

Nada se sabe ao certo sobre a vida inicial de Fernão Lopes, e o seu nome é mencionado primeiramente em 1418, quando dirigiu os arquivos reais por largo tempo. Em 1434 o Rei D. Duarte pediu a Fernão Lopes para escrever as crónicas de Portugal desde as origens da monarquia até aos tempos de D. João I.


O novo cronista preparou-se para esta tarefa estudando os arquivos reais e viajando pelo reino examinando os arquivos monásticos e outros, observando epitáfios e familiarizando-se com a topografia de cidades e campos de batalha. Quando se retirou em 1454, tinha completado a sua história de Portugal até 1459.

Todas as suas crónicas até à morte de D. Afonso IV ( 1357 ) desapareceram até ao século XVI quando foram utilizadas por Rui de Pina, que fez uma transcrição incompleta das suas obras. Permaneceram intactas a Crónica de D. Pedro I, uma crónica mais elaborada Crónica de D. Fernando, e uma massiva Crónica de D. João I, que ainda que incompleta, tem cerca de 400 capítulos. Esta última foi o primeiro trabalho de Lopes a ser impresso em 1644. 

Como muito dos documentos em que Fernão Lopes se baseou para escrever as crónicas já desapareceram, o valor dos seus trabalhos é importante para o estudo da História medieval portuguesa. Fernão Lopes escreveu numa prosa rica, ligeiramente arcaica, com um distinto gosto popular, numa linguagem fluente , e o seu estilo foi característico do período em que viveu. 

Condensado da Enciclopédia Britânica

O sucessor de Fernão Lopes foi Gomes Eanes de Zurara, que continuou a crónica mas com um nível artístico muito mais reduzido. O seu trabalho principal foi a Crónica da Tomada de Ceuta e a  Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné 


Cronologia de Fernão Lopes

C. de 1380: Em Lisboa, numa família de camponeses ou de mesteirais, nasce Fernão Lopes. Terá frequentado a Escola Catedral de Lisboa. 

1418: Regista-se o mais antigo documento existente sobre o cronista, revelando a sua condição de Guarda-Mor da Torre do Tombo. Assinala-se também a sua posição como escrivão de D. João I e do infante D. Duarte. 

1419: Por ordem do infante D. Duarte, começa a redigir a Crónica dos Sete Primeiros Reis de Portugal; escreve depois as crónicas de D. Pedro e D. Fernando, bem como as duas primeiras partes da crónica de D. João I. 

1422: Exerce a função de escrivão da puridade do infante D. Fernando. 

1434: D. Duarte, acabado de subir ao trono, concede ao cronista uma tença de 14 000 réis anuais e carta de nobreza, como reconhecimento pelos seus méritos. Passa a usar o título de «vassalo de el-rei». 

1437: Na fracassada expedição a Tânger, fica também prisioneiro o seu filho, Mestre Martinho, médico de D. Fernando. 

1439: O regente D. Pedro confirma a tença concedida por D. Duarte, falecido no ano anterior. 

c.1443: Seu filho morre no cativeiro. 1449: D. Afonso V aumenta a tença anual para 20 000 réis anuais. 

1451-52: A idade avançada obriga-o a afastar-se do seu trabalho na Torre do Tombo vindo em 1454 a ser substituído no cargo de «guardador das escrituras do Tombo» por Gomes Eanes de Zurara. 

1459: Regista-se o seu envolvimento num litígio para deserdar um neto, Nuno Martins, filho bastardo do mestre Martinho. Fernão Lopes terá morrido pouco tempo depois, provavelmente em 1460.


Infante Don Pedro 

(Lisboa 1392-1449): Segundo filho de D. João I e de Filipa de Lancaster. Nasce em 9 de Janeiro de 1392. Durante a sua infância recebe uma cuidada educação e, desde 1408, acumula um importante património. João I l e dá-lhe a vila de Penela, os realengos de Campores e Rabaçal, o Castelo da Lousã, os Paços de Tentúgal e muitos outros senhorios.

D.Pedro era neto de John of Gaunt, 1º Duque de Lencastre e bisneto de Eduardo III, rei de Inglaterra..

AS SETE PARTIDAS DO MUNDO

O Infante D. Pedro assenta arraiais no ontem que perdura enquanto pressente o amanhã que tarda, terreno movediço, vacilações. Teme perder o equilíbrio, lusco-fusco das transições. Gostaria de saber e sentir o que se passa no resto do mundo e decide viajar. Não só para visitar e conhecer as principais Cortes da Europa mas também a Terra Santa e, se possível, o Reino do Preste João.

Com a anuência do pai e os bolsos recheados de dinheiro e cartas de crédito sobre banqueiros italianos, resolve partir de Portugal. Convida o seu irmão D. Henrique a acompanhá-lo. Mas este já está empenhado nas navegações ao longo da costa de África e pede escusas. Pede também que D. Pedro lhe recolha cartas de marear e narrativas de viagem de mercadores genoveses e venezianos e ainda que obtenha o máximo de informações sobre o Preste João das Índias.

Em 1418 o Infante D. Pedro larga de Lisboa acompanhado por numeroso séquito, cavaleiro andante. Quem fica a administrar as suas terras é o seu irmão mais novo, Infante D. Fernando. Apesar de ter apenas 16 anos, é varão ajuizado. A paz já está firmada entre Portugal e Castela e em Valhadolid encontra-se com o rei de Castela (afinal seu primo), o qual lhe cede alguns intérpretes de línguas orientais.

De Espanha ruma para a Hungria, onde o imperador Segismundo o acolhe calorosamente. Por ele, bate-se contra os hereges hussitas da Boémia e, durante cinco anos, envolve-se em batalhas na Alemanha. Recebe do imperador o feudo de Treviso. Em 1424 deixa Álvaro Gonçalves de Ataíde como governador de Treviso e dirige-se para Chipre e desta ilha para a Terra Santa, recapitulando o itinerário dos antigos cruzados.

Em Roma é recebido pessoalmente pelo papa Martín V. Estando em Flandres, escreve a seu irmão D. Duarte uma carta na que o aconselha sobre o bom governo do seu reino.
Na ilha de Patmos é recebido faustosamente por Amurat II, Sultão da Turquia. Pressente que a expansão otomana irá converter-se num grave problema para toda a Europa. Parte para Constantinopla e dali navega até ao norte de África, Alexandria e Cairo. Visita a Palestina e a Terra Santa. Regressa ao Cairo e em 1425 embarca para o sul da Europa.

Alcança Paris donde passa para a Corte da Dinamarca e daqui para a Inglaterra onde o seu tio Henrique IV, irmão de D. Filipa de Lencastre, o investe como Cavaleiro da Ordem da Jarreteira. Segue para Ostende, na Flandres, onde combina o casamento da sua irmã Isabel com Filipe, o Bom. Demora-se dois anos na Corte flamenga. Exerce influências para intensificar o comércio luso-flamengo. É de Bruges que, em 1427, escreve a D. Duarte, seu irmão, carta que há-de ficar famosa.

Em 1428 retorna à Hungria e daqui, como duque de Treviso, segue para Veneza, onde o doge o recebe com múltiplas dádivas, entre as quais um exemplar do Livro de Marco Polo que entregará mais tarde ao Infante D. Henrique. Ainda em Veneza compra um mapa-múndi com o traçado das vias comerciais entre o Oriente e a cristandade. Mapa-múndi que também oferecerá a seu irmão Henrique.

De Veneza avança para Roma onde é recebido pelo Papa Martinho V. Retorna à Península Ibérica. Combina o casamento de D. Duarte com D. Leonor, irmã do rei de Navarra. Também combina o seu próprio noivado com D. Isabel, filha dos condes de Urgel, Catalunha.Por Valhadolid, Zamora e Salamanca ruma para a Guarda. Chega a Coimbra em 19 de Setembro de 1428, mesmo a tempo de assistir ao casamento de D. Duarte com D. Leonor de Aragão. Dez anos demorou a viagem do Infante D. Pedro pelas “Sete Partidas do Mundo”. Muito viu e assimilou, muito sabe.

D. Pedro frisa que mais fortes são as nações que se impõem pela cultura e prestígio dos seus colégios e universidades e aponta como modelo as de Paris e Oxford. Também demonstra ter ideias muito claras sobre política financeira e social, eclesiástica, militar e judicial. Exige que se calem os interesses privados quando está em jogo o bem geral do país.Mas uma coisa é opinar como exercer o poder, outra será exercê-lo entre o ontem que perdura e o amanhã que tarda, vacilações que já veremos

No seu regresso casa-se com Isabel de Urgel e continua aumentando o seu património com doações da Coroa. Nas cortes de Évora de 1436 manifesta-se contrário à expediçãoción a Tánger e, depois do fracasso, és favoravel à devolução de Ceuta em troca da vida seu irmão Don Fernando. DEpois da morte de D. Duarte (1438) produz-se uma repartição de poder com Leonor de Aragão.

O agravamento das divergências produz o afastamento da raínha, que se exila em Castela. D. Pedro assume a regência e desenvolve uma política hostil à nobreza que apoiara D. Leonor. Manteve-se no poder até cerca de 1448 em que Afonso V o afasta da corte. Morre na batalha de Alfarrobeira lutando contra as tropas reais.

Cronologia do Infante D. Pedro

1392: Nasce em Lisboa o Infante D. Pedro, quarto filho de el-Rei D. João I e D. Filipa de Lencastre. -
1415: Morte da rainha D. Filipa de Lencastre. O Infante D. Pedro participa na conquista de Ceuta e ali é armado cavaleiro; no regresso é-lhe concedido o título de duque de Coimbra. -
1418 a 1428: Longa viagem do Infante D. Pedro às “Setes Partidas do Mundo”: as principais Cortes da Europa e a Terra Santa. -
1429: O Infante D. Pedro casa com D. Isabel, filha dos Condes de Urgel (Catalunha).
1433: Por morte d’el-Rei D. João I, D. Duarte sobe ao trono. -
1436: Nas Cortes de Leiria o Infante D. Pedro opõe-se à conquista de Tânger. -
1437: Durante a falhada conquista de Tânger é aprisionado D. Fernando: início do martírio do Infante Santo. -
1438: Morte de el-Rei D. Duarte. -
1439: Em virtude da menoridade do futuro Afonso V, o Infante D. Pedro (seu tio), assume a regência de Portugal. Isenta de impostos alfandegários os produtos do arquipélago da Madeira. Manda iniciar o povoamento dos Açores. -
1441: As Cortes aprovam o projecto de casamento de D. Afonso, o príncipe herdeiro, com D. Isabel, filha do Infante D. Pedro. Este concede ao Infante D. Henrique, seu irmão, o monopólio da navegação, guerra e comércio das terras para além do Cabo Bojador. -
1443: Em nome de D. Afonso V o Infante D. Pedro funda, em Coimbra, um novo Estudo Geral. Isenta de impostos alfandegários os produtos do arquipélago dos Açores. -
1444: Em nome de D. Afonso V, o Infante D. Pedro promulga as Ordenações Afonsinas. -
1445: D. Leonor, mãe de D. Afonso V, morre em Toledo. -
1446: Nas Cortes de Lisboa o Infante D. Pedro entrega o poder a D. Afonso V, mas este, com apenas 14 anos, pede que ele o ajude na governação do Reino. -
1448: Por intriga dos nobres, entre os quais o conde de Barcelos (também duque de Bragança) e o conde de Ourém, D. Afonso V dispensa os serviços do Infante D. Pedro. -
1449: O Infante D. Pedro é morto no recontro de Alfarrobeira (perto de Alverca).

A Figura de Cristóvão Colombo

Navegador e explorador genovês. Não se sabe a data de nascimento e até se nasceu ou não em Génova, e morreu em Valladolid em 20 de Maio de 1506. Assim, dizem que chegou a Lisboa em finais de 1476 como agente de comerciantes genoveses. Viveu dez anos em Portugal, e por cá casou, estudando tudo o que pôde sobre cartografia e navegação. 

Convenceu-se que seria possível atingir, cruzando o Atlântico, a Ásia pelo Ocidente.Portanto, segundo a teoria mais aceite, Colombo teria sido um tecelão de seda genovês, um homem simples da plebe.

Apesar dessa origem simples, Colombo teria bons conhecimentos de várias línguas (como o latim e o hebraico), dematemática, de cosmografia, de geometria, além de conhecer todos os instrumentos de marinha e navegação, a ponto de ter sido considerado por alguns como o mais instruído homem do mar em toda a Espanha.

Seria o tecelão mais instruído que jamais tinha havido na História da Humanidade !

Casou com a filha de Bartolomeu Perestrelo, em 1455, primeiro donatário da Ilha de Porto Santo e de Isabel Moniz, chamada de Filipa Moniz, que nasceu em 1430 e faleceu em 1484-85, também referida por autores posteriores como Filipa Perestrelo, Filipa Moniz Perestrelo ou Filipa Perestrelo Moniz, Filipa, enquanto donzela, viveu retirada no Mosteiro de Santos-o-Velho. Teve um filho Diogo Colombo Moniz nascido em 1474, que foi 2º Almirante e Vice-rei das Índias.Viveu na Madeira alguns anos, estudando ventos, correntes e destroços de plantas, árvores e madeiras que o mar ia depositando nas costas de Porto Santo.

Durante a sua estadia em Portugal, Colombo correspondeu-se com Paolo del Pozzo Toscanelli. Nessa correspondência passou intencionalmente a Toscanelli uma estimativa (incorreta) de que a distância era mais curta que a aceite pela Junta de Matemática de D. João II. Este órgão aceitava a afirmação de Ptolomeu de que a massa de terras (a Eurásia e a África) ocupava 180 graus da esfera terrestre, com 180 graus de mar.

Desembarque de Colombo


De facto só ocupa cerca de 120 graus. Colombo teria usado os cálculos de Pierre d'Ailly, acreditando que a massa ocupada por terras era de 225 graus, deixando 135 graus de mar e atribuindo um comprimento menor ao grau de longitude terrestre; estes factos, em conjunto com o globo de Martin Behaim, teriam tido a virtude de convencer os castelhanos, no Concelho de Salamanca onde apresentou o seu projeto a um grupo de religiosos e leigos, a patrocinar a sua expedição.

A circunferência verdadeira da Terra é de aproximadamente quarenta mil quilómetros. Colombo teria afirmado que era de trinta mil e seiscentos quilómetros, estimando assim que a distância ao Japão era de cerca de quatro mil quatrocentos e quarenta e quatro quilómetros.

Colombo conseguiu finalmente fazer aprovar o projecto da sua viagem junto dos Reis Católicos, após a conquista de Granada, com a ajuda do confessor da rainha Isabel de Castela. Os termos da sua contratação tornavam-no almirante dos mares da Índia a descobrir e governador e vice-rei das terras do Oriente a que se propunha chegar, em competição com os portugueses que exploravam aRota do Cabo.

Estas teorias e considerações, não conseguiram o apoio de D. João II, para tentar descobrir o caminho marítimo para a Índia navegando para ocidente, pois os seus especialistas já tinham um conhecimento mais perfeito das dimensões terrestres. Assim, Colombo procurou outros apoios, e consegui-os junto de Fernando de Aragão e de Isabel a Católica e partiu de Palos, a 3 de Agosto de 1492, com três pequenos navios, o Niña, o Pinta, e o navio almirante, o Santa Maria.

Avistou terra a 12 de Outubro, a actual ilha de São Salvador, e em poucas semanas chegou a Cuba e aoHaiti, regressando a Espanha em Março de 1493. Numa segunda viagem (de 1493 a 1496) visitouGuadalupe, Montserrat, Antígua, Porto Rico e Jamaica.

Na terceira viagem às Américas, em 1498, depois de atingir Trinidad, envolveu-se em disputas com os colonos enviados para o Haiti pelo que, em 1500, o governador mandou-o, acorrentado, de regresso a Espanha. Libertado e recompensado pelo rei, fez uma última viagem, a quarta, em 1502-04, na qual esperava encontrar um estreito que conduzisse à Índia, mas chegou ás Honduras, Costa Rica e Nicarágua.

Morreu pobre, em Valladolid, e foi sepultado na catedral de Sevilha. Transladado depois para a Catedral de São Domingos na ilha Hispaniola em 1542. Com a conquista desta ilha pela França em 1795, foi transladado para Havana em Cuba. Em 1898 durante a guerra Hispano-Americana, parte dos seus restos chegou a Sevilha, onde estão sepultados. Análise de DNA provaram em 2004, que os 200 gramas de ossos que estão em Sevilha pertencem a Colombo

Em 1968 o local do naufrágio do Santa Maria, afundado ao largo de Hispaniola em 25 de Dezembro de 1492, foi descoberto.

João Rodrigues Cabrilho - Chega à Califórnia


João Rodrigues Cabrilho, também conhecido como Juan Rodríguez Cabrillo, foi um navegador e explorador português do século XVI.

Ao serviço da coroa espanhola efectuou importantes explorações marítimas no Oceano Pacífico (costa Oeste dos actuais EUA) e terrestres na América do Norte, participando na conquista da Capital Azteca de Tenochtitlan , com o conquistador espanhol Hernán Cortés em 1521, participou também com Pedro de Alvarado e mais 300 europeus, na conquista dos territórios que compreendem hoje as Honduras, Guatemala e San Salvador, entre 1523 e 1535, ajudando a fundar Oaxaca (um dos 31 Estados do México).

Ao serviço da Espanha, no mês de Junho do ano de 1542, João Rodrigues largou amarras de Navidade, na costa Oeste do México, navegando para o Norte, e três meses depois alcançou a Baia de San Diego, tornando-se o primeiro europeu a desembarcar no que é actualmente o Estado da Califórnia.


Monumento a Cabrilho em San Diego-Califórnia
A nacionalidade portuguesa de João Rodrigues não oferece dúvidas, pois é o próprio cronista e Chefe das Índias Espanholas, D. António Herrera y Tordesillas, que na sua Historia General de los hechos de los Castellanos en lás Islas y tierra firme del Mar Oceano o confirma, ao dizer ter D. António de Mendonça aprestado os navios "São Salvador" e "Victoria" para prosseguirem na exploração costeira da Nova Espanha y que nombrô por Capitan dellos a Juan Rodriguez Cabrillo Português, persona muy pratica en las cosas de la mar ( em português: e que nomeou por Capitão deles, João Rodrigues Cabrilho, português, pessoa mui experimentada nas coisas do mar).

Morreu a 3 de Janeiro de 1543 no Sul do actual estado americano da Califórnia, desconhecendo-se o local da sua sepultura.

J

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Inquisição em Portugal


A Inquisição

Tribunal eclesiástico, estabelecido em 1233, cuja função era examinar e averiguar osacusados de heresia, por forma a que sendo culpados a autoridade civil lhes pudesse aplicar o castigo devido. O objectivo era suprimir a heresia e as opiniões dissidentes. A sentença era pronunciada durante o auto-de-fé.

A Inquisição funcionou em França, Itália, Espanha, Portugal e no sacro-império romano. Mais tarde, estendeu-se às Américas. Os julgamentos eram realizados em segredo, sob tortura, e as penas infligidas variavam, desde multas, até à morte pelo fogo, passando pelo açoitamento e prisão.


Historicamente, pode-se considerar que desde o tempo de Constantino, o Grande, existiu a preocupação de estabelecer leis contra a heresia. As penas variaram conforme as épocas históricas, tendo existido penas desde a confiscação de bens até à prescrição da pena de morte, sendo ainda de considerar o desterro ou a excomunhão.

Não obstante, as leis mais severas, como a pena de morte, foram destinadas aos Maniqueus, aos Donatistas e, por extensão, aos Cátaros e aos Albigenses. Todavia, sempre existiram vozes discordantes no seio da própria estrutura eclesiástica, como foram os casos de Ambrósio, João Crisóstomo e Santo Agostinho, entre tantos outros que não aceitaram a prescrição da pena de morte para os casos de heresia.

Os tribunais, destinados originalmente a inquirir os casos de heresia, passaram a averiguar casos de bruxaria, sodomia, pedofolia, zoofilia, bigamia, entre muitos outros. Ao abrigo do papel de inquisidor muitos abusos foram cometidos, de tal modo que a Inquisição foi lentamente desvirtuada, só recuperando o seu crédito no século XVI, com Sisto V passando a ser conhecida por Santo Ofício. 

A organização da Inquisição dependeu de cada país. Por exemplo, a Inquisição espanhola fundada em 1478, tinha como característica própria a total dependência ao monarca que, nomeava o inquisidor. No decurso da Inquisição espanhola, até à sua abolição em 1834, foram julgados, com aplicação rigorosa da legislação contra a heresia, cerca de 60 000 casos. Apesar dos abusos documentados verifica-se que o protestantismo não conseguiu exercer a sua influência, bem como o misticismo não se alastrou nesse território. 

A partir dos séculos XI e XII, o sentimento religioso atingiu o seu ponto mais alto passando a ser as próprias comunidades cristãs a utilizarem a violência contra as correntes consideradas anticristãs. É devido a esta situação que decorre a necessidade de institucionalizar a Inquisição.

As primeiras medidas, nomeadamente, confiscação de bens, destinadas à abolição da heresia foram tomadas no Concílio III de Latrão, em 1179. Seguidamente, adoptaram-se outras medidas como a aplicação das leis civis contra os hereges, noconcílio de Verona, em 1184. No Concílio IV de Latrão, em 1215, continuou-se a adoptar medidas contra os hereges, mas ainda sem incluir a pena de morte. 

Foi com Gregório IX, em 1231, que se institucionalizou a Inquisição, graças à lei imperial que aprovava a aplicação da pena de morte contra os hereges através do poder civil. Igualmente, se destinava essa tarefa aos Dominicanos, apesar de inicialmente os Franciscanos também terem desempenhado o papel de inquisidores. Vários manuais foram redigidos para o bom desempenho da tarefa, sendo exemplo o Manual Prático do Inquisidor de Bernardo Gui. Inicialmente não era aplicada a tortura, tendo sido Inocêncio IV a introduzi-la em 1252, todavia já era considerado lugar comum que o herege deveria ser encarado como inimigo do Estado. 

Em Portugal, a Inquisição foi introduzida a partir do século XIV, sendo nomeados inquisidores-mor Frei Martinho Velasques, Frei Vicente de Lisboa e Frei Afonso de Alprão, respectivamente em 1376, 1399 e 1413.

O seu objectivo real estava em conseguir mais uma arma para a , centralização do poder régio e para o controlo por parte da Coroa. Os monarcas portugueses pretendiam também o que os Reis Católicos haviam obtido do papa Sixto IV a partir de 1478, embora as circunstâncias nos dois países se revelassem inteiramente diferentes. Nem judeus nem mouros ameaçavam em Portugal a unidade da fé, como pudera ser invocado em Castela.

Além disso, os perigos políticos da Inquisição tinham-se tomado óbvios ao Papado como mais um poderoso instrumento nas mãos da Coroa. D. João III e os seus conselheiros lutaram demoradamente para obter a criação da Inquisição. As arrastadas manobras diplomáticas e as intrigas complexas duraram muitos anos, com o Papado resistindo tenazmente e com judeus e cristãos-novos, nos bastidores, subornando ambas as partes para impedir o feito que os prejudicava.

A Inquisição veio a ser finalmente «comprada» a Roma por D. João III (1536), mas com grandes restrições a uma plena liberdade de acção. Só em 1547 foram essas restrições levantadas pelo papa Paulo III, passando a Inquisição portuguesa a dispor de plenos poderes. No entretanto, as primeiras vítimas haviam já sido queimadas em Évora (1543). Começava nova época para a história de Portugal. 

Em 1539, foi nomeado inquisidor geral o infante D. Henrique, irmão de D. João III, conhecido pela sua adversidade aos cristãos-novos tendo sido realizado o primeiro auto-de-fé em 1540. Em 1570, foi criado o Conselho Geral que garantia acessória ao inquisidor-mor. Os tribunais de primeira instância foram reduzidos a três unidades, contra as seis iniciais, ficando Évora, Coimbra e Lisboa e tendo sido eliminados Porto, Lamego e Tomar. 

A inquisição foi "nacionalizada" pelo Marquês de Pombal cerca de 1759, que nomeou inquisidor-mor o seu irmão, e extinta simbolicamente em 1820/21, quando já ninguém se encontrava preso à ordem do Santo Ofício.


Congregação para a Doutrina da Fé

É a mais antiga das nove congregações da Cúria Romana, um dos órgãos da Santa Sé. Substituiu a Suprema e Sacra Congregação do Santo Ofício, que anteriormente chamava-se Suprema e Sacra Congregação da Inquisição Universal da Idade Moderna e era responsável pela criação da Inquisição em si.

A Congregação para a Doutrina da Fé engloba a Comissão Teológica Internacional e a Pontifícia Comissão Bíblica.

Suprema e Sacra Congregação da Inquisição Universal foi fundada pelo Papa Paulo III em 21 de julho de 1542, com o objetivo de defender a Igreja da heresia. É historicamente relacionada com a Inquisição. Até 1908 era denominada comoSacra Congregação da Romana e Universal Inquisição quando passou a se chamar Suprema e Sacra Congregação do Santo Ofício. Em 7 de dezembro de 1965, após o Concílio Vaticano II, o órgão foi novamente reformado durante o pontificado de Paulo VI sendo substituído pela organização atual.

Este órgão encarregava-se de averiguar casos de apostasia e heresia entre os católicos, principalmente aqueles pertencentes ao próprio clero. O julgamento implicava penas como prisão, excomunhão, uso de vestes que identificassem o herege etc. Além disso, ao contrário do que comumente se afirma, a pena de morte era evitada e concedida apenas na minoria dos casos, mesmo porque o perdão era concedido àquelas pessoas que se arrependessem durante o julgamento. Neste ponto, deve-se evitar confusão com a Inquisição Espanhola, liderada pelos reis da Espanha em sua busca da unificação do seu reino.

domingo, 14 de julho de 2013

Évora - Património Mundial


ÉVORA - Património Mundial
Veja este site também em http://geocities.ws/atoleiros

Designação : Centro Histórico da cidade de Évora / Centro Urbano Intramuros da Cidade

  
Localização : Évora, Évora, Santo Antão *
Acesso : A2, A6, EN. 114, EN. 256, EN. 18
Protecção : Património Mundial - UNESCO, 1986
Enquadramento : Urbano. Assenta numa colina, estendendo-se pelas suas encostas até à vasta planície, para onde se expande desde o Séc. 19. A sua máxima altitude é de 302 metros onde se localiza a Acrópole. 
Rodeada de uma cintura de muralhas da Idade Média e do Séc. 17 segundo o sistema Vauban, mostra desde longe, na planura alentejana toda a sua monumentalidade donde sobressai a mole majestosa da Sé.


Descrição :

As origens da cidade de Évora ainda continuam envolvidas no pó dos séculos. As referências de Plínio e Ptolomeu marcam com rigor histórico a posição geográfica da cidade, nó de circulação de grandes vias, de relevante importância na era romana. Júlio César, Imperador Romano, substitui o topónimo cúneo de Ebora, por Liberalitas Julia.

Da presença romana, de que se encontram inúmeros vestígios, destaca-se, como um dos mais importantes a nível peninsular, o Templo Romano, e as recentemente descobertas Termas Romanas. O primeiro perímetro muralhado, a Cerca Velha, de que ainda se conservam importantes fiadas de aparelho romano, algumas torres e a Porta de D. Isabel.

O segundo perímetro ou Cerca Nova iniciada por D. Afonso IV, continuada por D. Pedro I e D. Fernando, surpreende pelo seu aspecto monumental. Posteriormente, no Séc.17 fizeram-se novas fortificações e alguns baluartes. No Centro Histórico, durante a Idade Média, vão surgir edifícios notáveis, como a Sé Catedral, o Palácio e a Igreja Real de São Francisco, e inúmeros conventos que ocupam com as suas cercas os terrenos livres junto à Muralha Medieval.
Estas instalações, de grande dimensão irão estruturar a nova cidade intramuros, seguindo-se uma época de grandes trabalhos de urbanismo, incluindo a construção do Aqueduto da Água de Prata, sobre antigo traçado de um Aqueduto Romano.
O facto de os reis viverem longas temporadas na cidade e, para ela convocarem Cortes gerais Reais, tornam-na nos Séc. 16 e 17 um importante ponto convergente da cultura, arte e administração, sendo considerada a segunda capital do país.


A cal branca, elemento preponderante e básico que robustece as estruturas, imprimindo tonalidades serenas e repousantes, preenchendo as vastas superfícies lisas dos alçados, de poucas e estreitas aberturas debroadas a cor viva, donde sobressaem chaminés de ressalto, por vezes polilobadas e as cornijas molduradas.
Os monumentos das mais variadas épocas, palácios e conventos, quais marcos históricos e estilísticos, integrados na paisagem urbana, atestam como no devir do tempo se vão interligando os antigos e os modernos num tecido urbano ímpar em Portugal.
Uma das notas dominantes e características da Arquitectura Regional, tanto na cidade como no concelho é a sua feição populista. 


Habituado à vida dura de trabalho e ao clima, muito quente no Verão e muito frio no Inverno, o nativo procurou defender-se destes incómodos edificando a sua habitação conforme a longa experiência de séculos e a natureza dos materiais empregues. Datam do Séc. 15 as mais arcaicas manifestações arquitectónicas de Évora, com os seus pórticos Góticos, de granito, por vezes moldurados, embebidos em alçados de taipa ou reforçados de alvenaria.
Os exemplos, que chegaram aos nossos dias, amalgamados nos arruamentos medievos, constituem a fusão de formas e estilos vários olvidando os cânones clássicos da arte de construir, por isso mesmo transmitem um pitoresco e típico equilíbrio de linhas, de massa de formas, sombras e volumes, que profundamente caracterizam a arquitectura popular alentejana. 


Cronologia :
Séc. 2 a. C. - Conquistada por Decimo Junius Brutus 
Séc. 1 a. C. - Júlio César dignifica Évora com o título de Liberalitas Julia; 
Séc. 5 - Sob o domínio visigótico volta a chamar-se Évora; 
714 - Tomada de Évora pelos muçulmanos; 
166 - Tomada de Évora aos mulçumanos por Geraldo Sem Pavor - Carta de Foral de D. Afonso Henriques; 
1257 - Foral de Évora; 
1340 - D. Afonso IV convoca para Évora as Cortes Gerais; 
1383 - 1385 - Tumultos de Évora em apoio ao Mestre de Avis
1421 - Matrimónio de D. Duarte; 
1437 - D. Duarte convoca para Évora Cortes Gerais; 
1481 - D. João II convoca para Évora Cortes gerais; 
1490 - Segunda convocatória de Côrtes por D. João II
1498 - Nasce em Évora o humanista André de Rezende
1501 - D. Manuel I doa a Évora Foral de Leitura Nova; 
1535 - D. João III convoca Cortes gerais para Évora; 
1536 - Morre em Évora Garcia de Rezende; 
1540 - A  de Évora é elevada a metropolita; 
1559 - Criação da Universidade de Évora pelo Cardeal D. Henrique; 
1637 - Alterações de Évora como protesto contra o domínio Castelhano; 
1663 - Ocupação castelhana de Évora por D. João de Austria a 14 de Maio, sendo a cidade libertada a 25 de Junho pelo Conde Vila Flor;
1755 - Terremoto do 1ºde Novembro que atingiu Évora com grau de intensidade 7 a 8; 
1759 - Extinção da Universidade de Évora pelo Marquês de Pombal
1805 - Fundação da Biblioteca Pública pelo Arcebispo D. Frei Manuel do Cenáculo; 
1808 - O General françês Loison ataca e conquista a cidade; 1834 - é assinada em Évora a abdicação de D. Miguel; 
1918 - Rebenta uma revolta militar contra Sidónio Pais; 
1919 - Fundação do nóvel "Grupo Pró-Évora"
1985 - Criação na Câmara Municipal do Gabinete Técnico Local para o Centro Histórico; 
1986, 28 de Novembro - Classificação pela UNESCO do Centro Histórico da Cidade de Évora Património da Humanidade

Características Particulares : 
Durante todas as sucessivas culturas que passaram pelo território nacional, foi sempre Évora um importante aglomerado. Ocupada por godos e muçulmanos, após conquistada aos romanos, é reconstruida e adaptada a sua malha urbana. 

Do longo domínio muçulmano, do Séc. 8 ao 13, muitos vestígios nos surgem, com especial incidência no tecido urbano e na tipologia dos edifícios que se fecham para as ruas e se abrem sobre pátios ou jardins interiores. A residência real, quase constante, e a Universidade são factores que influenciaram decisivamente o "facies" erudito que a cidade ostenta. 

É uma cidade renascentista, com os seus palácios, conventos e igrejas do Séc. 16, que ainda hoje mantêm vivo o seu carácter próprio, que o barroco não destruiu. Não deixa, apesar de erudita, a sua arquitectura de estar impregnada dum sabor local, espontâneo em certos pormenores de soluções de continuidade, que acusam uma persistência popular. 

Presente sempre a majestosa Sé, o Templo Romano, e o dédalo de arruamentos medievais definidos por palácios, solares e casas nobres que testemunham ter sido esta cidade a segunda, em importância artística, cultural e administrativa, logo após a de Lisboa. Do hibridismo erudito e espontâneo, a que não falta o sentido do improviso onde ganha uma frescura e ingenuidade revelando nunca se ter libertado das raízes da terra. 

O contraste do granito com a caiação é um aspecto definido na arquitectura de Évora, as soluções de coberturas em arco, abóbadas e abobadilhas definem-se com uma maior amplitude de variação. Note-se que aos irmãos Arrudas se deve muito do eruditismo arquitectónico na cidade. O ser um Centro Histórico bem delimitado por dois panos de muralhas, que transmitem o devir histórico do aglomerado, é sem dúvida notável a par do valor dos seus imóveis quer religiosos quer civis.

 Para mais fácil compreensão do que resumidamente fica referido propomos dois percursos urbanos onde se podem apreciar as multifacetadas vivências e arquitecturas desta cidade. Primeiro Percurso - Inicia-se na Porta de Avis, Lg. de Avis, R. de Santa Maria, R. do Cano, R. Pedro Simões, Trav. dos Nunes, R. do Menino Jesus, R. de D. Isabel, R. de Olivença, Pr. do Sertório, Trav. do Sertório, R. Nova, Pr. do Geraldo, R. da Républica, Pr. 1º de Maio e termina no Jardim Municipal. 
 


É um percurso que pode demorar boa parte da manhã mas que permite ver do Romano ao Renascimento. O segundo percurso inicia-se no Lg. da Porta de Moura, segue pela R. da Freiria de Baixo, Lg. de São Miguel, Largo do Colégio, R. Cardeal Rei, Universidade, Lg. de São Miguel, R. da Freiria de Cima, Lg. Dr. Mário Chicó, Lg. do Conde de Vila Flor, R. Augusto Filipe Simões, R. Francisco Soares Lusitano, R. das Casas Pintadas, Lg. Alexandre Herculano, R. de Vasco da Gama, Lg. do Marquês de Marialva, Lg. D. Miguel de Portugal, R. 5 de Outubro, e termina na Pr. do Geraldo. 
É um percurso que andando na Acrópole mostra a presença romana no seu melhor exemplar e a Idade Média na sua pujança.