sexta-feira, 17 de maio de 2013

Guerras no Ultramar

Guerras do Ultramar

Entre 1960 e 1974 estiveram envolvidos nas guerras do ultramar, cerca de um milhão e meio de soldados portugueses. Infelizmente, as razões políticas que se opunham a essas guerras, têm tido até hoje mais força, do que o sacrifício de todos aqueles lhe nelas foram obrigados a participar, e a vozes que se ouvem contando a origem e a história dessas guerras , são infelizmente, as daqueles dos que por objecção de consciência ou por comodidade pessoal, saíram para fora de Portugal e nelas não quiseram participar. Durante os tempos de Oliveira Salazar, afixaram-se pelas paredes de Portugal, muitos cartazes de propaganda, em que entre muito outras coisas se puderam ler de Camões, canto IV, estrofe XXXIII :

"Dizei-lhe que também dos Portugueses / Alguns traidores houve algumas vezes"

Claro que Camões não se referia ao século XX, mas sim àqueles portugueses, que nos tempos de D. João I, se passaram para o lado de Castela e combateram contra os interesses nacionais de Portugal. É certo que hoje se pode aceitar que para esses portugueses, a noção de respeito pela sucessão dinástica era mais importante que a noção de pátria portuguesa,compreendendo a sua tomada de posição nessas guerras. 

O que seria inaceitável, era que esses portugueses que combateram por Castela, tivessem escrito a história lusitana sob o seu ponto de vista, esquecendo ou minimizando aqueles que realmente, combateram e sofreram por Portugal. Assim os combatentes das guerras do ultramar, deverão deixar de se esconder como se fossem criminosos e gritar orgulhosamente como os espartanos de Leónidas - dizei a Portugal, que morremos, por obedecer às suas ordens -. 

"Para lá dessa dimensão de combatentes ao serviço de um regime iníquo eles foram e são, sobretudo, portugueses que na sua juventude se viram roubados aos campos e à fome para embarcarem na maior aventura da sua vida.

Partiram sem pedir nada, combateram ao serviço do País, morreram ou regressaram em silêncio à vidinha de sempre, aquela que só puderam reatar depois da interrupção forçada pela guerra. Não são portugueses de direita nem de esquerda, são uma geração sacrificada que deve ser respeitada."

Monumentos aos mortos em Oeiras

"...Os Homens só morrem quando a Pátria se esquece deles.."


Em Fevereiro do ano 2000, 26 anos depois de terem terminado as guerras do Ultramar, o Presidente da República, Dr, Jorge Sampaio, descerrou no Monumento aos mortos nas Guerras do Ultramar, junto à Torre de Belém em Lisboa, cerca de 180 lápides com os nomes gravados dos cerca de 9.000 portugueses mortos em combate. É impressionante e digno de uma romagem de reconhecimento pelo seu esforço, e respeito pelo seu sacrifício.

A Guerra no Ultramar - Angola

Em Angola, a sublevação da ZSN foi efectuada pela União das Populações de Angola(UPA) — que passou a designar-se como Frente Nacional de Libertação de Angola(FNLA) em 1962. A 4 de Fevereiro de 1961, o Movimento Popular de Libertação de Angola reivindicou o ataque à cadeia de Luanda, onde foram mortos sete polícias. A 15 de Março de 1961, a UPA, num ataque tribal, deu origem a um massacre de populações brancas e trabalhadores negros naturais de outras regiões de Angola. Esta região seria reocupada mediante operações militares de grande envergadura que, porém, não conseguiram conter o alastramento das acções de guerrilha a outras regiões de Angola, como Cabinda, o Leste, o Sudeste e planalto central. Ao MPLA, que desempenhou um papel fundamental, há a acrescentar, a partir de 1966, a acção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Matas de Agola
Com motivações essencialmente tribais, e dirigidos de forma autocrática por Holden Roberto, a actividade da UPA caracterizou-se pela guerrilha rural, realizada por pequenos grupos armados, e pelo massacre de populações, como já se previa na sua primeira acção. Com catanas e algumas espingardas, os canhangulos, procuravam apoderar-se das armas das fazendas e postos administrativos atacados. Não manifestaram interesse em consolidar o domínio territorial, conseguido nos primeiros dias, nem foi apresentado qualquer programa político.

Em Angola, os efectivos militares contavam, no início de 1961, com 5000 militares africanos e 1500 metropolitanos, organizados em dois regimentos de infantaria — um em Luanda e outro em Nova Lisboa (actual Huambo) — cada um com dois batalhões de instrução e outro de atiradores) e um grupo de cavalaria, sediado em Silva Porto. A densidade média era, portanto, de um soldado para cada 30km². Imediatamente disponíveis para acorrer à zona afectada estavam apenas mil soldados europeus e 1200 africanos.

A Guerra no Ultramar - Guiné

A guerra na Guiné colocou frente a frente dois homens de forte personalidade: Amílcar Cabral e António de Spínola, responsáveis pela modelação do teatro de operações na Guiné. Em 1965 dá-se o alastramento da guerra ao Leste (Pirada, Canquelifá, Beli). Nesse mesmo ano, o PAIGC realizou missões no Norte, na região de São Domingos, onde, até ao momento, apenas actuava a FLING, que se via a braços na luta, depois da OUA ter canalizado o seu apoio para o PAIGC. Este, em sequência da sua crescente afirmação internacional, viria a receber apoio militar cubano, que duraria até ao final da guerra.

Pode-se dizer que as forças portuguesas desempenharam, na Guiné, uma força defensiva, mais de manutenção das posições que propriamente de conquista das populações, limitando-se, de uma forma geral, a conter as acções do PAIGC. Por isso, esta época infligiu um grande desgaste para os portugueses, constantemente surpreendidos pelos guerrilheiros e pela influência destes junto da população que, entretanto, era recrutada para o movimento.

Control do PAIGC
Com as decisões de António de Spínola, as forças portuguesas ganhavam um carácter mais ofensivo. Entre 1968 e 1972, sob o comando deste general, conseguiriam manter a situação sob controlo e, por vezes, levar a cabo acções de confirmação das posições estratégicas. Mais: agora lutava-se subversivamente, utilizando a manipulação propagandística que iria afectar os níveis mais altos da hierarquia do PAIGC. Porém, a situação pendeu rapidamente para o lado do PAIGCcarece de fonte que, não obstante o assassínio de Amílcar Cabral, não diminuiu a actividade operacional.

Em Março, o aparecimento dos mísseis anti-aéreos Strela-2 (russo: 9К32 "Cтрела-2"; código NATO: SA-7 Grail), de fabrico soviético, obrigaria as tropas portuguesas a reavaliarem o esforço de guerra. Durante algum tempo, o suporte aéreo ficou, assim, indisponível, o que teve graves repercussões nas tropas, mesmo a nível psicológico.

Marcelo Caetano, em conflito com Spínola, dispensou o general do cargo de governador, que seria ocupado por Bettencourt Rodriguesa 21 de Setembro de 1973. Três dias depois, o PAIGC declarava a independência do novo estado, em Madina do Boé. Curiosamente, nem Spínola nem Bettencourt estavam no terreno durante esta ocorrência.

A Guerra no Ultramar - Moçambique

Em Moçambique, o movimento de libertação, denominado Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), efectuou a sua primeira acção nos dias 24 e 25 de Setembro de 1964, num ataque a Chai, na província de Cabo Delgado, estendendo-se posteriormente ao Niassa, Tete e para o centro do território. Porém, um relatório do Batalhão de Caçadores 558 refere acções violentas a 21 de Agostode 1964, na região de Cabo Delgado, como indica o relatório do Batalhão de Caçadores 558. O mesmo relatório refere que, três dias depois, um padre da Missão de Nangololo tinha sido ferido mortalmente. Estas acções foram atribuídas a grupos de guerrilheiros MANU e da UDENAMO.

A 16 de Novembro do mesmo ano, as tropas portuguesas sofriam as primeiras baixas no Norte de Moçambique, região de Xilama. A organização e armamento dos guerrilheiros evoluía rapidamente. Também o acidentado terreno, a baixa densidade das forças portuguesas e a fraca presença de colonos facilitaram a acção da Frelimo, que alargava a sua acção para Sul, na direcção de Meponda e Mandimba, mostrando intenção de ligar-se a Tete, atravessando o Malawi, que apoiou, nos primeiros anos, o trânsito e refúgio de guerrilheiros.

Até 1967, a FRELIMO mostrou-se menos interessada pela região de Tete, exercendo o seu esforço nos dois distritos do Norte, onde a utilização de minas terrestres se destacou de forma particular. No Niassa, a intenção da FRELIMO era simultaneamente criar uma zona livre, e uma zona de passagem para Sul, em direcção à Zambézia

Já em Abril de 1970, a actividade militar da Frelimo aumentou de forma significativa, devido à presença de Samora Machel em Cabo Delgado, onde apresentaria os planos de ofensivas a executar em Junho e Julho.

Até 1973/74, as atenções viravam-se para Cabora Bassa. Os últimos tempos de guerra caracterizaram-se pelo avanço da FRELIMO para Sul, registando acções na zona de Chimoio e agitação das populações de origem europeia. O general Kaúlza de Arriagadisponibilizava-se para continuar o comando, mas impunha condições que o Governo de Lisboa não aceitou. Terminada a sua comissão em Agosto de 1973, foi substituído pelo general Basto Machado. A situação continuaria a deteriorar-se até aos designados "acontecimentos da Beira", em Janeiro de 1974, quando as populações brancas de Vila Pery e da Beira se manifestaram contra a incapacidade das forças portuguesas de suster a situação, já esgotada de efectivos e sem possibilidade do reforço dos meios de combate.

A Guerra no Ultramar - Estado Português da Índia

A resistência à dominação portuguesa na Índia manifestou-se no contexto da descolonização europeia. Após a independência indiana concedida pelos britânicos, em 1947, Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir a sua posse. A atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que se pronunciou a favor da Índia. Em 1954, após a descolonização francesa Pondicherry, a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli, que desde 1779 faziam parte doEstado Português da Índia.

A Índia impediu Portugal de deslocar militares para a sua defesa, acabando por anexar formalmente os enclaves em Agosto de 1961, após vários protestos pacíficos, com o governo português liderado por António de Oliveira Salazar a recusar-se a negociar. Em Dezembro de 1961, a União Indiana invadia os territórios de Goa, Damão e Diu. De 18 para 19 de Dezembro de 1961 uma força de 40.000 soldados a Índia independente conquistou Goa, numa acção armada - feita por terra, ar e mar, que durou cerca de 36 horas - acabou com o domínio Português de 451 anos em Goa encontrando pouca resistência, e integrou o Estado Português da Índia no seu território. 

O último governador do Estado Português da Índia, o general do Exército Português Manuel António Vassalo e Silva caiu, junto com a guarnição portuguesa em Goa, quando da invasão indiana. Vassalo e Silva, com cerca de 3000 homens em armas, teve de se render (e ficaram temporariamente prisioneiros, e em «maus lençóis») perante as forças indianas que contavam com cerca de 40000. Teve no entanto ordem de Oliveira Salazar para que não se rendessem e lutassem até à morte. Como Vassalo e Silva «decidiu» a rendição, face às circunstâncias, foi expulso das Forças Armadas Portuguesas, tendo sido reintegrado após o 25 de Abril.

E no ano seguinte tomava a Ilha de Angediva. À época, o Conselho de Segurança da ONU considerou uma resolução que condenava a invasão, o que foi vetado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A maioria das nações reconheceram a acção da Índia, no entanto, Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios, mantendo-os representados na Assembleia Nacional até 1974, altura em que se deu a Revolução dos Cravos. A partir de então, Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia, começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado Português da Índia. No entanto, aos seus habitantes que o pretendessem foi dada a possibilidade de manterem a cidadania portuguesa.

O 25 de Abril de 1974

O 25 de Abril de 1974, planeado e executado por militares dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas, uma nova geração de oficiais de baixa e média patente, formada e criada na guerra, que aprendera a agir com autonomia, levantaria, sob a direcção do Movimento das Forças Armadas (MFA), um período revolucionário que transformaria radicalmente o Estado e a sociedade. Embora inúmeros factores tenham contribuído para a revolução, a Guerra Colonial foi, desde sempre, apontada como a principal justificação para a queda irrevogável do Estado Novo em Portugal.

O Programa do MFA, da responsabilidade da sua Comissão Coordenadora apresentava, de forma inequívoca, a vontade de possibilitar a independência das colónias. Porém, a remoção desta alínea, negociada durante a noite de 25 para 26 de Abril, levantaria ainda alguns equívocos a respeito, que só seriam esclarecidos pela Lei 7/74 de 27 de Julho. Esta medida levantaria grande parte da cortina que separava o Estado Português de conseguir negociações com os movimentos de libertação. Dava-se assim início ao processo de descolonização.

Salgueiro Maia - O melhor dos Capiães
Porém, a ambiguidade das primeiras posições relativas à nova política colonial gerou situações duvidosas que não puderam ser ultrapassadas sem graves desentendimentos. Cada redefinição do processo representava uma dura luta entre António de Spínola e a Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Os dois projectos apresentados para essa nova política diferiam, sobretudo, nas questões ligadas com as futuras relações de Portugal com as colónias; mesmo os pontos concordantes seriam rapidamente submetidos perante a prova prática da realidade, o que exigiu, na maioria das vezes, a sua revisão. Assim, com o esclarecimento pela Lei 7/74, e posterior comunicado conjunto Portugal-ONU, publicado a 4 de Agosto, eram levantadas as últimas dúvidas, dando início à fase definitiva da descolonização.

Iniciaram-se as negociações com o PAIGC e com a Frelimo, que levaram à assinatura de protocolos de acordo. Em Argel, a 26 de Agosto ficava concluído o processo entre Portugal e o PAIGC, em que a ex-colónia era reconhecida como estado soberano, sob o nome de «República da Guiné-Bissau». O último contingente militar regressou da Guiné em 15 de Outubro.

Relativamente a Moçambique, seria assinado a 7 de Setembro, em Lusaka, um acordo conducente à independência moçambicana. Contudo, grupos organizados, num movimento contrário ao acordo, assaltaram as instalações da Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques e outras cidades, e seus emissores regionais, sugerindo a intervenção da África do Sul. Esta tentativa desestabilizadora do processo de paz viria a fracassar, sob a acção das Forças Armadas Portuguesas.

Relativamente a São Tomé e Príncipe e Guiné Portuguesa, foi assinado o Acordo de Argel em 25 de agosto de 1974 .

Quanto a Cabo Verde, o acordo entre Portugal e o PAIGC já estabelecia o princípio do acesso deste arquipélago à autodeterminação e independência. Em 17 de Dezembro seria publicado o Estatuto Constitucional de Cabo Verde, prevendo eleições por sufrágio directo e universal, a 30 de Junho de 1975. A assembleia instituída a partir daí proclamou a independência do território a 5 de Julho de 1975.

Quanto a Angola, a aproximação dos três movimentos de libertação constituía uma dificuldade para o governo português. Com efeito, pairava a possibilidade do alargamento de um confronto entre os países ocidentais, a África do Sul e a União Soviética. Spínola reunir-se-ia ainda com Mobutu, com alguma continuidade, mas viria a demitir-se do cargo a 30 de Setembro. Com Costa Gomes na Presidência da República Portuguesa, desenvolveram-se conversações dirigidas especificamente a cada um dos movimentos. Inicialmente, com a FNLA, posteriormente com o MPLA. 

Porém, as várias tentativas de restabelecer a paz em Angola e minimizar o impacto da descolonização seriam deitadas por terra rapidamente. A guerra civil arruinou a serenidade deste processo, agravando a situação interna, com milhares de vítimas e a fuga dos portugueses.

Também em Timor-Leste se verificou um período dramático, já que as autoridades portuguesas não tinham como dispor de capacidade para normalizar os conflitos, acabando a Indonésia por invadir a ilha.

Em suma, as condições oferecidas pelo novo regime para a descolonização, reconfigurou a situação no continente africano, com a criação de novos países independentes em busca dos seus próprios rumos e afirmação nacional, o que viria contribuir para o desmantelamento do governo branco na Rodésia e do apartheid na África do Sul.

Evolução das despesas extraordinárias das Forças Armadas Portuguesas e do Estado.

Custos Financeiros

O Orçamento e as contas do Estado Português, ao longo das décadas de 1960 e seguinte reflectiram claramente o esforço financeiro exigido ao país durante a guerra. Obviamente, as despesas com a Defesa Nacional sofreram crescentes aumentos a partir de 1961, com o despoletar dos sucessivos conflitos em África. 

Estas despesas com as Forças Armadas classificavam-se, para efeito orçamental, como ordinárias(DO), de carácter normal e permanente, e extraordinárias (DE), respeitantes à defesa da ordem pública em circunstâncias excepcionais. 

A parcela mais importante das DE, os gastos com as províncias ultramarinas, inscrevia-se no Orçamento, na rubricaForças Militares Extraordinárias no Ultramar (OFMEU). É interessante verificar que as despesas totais do Estado sofrem incremento acentuado a partir de 1967/68, coincidindo com a subida ao poder de Marcelo Caetano.

As dificuldades orçamentais encontradas pelas Forças Armadas Portuguesas levaram o Exército a estudar o custo mínimo para as forças em campanha (OFMEU), concluindo que o custo diário médio de um combatente era, em 1965, de 165 ESC para a Guiné, 115 ESC para Angola e 125 ESC para Moçambique. Por ano, equivalia, portanto, a cerca de 42000 ESC, de onde se derivou a fórmula V=42n (sendo n o número de homens).

NOTA - No entanto esta não é a opinião do "Economist", o famoso jornal Inglês de Economia, que na edição que publicou a seguir ao acidente de Salazar em 1967, escreveu num artigo muito bem documentado, que as colónias não só pagaram totalmente os custos da Guerra, como contribuíram para a manutenção do chamado "escudo forte", que eles denominaram de "escudo colonial".

Os Veteranos da Guerra do Ultramar

Foram também vítimas da guerra os soldados que nela participaram, tornando-se uma das faces mais visíveis das consequências do conflito. Não obstante, os hospitais militares tornaram-se simultaneamente, para estes, um refúgio e um depósito onde a sociedade mantinha longe da vista os corpos amputados. Nem o Código de Inválidos de 1929, que visava dar um estatuto de reconhecimento e assistência aos feridos na I Guerra Mundial, evitou que ficassem na miséria, sem direito a assistência médica ou quaisquer regalias sociais.
Monumento aos combatentes em Belém
É também neste contexto que o 25 de Abril de 1974 mostra uma luz de esperança, ao ser instituída a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) que teve como primeiro acto a apresentação à Junta de Salvação Nacional de um conjunto de princípios reivindicativos, que possibilitavam a prestação de serviços de apoio aos associados, desde os processos burocráticos e administrativos, aos cuidados de saúde, reabilitação física e integração social. 

Esta associação conta com mais de 13 500 associados, ilustrando perfeitamente as necessidades sentidas pelos feridos de guerra. No entanto, alguns levantamentos estatísticos efectuados pela ADFA apontam a marca para os 25 milhares, durante todos os 13 anos de guerra. Em relação ao stress de guerra, a ADFA estima números bastante superiores aos apontados pelas fontes oficiais (560).

Na ex-Guiné Portuguesa, uma parte dos que combateram pelo lado do governo de Portugal contra o PAIGC, eram soldados ou milícias naturais do próprio território. Após a independência, a grande maioria desses combatentes foram abandonados à sua sorte em consequência de várias circunstâncias entre as quais a falta de definição do seu estatuto nos acordos assinados entre as forças beligerantes e à falta de capacidade de resolução de tantos problemas em simultâneo pelos novos governantes de Portugal durante a Revolução dos Cravos.

A principal consequência desses factos foi a sua perseguição e assassinato pelos seus antigos inimigos. Estima-se que tenham sido assassinados sumariamente milhares de ex-combatentes, havendo quem avance com números na ordem dos onze mil.

NOTA - Este sofrimento e este abandono a que os cerca de duzentos capitães do Abril e maioria dos oficiais superiores votaram aos ex-combatentes, é simples de explicar. Eles os oficiais do quadro, que pouco arriscaram a vida no combate com o inimigo, foram os HERÓIS DO ABRIL que libertaram os Povos das Colónias. Teoria muito do gosto do esquerdismo político da época e do actual !

Os outros, soldados, sargentos e oficiais milicianos, foram os CRIMINOSOS que andaram a dizimar esses Povos ! 

Totalmente absurdo e cobarde, mas REAL !

Batalhas no Ultramar - Operação Nó Górdio

Tudo ou nada! Em 1 de Julho de 1970, oito mil homens do Exército, Força Aérea e Marinha, além de Grupos Especiais, iniciavam a Operação Nó Górdio contra as bases do planalto dos Macondes onde se encontravam disseminados 2500 guerrilheiros sob o mando de Samora Machel.

Na que foi a maior operação levada a cabo na Guerra em África, o general Kaúlza de Arriaga visava eliminar as bases inimigas e as “áreas libertadas” e restabelecer a liberdade de acção das forças portuguesas em Moçambique. Caso obtivesse a vitória, poderia concentrar-se na evolução política da região e de Portugal


A Nó Górdio foi lançada sob ordens de Kaúlza de Arriaga, entretanto promovido a comandante-chefe após oito meses de comando de forças terrestres no teatro de operações moçambicano, e executada pelo Comando Operacional das Forças de Intervenção (COFI). O início da Operação Nó Górdio foi marcado para 1 de Julho de 1970, com a presença do general Comandante-Chefe e do seu Estado-Maior em Mueda, prolongando-se até 6 de Agosto, tendo participado mais de oito mil homens, onde se incluía a totalidade das forças especiais (Comandos, pára-quedistas e Fuzileiros) e dos Grupos Especiais e a quase totalidade da artilharia de campanha, unidades de reconhecimento e de engenharia.

Esta operação incluía acção psicológica, com uma secção instalada em Mueda, e equipas de acção psicossocial em Mueda e no Sagal.

Segundo os relatórios em Portugal, terão sido mortos 651 guerrilheiros e 1840 capturados contra 132 militares portugueses mortos. Kaúlza de Arriaga reivindicou também que as suas tropas teriam destruído 61 bases e 165 campos, e capturadas 40 toneladas de munição, apenas nos primeiros dois meses.


Batalhas no Ultramar - Guiné

A Operação Mar Verde foi o nome dado para uma operação militar planeada pelas Forças Armadas Portuguesas e realizada em 22 de Novembro de 1970, no curso da Guerra Colonial Portuguesa, pelo destacamento de fuzileiros especiais nº 21 destacado na Guiné-Bissau de 1969 a 1971, chefiada pelo Comandante Alpoim Calvão.
Desembarquedefuzileiros
O plano consistia no ataque anfíbio a Conacri, Capital da República da Guinécom os objectivos de libertar prisioneiros de guerra portugueses, destruição das lanchas do PAIGC e eliminação física do Presidente Sékou Touré.

Todos os objectivos foram alcançados com excepção da eliminação de Sékou Touré, que não se encontrava no país.

O palácio presidencial foi tomado e a maior parte da Força Aérea da Guiné-Conacri foi destruída.

Batalhas no Ultramar - Angola

Angola Em 1970, para defender o Leste de Angola, um vasto território com cerca de 700.000 km2, correspondente e 7,5 vezes a superfície de Portugal Continental, as Forças Armadas Portuguesas dispunham de 12 batalhões de infantaria, além de tropas auxiliares, e escassos meios aéreos e navais, num total de 21.500 homens. 

Nas chanas imensas do Leste, uma população de 1.300.000 pessoas, entre os quais 24.000 europeus, estava sujeita às penetrações dos cerca de 4.000 guerrilheiros do MPLA, UNITA e FNLA, infiltrados a partir da Zâmbia. Mas alcançando uma unidade de comando e aplicando a doutrina portuguesa da contra-subversão de forma sistemática e integrada, o General Bettencourt Rodrigues, com a cooperação de todos os sectores militares e civis da frente Leste, travou e venceu uma batalha de guerrilhas, um feito raro na história militar contemporânea.

Site sobre a Guerra do Ultramar



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Eça de Queiroz - O maior novelista português


José Maria Eça de Queiroz 

Nasceu em 25 Nov de 1845 na Póvoa do Varzim, morreu em 16 de Agosto de 1900 em Paris


Novelista inclinado às reformas sociais foi quem introduziu o naturalismo e realismo em Portugal. É considerado por muitos como o maior novelista Português e é certamente o novelista Português mais destacado do século XIX.

José Maria de Eça de Queiroz nasceu numa casa da praça do Almada na Póvoa de Varzim, no centro administrativo da cidade; foi baptizado na Igreja Matriz de Vila do Conde . Filho de José Maria Teixeira de Queiroz, um magistrado proeminente e de Carolina Augusta Pereira d'Eça. 

Eça de Queiroz foi baptizado como "filho natural de José Maria d'Almeida de Teixeira de Queiroz e de Mãe incógnita".


Praça do Al

 Póvoa de Varzim - Casa onde nasceu Eça de Queiroz
Este misterioso assento dever-se-á ao facto de a mãe do escritor, Carolina Augusta Pereira de Eça, não ter obtido consentimento da parte de sua mãe, já viúva do coronel José Pereira de Eça, para poder casar.

De facto, seis dias após a morte da avó que a isso se opunha, casaram os pais de Eça de Queiroz, já o menino tinha quase quatro anos. Por via destas contingências foi entregue a uma ama, aos cuidados de quem ficou até passar para a casa de Verdemilho em Aradas, Aveiro, a casa da sua avó paterna que em 1855 morreu.

Nesta altura foi internado no Colégio da Lapa, no Porto, de onde saiu em 1861, com dezasseis anos, para a Universidade de Coimbra onde estudou direito. Além do escritor, o casal teria mais seis filh

Eça de Queirós formou-se em Direito em 1866 na Universidade de Coimbra e depois vai para Lisboa. É aqui que o seu pai o ajuda na sua carreira como advogado. No entanto, o verdadeiro interesse de Eça de Queirós reside na literatura, e escreve pequenas histórias - irónicas, fantásticas, macabras, e bastante chocantes -- e ensaios, com uma variedade de temas na Gazeta de Portugal.

Em 1871 associou-se a um grupo de intelectuais rebeldes portugueses inclinados ás reformas sociais e artísticas conhecida como a Geração dos 70. Eça de Queirós denuncia a literatura portuguesa contemporânea como hipócrita e com falta de originalidade.

Serviu como Cônsul, primeiro em Havana (1872-74), depois na Inglaterra -- em Newcastle (1874-79) e em Bristol (1879-88). Durante este tempo escreveu as novelas pelas quais é mais conhecido, e tentou reformar através da literatura , a vida social em Portugal, expondo o que ele chamou de escuro e absurdo na ordem social tradicional. 

A sua primeira novela, O Crime do Padre Amaro (1876), descreve os efeitos destrutivos do celibato num padre de fraca personalidade e os perigos do fanatismo religiosos numa vila provincial portuguesa. 

Um pouco de sátira num ideal de paixão romântica - se é paixão romântica o que se poderá chamar à leviandade da"prima" Luísa - aparece na sua seguinte novela, O Primo Basílio (1878).

A sátira cáustica caracteriza a novela que é considerada a obra prima de Eça de Queirós, Os Maias (1888), um apanhado em detalhe, da classe média alta e aristocrática da sociedade portuguesa. O tema é a degradação de uma família tradicional envolvida numa série relações sexuais enredadas entre parentes, e que tentam mostrar a decadência da sociedade portuguesa daquela altura.

Eça de Queiroz já tinha tentado este tema, mas de forma mais atrevida e audaz na Tragédia da Rua das Flores, que ficou cerca de 100 anos na gaveta do esquecimento ( Publicado em 1980 ).

A Relíquia, o Mandarim, a Ilustre Casa de Ramires, O Conde de Abranhos, A Capital, a sua tradução das Minas de Salomão - a única tradução no mundo que é melhor que o original - são outras das muitas obras de Eça de Queiroz. São dignas de leitura, e esclarecedoras da universalidade do seu espírito, as suas Cartas de Inglaterra, de Paris e as cartas de Fradique Mendes. 

O problema da Irlanda , o Israelismo , e o Afeganistão eram problemas no século XIX, que Eça relata com mestria e que continuam a ser problemas no século XXI. 

As suas últimas novelas são sentimentais, como o seu último trabalho A Cidade e as Serras (1901; que exalta a beleza da vida no campo e as virtudes da vida rural. Eça de Queirós foi colocado como cônsul em Paris, onde viveu até à sua morte.

Condensado da Enciclopédia Britânica









domingo, 5 de maio de 2013

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939)

A Guerra Civil na Espanha (1936 - 1939)

Introdução

A Guerra Civil espanhola (1936-39) foi o acontecimento mais traumático que ocorreu antes da 2ª Guerra Mundial. Nela estiveram presentes todos os elementos militares e ideológicos que marcaram o século XX.

De um lado posicionaram-se as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas às classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja e o Latifúndio) e do outro a Frente Popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia.

Para a Direita espanhola tratava-se de uma Cruzada para livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, autoritária e católica. Para tanto era preciso esmagar a República, que havia sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia.

Para as Esquerdas era preciso dizer - um basta - ao avanço do fascismo que já havia conquistado Itália (em 1922), a Alemanha (em 1933) e a Áustria (em 1934). Segundo as decisões da Internacional Comunista, de 1935, elas deveriam aproximar-se dos partidos democráticos de classe média e formarem uma Frente Popular para enfrentar a maré de vitorias nazi-fascistas. 

Desta forma Socialistas, Comunistas (estalinistas e troskistas) Anarquistas e Democratas liberais deveriam unir-se para chegar e inverter a tendência mundial favorável aos regimes direitistas-Foi justamente esse conteúdo, de amplo enfrentamento ideológico, que fez com que a Guerra Civil deixasse de ser um acontecimento puramente espanhol para tornar-se numa prova de força entre forças que disputavam a hegemonia do mundo. Nela envolveram-se a Alemanha nazista e a Itália fascista, que apoiavam o golpe do Gen. Franco e a União Soviética que se solidarizou com o governo Republicano.

Antecedentes

A Espanha ainda nos anos 30 era um anacronismo histórico. Enquanto a Europa ocidental já possuía instituições políticas modernas, no mínimo a um século a Espanha era um oásis tradicionalista, governada pela "trindade reaccionária"(O Exército, a igreja católica e o Latifúndio), que tinha sua expressão última na monarquia borbon de Afonso XIII.

Vivia nostálgica do seu passado imperial grandioso, ao ponto de manter um excessivo número de generais e oficiais , em relação às suas reais nnecessidades. A igreja, por sua vez, era herdeira do obscurantismo e da intolerância dos tribunais inquisitoriais do Santo Oficio, era uma instituição que condenava a modernidade como obra do demónio.

Afonso XIII
E no campo, finalmente, existiam de 2 a 3 milhões de camponeses pobres, "los -braceros",submetidos às práticas feudais e dominados por uns 50 mil "hidalgos", proprietários de metade das terras do país.

Como resultado da grave crise económica de 1930 (iniciada pela quebra da bolsa de valores de N. Iorque, em 1929), a ditadura do Gen. Primo de Rivera, apoiada pelo caciquismo (sistema eleitoral viciado que sempre dava seus votos ao governo), foi derrubada e, em seguida, caiu também a monarquia. O Rei Afonso XIII foi obrigado a exilar-se e proclamou-se a República em 1931, chamada de "República de trabajadores".


A esperança era que doravante a Espanha pudesse alinhar-se com seus vizinhos ocidentais e marchar para uma reforma modernizante que separasse estado e igreja e que introduzisse as grandes conquistas sociais e eleitorais recentes, além de garantir o pluralismo político e partidário e a liberdade de expressão e organização sindical.

Mas o país terminou por conhecer um violento enfrentamento de classes, visto que à crise seguida por uma profunda depressão económica, provocando a frustração generalizada na sociedade espanhola

Os partidos políticos

As esquerdas, obedecendo a uma determinação do Comintern (a Internacional Comunista controlada pela URSS), resolveram unir-se aos democratas e liberais radicais num Fronte Popular para ascender ao poder por meio de eleições. As esquerdas espanholas estavam divididas em diversos partidos e organizações, entre as quais:


Elas aliaram-se com os Republicanos (Acção republicana e Esquerda republicana) e mais alguns partidos autonomistas (Esquerda catalã, os galegos e o Partido Nacional Basco). 

Essa coligação, venceu as eleições de Fevereiro de 1936, dominando 60% das Cortes (O parlamento espanhol), derrotando a Frente Nacional, composta pelos direitistas. 

A Direita por sua vez estava dividida agrupada na CEDA (Confederação das Direitas autónomas), no partido agrário, nos monarquistas e tradicionalistas (carlistas) e finalmente pelos fascistas da Falange espanhola (liderados por José António Primo de Rivera).


Os partidos políticos

As esquerdas, obedecendo a uma determinação do Comintern (a Internacional Comunista controlada pela URSS), resolveram unir-se aos democratas e liberais radicais num Fronte Popular para ascender ao poder por meio de eleições. As esquerdas espanholas estavam divididas em diversos partidos e organizações, entre as quais:

PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol)Socialistas
PCE (Partido Comunista Espanhol)Comunistas
POUM (Partido Obreiro da Unificação Marxista)Comunistas-trotsquistas
UGT (União Geral dos Trabalhadores)Sindical Socialista
CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores)Sindical Anarquista
FAI (Federação Anarquista Ibérica)Anarco-Sindicalista

Elas aliaram-se com os Republicanos (Acção republicana e Esquerda republicana) e mais alguns partidos autonomistas (Esquerda catalã, os galegos e o Partido Nacional Basco). Essa coligação, venceu as eleições de Fevereiro de 1936, dominando 60% das Cortes (O parlamento espanhol), derrotando a Frente Nacional, composta pelos direitistas.

A Direita por sua vez estava dividida agrupada na CEDA (Confederação das Direitas autónomas), no partido agrário, nos monarquistas e tradicionalistas (carlistas) e finalmente pelos fascistas da Falange espanhola (liderados por José António Primo de Rivera).


A questão religiosa na Guerra Civil


O liberalismo, na Espanha, tinha, desde os inícios do século XIX, sido violentamente anticlerical; entre os anarquistas, muito influentes na Esquerda, o anticlericalismo havia sido sempre particularmente agressivo, ao contrário dos socialistas marxistas. Na medida em que a Guerra Civil foi a conclusão dos enfrentamentos político-ideológicos do século XIX espanhol, a identificação da Igreja com a Direita determinou o anticlericalismo da Esquerda na sua generalidade:

Já em 14 de Outubro de 1931, no jornal El Sol, o então primeiro-ministro Azaña equiparara a proclamação da República com o fim da Espanha católica, e durante a Guerra Civil, como Presidente da República, teria dito num de seus discursos, que preferia ver todas as igrejas de Espanha incendiadas a ver uma só cabeça republicana ferida, e o radical catalão Alejandro Leroux teria conclamado a juventude a destruir igrejas, rasgar os véus das noviças e "elevá-las à condição de mães".

A perseguição anticatólica durante a Guerra Civil apenas continuou um padrão já existente: nos só quatro meses que precederam a guerra civil já 160 igrejas teriam sido incendiadas. Durante a Guerra, pela repressão republicana, segundo o historiador Hugh Thomas, foram mortos 6861 religiosos católicos (12 bispos, 4.184 padres, 300 freiras, 2.363 monges); uma obra mais recente, de Anthony Beevor, dá números muito semelhantes (13 bispos, 4.184 padres seculares, 283 freiras, 2.365 monges).

Quando qualquer política de tendências totalitárias, seja de esquerda ou direita, tenta estabelecer-se num país, sempre ataca a Religião Católica, ou qualquer outra, por ser a única força organizada capaz de se lhes opor. No fundo nunca tem que ver, com o ser ou não religioso.

De acordo com o artigo espanhol, foram destruídas por volta de 20.000 igrejas, com perdas culturais incalculáveis pela destruição concomitante de retábulos, imagens e arquivos. Diante disto, é pouco surpreendente verificar que a Igreja Católica, tenha chegado, na sua generalidade a propagandear a revolta contra o governo e chegado a compará-la, numa declaração colectiva de todo o episcopado (1 de Julho de 1937) com uma cruzada moderna.



FOTO - "Execução" do Sagrado Coração de Jesus por milicianos comunistas. A fotografia foi publicada no jornal londrino Daily Mail, com a legenda: "Vermelhos espanhóis em guerra sobre a religião"

.Note-se, no entanto, que os mesmos bispos espanhóis, numa carta de 11 de Julho do mesmo ano de 1937, mostraram-se ciosos em desmentir à opinião católica liberal, que via na intransigência conservadora do clero espanhol a razão das perseguições por ele sofridas, argumentando que a Constituição republicana de 1931 e todas as leis subsequentes haviam dirigido a história da Espanha num rumo contrário à sua identidade nacional, fundada no Catolicismo- ou, nas palavras do Cardeal Segura y Sáenz: na Espanha ou se é católico ou não se é nada.

De acordo com o artigo espanhol, foram destruídas por volta de 20.000 igrejas, com perdas culturais incalculáveis pela destruição concomitante de retábulos, imagens e e arquivos . Diante disto, é pouco surpreendente verificar que a Igreja Católica tenha chegado, na sua generalidade a propagandear a revolta contra o governo e chegado a compará-la, numa declaração colectiva de todo o episcopado (1 de Julho de 1937) com uma cruzada moderna.


Juan Negrín López (3 de fevereiro de 1889 — Paris, 12 de novembro de 1956) foi um político da Espanha. Ocupou o lugar de presidente do governo de Espanha de1937 a 1939 e de Presidente do Governo da República no exílio até 1945.
Negrin

Muito embora houvessem sido realizados esforços de propaganda pelos republicanos no exterior em favor da liberdade religiosa (o Ministro da Justiça do governo Negrín, Manuel Irujo, autorizou o culto católico, que, no entanto, na prática realizou-se de forma semi-clandestina de forma a não alienar a opinião pública católica internacional e os próprios grupos católicos no campo republicano (muito notadamente o principal partido basco, o PNV) o campo republicano era em geral anticlerical e apoiava a repressão à Igreja.

Por outro lado, o escritor e filósofo católico francês Jacques Maritain protestou violentamente contra as repressões franquistas contra o clero basco, e teria dito que "a Guerra Santa, mais do que ao infiel, odeia ardentemente os crentes que não a servem".

José Antonio Primo de Rivera

José Antonio Primo de Rivera y Sáenz de Heredia (Madrid, 24 de Abril de 1903 - Alicante, 20 de Novembro de 1936) foi um advogado e político espanhol, fundador da Falange Espanhola (te referido como o "ausente", dado o seu desaparecimento nos alvores da Guerra Civil Espanhola. Era filho primogénito do ditador Miguel Primo de Rivera, de quem herdou o título de marquês de Estella.

Vale dos Caídos

Foi executado pelas forças republicanas no pátio da Prisão de Alicante e está sepultado no Valle de los Caídos, perto de Madrid.

O golpe militar e a guerra civil


Membros da Legião Condor durante treinamento em Ávila.
O clima de turbulência interna motivado pela intensificação da luta de classes, especialmente entre anarquistas e falangistas que provocou inúmeros assassinatos políticos contribui para criar uma situação de instabilidade que afectou o prestígio da Frente Popular.

Provavelmente as desavenças internas dos integrantes do Fronte Popular mais tarde ou mais cedo fariam com que o governo desandasse.

Mas a direita espanhola estava entusiasmada com o sucesso de Hitler ( esmagamento das esquerdas na Alemanha, militarização da Renânia, etc...) que se somou ao golpe direitista de Dolfuss na Áustria, em 1934.

Derrotados nas eleições, os direitistas passaram a conspirar com os militares e a contar com o apoio dos regimes fascistas da Alemanha com Hitler, da Itália, de Mussolini e do regime totalitário de Oliveira Salazar em Portugal. Esperavam que um levante dos quartéis, seguido de um pronunciamento dos generais, derrubariam facilmente a República.

Gen, Francisco Franco

No dia 18 de Julho de 1936, o General Francisco Franco insurge o Exército contra o governo republicano. Ocorre que nas principais cidades, como a capital Madrid e Barcelona, a capital da Catalunha, o povo saiu as ruas e impediu o sucesso do golpe. Milícias anarquistas e socialistas foram então formadas para resistir o golpe militar. 

O país em pouco tempo ficou dividido numa área nacionalista, dominado pelas forças do Gen. Franco e numa área republicana, controlada pelos esquerdistas. Nas áreas republicanas ocorreu então uma revolução radical social. As terras foram colectivizadas, as fábricas dominadas pelos sindicatos, assim como os meios de comunicação. 

Em algumas localidades, os anarquistas chegaram até a abolir o dinheiro.Em ambas as zonas matanças eram efectuadas através de fuzilamentos sumários. Padres ( só religiosos foram fuzilados cerca de 7000), militares e proprietários eram as vítimas favoritas dos "incontroláveis", as milícias anarquistas, enquanto que sindicalistas, professores e esquerdistas em geral, eram abatidos pelos militares nacionalistas. O número exacto de vitimas, ainda hoje é questão de debate entre os historiadores.

FRANCISCO FRANCO

Nascido Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco y Bahamonde na cidade galega de Ferrol, estudou na Academia de Infantaria de Toledo e entre1912 e 1917, distingue-se nas campanhas bélicas do Marrocos espanhol. Após uma estada de três anos em Oviedo, volta ao Marrocos, onde combate às ordens de Rafael de Valenzuela y Urzaiz e de Millán Astray, destacando-se pelo seu valor e frieza no combate. Em 1923, apadrinhado por Afonso XIII, casa-se com Carmen Polo, de uma família da burguesia das Astúrias.

Destinado novamente a Marrocos com a patente de tenente-coronel, assume o comando da Legião Espanhola em 1923 e participa activamente no desembarque na baía de Alhucemas e na reconquista do Protectorado (1925). É, com José Sanjurjo, o mais brilhante dos militares chamados africanistas. Entre 1928 e 1931 dirige a Academia Militar de Saragoça.

A intervenção estrangeira

Como o golpe não teve o sucesso esperado, o conflito tornou-se uma guerra civil, com manobras militares clássicas. O lado nacionalista de Franco conseguiu imediato apoio dos nazistas (Divisão Condor, responsável pelo bombardeamento de Madrid e de Guernica) e dos fascistas italianos (aviação e tropas de infantaria e blindados) enquanto que Stalin enviou material bélico e assessores militares para o lado republicano.
Paramilitares republicanos em Teruel, 1936
A pior posição foi tomada pela França e a Inglaterra que optaram pela "Não-Intervenção". Mesmo assim, não foi possível evitar o "engajamento" de milhares de voluntários esquerdistas e comunistas que vieram de todas as partes (53 nacionalidades) para formar as Brigadas Internacionais (38 mil homens) para lutar pela defesa da República.

A crise entre as esquerdas

Stalin temia que a revolução social desencadeada pelos anarquistas e trotsquistas pusesse em perigo a defesa da República. Ordenou então que o PC espanhol comandasse a supressão das milícias (que seriam absorvidas por um exército regular) e um expurgo no POUM (uma pequena organização pró-trotsquista). 

O que foi feito em Maio de 1937. Essa divisão íntima das esquerdas, entre pró-revolução e pró-república, debilitou ainda mais as possibilidades defensivas do governo republicano.

Guernica - O famoso quadro de Picasso
GUERNICA !

Este famoso quadro foi encomendado pelo governo republicano espanhol a Picasso, em 1936, para expor em Paris. O quadro chamava-se "Lamento en muerte del torero Joselito", e era uma homenagem de Picasso ao seu amigo Joselito, morto na arena. Onde os "especialistas" vêm cenas de bombardeamento na realidade só existe o touro que o matou, o cavalo do "picador", sol-e-sombra e o corpo do toureiro. 

Picasso recebeu pela "obra", 300.000 pesetas (de 1936) . Observando o quadro, podem distinguir-se touros e cavalos, num paroxismo de drama e morte. O que não se consegue descortinar são aviões, casas, guerra ou bombardeamentos. 

A política de Stalin e a derrota da República

Para os anarquistas e outros críticos de Extrema Esquerda, boa parte da culpa da derrota do campo republicano espanhol pode ser creditada à política de Josef Stalin, que, desejoso da vitória da República, mas temendo que esta vitória levasse a uma revolução socialista na Espanha que criasse complicações diplomáticas à União Soviética,, pois um "Outubro Espanhol" criaria uma divisão ideológica na Europa Ocidental que actuaria contra a política de uma Frente Popular antifascista que era o grande objectivo de Stalin à época, e foi capaz apenas de realizar uma ajuda militar tímida, pelo envio de alguns militares, aviões e armas (por estas exportações de armas, Stalin fez-se pagar com a reserva de ouro do Banco Central Espanhol).

O GPU

Segundo este ponto de vista, instalou na Espanha uma série de agentes da sua polícia secreta, o GPU que desencadeou uma política de repressões indiscriminadas contra militantes de Extrema Esquerda, anarquistas e trotskistas, visando conter a Guerra Civil dentro de um marco democrático-liberal. O ponto alto destas repressões foi a prisão e morte sob bárbara tortura de Andreu Nin, dirigente catalão do semi-trotskista POUM - Partido Operário de Unificação Marxista.

Para cúmulo, Stalin ainda encarcerou e matou como traidores os executantes desta política (tais como o velho bolchevique Antonov-Ovssenko, que havia comandado em 1917 a tomada do Palácio de Inverno do czar em São Petersburgo quando do seu retorno à URSS, de modo a impedir o questionamento de sua política espanhola.

Estaline

E Isaac Deutscher sumariza: ao tentar preservar a respeitabilidade burguesa da Espanha republicana, sem querer antagonizar as democracias liberais europeias, Stalin não preservou nada e antagonizou a todos: a causa da revolução socialista foi perdida, sem que a Direita europeia, por um momento sequer, deixasse de ver em Stalin o agitador revolucionário.

Teve fim a guerra com a consequência da morte de mais de 400 mil espanhóis e uma queda enorme na economia, como a morte de mais da metade do gado, a queima de vários campos e milhões de moradias destruídas.

Um abalo financeiro e queda do PIB que demorou quase 30 anos para se normalizar. Outras fontes ressaltam a dificuldade em quantificar o número de mortos por causa da guerra originada pelo chamado "Movimiento Nacional", mas colocam o dado para todo o período do franquismo de mais de 2 milhões de pessoas mortas sob o regime de Franco.

Salazar e a Guerra Civil Espanhola 

Na Guerra Civil Espanhola, deflagrada em Julho de 1936, Salazar apoiou o general Francisco Franco. Ainda que tenha havido referências ao envio de forças militares, não existe nenhuma prova factual de tal intervenção. O apoio português foi essencialmente logístico, tendo Salazar facilitado o envio de armamento para as forças franquistas na fase inicial da guerra.

Oliveira Salazar

Ao contrário do que durante muito tempo foi sustentado, as relações entre Franco e Salazar foram sempre muito frias e pautadas pela desconfiança. Desde o início da guerra civil que, ainda que podendo impedi-lo, a censura portuguesa permite a publicação de relatos sobre os massacres efectuados pelos franquistas em Badajoz.

A divulgação daquelas notícias teve um impacto tremendo no evoluir da situação espanhola e foi uma demonstração de força de Salazar perante Franco. 

Após a II Guerra Mundial, Salazar chegou a sugerir ao presidente norte-americano Eisenhower que Portugal não se oporia à substituição de Franco, caso o governo de Washington considerasse essa possibilidade.

Viriatos

Foi o nome genericamente dado aos voluntários portugueses que combateram na Guerra Civil Espanhola ao lado dos «nacionalistas».

Com toda a instabilidade politica, no exército, são alguns os generais que principiam o projeto de golpe de estado. A revolta de 17-18 de Junho de 1936 espalha-se por toda a Espanha. O controlo dos generais conservadores consegue o domínio de muitas guarnições na metrópole, bem como do exército de Africa, liderado pela elite castrense. Nestes 35.000 homens que o perfazem, estão, Banderas da Legión, composto com grande número de pessoas estrangeiras. Na Legión, o maior grupo de estrangeiros é formado por portugueses.

Ao contrário do que é frequentemente referido, na Guerra Civil Espanhola nunca houve um corpo autónomo de tropas portuguesas designado como Legião Viriato.

Os voluntários portugueses combateram integrados nos diversos corpos militares «nacionalistas»: Bandeiras daLegião Estrangeira, milícias da Falange e dos Requetés, aviação ou unidades regulares do exército. Na aviação destacaram-se pilotos como José Adriano Pequito Rebelo, Sepúlveda Veloso e Simão Aranha .

Entre os dinamizadores desta participação destacou-se o capitão de artilharia Jorge Botelho Moniz, que era também na altura o presidente do Rádio Clube Português.O seu número total é matéria ainda controversa. Uma estimativa cautelosa aponta para um número máximo de 6000. Esta intervenção portuguesa na Guerra Civil Espanhola ao lado dos «nacionalistas» não teve carácter oficial, embora recebesse, por várias formas, apoio do Governo de Salazar.

A guerra civil na Galiza

Na Galiza, zona que ficara na "retaguarda fascista" (militarmente ocupadas logo no início), a luta republicana encontrou a forma de guerrilhas organizadas que levaram a luta até depois de 1940.

A resposta através do método das guerrilhas manteve-se na Galiza até 1956, iniciando-se um período de decadência a partir desta data, devida em parte ao abandono dessa estratégia por parte do PCE, até ocorrerem os últimos assaltos e combates em 1967, com a morte do último guerrilheiro e o exílio doutros.

Segundo dados fornecidos por diferentes historiadores, foram presas ou mortas cerca de 10 000 pessoas relacionadas com a guerrilha galega durante esses anos.

O Franquismo instaurou na Galiza o método dos "passeios" (ir procurar pessoas a sua casa para "passeá-los", ou seja, fuzilá-los à noite e deixá-los nas valetas). Através deste método do "passeio", dos conselhos de guerra realizados contra civis, dos fuzilamentos maciços dos prisioneiros e dos confrontos armados com a guerrilha morreram 197 000 pessoas galegas (fonte "La Guerra Civil en Galicia" edic. La Voz) durante o regime franquista, das quais a grande maioria continua em valas comuns. Quanto ao exílio, cerca de 200 mil galegos fugiram exilados para outros países nesse período.

Por outro lado, os campos de concentração mais conhecidos na Galiza são os de Lubián, Lavacolla (Santiago de Compostela) e o cárcere de extermínio da Ilha de São Simão (comarca de Vigo), assim como os respectivos cárceres de cada cidade. Existem ainda em cada cidade ou vila lugares ainda não reconhecidos de fuzilamento maciço e continuado de pessoas que foram consideradas "perigosas" para o regime fascista.

O fim da guerra

A superioridade militar do Gen. Franco, ( Franco foi depois de Napoleão, o general mais jovem - 33 anos - na Europa ), a unidade que conseguiu impor sobre as direitas, foi factor decisivo na sua vitória sobre a República. Em 1938 suas forças cortam a Espanha em duas partes, isolando a Catalunha do resto do país.

Em Janeiro de 1939, as tropas do gen. Franco entram em Barcelona e, no dia 28 de Março, Madrid rende-se aos militares depois de ter resistido a poderosos ataques (aéreos, de blindados e de tropas de infantaria), por quase três anos.

As baixas da Guerra Civil oscilam entre 330 a 405 mil mortos, sendo que apenas 1/3 ocorreu na guerra. 

Meio milhão de prédios foram destruídos parcial ou inteiramente e perdeu-se quase metade do gado espanhol. A renda per capita reduziu-se em 30% e fez com que a Espanha afundasse numa estagnação económica que se prolongou por quase trinta anos. 

Nota - A "Saga" um livro do escritor brasileiro Erico Veríssimo, esquerdista mas não fundamentalista, é extremamente interessante na sua descrição romanceada da Guerra de Espanha. 


terça-feira, 30 de abril de 2013

A 2ª Guerra Mundial ( 1939 - 1945 )


2ª Guerra Mundial ( 1939 - 1945 )´

A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade. As principais potências aliadas eram a China, a França, a Grã-Bretanha, a União Soviética e os Estados Unidos. O Brasil integrou-se aos Aliados em 1943. A Alemanha, a Itália e o Japão, por sua vez, perfaziam as forças do Eixo.

Perderam-se cerca de 55 milhões de vidas, e gastaram-se biliões de dólares nos custos da guerra e nos prejuízos que ela causou. Só na Europa Ocidental ficaram destruídos mais de 1,5 milhões de edifícios e mais de 7 milhões sofreram danos ou prejuízos.

Em nações evoluídas e que se diziam civilizadas, morria-se de fome.

O que originou esta guerra ?

A resposta não é fácil e os historiadores apontam várias razões. Uma das últimas hipóteses, com uma certa lógica, é que o famoso pacto Von Ribbbentrop - Molotov, pacto de não agressão entre a Alemanha de Hitler e a República Soviética de Estaline, em que estas duas potências numa cláusula secreta desse tratado, dividiam entre si a Polónia e parte da Europa de Leste, firmado em Moscovo em 23 de Agosto de 1939, serviu de espoleta para o começo da invasão alemã e soviética à Polónia.

A Alemanha começou a invasão da Polónia, em 1 de Setembro de 1939, e a União soviética em 17 de Setembro do mesmo ano. Em 3 de Setembro, França, Reino Unido, declaram guerra à Alemanha, seguidos do Canadá, Nova Zelândia e Austrália e muitos outros.

 Quando alemães e russos eram muito amigos !














Morte e evolução técnica

Mas durante este período de morte, destruição e sofrimento ,assistiu-se também por necessidade da guerra, a uma tremenda evolução tecnológica. Entre as cargas de cavalaria de Mussino, a sudoeste de Klina, em que cavaleiros mongóis do exército soviético, de sabres erguidos à boa maneira medieval, morriam pela pátria contra os tanques e metralhadoras alemãs e as bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki, em que o dedo de um só homem destruía cidades inteiras, havia uma diferença técnica de "muitos anos-luz".


Na aviação, passou-se dos rápidos mas pesados Spitfires com tremendos motores de muitos cilindros em linha, e com fuselagens revestidas de madeira e tela, e dos canelados e lentos Junkers bimotores, a modernos caça rápidos todos de fuselagem metálica com poderosos motores de injecção ou turbo-compressão, até às poderosas super-fortalezas voadoras, que transportavam toneladas de bombas.

Apareceram também então, os primeiros caças com motores de reacção fabricados pela BMW. Hitler teve uma esquadrilha destes aviões à sua disposição, nos princípios de 1945, mas já era tarde, o III Reich já não tinha combustível e a guerra estava ganha pelos aliados. Oa alemães avançaram também muito na produção de carburante sintético, e produziram dezenas de milhões de toneladas durante a guerra.

Jeep

Nas campanhas de África apareceram os primeiros Volkswagen, adaptados para usos militares, com motores arrefecidos por ar, tanques alemães com motores diesel, menos vulneráveis a incêndios e explosões de combustível e o exército soviético aparece com os seus famosos T-34, com lagartas de 60 cms que passavam nas neves com toda a facilidade.

Aparece também o famoso GP "General Purpose Vehicle", com tracção às quatro rodas, que foi rapidamente rebaptizado de JEEP. A invenção do magnetrão pelos ingleses, permitiu aos aliados, a construção de radares na banda de microondas, com grande potência e definição, tornando o radar num poderoso e preciso, instrumento de detecção de navios e aviões.

Tanque russo T-34
A utilização para fins médicos da penicilina e sua produção em escala industrial, permitiu salvar a vida a milhões de feridos de combate, e abriu a época dos antibióticos, ajudando a vencer a guerra contra as doenças provocadas por microorganismos.

Apareceram os grandes porta-aviões, submarinos equipados com snorkel , que podiam utilizar os seus motores diesel debaixo de água e carregar as baterias. Equipamentos de sonar eficientes, para barcos e submarinos, e o grupo de Peenmunde, chefiado por Von Braun, cria os primeiros foguetes apelidados de bombas voadoras, a V1 e V2, esta mais rápida que o som, que lançaram a destruição sobre Londres, mas que no fundo, apesar dos horrores da guerra, iniciaram a época da conquista do espaço.

O ataque a Pearl Harbor

O ataque a Pearl Harbor foi uma operação aeronaval de ataque à base norte-americana de Pearl Harbor, efetuada pela Marinha Imperial Japonesa na manhã de 7 de Dezembro de 1941.

O ataque em Pearl Harbor, na ilha de Oahu, Havaí, foi executado de surpresa contra a frota do Pacífico da Marinha dos Estados Unidos da América e as suas forças de defesa, o corpo aéreo doexército americano e a força aérea da Marinha.

O ataque danificou ou destruiu 21 navios e 347 aviões, matando cerca de 2403 pessoas e ferindo outras 1178. Contudo, os trêsporta-aviões da frota do Pacífico não se encontravam no porto, pelo que não foram danificados, tal como os depósitos de combustível e outras instalações.


O ataque marcou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial2 e o início da Guerra do Pacífico, ficando conhecido como Bombardeamento de Pearl Harbor e Batalha de Pearl Harbor, embora o nome mais comum seja Ataque a Pearl Harbor ou simplesmente Pearl Harbor.

Na manhã do ataque, um novo radar instalado apenas uns dias antes do ataque indicou a presença dos aviões japoneses, mas o aviso foi confundido com a chegada prevista de um grupo de aviões dos EUA. Alguns aviões estado-unidenses foram abatidos à medida que a força de ataque se aproximava. Mas todos os avisos encontravam-se à espera de confirmação quando o ataque começou.

O ataque começou às 7h53min (hora local) de 7 de dezembro, que no horário de Tóquio correspondia às 3h23min de 8 de dezembro. Os aviões japoneses atacaram em duas vagas, nas quais 353 aviões chegaram a Oahu. A primeira vaga foi liderada por 186 torpedeiros-bombardeiros vulneráveis, aproveitando os primeiros momentos de surpresa atacando os navios no porto enquanto bombardeiros-de-mergulho atacavam as bases aéreas ao longo de Oahu, começando pelo campo aéreo Hickam, o maior, e o campo aéreo Wheeler, a principal base de caças. 

A segunda vaga de 168 aviões atacou o campo Bellows e a ilha Ford, uma base aérea naval e marinha no meio de Pearl Harbor. A única força de oposição veio de alguns P-36s e P-40s e de fogo antiaéreo naval.

O Massacre de Katyn 


Massacre da Floresta de Katyn, foi uma execução em massa ocorrida durante aSegunda Guerra Mundial contra oficiais poloneses prisioneiros de guerra, policiais e cidadãos comuns acusados de espionagem esubversão pelo Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia secreta soviética, comandada por Lavrentiy Beria, entre abril e maio de 1940, após a rendição da Polônia à Alemanha Nazista.

Através de um pedido oficial de Beria, datado de 5 de março de 1940, o líder soviético Josef Stalin e quatro membros do Politburo aprovaram ogenocídio. O número de vítimas é calculado em cerca de 22 000, sendo 21 768 o número mínimo identificado.

As vítimas foram executadas na floresta de Katyn, na Rússia, em prisões em Kalinin e Kharkov e em outros lugares próximos. Do total de mortos, cerca de 8 mil eram militares prisioneiros de guerra, outros 6 mil eram policiais e o restante dividido entre civis integrantes daintelectualidade polonesa - professores, artistas, pesquisadores,historiadores, etc - presos sob a acusação de serem sabotadores, espiões, latifundiários, donos de fábricas, advogados.

A União Soviética alegou que o genocídio havia sido praticado pelos nazistas e continuou a negar responsabilidade sobre os massacres até 1990, quando o governo de Mikhail Gorbachev reconheceu oficialmente o massacre e condenou os crimes levados a cabo pela NKVD em 1940, assim como ao seu subsequente encobrimento. No ano seguinte, Boris Yeltsin trouxe a público os documentos datados de meio século antes que autorizavam o genocídio.

Em novembro de 2010, a Duma Estatal russa aprovou uma declaração culpando Stalin e outros dirigentes soviéticos por haverem pessoalmente ordenado o massacre.

Os campos de extermínio Nazis

Campo de extermínio - era o termo aplicado a um grupo de campos construídos pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo expresso de matar os ditos inimigos do regime nazista (judeus, roma, sintis e yeniches, além de prisioneiros de guerra soviéticos).


Existe uma sensível distinção entre campos de extermínio e campos de concentração, tais como os de Dachau e Belsen, cuja maior parte se situava na Alemanha. Os campos de concentração constituíam um sistema de encarceramento e aglomeração dos vários "inimigos do Estado" (tais como comunistas e homossexuais) e dispunham de bases de recursos de trabalho forçado para empresas alemãs. Muitas vezes, os prisioneiros inicialmente detidos nestes campos de concentração eram posteriormente enviados para os campos de extermínio.


Nos primeiros anos do regime Nazi (estabelecido em 1933) alguns judeus foram enviados para estes campos. Após 1942, no entanto, houve o início dasdeportações em massa para os campos de concentração, sendo que muitos destes enviados eram, ou imediatamente ou em seguida, enviados para os campos de extermínio. Isso seria a "solução final da questão judia", que passou a história judaica como o Holocausto. Esses campos são também conhecidos como os "campos da morte".

O método de execução mais comum nestes campos era pelo gás Zyklon B, que era utilizado nas famosas câmaras de gás, apesar de muitos prisioneiros terem sido executados por fuzilamento e outros meios. Os corpos dos mortos eram destruídos em crematórios (excepto em Sobibór onde eles eram cremados em fogueiras ao ar livre), e as cinzas eram enterradas ou dispersas.

O número de pessoas mortas nos seis maiores campos foi estimado em:

Auschwitz-Birkenau: cerca de 1 100 000
Treblinka: pelo menos 700 0002
Bełżec: cerca de 434 5003
Sobibór: cerca de 167 0004
Chełmno: cerca de 152 0005
Majdanek: 78 000
Total: 2 631 500

A Bomba Atómica

Mas a maior proeza técnica alcançada neste período, foi a aplicação prática da famosa equação de Einstein E=MC² que todos conhecem, mas que raramente convertem en números práticos. A equação significa simplesmente, no sistema MKS, que um Kg-massa de matéria convertida totalmente em energia, produzirá 9.000x10¹³ joules ( 22 Mega toneladas de TNT ), que são equivalentes a 2,5x10¹³ Kw/hora, aproximadamente a energia eléctrica consumida em Portugal durante o ano de 1998.

Bomba atómica
A equipa que trabalhou no projecto Manhantan sabia isso muito bem, mas felizmente que as primeiras bombas atómicas, eram bombas de fissão nuclear, que produzem só uma pequena percentagem de energia da equação de Einstein, e a primeira bomba atómica lançada sobre Hiroshima era "apenas" equivalente a 22 Kilo-toneladas de TNT. Converteu apenas 1 grama de matéria em energia (9x10¹³ joules)

A seguir à fissão nuclear, mas já depois da guerra terminar, chegou-se à fusão nuclear, à bomba de hidrogénio, imitando-se o Sol, em que o calor necessário para a fusão do hidrogénio em hélio é produzido por uma explosão de uma bomba de fissão nuclear.

Actualmente já se produzem actualmente em laboratório milhões de partículas de anti-matéria por segundo, que mais dia menos dia transformarão em realidade prática para o bem, ou para o mal, todo o potencial energético da equação de Einstein.