sexta-feira, 24 de maio de 2013

O "Ultimatum" inglês

O "Ultimatum" inglês


Em 11 de Janeiro de 1890 o governo inglês envia um célebre "memorandum" ao governo português que não só faz deitar por terra o nosso sonho de constituir a África Meridional Portuguesa (assinalada no "Mapa Cor de Rosa", de 1886) como, pela demonstração de incapacidade política de resistir às pretensões da Inglaterra, anuncia o princípio de uma série de acontecimentos que vão ser nefastos para a continuidade do regime monárquico constitucional.

Com efeito o Governo de S.M. exige nesse memorando "que se enviem instruções telegráficas imediatas para que todas e quaisquer forças militares portuguesas actualmente no Chire e nos países dos Mokololos e Machonos se retirem" e ameaça ainda que, se uma resposta satisfatória não for dada pelo governo português nessa mesma tarde, a delegação inglesa em Lisboa, abandonará o nosso País.

O rei D. Carlos reúne à pressa o Conselho de Estado e responde de imediato: "Na presença de uma ruptura iminente de relações com a Grã-Bretanha e de todas as consequências que dela poderiam talvez derivar, o Governo de S.M. resolveu ceder às exigências formuladas (...) e vai expedir para o Governo Geral de Moçambique as ordens exigidas pela Grã-Bretanha".

Houve manifestação públicas de grande indignação e Basílio Teles escreveu mesmo que "este dia valeu séculos e anuncia um futuro perturbante", atribuindo a humilhação "à incapacidade e cobardia dos governos do regime".

Sucedem-se em Lisboa as demonstrações de revolta pela afronta inglesa e os jornais invectivam o governo do partido Progressista que é obrigado a demitir-se, sendo de imediato substituído por um governo do partido Regenerador. Lança-se uma subscrição nacional para a compra de navios de guerra (que só chegou para a compra do "Adamastor") lança-se o boicote aos produtos ingleses e o espírito do momento é passado para a letra e música da "Portuguesa" que virá a ser o futuro hino nacional.



O Mapa Cor de Rosa Após a Conferência de Berlim (1884-1885), Portugal apressou o processo de ocupação da zona central de África, entre Angola e Moçambique, devido à concorrência das potências europeias para a partilha da África, reivindicando sobre estes territórios direitos históricos. Procedeu-se, imediatamente, a uma intensificação das explorações portuguesas na zona.

O reconhecimento oficial do direito português à ocupação foi estabelecido nas convenções luso-francesa e luso-alemã, em 1886. Na convenção luso-alemã, foi elaborado um anexo cartográfico com a zona da esfera de influência portuguesa entre a costa angolana e a costa moçambicana assinalada a cor-de-rosa, daí surgindo a designação de Mapa Cor-de-Rosa.

O plano português de instauração de um "novo Brasil", ainda que aceite pela Alemanha e pela França, foi imediatamente contestado por Inglaterra, baseando-se no facto de haver ficado acordado na Convenção de Berlim que os direitos históricos estariam radicados na ocupação efectiva do território.

Devido à contestação inglesa quanto aos direitos portugueses sobre aquela região interior, gerou-se um conflito entre as duas nações que culminou no Ultimato de 1890.

A Portuguesa - Hino Nacional Português

Alfredo Keil, pintor e compositor português, natural de Lisboa, filho de pai alemão e mãe portuguesa. Foi ainda poeta, arqueólogo e coleccionador de arte. Estudou em Munique e Nuremberga, onde recebeu aprendeu desenho com o pintor Von Kremling e música comKaulbach. Em 1870, já regressado a Lisboa, tornou-se discípulo de Miguel Ângelo Lupi.

Progressivamente, foi afirmando a sua carreira, assumindo-se como figura marginal, tendencialmente ligado a valores intimistas e à expressão tardo-romântica. Dedicou-se a pintar cenas urbanas de Lisboa, com apurada minúcia de miniaturista, na tradição da pintura alemã. Para além das suas paisagens melancólicas, dedicou-se também à pintura de interiores e cenas do quotidiano. 


Foi um caso único na sua geração de artistas, mantendo uma tendência romântica em plena época de naturalismo. Deixou uma vasta obra que ascende a mais de 2000 quadros, alguns dos quais premiados (Sesta, Meditação e Melancolia, entre outros). Encontra-se representado no Museu de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.

Para além de pintor, assumiu-se como compositor, estreando-se em 1883, com a ópera cómica Susana. Mais tarde, compôs a cantata Pátria (1885), o poema sinfónico Uma Caçada na Corte (1885), a cantata As Orientais (1886), as óperas D. Branca (1888), Irene (1893) e aquela que é considerada a sua obra-prima Serrana (1899), a primeira ópera de temática nacional e popular apresentada no país. 

Em 1890, aquando do ultimato britânico relativamente à partilha de África, Keilcompôs a música de A Portuguesa, um canto patriótico para o qual Henrique Lopes de Mendonça criou os versos e que se tornaria muito popular. Em 1911, a Assembleia Nacional Constituinte adoptou-o como o hino nacional.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Milagre de Fátima - 1917


Aparições de Fátima - 96 anos ( 1917 - 2013 )

O Aparecimento de Nossa Senhora Desde 13 de Maio de 1917 que se formara o sentimento popular de que Nossa Senhora de Fátima, depois da festividade da Ascensão, aparecera a três jovens pastores - Francisco, Jacinta e Lúcia - em cima de uma azinheira no lugar da Cova Iria, perto de Fátima. Numa linguagem serena, ter-lhes-ia anunciado uma nova aparição para ajudar a remir os pecados do mundo. 

Logo se espalhou a boa nova, com a promessa de que no dia 13 de Outubro o Sol haveria de dar testemunho da presença miraculosa. Surgindo como um farol de esperança num tempo de inquietação colectiva, as aparições de Fátima consolidavam a força de transcendência em muitas almas sofredoras e muitos corações aflitos. ( Ilustração Portuguesa, do jornalista Avelino de Almeida). 

A nossa participação na Grande Guerra não contribuiu pouco para avolumar a força do mistério nos meios populares.

Assim juntaram-se na charneca de Fátima, no dia 13 de Outubro, algumas centenas de pessoas ( cerca de 70.000 segundo a Britannica ) para tentar uma visão consciente do fenómeno sobrenatural que cinco meses antes se dizia ter ocorrido naquelas paragens. Gente da mais variada origem e meios de vida, de feição abastada ou humilde, chegando de automóvel ou tendo feito longo percurso a pé. Avelino de Almeida, que era um jornalista conceituado, mas totalmente insuspeito de convencionalismo, deixou a seguinte notícia da cena que lhe coube observar:

E quando já não imaginava que via alguma coisa mais impressionante do que essa numerosa mas pacifica multidão (...) que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima ?

Povo observando o milagre do Sol

A chuva, à hora pronunciada, deixou de cair; a densa nuvem rompeu-se e o astro-rei -- disco de prata fosca -- em pleno zénite apareceu e começou dançando num bailado violento e convulso, que grande número de pessoas imaginava ser uma densa serpentina, tão belas e rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfície solar (...) 

Ainda que as autoridades eclesiásticas não quisessem pronunciar-se sobre o fenómeno, (o então Bispo de Leiria era D. José Alves Correia da Silva, que esteve preso dois anos em condições tais, que o deixaram quase incapaz até à sua morte), a notícia de O Século causou uma profunda impressão no Povo, que logo se estendeu de norte a sul do País. O articulista do Século continuava:

« Milagre, como gritava o Povo; fenómeno natural, como dizem os sábios? Não curo agora 
de sabê-lo, mas apenas de afirmar o que vi...O resto é com a Ciência e com a Igreja.»

Por escrever este artigo, Avelino de Almeida foi despedido do Século ! Ao ter conhecimento do facto, o Dr. Manuel Alegre, governador civil de Santarém, enviou uma força da Guarda Nacional republicana a policiar o local, mas um grupo de antigos carbonários foi à Cova da Iria proceder ao corte da azinheira, que depois circulou nas ruas daquela cidade, num cortejo triunfalista em que se ouviam"morras" à Igreja e "vivas" à República. 

Mais tarde, em 1921 dinamitaram a capelinha das aparições, que foi depois reconstruída no mesmo local.

Capelinha das Aparições
O relato que aqui se deixa não tem outro fim que o de integrar um facto de sentimento colectivo na história do tempo, porque seria impossível negar ou esconder o que as aparições de Fátima representaram na história portuguesa de 1917, e para a história do Mundo Católico a partir dessa data.

O desencanto que muitos estratos da população sentiam com as incertezas da vida política contribuiu para avolumar o acontecimento, que passou de imediato da esfera religiosa para a social. 

Para muitas almas inquietas, o episódio de Fátima tornou-se a voz da redenção oferecida aos que lutam e sofrem, como luz anunciadora de um futuro melhor. As paróquias e igrejas de Nossa Senhora de Fátima, são inúmeras por todos os continentes da Terra, tornando esta difusão de Fé, como o mais palpável e importante Milagre de Fátima !

Primeira Aparição

Na primavera de 1916, Lúcia dos Santos de 9 anos com seus priminhos Jacinta e Francisco Marto de 6 e 8 anos, estavam no pasto com suas ovelhas na gruta do outeiro do Cabeço, perto de Aljustrel, freguesia de Fátima, região de pedras, entre plantinhas e oliveiras e grutas. Enquanto brincavam, de improviso os envolveu uma luz branca e um vento forte sacudiu as árvores. No meio daquela luz a figura de um jovem apareceu, que se apresentou dizendo: "Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo".

Ajoelhando-se na terra, abaixou a cabeça até tocar o solo e fez as crianças repetirem com ele três vezes: " Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram e Vos não amam". 

Depois ergueu-se dizendo: "Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súpl

Segunda Aparição

Ocorreu no verão, quando os pastorezinhos brincavam junto ao poço da casa de Lúcia. O Anjo se dirigiu a eles com estas palavras: " Que fazeis? Orai! Orai Muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios". 

As crianças perguntaram: "Como nos havemos de sacrificar?". O Anjo respondeu: "De tudo que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar".

A partir deste momento os pastorezinhos começaram a oferecer ao Senhor tudo aquilo em que podiam mortificar-se.

Fátima - Recinto do Santuário

Terceira Aparição

Ocorreu no Outono de 1916 no Cabeço. As crianças tinham começado as orações quando apareceu uma luz e viram o Anjo que trazia na mão esquerda um cálice e suspensa sobre ele uma Hóstia, da qual caíam dentro do cálice algumas gotas de sangue.

Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra junto deles e repetiu três vezes a oração: "Santíssima Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores".

Depois, levantando-se, deu a Hóstia a Lúcia e o que continha o cálice deu-o a beber a Jacinta e a Francisco, dizendo ao mesmo tempo: "Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus".

Quarta Aparição

Em Agosto as crianças foram impedidas pelas autoridades civis anti-eclesiásticas de irem ao encontro do dia 13, onde estava reunida uma enorme multidão. As crianças por dois dias foram fechadas e ameaçadas de torturas para que desmentissem, mas não cederam; estavam prontas para oferecerem suas vidas para não trair as promessas feitas a Nossa Senhora. Então foram libertadas.

Em 19 de Agosto, enquanto pastorejavam o rebanho num lugar chamado Valinhos, viram a Senhora sobre uma azinheira. "O que queres de mim?", disse Lúcia. "Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13 e que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês farei o milagre para que todos acreditem". Depois, com um aspecto mais triste disse: "Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".


Interior da Basílica
Quinta Aparição

Em 13 de Setembro cerca de 30.000 pessoas os acompanharam à Cova da Iria e ali recitaram o Rosário; pouco depois apareceu a Senhora sobre a azinheira. "Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo e São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda, trazei-a só durante o dia".

"Não quero mais nada". Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora fê-las reflectir no sol, e enquanto Se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projectar-se no sol. Lúcia nesse momento exclamou: "Olhem para o sol!". Então aconteceu o sinal prometido, o sol extraordinariamente brilhante, mas não a ponto de cegar.

O sol começou a girar sobre si mesmo, projectando em todas as direcções feixes de luz de todas as cores que reflectiam-se e coloravam as nuvens, o céu, as árvores, a multidão. Parou por certo tempo e depois recomeçou, como antes, girando sobre si mesmo. De repente parecia que se destacava do céu para precipitar-se sobre a multidão que assistia aterrorizada, caia de joelhos e invocava misericórdia.

No entanto as crianças viram ao lado do sol Nossa Senhora vestida de branco com o manto azul e São José com o Menino que abençoava o mundo. Depois desta visão, viram O Senhor que abençoava o mundo, com Nossa Senhora das Dores a seu lado. Desaparecida esta visão, viram Nossa Senhora do Carmo. Terminado o milagre as pessoas se deram conta de terem tido suas roupas completamente secadas. 

Visitas Papais a Fátima

Em 1956 - O Cardeal Roncalli, Patriarca de Veneza, futuro Papa João XXIII, preside à Peregrinação Internacional Aniversaria.


Em 1967 - O Papa Paulo VI

Desloca-se a Fátima, no cinquentenário da 1ª Aparição de Nossa Senhora,para pedir a paz no mundo e a unidade da Igreja. 

Em 1982 1ª Visita de João Paulo II 

O Papa João Paulo II vem em peregrinação a Fátima agradecer o ter escapado com vida, um ano antes, na Praça de S. Pedro, e, de joelhos, consagra a Igreja, os Homens e os Povos, com menção velada da Rússia, ao Imaculado Coração de Maria.



Em 1991  2ª Visita de João Paulo II 

O Santo Padre João Paulo II vem pela segunda vez a Fátima, como peregrino, no 10º aniversário do seu atentado na Praça de S. Pedro, no Vaticano, presidindo à Peregrinação Internacional Aniversária. 

Em 2000  3ª Visita de João Paulo II- 

13-05-2000 - Por ocasião da 3ª visita de João Paulo II a Fátima, o Santo Padre beatificou Francisco e Jacinta Marto.

Em 2005 - Falecimento da Ir. Lúcia.

Em 2010 - Visita de Bento XVI

A visita apostólica do Papa Bento XVI a Portugal decorreu no dias 11 a 14 de Maio de 2010. Os propósitos principais desta visita papal são a celebração do 10.º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta Marto e Francisco Marto, videntes de Fátima, e o contacto com as dioceses de Lisboa, Leiria-Fátima e Porto.

O Papa Bento XVI chegou ao Aeroporto da Portela, em Lisboa, na manhã do dia 11 de Maio.

Após um encontro na Nunciatura apostólica com o corpo diplomático e representantes do Estado, visitou o Mosteiro dos Jerónimos e foi recebido pelo Presidente Aníbal Cavaco Silva no Palácio de Belém.

No final da audiência, o Papa saudou também os funcionários do Palácio de Belém. Ao fim da tarde, ele celebrou uma missa no Terreiro do Paço, no centro da capital portuguesa.

A Igreja da Santíssima Trindade - Fátima

A bênção da nova Igreja da Santíssima Trindade

O Cardeal Tarcisio Bertone, legado do Papa Bento XVI, abençoou e disse a primeira missa na nova Igreja da Santíssima Trindade em Fátima, no dia 12 de Outubro de 2007. É um projecto arquitectónico de referência a nível mundial, é a quarta maior igreja do Mundo, que permite lugar sentado a cerca de 9.000 fiéis. O custo da obra, incluindo os novos acessos que terão de ser construídos, foi de cerca de 80 milhões de euros, inteiramente constituídos pelas ofertas dos peregrinos que visitam o Santuário.
Características da nova Igreja

Da autoria do arquitecto grego ortodoxo Alexandros Tombazis, a nova Igreja tem duas zonas principais, uma dedicada à reconciliação e outra a nave principal, que forma um círculo de 125 metros de diâmetro, com capacidade até perto de nove mil lugares sentados. É a maior igreja de Portugal e a 4ª maior do Mundo.

Nos trabalhos de escavação foram removidos 245 mil metros cúbicos de terra, e para a obra foram colocadas mais de cinco mil estacas, a que se somam 6,2 mil toneladas de aço, 40 mil metros cúbicos de betão. Para algumas estruturas e para aumentar a sua resistência, teve que ser usado betão com cimento branco e uma nova técnica de esfriamento por azoto, aplicada pela primeira vez em Portugal.





                                Fátima - Imagens da Igreja da Santíssima Trindade Adicionar legenda

As quatro capelas menores têm capacidade para entre 140 e 400 lugares sentados a que se somam 48 confessionários, que são unidos por um grande átrio que servirá de apoio aos peregrinos. O culto do Santíssimo Sacramento será transferido para a nova Igreja bem como vários serviços menores do Santuário, até agora espalhados por vários locais.

Só em rodapés foram gastos quase sete quilómetros, enquanto que no sistema de ar condicionado as condutas e tubagens estendem-se por quase 30 quilómetros. O número de extintores espalhados atinge mais de uma centena.

Em Março de 2004, João Paulo II ofereceu uma pedra do túmulo de São Pedro que foi colocada dentro do altar da nova Igreja, numa cerimónia que marcou o início da construção propriamente dita da obra.

Uma das peças com maior impacto é a parede de fundo do altar, com mais de 500 metros quadrados, que inclui vários desenhos de inspiração ortodoxa sobre folha de ouro em relevo da autoria do esloveno Marko Ivan Rupnik.

Na obra trabalharam cerca de 3.300 pessoas, que deverão ter o seu nome gravado num monumento a colocar na basílica. As cerimónias de inauguração da Igreja da Santíssima Trindade demoraram cerca de três horas. Entre os muitos convidados, contam-se o Presidente da República, Cavaco Silva, e o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama e o ministro da Presidência em representação do primeiro ministro.

Homília do Cardeal Tarcisio Bertone
Num comentário " muito laicista" diz o DN: «O cardeal Tarcisio Bertone aproveitou o 90.º aniversário das aparições de Fátima para apelar à "rebelião" dos cristãos. E denunciou "a negação de todo e qualquer valor real" em nome da sociedade aberta. Estas palavras do secretário de Estado do Vaticano significam que a Igreja Católica está cansada de estar à defesa e sente necessidade de reconquistar terreno.

Cardeal Tarcisio Bertone


Em Portugal, na Europa, no mundo. Após séculos como força dominante da sociedade ocidental (não esquecer que o Papa era o mais importante dos soberanos), a Igreja Católica tem perdido terreno desde a Revolução Francesa, à medida que as sociedades se tornam modernas(sic) e, sobretudo, laicas.

É legítima a preocupação da hierarquia católica em reconquistar a influência perdida, sendo que o Vaticano parece mais preocupado com os "senhores deste tempo" (intelectuais, políticos, empresários, cientistas) do que com as práticas laicas oficiais dos Estados. 

Mas a legitimidade dessa preocupação não significa que a sociedade em geral tenha de aceitar automaticamente como natural a influência que a Igreja ambiciona reconquistar.»





Site da Bíblia Católica

domingo, 19 de maio de 2013

A Revolução de 28 de Maio de 1926


A Revolução de 28 de Maio

A Revolução de 28 de Maio de 1926, Golpe de 28 de Maio de 1926 ou Movimento do 28 de Maio, também conhecido pelos seu herdeiros do Estado Novo
por Revolução Nacional, foi um pronunciamento militar de cariz nacionalista e anti-parlamentar que pôs termo à Primeira República Portuguesa, levando à implantação da auto-denominada , em Estado Novo, regime que se manteve no poder em Portugal até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974.

A revolução começou em Braga, comandada pelo general Gomes da Costa, sendo seguida de imediato em outras cidades como Porto, Lisboa, Évora, Coimbra e Santarém. Consumado o triunfo do movimento, a 6 de Junho de 1926, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, o Marechal Gomes da Costa desfila à frente de 15 mil homens, sendo aclamado pelo povo da capital.


Os antecedentes

Implantada a 5 de Outubrode 1910, a Primeira República Portuguesa cedo deu sinais de instabilidade e de progressiva degradação das suas instituições. Para além das aventuras sidonistas, eram constantes os rumores e as ameaças de golpe.

Nos primeiros anos da década de 1920, terminada a Grande Guerra, a instabilidade cresceu: para além dos governos se sucederem a um ritmo alucinante (foram 23 os ministérios entre 1920 e 1926), os atentados bombistas e a forte actividade anarco-sindicalista criavam no país um clima pré-insurreccional que fazia adivinhar um fim próximo para o regime.

O princípio desse fim anunciado ocorreu a 19 de Outubrode 1921, apenas 11 anos após a implantação da República, quando, na sequência da demissão do governo presidido por Liberato Damião Ribeiro Pinto, o protector da Guarda Nacional Republicana, então a guarda pretoriana do regime, e a sua posterior condenação a um ano de detenção (confirmada 10 de Setembro de 1921 pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército), um conjunto de militares ligados àquela força policial, a que se juntaram militares do e da Armada, se sublevou.

A Noite Sangrenta

A sublevação desembocou na chamada Noite Sangrenta, o assassinato por um grupo de marinheiros e arsenalistas sublevados de algumas das principais figuras da República. O coronel Manuel Maria Coelho era o chefe da sublevação. Acompanhavam-no Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, oficiais da Guarda Nacional Republicana, e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas.

Sem possibilidade de resistência, o governo presidido por António Granjoapresentou a sua demissão a António José de Almeida, tendo Granjo procurado refúgio em casa de Francisco Pinto da Cunha Leal, o líder do ala esquerda do republicanismo e próximo da liderança do movimento revolucionário.

Descoberto, foi levado ao Arsenal da Marinha, o centro revolucionário, e abatido a tiro. O mesmo aconteceu a diversas outras figuras gradas da política republicana, incluindo o almirante Machado Santos, o comandante José Carlos da Maia e o coronel Botelho de Vasconcelos, todos raptados por uma camioneta fantasma que percorreu Lisboa naquela noite.

A somar aos efeitos políticos e sociais da Noite Sangrenta, ao longo dos anos de1924 e 1925 a crise agudiza-se, com um crescendo do sentimento de insegurança e da instabilidade política. Os atentados bombistas sucedem-se, com ataques que por vezes são semanais. A carestia de vida, afectando essencialmente o operariado, fortemente mobilizado pelas correntes anarco-sindicalistas, provoca manifestações, como a de 22 de Fevereiro de 1924, que frequentemente descambam em violência e confrontos, como os ocorridos nos Olivais, Lisboa, a 28 de Maio daquele ano.

Entre os militares vive-se um crescendo de sublevações e de indisciplina. Bem exemplificativo deste ambiente é a revolta da aviação: os militares aviadores aquartelados na Amadora sublevam-se na noite de 3 para 4 de Junho de 1924, depois da demissão do respectivo comandante. São cercados por tropas de Queluz, mas só no dia 7aceitam render-se, graças à acção do general Bernardo Faria que entra no campo, desarmado e acompanhado por oficiais de várias unidades militares.

A revolta de 18 de Abril de 1925

Considerado o primeiro ensaio do 28 de Maiode 1926, depois de boatos de uma tentativa de revolta monárquica a 5 de Março, no dia 18 de Abril de 1925, dá-se nova revolta militar, desta feita de grande magnitude e envolvendo, pela primeira vez desde 1870, oficiais generais no activo.

A revolta, que teve o apoio da Cruzada Nun’Álvares, era de carácter nacionalista e assumiu claras semelhanças com o golpe de Primo de Rivera em Espanha. Envolveu pelo menos 61 oficiais, tendo, entre os líderes militares Sinel de Cordes, Gomes da Costa, Raul Augusto Esteves e , Carlos Malheiro Dias, José Adriano Pequito Rebelo e Martinho Nobre de Melo.

Seguindo um plano operacional que já se podia considerar clássico, pelas 17 horas do dia 18 de Abril
, os revoltosos ocupam a Rotunda, com o batalhão de metralhadoras, o batalhão de sapadores de caminhos-de-ferro e a artilharia de Queluz. No dia seguinte Sinel de Cordes vai ao Quartel do Carmo tentar a conciliação. Entretanto os jornais O Século e o Diário de Notícias são suspensos e Cunha Leal, que não teria qualquer ligação com o episódio, é preso.

Para o jugular do golpe teve especial destaque a acção do Ministro da Marinha, o almirante Pereira da Silva. Dominado o golpe e, pelo menos momentaneamente, restaurada a legitimidade democrática, a 21 de Abril é exonerado o Ministro da Guerra Ernesto Maria Vieira da Rocha, que defendera que se parlamentasse com os revoltosos.

A partir deste momento a situação precipita-se e logo a 19 de Julho dá-se nova revolta, desta vez tendo à frente o comandante José Mendes Cabeçadase Jaime Baptista. É decretado o estado de sítio, mas Jaime Baptista, que estava detido no Forte de São Julião da Barra, consegue evadir-se e assalta o Forte do Bom Sucesso, enquanto Mendes Cabeçadas revoltava o cruzador Vasco da Gama.

A muito custo a revolta é dominada por forças fiéis ao governo, comandadas por Agatão Lança, resultando um único ferido em combate (o capitão Armando Pinto Correia), sendo os implicados presos e julgados, mas rapidamente libertados e reintegrados, tal era a falta de autoridade das instituições da República.

Os momentos finais da Primeira República

Ainda decorriam as investigações e julgamentos das tentativas anteriores e já ocorriam novas ondas de boatos e movimentações. Era claro que Gomes da Costa e Mendes Cabeçadas não desistiam e um golpe vencedor estava para breve. Com a generalidade dos militares, e a maior parte da classe política, inconformados com a situação política de descrédito e ruína nacional, conspirava-se febrilmente, com Gomes da Costa aliciando altas patentes do Exército para aquilo que considerava a necessária arrancada patriótica que restaurasse o orgulho nacional.

Quando António Maria da Silva, a 18 de Dezembro de 1925, toma posse como Presidente do Conselho do 23.º governo desde 1920, era claro que a Primeira República vivia os seus últimos dias, já que todos os sectores de opinião, incluindo os velhos republicanos e os democratas e socialistas, aspiravam por estabilidade e segurança.

Esse sentimento era agudizado pelo reconhecimento que, um pouco por toda a Europa, as forças pró-ordem pública cresciam e na vizinha Espanha a ditadura de Miguel Primo de Rivera, depois da vitória de Alhucemas e da criação do Directório Civil, parecia ter êxito crescente, servindo de exemplo para a ansiada regeneração nacional.

As tentativas de golpe militar sucedem-se, e logo a 1 de Fevereirode 1926, em Almada, nova tentativa, agora encabeçada por Martins Júnior e e pelo antigo Ministro da Instrução Pública Manuel de Lacerda de Almeida. Os convites a Gomes da Costa para encabeçar a regeneração nacional já vinham do princípio do ano anterior e adivinha-se a sua presença crescente nas movimentações. Crescia o desejo de que ele fosse, finalmente, o chefe ansiado.

O MOVIMENTO DO 28 de MAIO

O golpe de estado de iniciou-se como mais um levantamento, dos muitos que já tinham surgido no seio da Primeira República Portuguesa, coincidindo com um momento crítico para o governo presidido por António Maria da Silva
.

Afonso Costa
Embaraçado pela crónica má gestão do monopólio dos tabacos, um problema que já afligia os governos portugueses desde a fase final da monarquia constitucional, o governo decidira a 25 de Maio deixar de representar-se na Câmara dos Deputados, cortando os últimos laços com a legitimidade parlamentar. Como afirma um observador da política da época: o governo, inegavelmente, saía mal ferido da contenda, porque diminuído no seu prestígio. Mas o parlamento dir-se-ia quisera suicidar-se.

No ambiente de frenética intriga política que se vivia, os boatos de golpe desde há muito que corriam, sendo seguro que existiam múltiplos convites ao general Gomes da Costapara este dirigir um golpe, como sempre regenerador, que salvasse a Pátria.

Como entretanto em Bragase preparava para o dia 28 de Maio um Congresso Mariano, que congregaria naquela cidade as principais figuras do conservadorismo católico, entre as quais Cunha Leal, quando se soube que Gomes da Costa tinha para ali partido, ficou claro que o golpe estava eminente e que o seu epicentro seria naquela cidade.

Preparando o terreno, Cunha Leallogo no dia 27 organiza em Braga um almoço com apoiantes e discursa no Bom Jesus, criticando severamente o Partido Democrático que acusa de outrora ser obediente à ameaça do chicote de nove rabos do Dr. Afonso Costa, mas que então já nem sequer tinha um chefe e é um instituto tresmalhado. Quanto ao que restava do campo nacionalista, afirma que nem toda a mole ambição do sr. Ginestal Machado, nem todas as intrigas do sr. Pedro Pita, nem todo o maquiavelismo do sr. Tamagnini Barbosa são susceptíveis de inspirar confiança à nação, sendo um mero organismo parasitário. É neste dia, depois deste discursos inflamado, que chega à cidade, pelas 22:00 horas, o general Gomes da Costa, vindo expressamente para assumir o comando do golpe.

Conforme havia sido acordado, logo no dia imediato, 28 de Maiode 1926, pelas 6:00 da madrugada, inicia-se a sublevação militar, com acompanhamento e apoio civil, incluindo do operariado da região, organizando-se uma coluna que parte sobre Lisboa. Coincidência, ou talvez não, na organização e na forma de mobilização há muitos traços comuns com a marcha sobre Roma, que a 28 de Outubro de 1922, pouco mais de três anos antes, levara à institucionalização do fascismo em Itália.

Seguindo o tradicional modelo do golpismo militar português, a partir de um pronunciamento na periferia, neste caso em Braga, o movimento repercute-se por todo o país com um grande número de unidades militares a proclamar logo nesse dia e ainda maior número no dia seguinte,29 de Maio
, a sua adesão ao golpe. Em Lisboa, verdadeiro alvo do movimento, uma Junta de Salvação Pública lança um manifesto que Mendes Cabeçadas se apressa a entregar a Bernardino Machado, o cada vez mais isolado Presidente da República.

Logo a 29 de Maio, a guarnição de Lisboa adere em massa ao golpe de Gomes da Costa, já sob a liderança de Mendes Cabeçadas, que com Armando Humberto da Gama Ochoa, Jaime Baptista e Carlos Vilhena formam a revolucionária Junta de Salvação Pública. Nesse mesmo dia os sublevados obtêm o apoio de Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, o temido comandante da polícia da capital. Nessa tarde, isolado e sem meios ou vontade de resistência, o governo de António Maria da Silva apresenta a sua demissão a Bernardino Machado.

Consumada a demissão do governo, a 30 de Maio Bernardino Machado convida Mendes Cabeçadas a formar governo. Este aceita e assume as funções de presidente do Ministério, acumulando interinamente todas as outras pastas. Igualmente nesse dia, Francisco Joaquim Ferreira do Amaral é nomeado governador civil de Lisboa, consolidando a tomada efectiva do poder na capital. Perante a estabilidade conseguida e ultrapassado o risco de confrontos, Gomes da Costa dá ordem a todas as forças militares golpistas disponíveis para avançarem sobre Lisboa. Estava concluída a fase militar do pronunciamento.
A vertente civil prosseguiu com igual celeridade: nomeado o governo, a 31 de Maio Mendes Cabeçadas manda expedir, significativamente através da secretaria do Ministério da Guerra, a ordem para se encerrar o resigna, entregando a chefia do Estado a Mendes Cabeçadas. 

Nesse mesmo dia, numa declaração que retrata bem o espírito que se instalara em Lisboa, o major Ribeiro de Carvalho, apelava na imprensa a que se repetisse o modelo da Regeneração de 1851, com uma política ampla e de generosa conciliação nacional, ao mesmo tempo que salientava que a vitória da revolução é, antes de mais nada, um triunfo da opinião pública. Os revoltosos venceram porque ninguém estava disposto a sacrificar-se por um governo que não traduzia os votos da nação.

Aparentando não ter um projecto claro de tomada do poder, o general Gomes da Costa, ainda em Coimbra na sua marcha sobre Lisboa, anuncia a 1 de Junhoa formação de um triunvirato por si presidido, incluindo Mendes Cabeçadas e Armando Humberto da Gama Ochoa. Contudo, numa primeira cisão, Gama Ochoa retira-se, recusando a solução.

Entretanto, de vulgar golpe militar, o movimento iniciado a 28 de Maiotinha-se transformado numa vastíssima coligação mestiça de republicanos conservadores, monárquicos e nacionalistas revolucionários com um núcleo de jovens oficiais, apoiado e aceite por todos os sectores sociais e pela esmagadora maioria dos portugueses. A 3 de Junho as tropas de Gomes da Costa chegaram a Sacavém de comboio e entraram em Lisboa sem sabotagens, nem resistência. Gomes da Costa prefere aguardar a formação de governo estável e a preparação de uma marcha triunfal antes de entrar em Lisboa e dirige-se para a Amadora, onde permanece com o seu estado-maior.

Entretanto, nesse mesmo dia 3 de Junho, em Lisboa Mendes Cabeçadas organiza o novo governo, entregando a Gomes da Costa as pastas da Guerra e interino da Marinha e Colónias.


Para as Finanças escolhe António de Oliveira Salazar, para a Instrução Pública, Joaquim Mendes dos Remédios, para a Agricultura, Ezequiel Pereira de Campos e para a Justiça, Manuel Rodrigues Júnior. Três dos ministros escolhidos (Mendes dos Remédios, Manuel Rodrigues e Oliveira Salazar) são professores da Universidade de Coimbra, tendo por isso ficado jocosamente conhecidos pela Tuna de Coimbra.

Mas a incerteza é grande, estando cada vez mais clara que a solução bicéfala Gomes da Costa-Mendes Cabeçadas é insustentável. Daí que os ministros da Tuna de Coimbra decidam, a 4 de Junho, fazer uma primeira paragem na Amadora, onde permanece Gomes da Costa, para conhecerem a real intenção do novo poder. Desse encontro resulta que Mendes dos Remédios e Manuel Rodrigues prosseguem para Lisboa e tomam posse, mas Oliveira Salazar, mais timorato, volta para Coimbra no dia seguinte.

Preparado cenário, o general Gomes da Costa toma posse das pastas para que fora nomeado e comanda um impressionante desfile militar de vitória ao longo da Avenida da Liberdade. Desfilam 15 000 homens perante o aplauso de centenas de milhar de pessoas. Está terminada a marcha sobre Lisboa e o novo poder está completo nas suas vertentes militar e civil.

A estabilização no poder e as lutas internas

As consequências da estrutura bicéfala do poder e excessiva abrangência da coligação mestiça não permitiam uma agenda comum. O governo presidido por Mendes Cabeçadas, que era simultaneamente o chefe de Estado, já que fora nele que resignara Bernardino Machado, não era compatível com a liderança real, ou pelo menos esperada, do general Gomes da Costa, o herói do 28 de Maio e o comandante da Parada da Vitória que tinha percorrido a Avenida da República a 7 de Junho. Daí que as tensões e as lutas fratricidas entre os novos senhores do poder não se fizessem esperar.

Desde logo Mendes Cabeçadas, revolucionário de uma linha moderada, julgava ainda ser possível constituir um governo que não pusesse em causa o regime constitucional, mas apenas livrasse Portugal da nefasta influência do Partido Democrático. No entanto, os demais líderes do movimento, entre os quais Gomes da Costa e Óscar Carmona, julgavam-no como sendo incapaz de liderar a desejada regeneração e, no fundo, o último vestígio do regime constitucional da Primeira República.

Foi assim que após uma reunião dos revoltosos no seu quartel-general em Sacavém, realizada a 17 de Junho de 1926, o comandante Mendes Cabeçadas foi forçado a renunciar às funções de Presidente da República e de Presidente do Ministérios a favor do general Gomes da Costa. Era um golpe palaciano que punha fim à bicefalia do novo regime e dava novo passo em direcção à direita conservadora, afastando-o mais da herança parlamentar o regime anterior. Mendes Cabeçadas parte para o exílio.

Nesse mesmo dia 17 de JunhoGomes da Costa toma posse como Chefe de Estado e como Presidente do Ministério, assumindo interinamente todas as pastas. Estas solução leva a que logo a 19 de Junho seja formado um novo Ministério, presidido por Gomes da Costa, tendo como ministros no Interior, António Claro, nas Finanças, Filomeno da Câmara de Melo Cabral, na Marinha e Colónias, Gama Ochoa, na Instrução Pública, Artur Ricardo Jorge, na Justiça, Manuel Rodrigues Júnior e nos Negócios Estrangeiros, António Óscar de Fragoso Carmona.

Apesar da constituição de novo governo e do afastamento de Mendes Cabeçadas, a instabilidade cresce e logo a 6 de Julhodá-se uma remodelação do gabinete, com Gomes da Costa a assumir a pasta do Interior, Martinho Nobre de Melo a dos Negócios Estrangeiros, e, por apenas algumas horas, João de Almeida na Marinha e Colónias. A remodelação falha e cria-se um corrupio de nomeações e demissões que leva algumas horas mais tarde, a nova recomposição, com a substituição de António Claro, Óscar Carmona e Gama Ochoa, logo substituídos por Gomes da Costa, Martinho Nobre de Melo e João de Almeida.

Esta trapalhada governativa leva a que os ministros não atingidos pela recomposição, à excepção de Filomeno da Câmara, se declarem solidários com os restantes e o governo efectivamente colapsa. As forças mais conservadoras, agora lideradas por Óscar Carmona, assumem a liderança e a 8 de Julho
o general Gomes da Costa é feito prisioneiro no Palácio de Belém, sendo posteriormente transferido para Caxias e Cascais, onde aguarda, sob prisão, a sua deportação para Angra do Heroísmo, nos Açores. A revolução acabava de destruir o seu principal obreiro e criador.

A 9 de Julho é a vez de António Óscar Fragoso Carmona formar governo, no qual acumula a Presidênc

ia do Conselho com a pasta da Guerra. Pouco mais de um mês depois da revolta, o 28 de Maio encontra finalmente uma linha de força no grupo conservador e nacionalista liderado por Óscar Carmona. A coligação mestiça entra num processo de rápida perda de abrangência e começam a predominar os que sonham imitar a experiência de Primo de Rivera e o fascismo de Mussolini. 


Apesar disso, tudo ainda era possível: desde um regresso mais ou menos musculado à ordem republicana até à própria instauração de um novo regime, já que o regime ainda se resumia a uma ditadura militar periclitante, à mercê de todas as conspirações e golpes.


A primeira intentona dá-se a 11 de Julho, a partir de Chaves, com a sublevação do capitão Alfredo Chaves, a qual foi prontamente jugulada. No mesmo dia, Gomes da Costa parte para o exílio em Angra do Heroísmo. Fechava-se o ciclo, e o a partir daí o regime caminharia inevitavelmente para a direita, para a censura e para a progressiva supressão das liberdades cívicas que ainda sobreviviam. Os democratas e a esquerda radical ficavam reduzidos ao reviralho e aí permaneceriam até 1974.

O Reviralho

Ficou conhecido como Reviralho, ou Reviralhismo, o conjunto de movimentos resultantes directa e indirectamente da acção política desenvolvida pela oposição republicana, democrática e liberal, entre os anos de 1926 e 1940.

Neste período, mas mais fortemente entre 1926 e 1931, enquanto o ímpeto insurreccional da década anterior não se esbatia e a ditadura não ganhava raízes, o Reviralhismoconstituiu-se como a mais importante frente de combate à Ditadura Nacional e, depois de 1933, ao nascente Estado Novo.

Depois de 1931, o reviralhismo foi perdendo força, acabando por desaparecer a partir de 1940, em parte devido à consolidação do Estado Novo e em parte devido ao ambiente social e político criado pela Guerra Civil de Espanha e pelo advento da Segunda Guerra Mundial, o qual desaconselhava aventuras insurreccionais. Outro forte contributo para o termo do reviralhismo resultou do repatriamento, em 1939 e 1940, dos principais líderes reviralhistas, em particular dos que se haviam fixado em Paris e que agora eram obrigados a capitular e regressar a Portugal face ao alastrar da guerra na Europa.

Com o fim do reviralhismo entrou-se num longo período de estabilidade político-institucional que apenas seria quebrado pelos acontecimentos que levaram ao 25 de Abril de 1974
.
Da Ditadura Nacional ao Estado Novo

Consolidada a vitória do golpe, as forças vitoriosas, comandadas pelo general Gomes da Costa

montado no seu cavalo, desfilam a 6 de Junho de 1926 pela Avenida da Liberdade, em Lisboa. Recebem então o aplauso da esmagadora maioria do lisboetas, cansados da instabilidade e traumatizados pelos constantes golpes e contra-golpes e pelos atentados terroristas que ao longo de toda a década se tinham sucedido a um ritmo alucinante.


Era mais uma vez a recorrente regeneração nacional que se perfilhava no horizonte qual luz ao fim do túnel em que a desacreditada Primeira República Portuguesa desembocara.


Em consonância com os tempos que se viviam na Europa, o novo poder assumiu-se como anti-parlamentar, atribuindo as culpas do caos que se instalara no país à política partidária e ao jogo do parlamentarismo. Assim, assume-se como uma ditadura militar, que em pouco tempo se passou, em desafio claro ao parlamentarismo democrático, a auto-denominar a Ditadura Nacional, encarnando um regime militar progressivamente mais autoritário.

Numa das suas primeiras medidas, o general Gomes da Costa dissolveu o parlamento, instituição então muito vilipendiada e acusada de ser principal causador da instabilidade política, e suspendeu as liberdades políticas e individuais. No entanto, a nova ditadura era instável porque o movimento militar não tinha projecto político definido e não conseguiu resolver os problemas económicos.

Para resolver a situação económico-financeira, o novo regime, em 1928, convidou o professor coimbrão António de Oliveira Salazar para assumir as funções de Ministro das Finanças. Salazar passou a anunciar um milagre financeiro, com o equilíbrio das finanças públicas e estabilidade do Escudo português, ganhando um progressivo domínio sobre a estrutura política, e depois militar, do novo regime-

 Em consequência, foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros (Primeiro-Ministro), em 1932. Com esta nomeação, em linha com o crescente peso do nacionalismo e do fascismo na Europa, o regime foi-se estabilizando e ganhando um pendor cada vez mais autoritário e repressivo, organizando-se como um Estado corporativista.

Foi assim que iniciado como mais um levantamento no seio da Primeira República Portuguesa, o golpe de 29 de Maiode 1926 veio originar o Estado Novo, um sistema político autoritário, anti-moliberal e anticomunista, nacionalista e corporativista, no contexto de uma lógica formalmente republicana que era concretizada, no dizer do manifesto da União Nacional de 1930, na ideia de uma República Nacional e Corporativa.

A transição completou-se com a aprovação da Constituição de 1933
, a qual institucionalizou o Estado Novo, o herdeiro natural de Revolução Nacional, nome pelo qual o golpe de Estado do 28 de Maio de 1926 foi rebaptizado, regime que se manteria com poucas mudanças até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974.
Durante os dezasseis anos do regime parlamentar republicano, entre 1910 e 1916, Portugal teve quarenta e cinco governos. Portugal era conhecido internacionalmente pelo "pequeno México". O crescimento dos défices fiscais levou o país a uma super-inflação ( o custo de vida em 1926 era trinta vezes o de 1914 )e a uma moratória no pagamento da dívida externa.Esta foi a principal razão da revolução do 28 de Maio e à instalação posterior de Oliveira Salazar por 40 anos !

Comentário Conversão de Portugal em República - Implantação da República

(Tradução da História Universal - Pirenne)

Portugal, estado pequeno e pobre, sem indústria, nem agricultura para manter-se, não tinha saído da dependência económica da Inglaterra. Durante o reinado de Carlos I (1889-1908) esforçou-se para recuperar o seu posto colonial, o que, para dizer verdade, estava por cima das suas forças, formando o vasto projecto de unir as suas possessões de Angola e Moçambique, ao que se opuseram, em 1891 a Inglaterra e Alemanha que cobiçavam os territórios a que se apontava o dito projecto.

Naquela época, Portugal encontrava-se em difícil situação financeira. Instaurada a Constituição pela monarquia, Portugal foi incapaz de adaptar-se ao regime parlamentar e os partidos faziam impossível a vida política. Esta crise endémica trouxe a ditadura de João Franco, que cerrou as Cortes, suspendeu os Concelhos municipais, suprimiu os diários políticos e realizou reformas que deram bom resultado.

Equilibrou o orçamento, introduziu medidas sociais - descanso semanal e caixa de invalidez - e a execução de obras importantes. Mas Franco tornou-se impopular e isso trouxe como consequência o assassinato de Carlos I (1908). Manuel II (1908-1910), que lhe sucedeu, voltou ao regime constitucional, mas a importância dos partidos, deu lugar ao golpe de estado militar que derrubou o rei.

Teófilo Braga, decretou a separação da Igreja do Estado, fez obrigatório o ensino laico, instaurou o recrutamento por quintas, reformou a moeda nacional e proclamou o direito à greve. Em 1911, uma Assembleia constituinte confirmou essas reformas dotando a República de uma Constituição parlamentar democrática. Depois, durante as presidências de Arriaga e de Vasconcelos, Portugal tentou converter-se num estado moderno restaurando a sua economia, construindo caminhos de ferro e criando uma frota.

Porém, ainda que com esta nova fachada republicana, o país seguia paralisado pelas lutas de partidos e politicamente continuava a depender de Inglaterra.


Rússia e a Revolução de 1917


HISTÓRIA DA RÚSSIA - PERÍODO ANTIGO

Informação retirada do site da Embaixada Russa no Brasil

O território da Rússia atual passou a ser povoado pelo homem pré-histórico há cerca de 900 mil anos, quando veio o clima frio da Ártica. O gelo com a expessura de mais de 1000 m invadiu o Norte da Europa e quase cobriu os Montes Urais.

Os homens primitivos sobreviveram ao período glaciário e também avançaram no seu desenvolvimento. Quando o gelo recuou para além do círculo polar, estabeleceu-se o clima favorável para lavoura e criação de gado. Os homens colheram sereais com foices de cilício, as mulheres fiaram linho e lã.


Nos séculos IX- VIII a.C. os pré-eslavos, defendendo-se das tribos nômades guerreiras, ergueram fortalezas de madeira e dominaram a arte de fazer armas de ferro.

Naquele tempo remoto surgiram as primeiras lendas sobre os "bogatyrs"- ferreiros (herois épicos russos), que venceram os dragões. Dragão que devorava as pessoas simbolizava, em contos de fadas russas, as incursões das tribos das estepes que resultavam em incêndios, pilhagem e cativeiro.

Fundação de Moscovo

No início do século XII "Kievskaia Rus'' dividiu-se em mais de uma dúzia de principados. Uma região no Nordeste russo entre os rios Volga e Oka, celebre pelas suas terras férteis e bem protegida pelos bosques dos assaltos das tribos nómadas, foi governada pelo príncipe Iuri Dolgoruki (Iuri-de-mãos-longas).

Príncipe Iuri Dolgoruki 

Ele construiu várias cidades e fez alianças com os vizinhos. Em 1147 ele convidou seus vizinhos para uma aldeia fronteiriça, "Moscovo", onde eles celebraram a vitória sobre os inimigos. Esta data ficou sendo considerada como a data da fundação de Moscovo. Em 1156 em Moscovo foi construída a primeira fortaleza de madeira, que virou depois uma das maravilhas do mundo - o Kremlin de Moscovo.

Em 1237 a Rússia foi invadida pelas tribos dos tártaros mongóis. Esmagando a forte resistência das cidades separadas russas as hordas de mongóis avançaram para o interior do país destruindo tudo o que foi construído durante os séculos de trabalho.

O jugo tártaro durou cerca de 250 anos, dominando a vida política e cultural russa. A vitória dos russos unidos, chefiados pelo Príncipe Dmitri Donskoi, sobre as tropas tártaras, em 1380, foi o marco crucial para o fim do jugo. Mais de dois séculos foram necessários para reerguer a Rússia das cinzas.

Renascimento russo

A partir da segunda metade do século XIV começa a renascimento russo. Começou a reconstrução do Kremlin, que deveria expressar as ideias da união e da potencia do Estado russo. Em 1471 começou a se erguer uma nova catedral, "Uspenski". Sua arquitectura acumulou as velhas tradições russas e as técnicas da arquitectura italiana da época renascentista. As maciças cúpulas de ouro fizeram lembrar a potência e união das terras russas. Perto daquela catedral cresceram as outras: Blagovechenski, Arkhanguelski e outros. Uma das maravilhas do mundo é a Catedral Pokrovski (Pokrov - Festa do Manto da Virgem), erguido na Praça Vermelha pelos mestres Barma e Postnik. A catedral é constituída de 9 igrejas ímpares, reunidas em torno de um pavilhão.

A época do Pedro O Grande

A Rússia tradicionalmente introvertida e auto-suficiente deu passo gigante nas áreas económica, política, da política exterior, social e cultural, bem como nas reformas radicais do seu exército, na época do Pedro O Grande.

Até o final do século XVII a Rússia não tinha nem frota mercante, nem Marinha. Estava isolada dos mares Negro e Báltico, o que dificultava o seu relacionamento com a Europa. Em 1672 Pedro I subiu ao trono de czar da Rússia. Foi ele quem desempenhou um dos mais importantes papéis na história russa. Pedro I foi o primeiro a entender a importância da Marinha e mandou várias delegações russas para aprenderem a arte de navegar nos mares da Europa. Ele foi o fundador das tropas regulares, sofisticou sua organização e logística.

Pedro o GRANDE

A vitória na Guerra do Norte (1700-1721) garantiu à Rússia o acesso ao Mar Báltico, pelo que lutou durante muitos séculos. "A janela para o Ocidente" estimulou as actividades diplomáticas e beneficiou as parcerias, principalmente com os países da Europa Ocidental. Expandindo e desenvolvendo os seus territórios em direcção Norte, ao redor do rio Volga, montes Urais e além dos Urais, na Sibéria e na costa do Oceano Pacífico a Rússia tornou-se Império.

No início do século XIX o Império Russo fez parar e fugir o exército invasor do Napoleão I, Imperador francês, fato que entrou na história russa com o nome de Guerra Patriótica de 1812.

Depois da abolição da escravatura em 1861 que existia na Rússia desde século XVI começou o desenvolvimento impetuoso da economia. Nas últimas décadas do século XIX registou-se forte crescimento de manufacturas, empresas privadas, bancos e comércio. No mesmo período as disparidades sociais alcançaram o seu auge e o descontentamento com governo foi muito generalizado.

A Guerra Mundial de 1914-1918 diminuiu o potencial da economia da Rússia até o mais baixo nível, exauriu os recursos materiais e financeiros

Kremlin de Moscovo

HISTÓRIA - PERÍODO SOCIALISTA

Em Outubro de 1917 os “bolcheviques” (quer dizer – “representantes da maioria”) do Partido Social-Democrático de Trabalhadores da Rússia chefiados por Vladimir Lenin conduziram a Rússia à Grande Revolução Socialista. O objectivo da revolução era a eliminação da injustiça social e a criação de uma sociedade que deveria evoluir para comunismo.

F
                    Família Imperial Russa, assassinada pelos bolcheviques em Julho de 1918

Juntamente com vários países vizinhos a Rússia formou, em Dezembro de 1922, aUnião das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Durante os 31 anos seguintes o país foi governado pela elite do partido de “bolcheviques” encabeçada por Joseph Stalin. Stalin com a elite bolchevique impôs o totalitarismo, usurpando todo o poder na URSS. O totalitarismo vitimou milhões de pessoas inocentes e dizimou-as em campos de trabalho e morte. A maioria dos dirigentes do Exército Vermelho, das Forças Armadas soviéticas, foi submetida a repressões, o que feriu gravemente o potencial defensivo do país. Apesar do terror político e da arbitrariedade, a industria estava-se modernizando rapidamente, aumentando o potencial bélico e o peso do país nos processos decisórios internacionais.


Em 1941 as tropas da Alemanha nazista atacaram a União Soviética. Os nazistas durante os dois primeiros anos da Segunda Guerra Mundial já tinham conquistado a maior parte da Europa. Em tempo muito curto o país recolheu todas as forças físicas e morais para rechaçar o inimigo. A valentia dos soldados, as habilidades dos generais e esforço máximo de cada cidadão contribuíram para a capitulação da Alemanha em Maio de 1945. A guerra causou 27 milhões de vítimas dos cidadãos soviéticos.

A ideia socialista atingiu o seu topo nos anos 60, começando depois o declínio, a estagnação e a crise. A economia dirigida pela burocracia comunista permaneceu em banho-maria graças às injecções de capitais provenientes das exportações de recursos minerais como petróleo e gás natural. As despesas militares abalaram o orçamento estatal e influenciaram o crescimento desproporcional do ramo militar da indústria.

Muitas ideias construtivas que apareciam nos círculos económicos foram rejeitadas. Todos os aspectos da vida da sociedade inclusive a política externa, foram inseridos em apertados moldes ideológicos. Em meados dos anos 80 o país enfrentou a necessidade das reformas radicais nas áreas económica, social e política.


Michail Gorbatchev, Secretário Geral do Partido Comunista, que tornou-se o primeiro e último Presidente do URSS, começou a reformar a sociedade.

Entretanto, as reformas não foram fáceis. A economia entrou em crise, a inflação subiu, varias forças políticas saíram em confrontação, cresceu a tensão social, estouraram os conflitos étnicos.

A União Soviética mostrou a sua incapacidade de resolver esta crise global. Assim, o acordo assinado em 1991 pelos líderes das três maiores republicas soviéticas – Rússia, Ucránia e Bielorússia – declarou o final da União Soviética.

A Rússia passou a ser o Estado-continuador e a herdeira de todos activos e passivos da URSS.

HISTÓRIA - PERÍODO ACTUAL

26 de Março de 2000 foi eleito o novo Presidente da Federação da Rússia Vladimir Putin, que ganhou ainda no primeiro turno recebendo 52,9% dos votos de cerca de 65 milhões dos eleitores que participaram das eleições. Vladimir Putin tomou posse como Presidente da Federação da Rússia no dia 7 de maio de 2000.

O Governo do Presidente Vladimir Putin assumiu a responsabilidade de fortalecer as instituições democráticas e continuar as reformas estruturais da economia a fim de construir um país mais seguro, justo e atraente para residir nele. Na área económica prosseguiu o processo de privatização em diversos sectores como de comércio, bancos, telecomunicações e serviços. Foi estabelecido o controle sobre a inflação, o crescimento do PIB registou as sólidas tendências positivas, constituindo o aumento médio de 5% ao ano em 1999, 2000 e 2001 depois da crise financeira de 1998.


Aumentaram-se as exportações que levou a balança comercial favorável de 60 biliões de dólares em 2001. Melhorou-se o clima de investimentos externos, destinados também no sector produtivo, aperfeiçoou-se a base jurídica para negócios e empresariado. Em 2002 entrou em vigor a lei que permitiu a venda livre das terras agrícolas.

Em 2004 Vladimir Putin foi reeleito para o seu segundo mandato como Presidente da Federação da Rússia, recebendo cerca de 71% dos votos, o que demonstrou amplo apoio da política dele pela sociedade do país.

A Rússia tem negociado há uns anos a sua adesão à OMC que consta como uma das prioridades do governo actual. Os avanços da economia russa foram reconhecidos pela comunidade internacional: a Rússia tornou-se um membro pleno do G-8 e sediou a reunião deste foro em 2006, o país recebeu o status de economia de mercado pelos EUA, União Europeia e vários outros países.

Dentro das conquistas importantes do Governo Putin destaca-se também que foi evitada a desintegração do país e impedidos o caos e a guerra civil; começou a se formar a estrutura do verdadeiro Estado federal, com um lugar digno na comunidade internacional.

O povo russo deposita na gestão de Vladimir Putin esperança de que a economia funcione com eficiência e que o nível de vida seja mais alto e decente. As reformas sociais removeram as razões para confrontações políticas e ideológicas com os outros países, deram à Rússia a oportunidade de se unir ao sistema económico mundial e contribuir significativamente para desenvolvimento das relações vantajosas entre as nações do mundo. 


sábado, 18 de maio de 2013

Ega Moniz - O 1º prémio Nobel português


ANTÓNIO CAETANO DE ABREU FREIRE EGAS MONIZ




(N.em 29 de Nov.de 1874, Avanca, m. em 13 de Dez. de 1955, em Lisboa), Neurologista e político foi o fundador da moderna psico-cirurgia. Juntamente com Walter Hess recebeu o Prémio Nobel em 1949 para Fisiologia e Medicina, pelo desenvolvimento da leucotomia prefrontal ( lobotomia ) como terapia radical para certas psicoses ou desordens mentais.

Como primeiro professor de neurologia da Universidade de Lisboa (1911-44), Egas Moniz introduziu e desenvolveu (1927-37) a angiografia cerebral (arteriografia), um método de tornar vísivel os vasos sanguíneos do cérebro injectando na artéria carótida substâncias opacas aos raios X.

Esta técnica provou ser de valor considerável no diagnóstico das doenças intracraneais e tumores da glândula pituitária..

Egas Moniz foi também muito activo politicamente. Várias vezes deputado entre 1903 e 1917 foi embaixador de Portugal em Madrid (1917-18), e chefiou a delegação Portuguesa na Conferência de Paz em Paris (1918-19).

Deputado em várias legislaturas (1903-1917).
Ministro de Portugal em Madrid (1917).
Ministro dos Negócios Estrangeiros (1917-1918).
Primeiro Presidente da Delegação Portuguesa da Conferência da Paz em Paris (1918).
Doutor "Honoris - Causa" pela Universidade de Lyon.
Doutor "Honoris - Causa" pela Universidade de Bordéus.
Gran Cruz de Isabel a Católica de Espanha.
Gran Cruz de Instrução e Benemerência.
Gran Cruz de S.Tiago de Espada.
Comendador da União de Honra de França.
Medalha Honorífica Cruz Vermelha da Alemanha.
Grande Oficial da Ordem da Coroa de Itália.
Prémio de Oslo - 1945.