sábado, 13 de julho de 2013

D. Fernando o Infante Santo

O Infante D. Fernando (1402-1443)

O Beato Fernando de Portugal, dito o Infante Santo (Santarém, 29 de Setembro de 1402 –Fez, 5 de Junho de 1443 ) era o oitavo filho do rei João I de Portugal e de sua mulher Filipa de Lencastre, o mais novo dos membros da Ínclita Geração.

Cedo se mostrou interessado na questão religiosa e, ainda muito jovem, foi ordenado 2º Administrador da Ordem de Avispor seu pai, que o fizera também 1º Senhor de Salvaterra de Magos e de Atouguia da Baleia.

Escudo armas D- Fernando
Por ser o irmão mais novo, não teve acesso, como os mais velhos, a tantas riquezas, e intenta pôr-se ao serviço do Papa, do Imperador, ou de outro soberano europeu para ganhar prestígio e prebendas. O próprio Papa Eugénio IV chegou a oferecer-lhe, em 1434 o título de cardeal que recusou2 . Por incentivo dos irmãos mais velhos acaba por desistir, virando as suas atenções para a luta da cruzada em Marrocos, da qual lhe poderia vir imensa boa fortuna.

Assim, em 1437 participa numa expedição militar ao Norte de África, comandada pelo irmão mais velho o Infante D. Henrique, mas com o voto desfavorável dos outros infantes, Pedro, Duque de Coimbra e João, Infante de Portugal e do próprio Rei D. Duarte que, vítima de estranhos pressentimentos, só muito a contragosto consentiu na partida da expedição. 

O Rei terá entregue ao Infante D. Henrique uma carta com algumas recomendações úteis, que foram por algum motivo ignoradas. A campanha revelou-se um desastre e, para evitar a chacina total dos portugueses, estabeleceu-se uma rendição pela qual as forças portuguesas se retiram, deixando o infante como penhor da devolução de Ceuta ( conquistada pelos portugueses em1415). No entanto, o Infante pareceu ter pressentido o seu destino, pois ao despedir-se do seu irmão D. Henrique, lhe terá dito 

"Rogai por mim a El-Rei, que é a última vez que nos veremos!"

A divisão na metrópole entre os apoiantes da entrega imediata de Ceuta, ou a sua manutenção, conseguindo por outras vias (diplomática ou bélica), o resgate do infante, foi coeva da morte de D. Duarte (que morreu vítima da epidemia de peste que contaminou o Reino e ao que parece, de desgosto pelo fracasso da expedição a Tânger e do cativeiro de D. Fernando), o que impediu um desfecho favorável à situação.
D. Fernando

Fernando foi entretanto levado para Fez, sendo tratado ora com todas as honras, ora como um prisioneiro de baixa condição (sobretudo depois de uma tentativa de evasão gorada, patrocinada por Portugal). Daí escreve ao seu irmão D. Pedro, então regente do reino, um apelo, pedindo a sua libertação a troco de Ceuta. 

Mas a divisão verificada na Corte em torno deste problema delicado e diversas ocorrências ocorridas com os governadores da praça-forte levam a que D. Fernando assuma o seu cativeiro com resignação cristã e morra no cativeiro de Fez em 1443 — acabando assim o problema da devolução ou não de Ceuta por se resolver naturalmente. Pelo seu sacrifício em nome dos interesses nacionais, viria a ganhar o epíteto de Infante Santo.

Pesará sempre a lembrança da morte trágica de D. Fernando, e com a maioridade de Afonso V, seu sobrinho, desejoso de feitos guerreiros contra o Infiel em África, sucedem-se as tentativas de conquista, viradas sempre para Tânger, a fim de o vingar - primeiro em 1458 (acabando por desistir, dada a aparente inexpugnabilidade da cidade, e voltando-se para Alcácer Ceguer), depois nas "correrrias" de 1463-1464, enfim a tomada de Arzila em 1471, embora uma vez mais o objectivo fosse Tânger. 

De resto, após a tomada de Arzila, os mouros de Tânger, sentindo-se desprotegidos (pois eram a única praça muçulmana no meio de terra de cristãos) e abandonados pelo seu chefe (que a troco do reconhecimento, por Afonso V, do título de rei de Fez, concedia ao monarca português o domínio de todo a região a Norte de Arzila, na qual Tânger se encontrava), deixaram a cidade, facto que muito custou ao rei português, por se ver assim impossibilitado de fazer pagar cara a morte de D. Fernando, seu tio.

Devoção

Por meio desse mesmo tratado concluído com o agora rei de Fez, os restos mortais do Infante, que se achavam naquela cidade, passaram para as mãos dos portugueses, tendo sido solenemente transferidos para o Mosteiro da Batalha, onde hoje repousam ao lado dos pais e irmãos, na Capela do Fundador.

O seu culto religioso foi aprovado em 1470 e os bolandistas o incluem no rol dos beatos portugueses.

Uma teoria recente sobre os Painéis de São Vicente de Fora defende que os mesmos têm como figura central o próprio Infante Santo, e não S. Vicente, estando o mesmo rodeado pelos seus irmãos e família nos painéis centrais. Este conhecido quadro de Nuno Gonçalves seria assim uma homenagem nacional ao Infante mártir, morto no exílio por defesa do território nacional.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto

A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto

Fernão Mendes Pinto segundo a Enciclopédia Britânica


Fernão Mendes Pinto (N. c. 1510, Montemor-o-Velho, -M. 8 de Julho de 1583, Almada, perto de Lisboa), Aventureiro português e autor da Peregrinação - Viagens e Aventuras de Fernão Mendes Pinto ( 1614 ), uma obra prima da literatura, contando a impressão que causou a um europeu a civilização asiática, principalmente a da China no século XVI.Pinto foi para a Índia em 1537 e mais tarde afirmou ter viajado, lutado e negociado em quási todas as partes da Ásia durante perto de 21 anos e ter também experimentado as mais drásticas reviravoltas da fortuna, tendo sido " preso 13 vezes e 17 vendido como escravo"

Na China, por exemplo, foi condenado por roubar tumbas reais, e como castigo, cortaram-lhe os polegares de ambas mãos e foi sentenciado a trabalhos forçados na contrução da Grande Muralha.A Peregrinação foi escrita depois de Pinto ter regressado a Portugal. Estabeleceu-se em Almada, casou, e recebeu uma pensão do rei Filipe II. A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto tem pouco valor no aspecto de descrição geográfica, mas é grande interesse por descrever a impressão causada num português inteligente pelas civilizações orientais e pelo seu criticismo ao comportamento dos seus compatriotas na Ásia.

Condensado da Enciclopédia Britânica



Nota - A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, Os Lusíadas de Luís de Camões e o Políptico de São Vicente, são segundo a douta e sisuda e douta Enciclopédia Britânica as únicas três obras que considera "masterpieces" da Arte Universal, produzidas por portugueses, portanto dignas do maior respeito. Mas por vezes também é interessante ler uma descrição colorida e simples dessas obras

"Minto"
Fernão Mendes Pinto ou Fernão Mendes "Minto"

Histórias

Conta Fernão Mendes Pinto. Mais espantados ficariam se as tivessem visto como eu as vi: cortejos com milhares de figurantes, multidões em movimentos aguerridos, manadas de elefantes conduzidos por soldados (como se cavalos de batalha fossem aquelas alimárias), naufrágios em que se perderam tesouros e mais tesouros. Travessias de pântanos e florestas com feras muitas, combates em alto mar em que todos (ou quase todos) pereceram, cidades cercadas e logo mais totalmente destruídas por incêndios, princesas formosas em seus palácios deslumbrantes e mendigos mutilados, paixões e desvarios.

Em menino e moço, com a morte diante dos olhos, tive outra vez que fugir. Em Alfama, no cais de pedra tomei uma caravela para Setúbal mas, ao largo de Sesimbra, fomos abordados por corsários franceses. Escapei da morte, até hoje não sei ao certo como. Em vez de me venderem como escravo no norte de África, acabaram por me largar na praia de Melides, desígnios de Deus...


PEREGRINAÇÕES

Treze vezes cativo e dezassete vendido nas partes da Índia, Etiópia, Arábia, Feliz, China, Tartária, Maçágar, Samatra e muitas outras daquele oriental arquipélago dos confins da Ásia, a que os escritores chins, siameses, guéus e léquios nomeiam nas suas geografias como Pestana do Mundo. 

Quando às vezes ponho diante dos olhos os muitos e grandes trabalhos e infortúnios que por mim passaram, começados no princípio da minha idade e continuados pela maior parte e melhor tempo da minha vida, acho que com muita razão me posso queixar da ventura que parece que tomou por particular tenção e empresa sua perseguir-me e maltratar-me. 

Como se isso lhe houvera de ser matéria de grande nome e de grande glória; porque vejo que não contente de me pôr na minha pátria, logo no começo da minha mocidade, em tal estado, que nela sempre vivi em miséria e em pobreza, e não sem alguns sobressaltos e perigo de vida, me quis também levar às partes da Índia, onde em lugar do remédio que eu ia buscar a elas, me foram crescendo com a idade os trabalhos e os perigos.

Quando vejo que do meio de todos estes perigos me quis Deus tirar sempre a salvo e pôr-me em segurança, acho que não tenho tanta razão de me queixar de todos os males passados, quanto tenho de lhe dar graças por este só bem presente, pois me quis conservar a vida para que eu pudesse fazer esta rude e tosca escritura que por herança deixo a meus filhos.

Desde a Arábia ao arquipélago dos japões, ora como enviado do capitão de Malaca, ora como mercador e até como pirata no bando de António Faria. Cruza todas as rotas entre Malaca e a Pestana do Mundo, demanda e fundeia e assalta e rouba e profana mausoléus para tomar as jóias dos defuntos e mata populações indefesas e é cercado e surrado e foge e pede esmola de porta em porta e é preso e escravizado e vendido por todos esses portos do Oriente. 

Umas vezes é a má sorte que o lança na miséria, doutras um golpe d’asa que o empurra para a fortuna fabulosa. Cruza o império chinês até à Mongólia e acompanha ao arquipélago dos japões Diogo Zeimoto, o primeiro português, o primeiro europeu a introduzir ali as armas de fogo.

Passou-se na ilha de Kiushu e corri grande perigo. Os desta terra, para quem este modo de tiro de fogo foi cousa que até então não tinham visto, tamanho caso que fizeram disso, que o não sei encarecer. O segundo filho de el-rei, por nome Arichandono, moço de dezasseis até dezassete anos, e a quem ele era muito afeiçoado, me requereu algumas vezes que o quisesse ensinar a atirar, de que me eu escusei sempre, dizendo que havia mister muito tempo para o aprender. 

Porém ele não aceitando esta minha razão, fez queixume de mim a seu pai, o qual, pelo comprazer, me rogou que lhe desse um par de tiros para lhe satisfazer aquele apetite; a que respondi que dois, e quatro, e cento, e quantos sua alteza mandasse. E porque ele neste tempo estava comendo com seu pai, ficou para depois que dormisse a sesta, o qual ainda aquele dia não teve efeito porque foi aquela tarde com a rainha sua mãe a um pagode de grande romagem, onde se fazia uma festa pela saúde de el-rei.

E logo ao outro dia seguinte, que foi um sábado, véspera de Nossa Senhora das Neves, se veio pela sesta à casa onde eu estava sem trazer consigo mais que só dois moços fidalgos, onde me achou dormindo sobre uma esteira; e vendo estar a espingarda pendurada, não me quis acordar, com propósito de tirar primeiro um par de tiros, parecendo-lhe, como ele depois dizia, que naqueles que ele tomava não se entenderiam os que lhe eu prometera. 

E mandando a um dos moços fidalgos que fosse muito caladamente acender o morrão, tirou a espingarda donde estava, e querendo-a carregar como algumas vezes me tinha visto fazer, como não sabia a quantidade de pólvora que lhe havia de lançar, encheu o cano em comprimento de mais de dois palmos, e lhe meteu o pelouro, e a pôs no rosto e apontou para uma laranjeira que estava defronte. E pondo-lhe o fogo, quis a desventura que arrebentou por três partes, e deu nele, e lhe fez duas feridas, uma das quais lhe decepou quase o dedo polegar da mão direita, de que o moço logo caiu no chão como morto, o que vendo os dois que com ele estavam, foram fugindo caminho do paço, e, gritando pelas ruas, iam dizendo:

"A espingarda do estrangeiro matou o filho de el-rei!"

Levantou-se um tamanho tumulto na gente, que toda a cidade se fundia, acudindo com armas e grandes gritas à casa onde o pobre de mim estava, e já então qual Deus sabe, porque acordando eu com esta revolta e vendo jazer o moço no chão junto de mim, ensopado todo em sangue, sem acudir a pé nem a mão, me abracei com ele já tão desatinado e fora de mim, que não sabia onde estava. Abreviando: a minha sorte foi o moço acordar e apontar para mim, dizendo a seu pai: "Se o matarem, eu morro outra vez"..

É ainda nessa Pestana do Mundo que Fernão se deixa avassalar pela personalidade de Francisco Xavier que ali vivia em missão de converter os japões à doutrina da nossa Santa Madre Igreja. Mas tempos depois morre o Santo e Mendes Pinto, em fúria mística (ou talvez por temer regressar ao Reino por via de alguma coisa que aqui lhe mete mede) troca o ouro pelo Cristo e, já em Goa, distribui toda a sua riqueza pelos pobres e pela Companhia de Jesus, na qual ingressa como irmão leigo. 

Isto acontece em 1554. Três anos depois amansa e retira-se da Companhia; mas por bem, continuando a manter relações amigáveis com os padres. 

Por bem, por bem. Ainda o ano passado estiveram aqui dois padres jesuítas a colher muitas informações sobre S. Francisco Xavier, com quem eu muito trabalhei e convivi lá no arquipélago dos japões. E foi por influência desses dois padres que el-rei D. Filipe, o Segundo, acabou por me conceder, o mês passado, uma tença anual de dois moios de trigo.

Em 1558 Fernão regressa finalmente a Portugal. Talvez aquelas boas relações com os jesuítas tenham sido afinal o escudo que ambicionava para se defender do que parecia temer aqui...

Mas isso agora não conta, só conta o que ele conta. E é tudo tão vivo e tão bem contado, saltando de cena para cena com tanta pressa, que chego até a perder o fôlego. A narrativa começou ao raiar do dia, agora o sol já vai descendo para o ocaso e entrementes comemos apenas uma fatia de vianda e bebemos um ou dois copos de vinho tinto. 

Parece que para achar desculpa para tantos crimes e sangueiras, Fernão usa como disfarce o cognome de António Faria, o grão pirata. Atrocidades que ele relata de forma tão natural e inocente quanto o respirar, o comer, o beber e o dormir. De rebate de consciência parece que não sofre, nem ele nem qualquer dos outros portugueses dados à pirataria lá pelas bandas do Oriente.

Fernão troça dos sacerdotes orientais que atiram punhados de arroz sobre as cabeças dos fiéis, Ri dos chins que oferecem banquetes a seus familiares defuntos (banquetes que são depois comidos pelos sacerdotes). Escarnece dos gentios do reino do Pão que afirmam ser grande pecado comer carne de porco. 

Louvais a Deus depois de fartos, com as mãos alevantadas e com os beiços untados, como homens que lhes parece que basta arreganhar os dentes ao céu, sem satisfazer o que têm roubado. Pois entendei que o Senhor da Mão Poderosa não nos obriga tanto a bulir com os beiços quanto nos defende tomar o alheio – quanto mais roubar e matar, que são dois pecados tão graves quanto depois de mortos conhecereis no rigoroso castigo da sua divina justiça.Não, não, isso dizem os chins. 

Eu digo que D. Afonso de Albuquerque é vero herói lusitano, varão assinalado por via das guerras ganhas e de muitas outras obras valerosas.Parece que Fernão põe na boca dos gentios palavras e opiniões que são da sua lavra. Não se arrisca é a assumi-las como suas. Nos turvos tempos em que estamos mergulhados, cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Só em Janeiro de 1583, por influência dos dois jesuítas que vieram inquiri-lo sobre a vida de S. Francisco Xavier, é que obteve de el-rei a ambicionada recompensa. Por ela esperou portanto 25 anos. Não tivesse ele trazido do Oriente ainda alguns meios de fortuna (que lhe permitiram, inclusive, casar e comprar esta quinta do Pragal) e teria, certamente, morrido à fome


1614, finalmente a Peregrinação vem a lume. Esteve muito tempo encalhada entre o Paço e o Santo Ofício.

Fernão Mendes Pinto veio a falecer em Julho de 1583, por súbito agravamento da sua doença. Finou-se cinco anos depois de D. Sebastião ter sido derrotado e morto em Alcácer Quibir.. 

Fernão começou a escrever as suas memórias em 1569 e deu o livro por concluído em 1578. Mas entre a morte do autor e a edição da sua obra, decorreram 30 anos e cinco já tinham decorrido entre a conclusão do texto e o passamento do escritor. 

Houve licença em 1603 mas só foi editada em 1614. Parece que Francisco de Andrade, cronista-mor do ainda chamado Reino de Portugal, tenha demorado mais 10 anos a tomar o peso de cada uma das suas palavras e a castrar os seus passos mais rudes para não ferir as susceptibilidades de el-rei D. Filipe II e dos novos inquisidores do Santo Ofício.Em 1603, depois de vasculhada pelos padres jesuítas, houve licença para a edição da obra. Licença dada talvez pelos mesmos padres que o interrogaram sobre S. Francisco Xavier. Mas nem assim foi editada. E bem expurgado foi, pois nela não consta sequer a passagem de Fernão pela Companhia de Jesus, em Goa...Cronologia de Fernão Mendes Pinto

C.1510: Nasce Fernão Mendes Pinto em Montemor-o-Velho. - c.1521: A família de Fernão parte (ou talvez fuja) para Lisboa. -

c.1523: Em viagem por mar de Lisboa a Setúbal é aprisionado por corsários franceses - 1537: Embarca para o Oriente. -

1539: Por incumbência do capitão de Malaca faz contactos diplomáticos com o rei dos Batas e Araús. -

1542: A sua primeira viagem ao Japão, em companhia de Diogo Zeimoto, que ali introduz as armas de fogo. -

c.1553: No Japão, conhece, colabora e torna-se admirador de S. Francisco Xavier. -

1554: Em Goa, entrega toda a sua fortuna aos pobres e à Companhia de Jesus, na qual ingressa como irmão leigo. -

1557: Sai da Companhia de Jesus. - 1

558: Regressa a Portugal. -

c.1562: Já casado com Maria Correia Brito (trinta anos mais nova do que ele), retira-se para a Quinta que comprara no Pragal (perto de Almada) -

1569: Começa a escrever a Peregrinação que será concluída em 1578. -

1583: Em Janeiro, Filipe II concede a Fernão uma tença anual de dois moios de trigo; em Julho do mesmo ano, Fernão Mendes Pinto morre no Pragal - 1614: Primeira edição (expurgada) da Peregrinação.Home

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Convento do Varatojo

O Convento de Varatojo situa-se na freguesia de Santa Maria do Castelo e São Miguel, em Torres Vedras, Distrito de Lisboa, Portugal. É obra do rei D. Afonso V, que em cumprimento de um voto que fizera a Santo António para auxiliá-lo nas conquistas do norte de África, o mandou levantar. Foi o próprio rei, com grande acompanhamento de clero, nobreza e povo, que lançou a primeira pedra em Fevereiro de 1470.

Sofre obras de vulto após o terramoto de 1531 que lhe imprimem um cunho maneirista a que se vêm somar as campanhas barrocas e novecentistas.

Com o decreto da extinção das ordens religiosas e da expropriação de todos os seus bens, assinado por D. Pedro IV em 28 de Maio de 1834, o convento passa para as mãos do estado. Em 1845 é vendido em hasta pública. Em 1861, passa de novo para a posse da ordem Franciscana, foi de novo extinto entre 1918 e 1928, quando voltou a pertencer aos Franciscanos função que ainda mantém na actualidade.

Foi classificado como Monumento Nacional em 23 de Junho de 1910.

Descrição :


Planta rectangular irregular constituído por vários corpos e integrando igreja, de planta longitudinal e nave única. Átrio com capela de Nossa Senhora da Sobreira à esquerda. Escada forrada de azulejos conduz à portaria, com lambril de azulejos de padrão, tecto mudéjar, portal de 3 arquivoltas em gablete; ladeia-o pedras esculpidas com armas de Portugal e empresa de D. Afonso V.

Nave com lambril recortado de azulejos, 6 capelas colaterais, com retábulos de talha, sendo 2 do lado da Epístola mais profundas; púlpito de mármore no lado do Evangelho, coro-alto com cadeiral e crucifixo sobre teia. Cobertura em abóbada de berço. Na capela-mor lambril de azulejos com cenas da vida de Santo António encimadas por 4 pinturas sobre tábua; retábulo de mármores embutidos, talha branca e dourada e tela representando "Entrega do Menino a Santo António".

Abóbada de berço com caixotões. Sacristia forrada a azulejos legendados em espanhol, arcaz, armários de parede e 2 tábuas com "Milagre da Mula" e "Pentecostes". Claustro de 2 pisos, o 1º com arcos quebrados sobre colunas chanfradas e tecto pintado com divisa de D. Afonso V; na ala N., portal de arco trilobado decorado dá acesso à capela do Senhor Jesus, forrada de azulejos ponta de diamante. 2º piso em arquitraves. Casa do Capítulo com lambril de albarradas, representando professos notáveis.


Tipologia :
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja conventual de planimetria maneirista - planta longitudinal, com capelas colaterais encimadas por tribuna num dos lados e sem transepto.
Caracteristicas Particulares :

Conserva elementos de diversos estilos: gótico - o portal integrado em gablete, os baixos relevos com representação heráldica que o ladeiam (já de um gótico flamejante), e o claustro;

Manuelino - tecto mudéjar da portaria, alguns painéis pintados e os portais do claustro e o da capela do S. Jesus;

Maneirista - o púlpito e os azulejos ponta de diamante; barroco - os azulejos de albarradas, padrão ou figurativo, sendo os da capela-mor Joaninos (D. João V); os da sacristia são atribuídos a Policarpo de Oliveira; a talha dos retábulos, sendo o mor do estilo nacional; a da capela de Nossa Senhora das Dores é já rocaille. A tela da capela-mor é do italiano Bacarelli.

Fr. José Maria da Cruz Amaral OFM

O Padre Franciscano José Maria da Cruz Amaral, nasceu em São Romão em 2 de Novembro de 1910, filho de António Maria da Cruz e de Maria Benedita Mendes. Faleceu em 19 de Abril de 1993 no Seminário da Luz em Lisboa. Foi sepultado em São Romão.

Em 1921 foi para Tui, Espanha, onde fez o Liceu e tira o curso de Filosofia. Em 1935 completou o curso de Teologia no Seminário do Varatojo e foi ordenado sacerdote franciscano. Quase todas as suas actividades de sacerdote franciscano desenvolveram-se em África durante cerca de 38 anos. Esteve em Moçambique na missão de Amatongas, no Chimoio e terminou por ser colocado na Beira onde orientou o semanário Missão Africana.

Também aí foi um criadores da Emissora Aero-Clube da Beira. Em 1943 foi também pároco de Vila Pery, e no ano seguinte regressou a Portugal e foi capelão substituto do Reformatório de S. Bernardino em Peniche.

Voltou ao continente Africano, à então província da Guiné, onde esteve até à revolução do 25 de Abril. Na Guiné, foi professor do Liceu Honório Barreto, vogal da Assembleia Legislativa, e até 1968 director do Arauto, o único jornal da Guiné que foi extinto pelo general Arnaldo Schultz, em represália contra a linha editorial do Arauto, que procurou denunciar a anarquia militar e civil do seu governo da província.

Depois da substituição de Schultz pelo general Spínola como governador da Guiné, este último convidou o Padre Cruz Amaral para director do novo jornal A Voz da Guiné, agora já jornal oficial da província

Esta sua nomeação para director do jornal oficial do governo da Guiné, trouxe-lhe bastantes conflitos com os seus superiores eclesiásticos, pois o Vaticano na altura, alinhava com a tese "Os Ventos da História", e não via com bons olhos o envolvimento do Padre José Maria, um religioso, nesse jornal oficial do Governo da Guiné.
Esta pequena disputa Estado - Vaticano, que o padre José Maria da Cruz Amaral, nunca procurou, mas acabou por ser o elemento fundamental, marcaram-no bastante, e nunca gostou de falar do assunto.

Na Guiné, de 1946 a 1955 foi também membro da administração da Emissora Oficial da Guiné, sendo por essa razão convidado como representante oficial da Guiné ás comemorações do V Centenário da morte do Infante D. Henrique, em 1960. Como jornalista, representando a imprensa local, integrou a comitiva da visita do Presidente Américo Tomás na sua deslocação a Moçambique.

De regresso a Portugal, a Ordem Franciscana deu-lhe a escolher o local onde gostaria de residir. Escolheu o Mosteiro do Varatojo, local calmo e sossegado, mas viajava muito a Lisboa, ficando sempre instalado em casa de amigos e familiares ou na casa da Ordem Franciscana, na Rua Silva Carvalho.

Em 1985, comemorou as suas bodas de Ouro Sacerdotais, conjuntamente com Fr. José de Montalverne seu colega de curso, que foram festejadas pela Ordem Franciscana, com uma missa e uma pequena festa para familiares e amigos na casa franciscana da Rua Silva Carvalho, sede da Província Franciscana em Portugal. A festa de comemoração repetiu-se também, dias depois, no Convento do Varatojo.

O autor desta página, considerava o Padre José Maria da Cruz Amaral como o melhor dos seus amigos, lembrando com saudade os passeios que dava com ele no claustro do Varatojo, nos bons momentos passados nas festas de Santo António, onde sempre comíamos com gosto e admiração no velho refeitório do Convento e das palestras durante os passeios pela quinta.

domingo, 30 de junho de 2013

O Pogrom de 1506

O Pogrom de 1506

Damião de Góis, in "Crónica de D. Manuel I", capítulo CII da Parte I.

"...Nos dois derradeiros capítulos desta primeira parte, tratarei de um tumulto e levantamento que, a dezanove de Abril de 1506, Domingo de Pascoela, houve, em Lisboa, contra os Cristãos-novos.s, para fora da igreja, e mataram-no e queimaram logo o corpo no Rossio.

No mosteiro de São Domingos existe uma capela, chamada de Jesus, e nela há um Crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que deram foros de milagre, embora os que se encontravam na igreja julgassem o contrário. Destes, um Cristão-novo (julgou ver, somente), uma candeia acesa ao lado da imagem de Jesus. Ouvindo isto, alguns homens de baixa condição arrastaram-no pelos cabelo.



Ao alvoroço acudiu muito povo a quem um frade dirigiu uma pregação incitando contra os Cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro com um crucifixo nas mãos e gritando: "Heresia! Heresia!" Isto impressionou grande multidão de gente estrangeira, marinheiros de naus vindos daHolanda, Zelândia, Alemanha e outras paragens.


Juntos mais de quinhentos, começaram a matar os Cristãos-novos que encontravam pelas ruas, e os corpos, mortos ou meio-vivos, queimavam-nos em fogueiras que acendiam na ribeira (do Tejo) e no Rossio. Na tarefa ajudavam-nos escravos e moços portugueses que, com grande diligência, acarretavam lenha e outros materiais para acender o fogo. E, nesse Domingo de Pascoela, mataram mais de quinhentas pessoas.  

A esta turba de maus homens e de frades que, sem temor de Deus, andavam pelas ruas concitando o povo a tamanha crueldade, juntaram-se mais de mil homens (de Lisboa) da qualidade (social) dos (marinheiros estrangeiros), os quais, na Segunda-feira, continuaram esta maldade com maior crueza. E, por já nas ruas não acharem Cristãos-novos, foram assaltar as casas onde viviam e arrastavam-nos para as ruas, com os filhos, mulheres e filhas, e lançavam-nos de mistura, vivos e mortos, nas fogueiras, sem piedade. E era tamanha a crueldade que até executavam os meninos e (as próprias) crianças de berço, fendendo-os em pedaços ou esborrachando-os de arremesso contra as paredes. 

E não esqueciam de lhes saquear as casas e de roubar todo o ouro, prata e enxovais que achavam. E chegou-se a tal dissolução que (até) das (próprias) igrejas arrancavam homens, mulheres, moços e moças inocentes, despegando-os dos Sacrários, e das imagens de Nosso Senhor, de Nossa Senhora e de outros santos, a que o medo da morte os havia abraçado, e dali os arrancavam, matando-os e queimando-os fanaticamente sem temor de Deus.Nesta (Segunda-feira), pereceram mais de mil almas, sem que, na cidade, alguém ousasse resistir, pois havia nela pouca gente visto que por causa da peste, estavam fora os mais honrados.

E se os alcaides e outras justiças queriam acudir a tamanho mal, achavam tanta resistência que eram forçados a recolher-se para lhes não acontecer o mesmo que aos Cristãos-novos.Havia, entre os portugueses encarniçados neste tão feio e inumano negócio, alguns que, pelo ódio e malquerença a Cristãos, para se vingarem deles, davam a entender aos estrangeiros que eram Cristãos-novos, e nas ruas ou em suas (próprias) casas os iam assaltar e os maltratavam, sem que se pudesse pôr cobro a semelhante desventura.

Na Terça-feira, estes danados homens prosseguiram em sua maldade, mas não tanto como nos dias anteriores; já não achavam quem matar, pois todos os Cristãos-novos, escapados desta fúria, foram postos a salvo por pessoas honradas e piedosas, (contudo) sem poderem evitar que perecessem mais de mil e novecentas criaturas. 

Na tarde daquele dia, acudiram à cidade o Regedor Aires da Silva e o Governador Dom Álvaro de Castro, com a gente que puderam juntar, mas (tudo) já estava quase acabado.

Deram a notícia a el-Rei, na vila de Avis, (o qual) logo enviou o Prior do Crato e Dom Diogo Lopo, Barão de Alvito, com poderes especiais para castigarem os culpados. Muitos deles foram presos e enforcados por justiça, principalmente os portugueses, porque os estrangeiros, com os roubos e despojo, acolheram-se às suas naus e seguiram nelas cada qual o seu destino. (Quanto) aos dois frades, que andaram com o Crucifixo pela cidade, tiraram-lhes as ordens e, por sentença, foram queimados." 

Damião de Góis, em "Crónica de D. Manuel I" em capítulo CII da Parte I


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Amantes dos Reis de Portugal

Amantes dos Reis de Portugal

Maja desnuda de Goya
Dinastia de Borgonha

D. Afonso Henriques teve 7 filhos legítimos de sua mulher D. Mafalda de Sabóia, mas teve também 4 filhos bastardos, mas não se conhecem as mães.

D. Sancho I teve 11 filhos da sua mulher D. Dulce e 9 filhos bastardos de : 

D. Maria Alves, de Fornelos (3 ). Depois da morte do rei casa com D. Gil Vasques de "Soverosa" 

D. Maria Pais Ribeira ( a Ribeirinha ) filha de D. Paio Moniz ( 6 )


D. Maria Pais Ribeira, célebre dama da primeira metade do séc. XIII, uma das favoritas de D. Sancho I, notável pela sua formosura. Era filha de Paio Moniz e de Urraca Nunes talvez natural de Lanhoso.

As suas relações com o D. Sancho I, devem datar de antes de 1200. pois o rei nasceu em 1154 e por esta altura tinha 46 anos, morrendo 11 anos depois, de enfermidade crónica, parece que pelos seus desregramentos nestes assuntos.

A liberdade dos costumes de então apresenta-se bem cantada pelo trovador Paio Soares de "Taveirós", e um dos apaixonados pela bela «senhora branca e vermelha» que se "casava" com o rei:

ay,
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraya,vós,
quando eu vos vi en saya!
filha de don Paay Moniz
e des aquel dia, ay!
me foi a mi muy mal!»

O rei encadeado de paixão deixava-lhe bons versos de sua lavra, para ela cantar nas ausências dele, como por ocasião da fundação da Guarda:

«muito me tarda
o meu amigo na Guarda»

Parece que depois da morte de D. Sancho I, um descendente de Egas Monis, rapta D. Maria ferindo gravemente o seu irmão e foge com ela para Espanha. Rebelo da Sila publica este lance romanesco em "Ódio Velho não cansa". D. Maria Pais era sobrinha de Martim Moniz o herói da tomada de Lisboa. Casa depois da morte do rei com D. João Fernandes"o de Lima". Deve ter falecido já idosa depois de 1245.

D. Afonso II teve 4 filhos da sua mulher D. Urraca e 1 filho bastardo de mãe que se ignora.

D. Sancho II foi casado com D. Mécia Lopez de Haro e não teve filhos.

D. Afonso III foi primeiramente casado com D. Matilde condessa de Bolonha da qual não teve descendência. Casou depois com D. Beatriz ou Brites, filha ilegítima de Afonso X de Castela, de quem teve 7 filhos. 

De várias mulheres teve 5 filhos bastardos. Apenas se conhece: D. Marinha Peres de Enxara dos Cavaleiros, de quem 1 filho, D. Afonso Dinis

D. Dinis foi casado com D. Isabel de Aragão de quem teve dois filhos legítimos. 

Teve 7 filhos bastardos, de várias mulheres, das quais se conhecem: 

D. Aldonça Rodrigues Telha, ( 1 filho)- Afonso Sanches ( 1289-1329)D. 
Maria Pires «huma boa dona do Porto de Gança» (1 filho)
D. Marinha Gomes nobre dama de Lisboa (1 filha)
D. Grácia Fróis (1 filho) Pedro Afonso Conde de Barcelos (1287-1354)
Outras "senhoras" (3 filhos)

D. Afonso IV foi casado com D. Beatriz ou Brites, filha de Sancho IV de Castela. Teve 7 filhos legítimos. Não se lhe conhecem filhos bastardos.

D. Pedro I foi casado primeiramente com D. Branca de Castela, não se consumando o matrimónio por doença da noiva.

Casou depois com D. Constança de quem teve 3 filhos legítimos.

Luís (1340)
Maria, princesa de Portugal (1342-1367), casada com Fernando, príncipe de Aragão
Fernando, rei de Portugal (1345-1383)

D. Inês de Castro - A mais famosa das amantes reais e que está sepultada em Alcobaça, ao lado de D,. Pedro I (4 filhos) . Talvez seja a única amante real sepultada no transepto de uma Abadia.



Alcobaça - Tumulo de Inês de Castro

A Figura de Inês de Castro

Afonso de Portugal (Morreu em criança) 

Beatriz, princesa de Portugal (1347-1381) 

João, príncipe de Portugal (1349-1387) 

Dinis, príncipe de Portugal (1354-1397) 

D. Teresa Lourenço teve 1 filho, o mais famoso dos bastardos reais, que veio a ser Mestre de Avis e Rei de Portugal como D. João I.


D. Fernando I foi casado com D. Leonor Teles, que deve ter sido amante do rei quando ainda era casada com João Lourenço da Cunha. 

Teve 3 filhos legítimos, um dos quais D. Beatriz casou com D. João I de Castela. 

De mulher que se ignora teve 1 filha, D. Isabel. Foi esta bastarda que foi mãe de D. Constança de Noronha, que veio a ser esposa de D. Afonso, conde de Barcelos, filho ilegítimo de D. João I e mais tarde 1º Duque de Bragança.

D. Leonor Teles foi a mais perversa e afortunada amante dos reis de Portugal. Perversa porque foi capaz de tudo para conseguir os seus fins, inclusive provocar a morte da própria irmã, afortunada porque chegou a rainha de Portugal, casando com D. Fernando I. Leonor Teles de Meneses, natural de Trás-os-Montes, era filha de Martin Afonso Teles de Meneses e de D. Aldonça de Vasconcelos.  

Casou muito nova com D. João Lourenço da Cunha, senhor de Pombeiro, de quem teve um filho, Álvaro da Cunha. Ambiciosa e perversa, de tal forma conseguiu insinuar-se no ânimo de D. Fernando - aquando das suas estadas no Paço, a pretexto de visitar sua irmã D. Maria Teles casada com o infante D. João - que o rei "Formoso", indiferente a todos os conselhos e subestimando os altos interesses nacionais, resolveu unir-se à " adultera e barregã" , como lhe chamava o povo, apesar de comprometido pelo tratado de Alcoutim em casar com uma princesa castelhana. 

"Louçã, aposta e de bom corpo" como dizia Fernão Lopes, Leonor Teles tinha então o perfil, que alguns diriam hoje, para mulher de sucesso. Amante do rei, quando mulher de João Lourenço, consegue que o casamento com este seja anulado, por sentença canónica baseada em questões de parentesco e casa com ela publicamente em Leça de Bailio entre 15 e 18 de Maio de 1372. Este casamento desagradou ao povo, e em Lisboa Fernão Vasques à frente à frente de muitos outros ergueu ingloriamente a sua voz. 

Os protestos foram afogados em sangue, e Leonor recebe meio Portugal como presente de casamento. Receosa do prestígio do seu cunhado o infante D. João, filho de Pedro I e Inês de Castro, casado com a sua irmã D. Maria Teles, promete a este a mão de sua filha a infanta D. Beatriz, ficando portanto herdeiro do trono, mas teria que matar primeiramente a sua sua mulher. D. João assim o faz, matando-a à punhalada e apresentando o pretexto do seu mau comportamento. Mas D. Leonor Teles casou a filha com D. João I rei de Castela e o infante assassino teve que fugir de Portugal. 

Morto D. Fernando, em 22 de Outubro de 1383, Leonor que ainda em vida do rei, como dizia o povo, era amante de João Fernandes Andeiro, conde de Ourém, toma a regência do reino. Andeiro acaba por ser morto pelo Mestre de Avis e por Rui Pereira em 6 de Dezembro de 1383. Nas lutas e intrigas que se seguem foge de Lisboa para Alenquer, mas acaba por ser desterrada para Castela, e internada, na condição de prisioneira, no Mosteiro de Tordesilhas, onde morre a 27 de Abril de 1386.

Dinastia de Aviz

D. João I do seu casamento com D. Filipa de Lencastre teve 7 filhos legítimos: D. Branca (1388-1389), D. Afonso (1390-1400), D. Duarte que herdou a coroa, D. Pedro ( 1392-1449), D. Henrique ( 1394- 1460), D. Isabel ( 1397-1471 ), D. João (1400-1442 ), D. Fernando ( 1402-1443 ). 

Da união anterior ao casamento, com uma Inês Pires teve dois filhos, D. Afonso ( 1380-1461 ), que foi 8º conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança, e D. Beatriz ( 1382-1439 ).

Inês Pires Amante do Mestre de Aviz e depois D. João I, era filha de Pero Esteves e de Maria Anes e natural de Veiros, segundo uns, ou ou de Portel, segundo outros. Dos amores com o Mestre de Aviz nasceu D. Afonso, que depois casou com D. Beatriz filha de D. Nuno Álvares Pereira . D. Afonso foi o 1º Duque de Bragança. 

Daqui procede a casa de Bragança. Inês Pires foi depois comendadeira de Santos. Dizem os cronistas que Pero Esteves, desgostoso com os amores da filha nunca mais cortou as barbas e daí o povo o alcunhou de "Barbadão". Diz ainda a tradição que Pero Esteves concebeu o plano de matar o mestre, desistindo do intento por saber que D. João I era o primeiro a respeitar o seu desgosto.

D. Duarte teve sete filhos do seu casamento com D. Leonor de Aragão: D. João ( 1429- 1433 ), D. Filipa ( 1430-1439 ), D. Afonso V, que herdou a coroa de Portugal, D. Fernando ( 1433-1470 ), D. Maria ( 1432-1432 ), D. Leonor ( 1434-1467 ), D.Duarte ( 1435-1435 ). 

De união anterior ao casamento com D. Joana Manuel, nobre de ascendência castelhana, teve D. João Manuel, ( 1420-1476 ), religioso da Ordem do Carmo, que foi provincial dessa ordem, bispo de Ceuta e primaz da África e depois bispo de Guarda onde residiu. Deixou dois filhos D. João Manuel e D. Nuno Manuel.

D. Afonso V teve 3 filhos da sua mulher D. Isabel, D. João que morreu novo, D. Joana ( 1452-1490), e D. João II que herdou a coroa. Não se lhe conhecem filhos ilegítimos. Por morte de D. Isabel voltou a casar com a sua sobrinha D. Joana filha de Henrique IV de Castela. Este matrimónio nunca se consumou por falta da necessária dispensa.

D. João II foi casado com sua prima co-irmã, D. Leonor filha de D. Fernando, duque de Viseu.Deste matrimónio nasceram: D. Afonso (1475-1491).

De: D. Ana de Mendonça teve um filho D. Jorge de Lencastre ( 1481-1550), que foi mestre de Santiago e de Aviz.

O Senhor Dom Jorge de Lancastre (Abrantes, 1481 - Setúbal, 22 de Julho de 1550) foi filho bastardo do Rei D. João II de Portugal com D. Ana de Mendonça, foi 2.º Duque de Coimbra desde 1509, Grão-Almirante de Portugal, 13.º Mestre da Ordem de Santiago e 9.º Administrador da Ordem de Avis.

Aos três anos de idade seu pai mandou-o confiar para criar à sua única irmã, Santa Joana Princesa, já nessa altura professa em Aveiro.

Ali foi educado, no Convento de Jesus, até à morte de sua tia em 1490, quando tinha nove anos, idade em que, a pedido do rei, veio acabar de se educar na corte junto do Príncipe seu irmão, D. Afonso, e do jovem futuro rei D. Manuel, todos sob a égide da rainha D. Leonor, que aceitou recebê-lo e dar-lhe os cuidados de mãe.
D Manuel I casou a primeira vez em 1497 com a viuva do infante D. Afonso, D. Isabel filha dos Reis Católicos. Com a morte de D. Isabel em 1498, voltou a casar em 1500 com a infanta D. Maria, irmã da sua primeira mulher. Viúvo de novo em 1517, volta a casar com D. Leonor, irmã de Carlos V, e que fora primeiramente destinada ao seu filho. Teve 1 filho do 1º matrimónio, 9 do segundo e três do 3º matrimónio. Não se lhe conhecem amantes nem filhos ilegítimos.

D. João III foi casado com D. Catarina e teve 9 filhos, D. Afonso (1526-1526), D. Maria( 1527-1545) que casou com Filipe II, D. Isabel (1529-1529), D. Beatriz (1530-1530), D. Manuel (1531-1537), D. Filipe (1533-1539), D. Diniz (1535-1537), D. João (1537-1554) , D. António (1539-1540). 

Ainda solteiro teve um filho natural de D. Isabel Moniz filha do alcaide de Lisboa, D. Duarte ( 1521-1543)

Dinastia de Bragança

D. João IV do seu casamento com D. Leonor de Gusmão teve 8 filhos, D. Teodósio ( 1634-1653), D. Ana ( 1635-1635), D. Joana (1635-1653), D. Catarina (1638-1705), D. Manuel ( 1640-1640), D. Afonso VI que herdou a coroa, D. Pedro II que lhe sucedeu. 

De mãe desconhecida teve uma filha, D. Maria (1644-1693) que se dedicou à vida religiosa e está sepultada no Convento de S. João dos Carmelitas Descalços.

D. Afonso VI, casou em 1666 com D. Maria Francisca de Isabel de Sabóia, mas não teve descendência. Na vida desregrada de D. Afonso VI entrou uma D. Ana de Moura, freira de Odivelas, o que fazia que o rei visitasse muito o mosteiro e organizasse cavalgadas e touradas no seu pátio.

D. Pedro II que nasceu em Lisboa em 6 de Janeiro de 1668 e faleceu no Palácio de Palhavã a 21 de Outubro de 1690, foi casado primeiramente com a sua cunhada D. Maria Francisca Isabel de Sabóia de quem teve uma filha D. Isabel Luísa Josefa ( 1668-1690). 

Casou depois com D. Maria Sofia de Newburg ( 1666-1699) de quem teve 8 filhos: D. João (1688-1688), D. João V que herdou o trono, D. Francisco Xavier José António Bento Urbano ( 1691.1742), D. António Francisco Xavier José Bento Teodósio Leopoldo Henrique (1695-1757), D. Teresa Maria Francisca Xavier Josefa Leonor (1696-1704), D. Manuel José Francisco António Caetano Estevão Bartolomeu ( 1697-1736), D. Francisca Josefa ( 1699-1736.

Foram amantes de D. Pedro II: 

D. Maria da Cruz Mascarenhas, de quem teve uma filha D. Luisa ( 1679-1732 que casou primeiramente com D. Luís e depois com D. Jaime de Melo, respectivamente, 2º e 3º duques do Cadaval. 

Ana Armanda du Verger francesa teve um filho D. Miguel (1703-1756), reconhedido com irmão por D. João V e que casou com D. Luísa Casimira de Nassau e Ligne, herdeira da casa de Arronches. 

D. Francisca Clara da Silva teve um filho, D. José ( 1703-1756) que foi doutor em Teologia e Arcebispo de Braga.

D. João V casou em 1708 com D. Ana de Austria Arquiduquesa de Áustria, filha do imperador Leopoldo I de Áustria e da imperatriz D. Leonor Madalena. Teve seis filhos, entre os quais a infanta D. Maria Bárbara (que viria a casar com D. Fernando de Espanha), D. Pedro (que casaria com D. Maria I) e D. José (que seria rei de Portugal).

Foram amantes de D. João V

D. Luísa Clara de Portugal, casada com D. Jorge de Menezes, e que pertencia à casa da Flor da Murta, e que ficou como a galante alcunha da amante real de quem teve uma filha D. Maria Rita monja do Convento de Santos. 

D. Madalena Máxima da Silva Miranda Henriques, de quem teve um filho D. Gaspar pela crisma e Manuel pelo baptismo(1716-1789) que foi o segundo "Menino de Palhavã". Foi arcebispo de Braga. O povo chamava aos filhos de D.João V, os meninos de Palhavã por residirem no palácio com esse mesmo nome. 

D. Luísa Inês Antónia Machado Monteiro, de quem teve um filho D. António, muito dedicado à música.

E muitas outras de todas as classes sociais.

A Madre Paula 

Esta freira portuguesa que se destacou como a amante mais célebre do rei D. João V, chamava-se Paula Teresa da Silva e Almeida, e nasceu em Lisboa em 30 de Janeiro de 1718. Era neta de João Paulo de Bryt, de nacionalidade alemã, que fora soldado da guarda estranjeira de Carlos V, e se estabelecera em Lisboa como ourives. 

Paula entrou para o convento de Odivelas aos dezassete anos de idade, e ali professou, apó um ano de noviciado. D. Joao V, frequentador assíduo do convento de Odivelas, onde mantinha vários amantes que ia substituindo conforme lhe parecia, ao topar com a jovem Paula ficou loucamente apaixonado por ela. Nessa altura, já a famosa freira se havia tornado amante de D. Francisco de Portugal e Castro, conde de Vimioso, e que pouco antes tinha sido agraciado com o título de marquês de Valenças. 

O soberano não teve problemas, chamou o fidalgo e disse-lhe: " Deixa a Paula, que eu te darei duas freiras à tua escolha". Assim se fez, e soror Paula passou a ser amante do rei que era trinta anos mais velho do que ela. A influência de Madre Paula sobre o rei foi imensa. Quem carecesse de uma mercê do soberano já sabia que a maneira mais segura de a conseguir, seria recorrer às valiosa protecção da madre Paula que o soberano visitava todas as noites. 

A astuta freira que sabia muito bem aproveitar-se do rei, transformou-se em pouco tempo. numa verdadeira Pompadour. Das numerosas amantes de D. João V, foi a madre Paula a única que o soube dominar até à morte. O rei foi extremamente generoso não só com ela como com a sua família, chegando o pai de Paulo a ser agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo e a receber uma tença de doze mil reis e outros benefícios que lhe permitiram viver à larga. 

 O luxo em que vivia Paula no convento de Odivelas, foi bem reproduzido num, documento da época, por Ribeiro Guimarães no seu Sumário de Vária História, onde descreve a magnificência asiática dos aposentos da madre Paula e sua irmã. Para a servir tinha a madre Paula nove criadas. Destes amores nasceu um menino que foi baptizado com o nome de José, como o príncipe herdeiro, que foi chamado o mais jovem "Menino de Palhavã" e veio a exercer as funcões de inquisidor geral. 

Mais tarde nos tempos de Pombal, numa discussão, atirou-lhe com a cabeleira à cara e foi desterrado para o Buçaco. A vida desregrada do rei escandalizava, não só a corte, mas até os súbditos mais humildes, mas ninguém se atrevia a repreender o régio devasso. 

"..Não se levanta de graça quem se deita por dinheiro..." 

Para se fazer uma ideia da moralidade desse tempo, bastará recordar o que disse a abadessa D. Feliciana de Milão, às damas da raínha que não se levantaram, como lhes competia à sua passagem. "..Não se levanta de graça quem se deita por dinheiro..." 

Após a morte do rei que lhe deixou uma mesada principesca, continuou no seu recolhimento, recebendo os grandes que ainda se lhe aproximavam. Assim se conservou ainda durante trinta e cinco longos anos, com a altivez de uma soberana em exílio. Faleceu com 67 anos de idade, e foi sepultada na Casa do Capitulo do Convento de Odivelas 

( Condensado de Enciclopédia Portuguesa Brasileira ).

A Casa da Madre Paula

A casa da Madre Paula foi mandada construir por D. João V. Ficava sobre a casa do capítulo, encostada à torre e tinha três andares. Para aceder ao 1.º piso subia-se uma escada ao lado do parlatório. Ali ficava a cozinha, que era decorada com azulejos onde figuravam os vários utensílios usados para cozinhar. O painel da chaminé representava uma cena mitológica. 

Este piso tinha mais seis divisões. Na maior delas guardavam-se 18 caixotões de lixa negra com pregaria de prata e estava toda cheia de prata com que se fez a copa e ainda sobrou muita, porque, dizem os manuscritos, ali se guardavam três baixelas. Havia ainda muitas outras arcas com roupas de casa e de vestir, adornos, fitas e mesmo jóias. O serviço era assegurado por nove criadas, que estariam instaladas neste piso.

D. José I era casado com Mariana Vitoria de Borbón, princesa espanhola, e tinha 4 filhas. Apesar de ter uma vida familiar alegre, (o rei adorava as filhas e apreciava brincar com elas e levá-las em passeio),

A Amante Fatal

D. José I teve uma amante : Teresa Leonor, mulher de Luís Bernardo, herdeiro da família de Távora, o que deu origem ao famoso "Processo dos Távoras", devido à tentativa de regicídio contra D. José. e à execução extremamente bárbara dos condenados por esse atentado. Bárbaro para a nossa época, mas muito comum na altura, em todos os países da Europa e outros. Leia-se por exemplo o livro biográfico "Maria Antonieta" deStefan Zweig, para ler os suplícios que se aplicavam aos condenados no século XVIII.

Os detractores de Pombal, dizem que tudo não passou de uma mentira inventada por ele, para amedrontar e castigar a alta nobreza, que deve ter sido um assalto comum, por assaltantes que nem sabiam quem ia na carruagem.

Mas no seu livro "Portugal ao tempo do Terramoto" Suzanne Chantal,, descreve em pormenor tudo aquilo que realmente deve ter passado, e que o Marquês apenas aproveitou para castigar a alta nobreza, que não o tolerava, e que ofensivamente o tratava por Sebastião José ! 

Leia-se também o livro "Sebastião José" de Agustina Bessa Luís.

D. Pedro IV Foram amantes de D.Pedro IV, D. Domitila de Castro Canto e Melo, Marquesa de Santos:
De quem teve um rapaz (1823), nado morto, e :

Isabel Maria de Alcântara Brasileira, (1824 - 1898) Duquesa de Goiás; Pedro de Alcântara Brasileiro, (1825 - 1826) Maria Isabel de Alcântara Brasileira, (1827), Duquesa do Ceará (que morreu com um ano de idade);

Maria Isabel II Alcântara Brasileira (1830 - 1896), que se tornaria condessa de Iguaçu pelo casamento com Pedro Caldeira Brant.

Com a francesa Noémi Thierry teve:
O menino Pedro, falecido antes de completar um ano.

Com Maria Benedita Bonfim, futura baronesa de Sorocaba e irmã da marquesa de Santos, teve:
Rodrigo Delfim Pereira.

Com a uruguaia María del Carmen García teve uma criança nati morta.

De sua amante francesa Clémence Saisset teve:
Pedro de Alcântara Brasileiro.

Com a monja portuguesa Ana Augusta teve outro menino de nome Pedro.




terça-feira, 25 de junho de 2013

A Figura de Fernão de Magalhães


Quem era Fernão de Magalhães?

Fernão de Magalhães, filho de Rui Magalhães e Alda de Mesquita, nasceu em 1480 em Sabrosa ou no Porto e morreu em 27 de Abril de 1521 em Mactan, Filipinas. Fui pagem da Raínha D. Leonor em Lisboa. Navegou sob as bandeiras de Portugal ( 1505-1512 )e Espanha (1519-21) e é considerado por muitos, como o maior navegador de todos os tempos.

Ainda há poucos anos, foi homenageado pela NASA, que enviou ao espaço uma nave com o seu nome.


Além de Vasco da Gama, Fernão de Magalhães é o único português a figurar na lista das cem figuras mais importantes do último milénio, de acordo com um inquérito internacional da revista Life.


Em 1505 alistou-se na armada de Francisco de Almeida, partindo de Lisboa em 25 de Março. Lutou na batalha naval de Cannanor onde parece ter sido ferido. Tomou parte na grande batalha de Diu, na conquista da Malaca e das Molucas.

Em 1512 regressou a Lisboa combateu em Azamor, e em 1514 pediu a D. Manuel I um aumento da sua pensão. Como o rei tinha recebido informações de conducta irregular de Fernão de Magalhães no cerco de Azamor, recusou o seu pedido e reenviou-o para Marrocos. Magalhães volta a renovar o pedido em 1516, mas D. Manuel I volta a recusar e demite-o dos seus serviços.

Assim, Fernão de Magalhães vai para Espanha, e chega a Sevilha em 20 de Outubro de 1517, renuncia à sua nacionalidade, entrando ao serviço de Carlos V, e passa a chamar-se Fernando de Magallanes, casando com Beatriz de Barbosa, filha de um importante oficial de Sevilha.


Devido ao tratado de Tordesilhas, Espanha entende que as ilhas das especiarias, as Mollucas, lhe pertenciam , e envia uma expedição naval, comandada por Magalhães, que sai de Sanlúcar de Barrameda em 20 de Setembro de 1519,


A frota passa por Tenerife, chega à costa do Brasil em 20 de Setembro, e seguindo para o sul, chega às costas da da actual Argentina, Chile e depois ao oceano Pacífico. Descobriu o famoso estreito que hoje tem o seu nome, a "desejada passagem do sudoeste" e atravessou o oceano com uma sorte espantosa, tal a calma do mar que encontrou, que lhe chamou o"Oceano Pacífico". 

Nas Filipinas, na ilha de Mactan, foi morte em combate com os indígenas, e Sebastián Elcano termina a viagem, chegando a Espanha a 8 de Setembro de 1522.
Como conta William Oncken, na sua História Universal, o mérito da viagem de Fernão de Magalhães só foi reconhecido nos tempos modernos. E tudo isto, escreve Oncken, por duas razões principais:

Para Espanha - Fernão de Magalhães era um navegador PortuguêsPara Portugal - Fernão de Magalhães ter feito a viagem ao serviço da Espanha.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Raínhas de Portugal - Dinastia Filipina

D. Ana de Áustria - Filipe I 

Filipe I, casou em 13 de Novembro de 1543 com D. Maria Manuela de Portugal, filha de D. João III e de D. Catarina. D. Maria Manuela morreu em1545 ao dar à luz o príncipe D. Carlos. Filipe I casou 2ª vez em 1554 com Maria Tudor, raínha de Inglaterra que faleceu em 1558 . Casou 3ª vez com Isabel de Valois filha do rei de França e de Catarina de Médicis que nasceu em 1546 e morreu em 1568.. Volta a casar com Ana de Austria ilha de Maximiano II.

Ana de Áustria (1549 - Badajoz, 26 de Outubro de 1580) foi a quarta mulher de Filipe IIde Espanha, e
por conseguinte, rainha de Espanha e, durante um período de escassos meses,rainha de Portugal.

Ana era filha do imperador alemão Maximiliano II, primo do rei Filipe II de Espanha, sendo esta portanto também sua prima. O casamento foi celebrado em 12 de Novembro de 1570.Deste casamento nasceram cinco filhos, mas apenas um logrou sobreviver até à idade adulta e tornar-se o futuro Filipe III de Espanha. Os demais filhos foram:


Fernando (1571-1578)
Carlos Lourenço (1573-1575)
Diogo Félix (1575-1582)
Maria (1580-1583)

Ana de Áustria morre de peste em 26 de Outubro de 1580, em Badajoz quando acompanhava Filipe I nas suas campanhas de ocupação de Portugal.

D. Margarida de Áustria - Filipe II 

Filipe II casou com D. Margarida de Áustria, filha do arquiduque Carlos, no dia 18 de Abril de 1599.
Margarida de Áustria (1584 - 3 de Outubro de 1611) foi arquiduquesa daÁustria e, desde 1599 até à sua morte, rainha de Espanha, Portugal, Nápolese Sicília.

Margarida era filha do Arquiduque Carlos da Áustria (o que fazia dela neta do Sacro Imperador Romano-Germânico Fernando I) e da arquiduquesa Maria Ana da Baviera.Teve catorze irmãos, entre os quais se contam a rainha Ana da Polónia(esposa de Sigismundo II da Polónia) e o imperador alemão Fernando II.

Em 18 de Abril de 1599, pelo seu casamento com o primo Habsburgo Filipe III de Espanha (II de Portugal), tornou-se rainha consorte de Espanha,Portugal, Nápoles e Sicília.Teve oito filhos, entre os quais Ana de Áustria, esposa de Luís XIII de França e regente durante a menoridade do seu filho, Luís XIV, o rei Filipe IV de Espanha (III de Portugal) e ainda Maria Ana de Espanha, que mais tarde seria imperatriz alemã, pelo casamento com o imperador Fernando III.

Isabel de Bourbon - Filipe III 

Rainha de Espanha e Portugal ( 1621-1640 ), Filipe III, casou em 25 de Novembro de 1620 com Isabel de Bourbon, que nasceu emFontainebleau em 1603 e faleceu em Madrid a 6 de Outubro de 1644. era filha de Henrique IV de França e de Maria de Médicis. 

Vélasquez imortalizou-a na sua pintura que está exposta no Museu do Prado. A desastrosa política do Conde-Duque de Olivares encontrou nela forte oposição, que depois do 1º de Dezembro de 1640, que tirou Portugal ao domínio espanhol, obteve a destituição do ministro.

Animou a luta na fronteira portuguesa e na Catalunha, contribuindo para a formação do exército. 

Foi portanto rainha de Portugal de 1621 até 1640. Foi a mãe de Carlos II. Depois da morte de Isabel de Boubon, Filipe IV de Espanha volta a casar com Maria Ana de Áustria filha de Fernando III.,