domingo, 5 de maio de 2013

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939)

A Guerra Civil na Espanha (1936 - 1939)

Introdução

A Guerra Civil espanhola (1936-39) foi o acontecimento mais traumático que ocorreu antes da 2ª Guerra Mundial. Nela estiveram presentes todos os elementos militares e ideológicos que marcaram o século XX.

De um lado posicionaram-se as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas às classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja e o Latifúndio) e do outro a Frente Popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia.

Para a Direita espanhola tratava-se de uma Cruzada para livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, autoritária e católica. Para tanto era preciso esmagar a República, que havia sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia.

Para as Esquerdas era preciso dizer - um basta - ao avanço do fascismo que já havia conquistado Itália (em 1922), a Alemanha (em 1933) e a Áustria (em 1934). Segundo as decisões da Internacional Comunista, de 1935, elas deveriam aproximar-se dos partidos democráticos de classe média e formarem uma Frente Popular para enfrentar a maré de vitorias nazi-fascistas. 

Desta forma Socialistas, Comunistas (estalinistas e troskistas) Anarquistas e Democratas liberais deveriam unir-se para chegar e inverter a tendência mundial favorável aos regimes direitistas-Foi justamente esse conteúdo, de amplo enfrentamento ideológico, que fez com que a Guerra Civil deixasse de ser um acontecimento puramente espanhol para tornar-se numa prova de força entre forças que disputavam a hegemonia do mundo. Nela envolveram-se a Alemanha nazista e a Itália fascista, que apoiavam o golpe do Gen. Franco e a União Soviética que se solidarizou com o governo Republicano.

Antecedentes

A Espanha ainda nos anos 30 era um anacronismo histórico. Enquanto a Europa ocidental já possuía instituições políticas modernas, no mínimo a um século a Espanha era um oásis tradicionalista, governada pela "trindade reaccionária"(O Exército, a igreja católica e o Latifúndio), que tinha sua expressão última na monarquia borbon de Afonso XIII.

Vivia nostálgica do seu passado imperial grandioso, ao ponto de manter um excessivo número de generais e oficiais , em relação às suas reais nnecessidades. A igreja, por sua vez, era herdeira do obscurantismo e da intolerância dos tribunais inquisitoriais do Santo Oficio, era uma instituição que condenava a modernidade como obra do demónio.

Afonso XIII
E no campo, finalmente, existiam de 2 a 3 milhões de camponeses pobres, "los -braceros",submetidos às práticas feudais e dominados por uns 50 mil "hidalgos", proprietários de metade das terras do país.

Como resultado da grave crise económica de 1930 (iniciada pela quebra da bolsa de valores de N. Iorque, em 1929), a ditadura do Gen. Primo de Rivera, apoiada pelo caciquismo (sistema eleitoral viciado que sempre dava seus votos ao governo), foi derrubada e, em seguida, caiu também a monarquia. O Rei Afonso XIII foi obrigado a exilar-se e proclamou-se a República em 1931, chamada de "República de trabajadores".


A esperança era que doravante a Espanha pudesse alinhar-se com seus vizinhos ocidentais e marchar para uma reforma modernizante que separasse estado e igreja e que introduzisse as grandes conquistas sociais e eleitorais recentes, além de garantir o pluralismo político e partidário e a liberdade de expressão e organização sindical.

Mas o país terminou por conhecer um violento enfrentamento de classes, visto que à crise seguida por uma profunda depressão económica, provocando a frustração generalizada na sociedade espanhola

Os partidos políticos

As esquerdas, obedecendo a uma determinação do Comintern (a Internacional Comunista controlada pela URSS), resolveram unir-se aos democratas e liberais radicais num Fronte Popular para ascender ao poder por meio de eleições. As esquerdas espanholas estavam divididas em diversos partidos e organizações, entre as quais:


Elas aliaram-se com os Republicanos (Acção republicana e Esquerda republicana) e mais alguns partidos autonomistas (Esquerda catalã, os galegos e o Partido Nacional Basco). 

Essa coligação, venceu as eleições de Fevereiro de 1936, dominando 60% das Cortes (O parlamento espanhol), derrotando a Frente Nacional, composta pelos direitistas. 

A Direita por sua vez estava dividida agrupada na CEDA (Confederação das Direitas autónomas), no partido agrário, nos monarquistas e tradicionalistas (carlistas) e finalmente pelos fascistas da Falange espanhola (liderados por José António Primo de Rivera).


Os partidos políticos

As esquerdas, obedecendo a uma determinação do Comintern (a Internacional Comunista controlada pela URSS), resolveram unir-se aos democratas e liberais radicais num Fronte Popular para ascender ao poder por meio de eleições. As esquerdas espanholas estavam divididas em diversos partidos e organizações, entre as quais:

PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol)Socialistas
PCE (Partido Comunista Espanhol)Comunistas
POUM (Partido Obreiro da Unificação Marxista)Comunistas-trotsquistas
UGT (União Geral dos Trabalhadores)Sindical Socialista
CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores)Sindical Anarquista
FAI (Federação Anarquista Ibérica)Anarco-Sindicalista

Elas aliaram-se com os Republicanos (Acção republicana e Esquerda republicana) e mais alguns partidos autonomistas (Esquerda catalã, os galegos e o Partido Nacional Basco). Essa coligação, venceu as eleições de Fevereiro de 1936, dominando 60% das Cortes (O parlamento espanhol), derrotando a Frente Nacional, composta pelos direitistas.

A Direita por sua vez estava dividida agrupada na CEDA (Confederação das Direitas autónomas), no partido agrário, nos monarquistas e tradicionalistas (carlistas) e finalmente pelos fascistas da Falange espanhola (liderados por José António Primo de Rivera).


A questão religiosa na Guerra Civil


O liberalismo, na Espanha, tinha, desde os inícios do século XIX, sido violentamente anticlerical; entre os anarquistas, muito influentes na Esquerda, o anticlericalismo havia sido sempre particularmente agressivo, ao contrário dos socialistas marxistas. Na medida em que a Guerra Civil foi a conclusão dos enfrentamentos político-ideológicos do século XIX espanhol, a identificação da Igreja com a Direita determinou o anticlericalismo da Esquerda na sua generalidade:

Já em 14 de Outubro de 1931, no jornal El Sol, o então primeiro-ministro Azaña equiparara a proclamação da República com o fim da Espanha católica, e durante a Guerra Civil, como Presidente da República, teria dito num de seus discursos, que preferia ver todas as igrejas de Espanha incendiadas a ver uma só cabeça republicana ferida, e o radical catalão Alejandro Leroux teria conclamado a juventude a destruir igrejas, rasgar os véus das noviças e "elevá-las à condição de mães".

A perseguição anticatólica durante a Guerra Civil apenas continuou um padrão já existente: nos só quatro meses que precederam a guerra civil já 160 igrejas teriam sido incendiadas. Durante a Guerra, pela repressão republicana, segundo o historiador Hugh Thomas, foram mortos 6861 religiosos católicos (12 bispos, 4.184 padres, 300 freiras, 2.363 monges); uma obra mais recente, de Anthony Beevor, dá números muito semelhantes (13 bispos, 4.184 padres seculares, 283 freiras, 2.365 monges).

Quando qualquer política de tendências totalitárias, seja de esquerda ou direita, tenta estabelecer-se num país, sempre ataca a Religião Católica, ou qualquer outra, por ser a única força organizada capaz de se lhes opor. No fundo nunca tem que ver, com o ser ou não religioso.

De acordo com o artigo espanhol, foram destruídas por volta de 20.000 igrejas, com perdas culturais incalculáveis pela destruição concomitante de retábulos, imagens e arquivos. Diante disto, é pouco surpreendente verificar que a Igreja Católica, tenha chegado, na sua generalidade a propagandear a revolta contra o governo e chegado a compará-la, numa declaração colectiva de todo o episcopado (1 de Julho de 1937) com uma cruzada moderna.



FOTO - "Execução" do Sagrado Coração de Jesus por milicianos comunistas. A fotografia foi publicada no jornal londrino Daily Mail, com a legenda: "Vermelhos espanhóis em guerra sobre a religião"

.Note-se, no entanto, que os mesmos bispos espanhóis, numa carta de 11 de Julho do mesmo ano de 1937, mostraram-se ciosos em desmentir à opinião católica liberal, que via na intransigência conservadora do clero espanhol a razão das perseguições por ele sofridas, argumentando que a Constituição republicana de 1931 e todas as leis subsequentes haviam dirigido a história da Espanha num rumo contrário à sua identidade nacional, fundada no Catolicismo- ou, nas palavras do Cardeal Segura y Sáenz: na Espanha ou se é católico ou não se é nada.

De acordo com o artigo espanhol, foram destruídas por volta de 20.000 igrejas, com perdas culturais incalculáveis pela destruição concomitante de retábulos, imagens e e arquivos . Diante disto, é pouco surpreendente verificar que a Igreja Católica tenha chegado, na sua generalidade a propagandear a revolta contra o governo e chegado a compará-la, numa declaração colectiva de todo o episcopado (1 de Julho de 1937) com uma cruzada moderna.


Juan Negrín López (3 de fevereiro de 1889 — Paris, 12 de novembro de 1956) foi um político da Espanha. Ocupou o lugar de presidente do governo de Espanha de1937 a 1939 e de Presidente do Governo da República no exílio até 1945.
Negrin

Muito embora houvessem sido realizados esforços de propaganda pelos republicanos no exterior em favor da liberdade religiosa (o Ministro da Justiça do governo Negrín, Manuel Irujo, autorizou o culto católico, que, no entanto, na prática realizou-se de forma semi-clandestina de forma a não alienar a opinião pública católica internacional e os próprios grupos católicos no campo republicano (muito notadamente o principal partido basco, o PNV) o campo republicano era em geral anticlerical e apoiava a repressão à Igreja.

Por outro lado, o escritor e filósofo católico francês Jacques Maritain protestou violentamente contra as repressões franquistas contra o clero basco, e teria dito que "a Guerra Santa, mais do que ao infiel, odeia ardentemente os crentes que não a servem".

José Antonio Primo de Rivera

José Antonio Primo de Rivera y Sáenz de Heredia (Madrid, 24 de Abril de 1903 - Alicante, 20 de Novembro de 1936) foi um advogado e político espanhol, fundador da Falange Espanhola (te referido como o "ausente", dado o seu desaparecimento nos alvores da Guerra Civil Espanhola. Era filho primogénito do ditador Miguel Primo de Rivera, de quem herdou o título de marquês de Estella.

Vale dos Caídos

Foi executado pelas forças republicanas no pátio da Prisão de Alicante e está sepultado no Valle de los Caídos, perto de Madrid.

O golpe militar e a guerra civil


Membros da Legião Condor durante treinamento em Ávila.
O clima de turbulência interna motivado pela intensificação da luta de classes, especialmente entre anarquistas e falangistas que provocou inúmeros assassinatos políticos contribui para criar uma situação de instabilidade que afectou o prestígio da Frente Popular.

Provavelmente as desavenças internas dos integrantes do Fronte Popular mais tarde ou mais cedo fariam com que o governo desandasse.

Mas a direita espanhola estava entusiasmada com o sucesso de Hitler ( esmagamento das esquerdas na Alemanha, militarização da Renânia, etc...) que se somou ao golpe direitista de Dolfuss na Áustria, em 1934.

Derrotados nas eleições, os direitistas passaram a conspirar com os militares e a contar com o apoio dos regimes fascistas da Alemanha com Hitler, da Itália, de Mussolini e do regime totalitário de Oliveira Salazar em Portugal. Esperavam que um levante dos quartéis, seguido de um pronunciamento dos generais, derrubariam facilmente a República.

Gen, Francisco Franco

No dia 18 de Julho de 1936, o General Francisco Franco insurge o Exército contra o governo republicano. Ocorre que nas principais cidades, como a capital Madrid e Barcelona, a capital da Catalunha, o povo saiu as ruas e impediu o sucesso do golpe. Milícias anarquistas e socialistas foram então formadas para resistir o golpe militar. 

O país em pouco tempo ficou dividido numa área nacionalista, dominado pelas forças do Gen. Franco e numa área republicana, controlada pelos esquerdistas. Nas áreas republicanas ocorreu então uma revolução radical social. As terras foram colectivizadas, as fábricas dominadas pelos sindicatos, assim como os meios de comunicação. 

Em algumas localidades, os anarquistas chegaram até a abolir o dinheiro.Em ambas as zonas matanças eram efectuadas através de fuzilamentos sumários. Padres ( só religiosos foram fuzilados cerca de 7000), militares e proprietários eram as vítimas favoritas dos "incontroláveis", as milícias anarquistas, enquanto que sindicalistas, professores e esquerdistas em geral, eram abatidos pelos militares nacionalistas. O número exacto de vitimas, ainda hoje é questão de debate entre os historiadores.

FRANCISCO FRANCO

Nascido Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco y Bahamonde na cidade galega de Ferrol, estudou na Academia de Infantaria de Toledo e entre1912 e 1917, distingue-se nas campanhas bélicas do Marrocos espanhol. Após uma estada de três anos em Oviedo, volta ao Marrocos, onde combate às ordens de Rafael de Valenzuela y Urzaiz e de Millán Astray, destacando-se pelo seu valor e frieza no combate. Em 1923, apadrinhado por Afonso XIII, casa-se com Carmen Polo, de uma família da burguesia das Astúrias.

Destinado novamente a Marrocos com a patente de tenente-coronel, assume o comando da Legião Espanhola em 1923 e participa activamente no desembarque na baía de Alhucemas e na reconquista do Protectorado (1925). É, com José Sanjurjo, o mais brilhante dos militares chamados africanistas. Entre 1928 e 1931 dirige a Academia Militar de Saragoça.

A intervenção estrangeira

Como o golpe não teve o sucesso esperado, o conflito tornou-se uma guerra civil, com manobras militares clássicas. O lado nacionalista de Franco conseguiu imediato apoio dos nazistas (Divisão Condor, responsável pelo bombardeamento de Madrid e de Guernica) e dos fascistas italianos (aviação e tropas de infantaria e blindados) enquanto que Stalin enviou material bélico e assessores militares para o lado republicano.
Paramilitares republicanos em Teruel, 1936
A pior posição foi tomada pela França e a Inglaterra que optaram pela "Não-Intervenção". Mesmo assim, não foi possível evitar o "engajamento" de milhares de voluntários esquerdistas e comunistas que vieram de todas as partes (53 nacionalidades) para formar as Brigadas Internacionais (38 mil homens) para lutar pela defesa da República.

A crise entre as esquerdas

Stalin temia que a revolução social desencadeada pelos anarquistas e trotsquistas pusesse em perigo a defesa da República. Ordenou então que o PC espanhol comandasse a supressão das milícias (que seriam absorvidas por um exército regular) e um expurgo no POUM (uma pequena organização pró-trotsquista). 

O que foi feito em Maio de 1937. Essa divisão íntima das esquerdas, entre pró-revolução e pró-república, debilitou ainda mais as possibilidades defensivas do governo republicano.

Guernica - O famoso quadro de Picasso
GUERNICA !

Este famoso quadro foi encomendado pelo governo republicano espanhol a Picasso, em 1936, para expor em Paris. O quadro chamava-se "Lamento en muerte del torero Joselito", e era uma homenagem de Picasso ao seu amigo Joselito, morto na arena. Onde os "especialistas" vêm cenas de bombardeamento na realidade só existe o touro que o matou, o cavalo do "picador", sol-e-sombra e o corpo do toureiro. 

Picasso recebeu pela "obra", 300.000 pesetas (de 1936) . Observando o quadro, podem distinguir-se touros e cavalos, num paroxismo de drama e morte. O que não se consegue descortinar são aviões, casas, guerra ou bombardeamentos. 

A política de Stalin e a derrota da República

Para os anarquistas e outros críticos de Extrema Esquerda, boa parte da culpa da derrota do campo republicano espanhol pode ser creditada à política de Josef Stalin, que, desejoso da vitória da República, mas temendo que esta vitória levasse a uma revolução socialista na Espanha que criasse complicações diplomáticas à União Soviética,, pois um "Outubro Espanhol" criaria uma divisão ideológica na Europa Ocidental que actuaria contra a política de uma Frente Popular antifascista que era o grande objectivo de Stalin à época, e foi capaz apenas de realizar uma ajuda militar tímida, pelo envio de alguns militares, aviões e armas (por estas exportações de armas, Stalin fez-se pagar com a reserva de ouro do Banco Central Espanhol).

O GPU

Segundo este ponto de vista, instalou na Espanha uma série de agentes da sua polícia secreta, o GPU que desencadeou uma política de repressões indiscriminadas contra militantes de Extrema Esquerda, anarquistas e trotskistas, visando conter a Guerra Civil dentro de um marco democrático-liberal. O ponto alto destas repressões foi a prisão e morte sob bárbara tortura de Andreu Nin, dirigente catalão do semi-trotskista POUM - Partido Operário de Unificação Marxista.

Para cúmulo, Stalin ainda encarcerou e matou como traidores os executantes desta política (tais como o velho bolchevique Antonov-Ovssenko, que havia comandado em 1917 a tomada do Palácio de Inverno do czar em São Petersburgo quando do seu retorno à URSS, de modo a impedir o questionamento de sua política espanhola.

Estaline

E Isaac Deutscher sumariza: ao tentar preservar a respeitabilidade burguesa da Espanha republicana, sem querer antagonizar as democracias liberais europeias, Stalin não preservou nada e antagonizou a todos: a causa da revolução socialista foi perdida, sem que a Direita europeia, por um momento sequer, deixasse de ver em Stalin o agitador revolucionário.

Teve fim a guerra com a consequência da morte de mais de 400 mil espanhóis e uma queda enorme na economia, como a morte de mais da metade do gado, a queima de vários campos e milhões de moradias destruídas.

Um abalo financeiro e queda do PIB que demorou quase 30 anos para se normalizar. Outras fontes ressaltam a dificuldade em quantificar o número de mortos por causa da guerra originada pelo chamado "Movimiento Nacional", mas colocam o dado para todo o período do franquismo de mais de 2 milhões de pessoas mortas sob o regime de Franco.

Salazar e a Guerra Civil Espanhola 

Na Guerra Civil Espanhola, deflagrada em Julho de 1936, Salazar apoiou o general Francisco Franco. Ainda que tenha havido referências ao envio de forças militares, não existe nenhuma prova factual de tal intervenção. O apoio português foi essencialmente logístico, tendo Salazar facilitado o envio de armamento para as forças franquistas na fase inicial da guerra.

Oliveira Salazar

Ao contrário do que durante muito tempo foi sustentado, as relações entre Franco e Salazar foram sempre muito frias e pautadas pela desconfiança. Desde o início da guerra civil que, ainda que podendo impedi-lo, a censura portuguesa permite a publicação de relatos sobre os massacres efectuados pelos franquistas em Badajoz.

A divulgação daquelas notícias teve um impacto tremendo no evoluir da situação espanhola e foi uma demonstração de força de Salazar perante Franco. 

Após a II Guerra Mundial, Salazar chegou a sugerir ao presidente norte-americano Eisenhower que Portugal não se oporia à substituição de Franco, caso o governo de Washington considerasse essa possibilidade.

Viriatos

Foi o nome genericamente dado aos voluntários portugueses que combateram na Guerra Civil Espanhola ao lado dos «nacionalistas».

Com toda a instabilidade politica, no exército, são alguns os generais que principiam o projeto de golpe de estado. A revolta de 17-18 de Junho de 1936 espalha-se por toda a Espanha. O controlo dos generais conservadores consegue o domínio de muitas guarnições na metrópole, bem como do exército de Africa, liderado pela elite castrense. Nestes 35.000 homens que o perfazem, estão, Banderas da Legión, composto com grande número de pessoas estrangeiras. Na Legión, o maior grupo de estrangeiros é formado por portugueses.

Ao contrário do que é frequentemente referido, na Guerra Civil Espanhola nunca houve um corpo autónomo de tropas portuguesas designado como Legião Viriato.

Os voluntários portugueses combateram integrados nos diversos corpos militares «nacionalistas»: Bandeiras daLegião Estrangeira, milícias da Falange e dos Requetés, aviação ou unidades regulares do exército. Na aviação destacaram-se pilotos como José Adriano Pequito Rebelo, Sepúlveda Veloso e Simão Aranha .

Entre os dinamizadores desta participação destacou-se o capitão de artilharia Jorge Botelho Moniz, que era também na altura o presidente do Rádio Clube Português.O seu número total é matéria ainda controversa. Uma estimativa cautelosa aponta para um número máximo de 6000. Esta intervenção portuguesa na Guerra Civil Espanhola ao lado dos «nacionalistas» não teve carácter oficial, embora recebesse, por várias formas, apoio do Governo de Salazar.

A guerra civil na Galiza

Na Galiza, zona que ficara na "retaguarda fascista" (militarmente ocupadas logo no início), a luta republicana encontrou a forma de guerrilhas organizadas que levaram a luta até depois de 1940.

A resposta através do método das guerrilhas manteve-se na Galiza até 1956, iniciando-se um período de decadência a partir desta data, devida em parte ao abandono dessa estratégia por parte do PCE, até ocorrerem os últimos assaltos e combates em 1967, com a morte do último guerrilheiro e o exílio doutros.

Segundo dados fornecidos por diferentes historiadores, foram presas ou mortas cerca de 10 000 pessoas relacionadas com a guerrilha galega durante esses anos.

O Franquismo instaurou na Galiza o método dos "passeios" (ir procurar pessoas a sua casa para "passeá-los", ou seja, fuzilá-los à noite e deixá-los nas valetas). Através deste método do "passeio", dos conselhos de guerra realizados contra civis, dos fuzilamentos maciços dos prisioneiros e dos confrontos armados com a guerrilha morreram 197 000 pessoas galegas (fonte "La Guerra Civil en Galicia" edic. La Voz) durante o regime franquista, das quais a grande maioria continua em valas comuns. Quanto ao exílio, cerca de 200 mil galegos fugiram exilados para outros países nesse período.

Por outro lado, os campos de concentração mais conhecidos na Galiza são os de Lubián, Lavacolla (Santiago de Compostela) e o cárcere de extermínio da Ilha de São Simão (comarca de Vigo), assim como os respectivos cárceres de cada cidade. Existem ainda em cada cidade ou vila lugares ainda não reconhecidos de fuzilamento maciço e continuado de pessoas que foram consideradas "perigosas" para o regime fascista.

O fim da guerra

A superioridade militar do Gen. Franco, ( Franco foi depois de Napoleão, o general mais jovem - 33 anos - na Europa ), a unidade que conseguiu impor sobre as direitas, foi factor decisivo na sua vitória sobre a República. Em 1938 suas forças cortam a Espanha em duas partes, isolando a Catalunha do resto do país.

Em Janeiro de 1939, as tropas do gen. Franco entram em Barcelona e, no dia 28 de Março, Madrid rende-se aos militares depois de ter resistido a poderosos ataques (aéreos, de blindados e de tropas de infantaria), por quase três anos.

As baixas da Guerra Civil oscilam entre 330 a 405 mil mortos, sendo que apenas 1/3 ocorreu na guerra. 

Meio milhão de prédios foram destruídos parcial ou inteiramente e perdeu-se quase metade do gado espanhol. A renda per capita reduziu-se em 30% e fez com que a Espanha afundasse numa estagnação económica que se prolongou por quase trinta anos. 

Nota - A "Saga" um livro do escritor brasileiro Erico Veríssimo, esquerdista mas não fundamentalista, é extremamente interessante na sua descrição romanceada da Guerra de Espanha. 


terça-feira, 30 de abril de 2013

A 2ª Guerra Mundial ( 1939 - 1945 )


2ª Guerra Mundial ( 1939 - 1945 )´

A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade. As principais potências aliadas eram a China, a França, a Grã-Bretanha, a União Soviética e os Estados Unidos. O Brasil integrou-se aos Aliados em 1943. A Alemanha, a Itália e o Japão, por sua vez, perfaziam as forças do Eixo.

Perderam-se cerca de 55 milhões de vidas, e gastaram-se biliões de dólares nos custos da guerra e nos prejuízos que ela causou. Só na Europa Ocidental ficaram destruídos mais de 1,5 milhões de edifícios e mais de 7 milhões sofreram danos ou prejuízos.

Em nações evoluídas e que se diziam civilizadas, morria-se de fome.

O que originou esta guerra ?

A resposta não é fácil e os historiadores apontam várias razões. Uma das últimas hipóteses, com uma certa lógica, é que o famoso pacto Von Ribbbentrop - Molotov, pacto de não agressão entre a Alemanha de Hitler e a República Soviética de Estaline, em que estas duas potências numa cláusula secreta desse tratado, dividiam entre si a Polónia e parte da Europa de Leste, firmado em Moscovo em 23 de Agosto de 1939, serviu de espoleta para o começo da invasão alemã e soviética à Polónia.

A Alemanha começou a invasão da Polónia, em 1 de Setembro de 1939, e a União soviética em 17 de Setembro do mesmo ano. Em 3 de Setembro, França, Reino Unido, declaram guerra à Alemanha, seguidos do Canadá, Nova Zelândia e Austrália e muitos outros.

 Quando alemães e russos eram muito amigos !














Morte e evolução técnica

Mas durante este período de morte, destruição e sofrimento ,assistiu-se também por necessidade da guerra, a uma tremenda evolução tecnológica. Entre as cargas de cavalaria de Mussino, a sudoeste de Klina, em que cavaleiros mongóis do exército soviético, de sabres erguidos à boa maneira medieval, morriam pela pátria contra os tanques e metralhadoras alemãs e as bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki, em que o dedo de um só homem destruía cidades inteiras, havia uma diferença técnica de "muitos anos-luz".


Na aviação, passou-se dos rápidos mas pesados Spitfires com tremendos motores de muitos cilindros em linha, e com fuselagens revestidas de madeira e tela, e dos canelados e lentos Junkers bimotores, a modernos caça rápidos todos de fuselagem metálica com poderosos motores de injecção ou turbo-compressão, até às poderosas super-fortalezas voadoras, que transportavam toneladas de bombas.

Apareceram também então, os primeiros caças com motores de reacção fabricados pela BMW. Hitler teve uma esquadrilha destes aviões à sua disposição, nos princípios de 1945, mas já era tarde, o III Reich já não tinha combustível e a guerra estava ganha pelos aliados. Oa alemães avançaram também muito na produção de carburante sintético, e produziram dezenas de milhões de toneladas durante a guerra.

Jeep

Nas campanhas de África apareceram os primeiros Volkswagen, adaptados para usos militares, com motores arrefecidos por ar, tanques alemães com motores diesel, menos vulneráveis a incêndios e explosões de combustível e o exército soviético aparece com os seus famosos T-34, com lagartas de 60 cms que passavam nas neves com toda a facilidade.

Aparece também o famoso GP "General Purpose Vehicle", com tracção às quatro rodas, que foi rapidamente rebaptizado de JEEP. A invenção do magnetrão pelos ingleses, permitiu aos aliados, a construção de radares na banda de microondas, com grande potência e definição, tornando o radar num poderoso e preciso, instrumento de detecção de navios e aviões.

Tanque russo T-34
A utilização para fins médicos da penicilina e sua produção em escala industrial, permitiu salvar a vida a milhões de feridos de combate, e abriu a época dos antibióticos, ajudando a vencer a guerra contra as doenças provocadas por microorganismos.

Apareceram os grandes porta-aviões, submarinos equipados com snorkel , que podiam utilizar os seus motores diesel debaixo de água e carregar as baterias. Equipamentos de sonar eficientes, para barcos e submarinos, e o grupo de Peenmunde, chefiado por Von Braun, cria os primeiros foguetes apelidados de bombas voadoras, a V1 e V2, esta mais rápida que o som, que lançaram a destruição sobre Londres, mas que no fundo, apesar dos horrores da guerra, iniciaram a época da conquista do espaço.

O ataque a Pearl Harbor

O ataque a Pearl Harbor foi uma operação aeronaval de ataque à base norte-americana de Pearl Harbor, efetuada pela Marinha Imperial Japonesa na manhã de 7 de Dezembro de 1941.

O ataque em Pearl Harbor, na ilha de Oahu, Havaí, foi executado de surpresa contra a frota do Pacífico da Marinha dos Estados Unidos da América e as suas forças de defesa, o corpo aéreo doexército americano e a força aérea da Marinha.

O ataque danificou ou destruiu 21 navios e 347 aviões, matando cerca de 2403 pessoas e ferindo outras 1178. Contudo, os trêsporta-aviões da frota do Pacífico não se encontravam no porto, pelo que não foram danificados, tal como os depósitos de combustível e outras instalações.


O ataque marcou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial2 e o início da Guerra do Pacífico, ficando conhecido como Bombardeamento de Pearl Harbor e Batalha de Pearl Harbor, embora o nome mais comum seja Ataque a Pearl Harbor ou simplesmente Pearl Harbor.

Na manhã do ataque, um novo radar instalado apenas uns dias antes do ataque indicou a presença dos aviões japoneses, mas o aviso foi confundido com a chegada prevista de um grupo de aviões dos EUA. Alguns aviões estado-unidenses foram abatidos à medida que a força de ataque se aproximava. Mas todos os avisos encontravam-se à espera de confirmação quando o ataque começou.

O ataque começou às 7h53min (hora local) de 7 de dezembro, que no horário de Tóquio correspondia às 3h23min de 8 de dezembro. Os aviões japoneses atacaram em duas vagas, nas quais 353 aviões chegaram a Oahu. A primeira vaga foi liderada por 186 torpedeiros-bombardeiros vulneráveis, aproveitando os primeiros momentos de surpresa atacando os navios no porto enquanto bombardeiros-de-mergulho atacavam as bases aéreas ao longo de Oahu, começando pelo campo aéreo Hickam, o maior, e o campo aéreo Wheeler, a principal base de caças. 

A segunda vaga de 168 aviões atacou o campo Bellows e a ilha Ford, uma base aérea naval e marinha no meio de Pearl Harbor. A única força de oposição veio de alguns P-36s e P-40s e de fogo antiaéreo naval.

O Massacre de Katyn 


Massacre da Floresta de Katyn, foi uma execução em massa ocorrida durante aSegunda Guerra Mundial contra oficiais poloneses prisioneiros de guerra, policiais e cidadãos comuns acusados de espionagem esubversão pelo Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia secreta soviética, comandada por Lavrentiy Beria, entre abril e maio de 1940, após a rendição da Polônia à Alemanha Nazista.

Através de um pedido oficial de Beria, datado de 5 de março de 1940, o líder soviético Josef Stalin e quatro membros do Politburo aprovaram ogenocídio. O número de vítimas é calculado em cerca de 22 000, sendo 21 768 o número mínimo identificado.

As vítimas foram executadas na floresta de Katyn, na Rússia, em prisões em Kalinin e Kharkov e em outros lugares próximos. Do total de mortos, cerca de 8 mil eram militares prisioneiros de guerra, outros 6 mil eram policiais e o restante dividido entre civis integrantes daintelectualidade polonesa - professores, artistas, pesquisadores,historiadores, etc - presos sob a acusação de serem sabotadores, espiões, latifundiários, donos de fábricas, advogados.

A União Soviética alegou que o genocídio havia sido praticado pelos nazistas e continuou a negar responsabilidade sobre os massacres até 1990, quando o governo de Mikhail Gorbachev reconheceu oficialmente o massacre e condenou os crimes levados a cabo pela NKVD em 1940, assim como ao seu subsequente encobrimento. No ano seguinte, Boris Yeltsin trouxe a público os documentos datados de meio século antes que autorizavam o genocídio.

Em novembro de 2010, a Duma Estatal russa aprovou uma declaração culpando Stalin e outros dirigentes soviéticos por haverem pessoalmente ordenado o massacre.

Os campos de extermínio Nazis

Campo de extermínio - era o termo aplicado a um grupo de campos construídos pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo expresso de matar os ditos inimigos do regime nazista (judeus, roma, sintis e yeniches, além de prisioneiros de guerra soviéticos).


Existe uma sensível distinção entre campos de extermínio e campos de concentração, tais como os de Dachau e Belsen, cuja maior parte se situava na Alemanha. Os campos de concentração constituíam um sistema de encarceramento e aglomeração dos vários "inimigos do Estado" (tais como comunistas e homossexuais) e dispunham de bases de recursos de trabalho forçado para empresas alemãs. Muitas vezes, os prisioneiros inicialmente detidos nestes campos de concentração eram posteriormente enviados para os campos de extermínio.


Nos primeiros anos do regime Nazi (estabelecido em 1933) alguns judeus foram enviados para estes campos. Após 1942, no entanto, houve o início dasdeportações em massa para os campos de concentração, sendo que muitos destes enviados eram, ou imediatamente ou em seguida, enviados para os campos de extermínio. Isso seria a "solução final da questão judia", que passou a história judaica como o Holocausto. Esses campos são também conhecidos como os "campos da morte".

O método de execução mais comum nestes campos era pelo gás Zyklon B, que era utilizado nas famosas câmaras de gás, apesar de muitos prisioneiros terem sido executados por fuzilamento e outros meios. Os corpos dos mortos eram destruídos em crematórios (excepto em Sobibór onde eles eram cremados em fogueiras ao ar livre), e as cinzas eram enterradas ou dispersas.

O número de pessoas mortas nos seis maiores campos foi estimado em:

Auschwitz-Birkenau: cerca de 1 100 000
Treblinka: pelo menos 700 0002
Bełżec: cerca de 434 5003
Sobibór: cerca de 167 0004
Chełmno: cerca de 152 0005
Majdanek: 78 000
Total: 2 631 500

A Bomba Atómica

Mas a maior proeza técnica alcançada neste período, foi a aplicação prática da famosa equação de Einstein E=MC² que todos conhecem, mas que raramente convertem en números práticos. A equação significa simplesmente, no sistema MKS, que um Kg-massa de matéria convertida totalmente em energia, produzirá 9.000x10¹³ joules ( 22 Mega toneladas de TNT ), que são equivalentes a 2,5x10¹³ Kw/hora, aproximadamente a energia eléctrica consumida em Portugal durante o ano de 1998.

Bomba atómica
A equipa que trabalhou no projecto Manhantan sabia isso muito bem, mas felizmente que as primeiras bombas atómicas, eram bombas de fissão nuclear, que produzem só uma pequena percentagem de energia da equação de Einstein, e a primeira bomba atómica lançada sobre Hiroshima era "apenas" equivalente a 22 Kilo-toneladas de TNT. Converteu apenas 1 grama de matéria em energia (9x10¹³ joules)

A seguir à fissão nuclear, mas já depois da guerra terminar, chegou-se à fusão nuclear, à bomba de hidrogénio, imitando-se o Sol, em que o calor necessário para a fusão do hidrogénio em hélio é produzido por uma explosão de uma bomba de fissão nuclear.

Actualmente já se produzem actualmente em laboratório milhões de partículas de anti-matéria por segundo, que mais dia menos dia transformarão em realidade prática para o bem, ou para o mal, todo o potencial energético da equação de Einstein.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

A Costa do Exílio

 A Costa do Exílio
Veja este site também em http://geocities.ws/atoleiros

Introdução 
Para os milhares de europeus em fuga devido à II Guerra Mundial, Portugal era um país mítico. O único destino possível. Estava em paz, era barato, cercado pelo Atlântico, era a ponte ideal para o Novo Mundo, os Estados Unidos da América. 
Dentro de Portugal, a Costa do Estoril foi o local mais procurado e abrigou personalidades europeias, realeza e artistas carismáticos

Tal como para Ilsa no filme Casablanca, que apanha um avião no meio das brumas em direcção a Lisboa, para os milhares de europeus em fuga devido à II Guerra Mundial, Portugal era um país mítico. O único destino possível. Estava em paz, era barato, e cercado pelo Atlântico, era a ponte ideal para o Novo Mundo, os Estados Unidos da América.

Dentro de Portugal, a Costa do Estoril era o local mais procurado. Fausto Figueiredo, um empresário visionário, tinha criado a Riviera portuguesa em 1935, e conseguira espalhar o charme deste pequeno pedaço de território português por toda a Europa. Praias, hotéis de luxo, casino, espectáculos... além de paz, segurança e tranquilidade.
 Não admira que os europeus empurrados pelo terror da guerra começassem a chegar em massa ao Estoril, a partir de 1939
Entre este ano e 1946 fixaram-se ou passaram pela Costa do Sol mais de 20 mil estrangeiros, segundo a Divisão de Segurança Pública da Câmara Municipal de Cascais. Exilados, chegaram reis, rainhas, princesas e duquesas. Com o estatuto de refugiados, escritores, pintores, realizadores de cinema, e todos os anónimos em busca de um canto pacífico e de um local de passagem seguro para recomeçarem a sua vida na terra prometida. 
A acompanhar todo este êxodo, a habitual escolta de jornalistas, espiões, diplomatas e polícias, em busca de notícias e informações. A "Linha" virou um local cosmopolita, movimentado e com muito charme, acima de tudo porque a guerra passava a ser um acontecimento longínquo. 
Para dar só um exemplo, o Sud Express, o comboio que ligava Paris a Lisboa, fazia escala final no Estoril, tendo Cascais inaugurado a sua estação ferroviária em 1946, altura em que se davam os últimos retoques à Estrada Marginal.
 
 
As famílias reais e os nobres da Europa não ficavam em hotéis. Procuravam mansões existentes nas encostas do Monte Estoril, do Estoril, ou de Cascais e aí fixavam residência. 
Carlota do Luxemburgo e a sua família chegaram logo em Junho de 1940, instalando-se na vila de Santa Maria, no Estoril. A grã-duquesa tencionava ficar por pouco tempo, mas por razões políticas acabou por permanecer vários anos em casa da família Posser de Andrade.
A Operação Willie
Também em Junho chegou um dos mais trágicos casais da realeza britânica, Eduardo de Windsor e Wallis Simpson, mulher por quem Eduardo abdicou do trono. O casal, que passou algum tempo em casa da família Espírito Santo e esteve hospedado no Hotel Atlântico, no Estoril, construído num rochedo a umas escassas dezenas de metros do oceano, viveu em Portugal episódios totalmente rocambolescos.
 O hotel, na altura, era dominado pelos alemães, que utilizavam a sua privilegiada posição geográfica para controlar o tráfego naval no mar. 
Quanto à trama que envolveu Eduardo, a história ainda hoje é pouco conhecida, mas sabe-se que um agente do III Reich, Walter Schellenberg, juntamente com o japonês Kijuro Suzuki, tentaram aliciar Eduardo, na vetusta sala de jogo do Atlântico, para uma caçada em Espanha, para concretizarem o objectivo de raptar o príncipe, transportando-o posteriormente para Berlim
No entanto, os ingleses, bastante activos a nível de espionagem, tomaram conhecimento do plano, e anteciparam-se, enviando o herdeiro do trono inglês para as Bahamas. O paquete britânico Excalibur veio de propósito a Lisboa para levar Eduardo para o exílio dourado.
Também Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus que deu o visto a milhares de judeus , conseguiu dar a liberdade a algumas figuras reais europeias. Otto e José de Habsburgo-Lottringen, arquiduques da Aústria-Hungria, receberam o seu visto em Bordéus, juntamente com os banqueiros Rotschild, que eram procurados pelos nazis. Otto permaneceu pouco mais de duas semanas no Estoril, tendo obtido rapidamente visto mas José ficou para sempre.
Nota - A História dos vistos que Aristides de Sousa Mendes, e muito bem, concedeu a milhares de judeus salvando-lhes a vida, tem sido sempre intencionalmente muito mal contada, principalmente pelos descendentes dos esquerdistas que pelas suas asneiras históricas colocaram democraticamente no poder na Alemanha, um doido como Hitler !.
 
Se Salazar quisesse, obedecendo aliás às exigências de Hitler, teria atirado ao mar todos os refugiados judeus que chegaram a Portugal ou tê-los-ia devolvido aos alemães que os teriam aceite e eliminado com todo o gosto. Mas não o fez, afirmando que os refugiados não eram cidadãos alemães, mas sim apátridas. 
E a injusta demissão de Aristides foi apenas pela desobediência e  pelo perigo em que colocava Portugal das represálias alemãs, pois Lisboa poderia ter ficado como Londres, só com a diferença de que os lisboetas não teriam tido um "metro" para se abrigar das bombas nazis !
Também não consta na história que os inúmeros judeus ricos que Aristides ajudou a salvar , tenham contribuído economicamente para o ajudar nos momentos de penúria que passou com a família depois da sua demissão!
 
Inicialmente, os Habsburgos foram acolhidos por Maria Benedita D'Oriol Pena, mas acabaram por comprar casa em Carcavelos, no Casal da Serra. Durante a permanência dos Habsburgos, o regime nazi tentou por várias vezes obter a sua extradição, mas o " malvado" Salazar nunca consentiu.Em Maio de 1941, quando se dá no Estoril o homicídio da inglesa Mabel Prince, crime que nunca foi resolvido, chega o rei Carol II da Roménia, que comprou uma casinha discreta no Estoril, a Mar e Sol. O único pormenor excêntrico foi oenorme cofre que Carol mandou construir no seu quarto, para guardar as jóias do seu reino e alguns documentos importantes.
 Após a morte do rei, em 1953, a sua amante, a bailarina Magda Lupescu, tentou vender todas as jóias, mas o governo romeno interveio imediatamente. A disputa quase deu origem a um incidente diplomático, e os romenos só conseguiram reaver a Coroa Real. As restantes jóias, documentos e obras de arte foram transportados para o Reino Unido, tendo sido leiloados na Sotheby´s.

O mais discreto membro da realeza europeia acolhido no Estoril foi a princesa Joana da Bulgária, que chegou no fim da década de 40. Joana ainda hoje vive isolada na sua casa do Estoril, saindo apenas para eventos de caridade. Dela apenas se sabe que chegou ao Estoril quase sem nada.
Também discretamente, mas altamente respeitados e acarinhados por tudo o que era "gente de bem" da Linha, viveram no Estoril, na Vila La Giralda, a partir de 1946, Don Juan de Battenberg e Bórbon, conde Barcelona, e o seu filhoJuan Carlos, que viria a recuperar o trono real de Espanha, pois para isso tinha sido escolhido e preparado por ordens de Franco. 
Juan Carlos estudou algum tempo no Estoril, e o seu pai, cujo grande prazer na vida era velejar, mas que apesar disso teve bastante tempo para promover várias reuniões com monárquicos espanhóis para recuperar a Coroa real castelhana, tinha em tão grande consideração o acolhimento dispensado pelos portugueses, que chegou um dia a dizer: "Nunca abandonarei nos maus momentos o país que me acolheu nas boas horas."

Humberto II de Itália chega ao exílio em 1946, deixando para trás um país em escombros, e adquiriu uma imponente casa em Cascais. O rei foi uma das presenças estrangeiras mais visíveis para as gentes da zona, tendo participado numa série de iniciativas de caridade. 
Um dos seus primeiros actos em Portugal foi uma visita à colónia balnear de "O Século", em S. Pedro do Estoril, onde se alojavam crianças refugiadas, na sua maior parte judias. 
Por outro lado, o rei entrou rapidamente no circuito de luxo do Estoril, sendo presença assídua em festas e outros eventos. Tal como todos os outros exilados de sangue azul ou com fortuna, Humberto, que diariamente assistia à missa, tirou alto partido da indústria de hotelaria e lazer da Linha, que sofreu um boom fortíssimo na altura.

O mar e a praia eram o pano de fundo permanente, tendo o biquíni ( o biquini foi inventado em 1947 ) sido introduzido nesta altura, perante um certo escândalo dos locais, ainda muito agarrados à cultura saloia. Ainda hoje se conta a história do almirante Horthy, regente da Hungria, que perdia todas as tardes no paredão Estoril-Cascais, a olhar para o mar. 
Um costume que ganhou tradição. A nível de hotéis, o "must" eram o Palácio, o Grande Hotel de Itália e o Albatroz.O Seteais na misteriosa Sintra. O Casino era o grande centro de atracção, principalmente porque promovia quase semanalmente grandiosos bailes, que rivalizavam com os do Palácio. A combater a hegemonia do Casino na vida nocturna, foi inaugurada nos anos 40 a discoteca Palm Beach, em Cascais, que oferecia a música de uma imponente orquestra.
 A nível de restaurantes, Muxaxo, Pé-Leve e Choupana davam cartas, acompanhados pelas pastelarias Faz-tudo e Casa Laura, em Cascais, e Garrett e Deck, no Estoril, que ainda hoje estão abertas.

Intelectuais, escritores, realizadores de cinema e artistas eram também presença assídua na vida social do Estoril, nos anos da guerra. Max Ophuls chegou em 1941, juntamente com a família, e ficou na casa Bela Vista, no Estoril. No entanto, o homem que foi para Hollywood realizar vários filmes de sátira social, não ficou muito tempo na costa, tendo partido rapidamente para a América. 
O mesmo se passou com os seus camaradas de profissão Jean Renoir e René Clair, que andaram pelo Casino e pela praia durante a sua estada, mas na primeira oportunidade voaram para a terra prometida. Antoine de Saint-Exupéry, esse eterno vagabundo, autor de O Principezinho, chegou em 1940 e ficou bastante mais tempo, tendo conhecido toda a zona do Estoril e Sintra, e frequentando todos os locais que valia a pena frequentar, sempre com um pequeno bloco de notas no bolso. Saint-Exupéry começou por se alojar no Palácio, mas preferiu depois a intimidade de uma vivenda perto do Casino. 
Saint-Exupéry o ingrato - que pelos vistos não sabia ser reconhecido para quem o acolhia salvando-lhe a vida -  acabará também por partir para a os Estados Unidos, mas não sem antes cunhar Portugal de o : "O paraíso triste."  
Com ele cruzou-se o sociólogo romeno Mircea Eliade, que começará a escrever na Rua da Saudade, 13, em Cascais, o seu Tratado da História das Religiões. 
Maurice Maeterlinck, Nobel da Literatura, bem como o conhecido guru da economia, John Keynes, estiveram igualmente no Estoril na altura, mas a história ainda não recuperou os seus dias estorilenses. No meio do oásis de paz e tranquilidade que o Estoril era na altura, aconteceram algumas tragédias. 
O campeão mundial de xadrez, o russo Alexander Alekhine, que só descia do seu quarto no Palácio para comer e jogar, suicidou-se numa manhã sem história. Leslie Howard, actor inglês, morreu a bordo de uma avião da BOAC que descolava de Cascais para novos destinos.

Fervilhando de figuras e acontecimentos sociais, bem de como de conjuras, num regime que atingia o seu expoente máximo em termos de totalitarismo, a Costa do Sol assistia ainda à presença de diversos agentes de espionagem, sempre de uma forma dissimulada.

Worthus, o alemão que construiu o Hotel Atlântico, e que diversas vezes hasteou a bandeira nazi, era obviamente um deles.

Tal como a alemã Emily Nolte, que fundou em 1939 a Escola Alemã na Vivenda Pilar, Estoril, palco de diversas operações de espionagem. José António Barreiros, no seu livro A Lusitânia dos espiões, dá-nos conta de casos como o do jugoslavo Dusko Popov que, operando no Casino, servia alemães e ingleses ao mesmo tempo. 
Agente duplo até ao final do conflito, Popov só chamaria as atenções sobre si uma vez, quando se envolveu numa cena de pugilato nos jardins do Casino com um agente alemão que o pretendia revistar, procurando informações sobre as actividades dos ingleses. 
Um outro caso citado por Barreiros é o de Nubar Gulbenkian, filho de Calouste Gulbenkian, que trabalharia para o MI9, um dos departamentos de informação britânicos. 
Nudar seria encarregue de organizar as redes de passagem dos refugiados chegados a Lisboa via Espanha, que depois seriam transportados para Londres. 
Todos se vigiavam uns aos outros, e a PVDE, antecessora da PIDE, tentava vigiar portugueses e estrangeiros. Se todos estes casos e figuras são os mais sonantes, por representarem instituições e países, não se pode deixar de mencionar um outro tipo de exilados que chegaram à Costa do Estoril durante a II Guerra: os refugiados anónimos.


 

Sem dinheiro, estatuto social ou político, chegavam aos montes a Vilar Formoso, a maioria de origem judaica, e com um visto passado por Aristides de Sousa Mendes ou por outros diplomatas que, obedecendo às leis do coração e contrariando as ordens de Salazar, davam-lhes o carimbo que simbolizava a vida e a esperança. Eram checos, polacos, alemães, austríacos, e fugiam da morte certa.
Salazar, por diversas razões, nomeadamente de índole diplomática com receio das represálias alemãs, tentava ao máximo evitar a sua entrada. No início, tentava-se separar os refugiados por nacionalidades, colocando-os em diversas zonas do país, mas o fluxo era de tal forma que depressa se desistiu desta estratégia. 
E, logicamente, o Estoril, até pela sua proximidade em relação a Lisboa, ponto fulcral de comunicações aéreas ou marítimas, era um dos locais preferidos. A Colónia Balnear de "O Século" foi um dos locais de refúgio de muitas crianças que puderam, assim, atingir a vida adulta.

Após o final do conflito, com a Europa em reconstrução, Portugal, e a Costa do Estoril em particular, deixa então de ser um palco fervilhante de acontecimentos. Mas os anos da guerra tinham deixado a sua marca para sempre, e muitos dos que pensavam ser esta zona apenas um local de passagem, tinham-na agora escolhido como local de permanência. 
( Condensado de artigo na Internet de José Vegar/Luís Villalobos)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Figuras depois do 25 de Abril


Figuras depois do 25 de Abril

Cavaco Silva, (Aníbal António) 

Economista e político, n. em Boliqueime, Loulé, em 1939. Licenciado em Finanças pelo ISCEF (1964), seguiu para o Reino Unido (1971) onde obteve o doutoramento na Universidade de York (1973). 

Foi professor no ISCEF e depois na Universidade Católica. Depois do 25 de Abril ingressa no PPD actual PSD. 

Ganha o congresso da Figueira da Foz (Maio de 1985) e forma governo de minoria até 1987. Neste ano ganha as eleições antecipadas com maioria absoluta e volta a ganhá-las em 1991. Foi chefe do executivo desde as primeiras eleições de 1985 a 1995. Ganha as eleições presidenciais de 2006 e 2011.


Cunhal (Álvaro Barreirinhas) 

Nasceu em Coimbra em 10 de Novembro de 1913. Iniciou as suas actividades políticas no PCP em 1930 com 17 anos. Faleceu em Lisboa em 13 de Junho de 2005. Tirou o curso de direito na Universidade de Lisboa. Participa em diversas actividades do PCP em Portugal. 

Preso várias vezes, sendo a última em 1950, foi condenado em Maio de 1950, permanece na prisão até 1960 quando consegue evadir-se, numa fuga que ficou célebre, da prisão de Peniche. 

Secretário Geral do PCP, desde a morte de Bento Gonçalves, é nomeado ministro sem pasta do I Governo provisório. Ocupa o mesmo cargo nos três Governos Provisórios seguintes, até Agosto de 1975. Foi várias vezes deputado pelo círculo de Lisboa.

"O pequeno Álvaro é baptizado em Seia, terra natural do pai, para onde a família entretanto se mudara. Por influência da mãe, está bom de ver, que aliás escolhe para madrinha de baptismo do petiz… Nossa Senhora da Assunção. 

Padrinho, o irmão mais velho, António, que haveria de morrer novo, tal como uma das duas irmãs, Maria Massunta. 

A outra, Maria Eugénia, dez anos mais nova do que Cunhal, terá sido sempre a mais próxima de Álvaro. É dela, de resto, a única morada oficial que, durante muitos anos, se conheceu ao defunto líder comunista. O número 17 da lisboeta Rua Sousa Martins ficava quase colado à antiga esquadra do Matadouro, nas Picoas, de onde se vigiava permanentemente a casa da família Cunhal.

É ainda em Seia que Álvaro faz, aos nove anos, a primeira comunhão. E começa a frequentar a escola primária, que contudo abandona logo ao fim do primeiro dia de aulas. Passa a ser directamente ensinado pelo pai, que aceitara o acto de rebeldia, na casa das cercanias da Serra da Estrela. Fez a primária em casa, mas aos 11 anos, a família mudou-se para Lisboa, tendo estudado nos liceus Pedro Nunes e Camões.
Enterro de Álvaro Cunhal em 2005
Muda-se, depois, para o Camões, onde apresenta trabalhos de investigação sobre Garrett, Herculano e a Revolução Liberal, o realismo em Eça e em Fialho, Bocage e a luta pela liberdade. Em 1931, com 17 anos, tem o curso liceal terminado. A média final não é de impressionar: 13 valores. Mas a Filosofia obtém 15 e a Português 16."

Durão Barroso, José Manuel 

Nasceu em Lisboa, 23 de Março de 1956 - ) é um político português e presidente da Comissão Europeia desde Novembro de 2004, após abandonar o cargo de Primeiro Ministro de Portugal.

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez mestrado em Ciências Económicas e Sociais pela Universidade de Genebra. A sua carreira académica continuou como professor assistente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e no Departamento de Ciência Política da Universidade de Georgetown (em Washington), onde efectuou trabalho de pesquisa no âmbito do seu doutoramento. De regresso a Lisboa, Durão Barroso foi director do departamento de relações internacionais da Universidade Lusíada.


A sua actividade política teve início nos seus tempos de estudante, antes da Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974. Foi um dos líderes do PCTP-MRPP (Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses - Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado), força política de inspiração maoísta. Em Dezembro de 1980, Durão Barroso aderiu ao Partido Social Democrata, no qual está filiado até hoje.

A sua carreira política no PSD levou-o aos seguintes cargos:
Sub-Secretário de Estado no Ministério de Assuntos Internos (1985-1987)
Secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação (1987-1992)
Ministro dos negócios estrangeiros (1992-1995)

Em 1990 ele foi o principal promotor dos acordos de Bicesse, que levaram a um armistício temporário na Guerra Civil de Angola entre MPLA e a UNITA de Jonas Savimbi. Foi também um divulgador no panorama político internacional da causa da independência deTimor-Leste, ex-colónia portuguesa invadida a 7 de Dezembro de 1975 pela Indonésia e considerada por este país como a sua 27ª província.

A 6 de Abril de 2002, Durão Barroso tornou-se primeiro-ministro de Portugal. Como primeiro-ministro destacou-se pela política de contenção da despesa pública (onde se destaca a actividade da sua ministra das finanças,Manuela Ferreira Leite) e pelo apoio à invasão do Iraque em 2003, uma decisão que, de acordo com as sondagens, era contrária à opinião de parte dos portugueses.

A 29 de Junho de 2004, Barroso anunciou a sua demissão, para assumir o cargo de presidente da Comissão Europeia, remodelada e com mais poderes, sucedendo neste cargo a Romano Prodi, depois do seu governo ter, durante bastante tempo, apoiado António Vitorino (socialista, da oposição) como candidato português para este cargo. Deveria ser conduzido no cargo a 1 de Novembro de 2004, para um mandato de cinco anos. No entanto, devido a não ter conseguido reunir os apoio necessários junto do Parlamento Europeu para a aprovação da lista de comissários, a 27 de Outubro de 2004, Durão Barroso pediu que a votação fosse adiada para data posterior.

O actual Presidente da Comissão Europeia, europeu convicto, impressiona os portugueses e o mundo, não só pela sua capacidade de trabalho e inteligência mas por dominar fluentemente várias línguas. Durão Barroso é casado e tem três filhos.

Eanes, António dos Santos Ramalho 

Ex-presidente da República Portuguesa, nasceu em Alcaíns , Castelo Branco em 25 de Janeiro de 1935. Completado o Curso dos Liceus, ingressa na Escola do Exército em 1953. Sai alferes de infantaria em 1957, e é major quando eclode o 25 de Abril. 

Tenente coronel em Dezembro de 1974, é graduado em general de 4 estrelas em 1974 e promovido por distinção ao mesmo posto em 1978. Na sua vida militar constam várias comissões no Ultramar. 

Foi director de programas da RTP. Em 1976 ganhou as eleições para presidente da República por larga maioria e volta a ganhá-las em 1981. Foi chefe do Estado Maior das Forças Armadas. Tem várias condecorações portuguesas e estrangeiras.

Gonçalves, Vasco 

Nasceu em 1922 - Faleceu em 2005. Militar. Surgiu no Movimento dos Capitães em Dezembro de 1973, numa reunião alargada da sua comissão coordenadora efectuada na Costa da Caparica. 

Coronel de engenharia viria a integrar a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas.

Passou a ser o elemento de ligação com Costa Gomes. Elemento da Comissão Coordenadora do MFA, foi, mais tarde, primeiro ministro de sucessivos governos provisórios (II a V). 

Tido geralmente como pertencente ao grupo dos militares próximos do PCP, perdeu toda a sua influência na sequência dos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975

Guterres, António 

António Manuel de Oliveira Guterres, 56 anos, nasce a 30 de Abril de 1949 na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa. A sua infância é dividida entre a capital e a terra natal da mãe, Donas, na Beira Baixa. Aluno brilhante, em 1965 entra para o curso de Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico, licenciando-se em1971, com a classificação final de 19 valores.

Profundamente católico, envolve-se, nessa altura, nas discussões religiosas e sociais do "Grupo da Luz", que integrava, entre outros, Helena Roseta e Marcelo Rebelo de Sousa. Nesse grupo, conhece também o padre Vítor Melícias que, em 1972, celebra o seu casamento com Luísa Melo.


Após o 25 de Abril, com Manuel Alegre, dinamiza a Federação Distrital do PS de Lisboa (FAUL), cola cartazes e participa em comícios. A amizade com Salgado Zenha, então ministro das Finanças, conduziu-o depois à chefia chefe do seu gabinete.

Já nos anos 80, foi membro do Comissão de Integração Europeia (comissão negociadora da adesão de Portugal à Comunidade Europeia) e director de Desenvolvimento Estratégico do Investimento e Participação de Estado.

A carreira política é iniciada em 1972, quando adere ao Partido Socialista. Brevemente deixa a carreira académica e dedica-se integralmente à política. A seguir ao 25 de Abril envolve-se na organização interna do partido. Apesar de alguma oposição interna, muito devido ao facto de se afirmar católico num partido cujos militantes são maioritariamente ateístas ou agnósticos e com forte influência da Maçonaria. Em 1988, torna-se presidente do grupo parlamentar socialista e, um ano mais tarde, chega ao Conselho de Estado.

Quatro anos mais tarde, no congresso de Fevereiro de 1992, disputa a liderança do PS com Jorge Sampaio, ganhando as eleições ao agora Presidente da República, então "a braços" com uma pesada derrota nas legislativas de 1991.

Em 1995 consegue a sua grande vitória eleitoral, pondo fim a 10 anos de governação de Cavaco Silva, e chegando ao poder numa eleição em que teve como principal adversário Fernando Nogueira.

Começa aqui a sua caminhada de seis anos à frente do Governo, que irá terminar na noite de 16 de Dezembro de 2001, ao demitir-se após a derrota eleitoral do PS nas eleições autárquicas, decisão que justificou com a necessidade de evitar que o país, "num momento de crise internacional" caísse num "pântano político".

A sua saída do Governo coincidiu com o abandono da vida política nacional activa, mantendo-se apenas como presidente da Internacional Socialista, cargo para o qual foi eleito em 1999, sucedendo ao francês Pierre Maurroy.

Em 24 de Maio de 2005 é nomeado novo Alto Comissário da ONU para os Refugiados. O anúncio oficial foi feito às 17h00 pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral. Entretanto, o porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas também confirmou a nomeação


Mota Pinto, (Carlos Alberto da). 

Advogado e político, nascem em Pombal a 25 de Julho de 1936 e morreu em Coimbra e, 7 de Maio de 1985. Licenciou-se na Faculdade de direito de Coimbra em 1958. Em 1970 doutourou-se em Direito (Ciências Jurídicas) pela Universidade de Coimbra.Em 1972 regeu cursos de Direito Comparado na Universidade de Pescara em Itália. 

Ingressou no PPM Partido Popular Democrático em 1974, sendo deputado em 1975. Abandona o PPD por discordâncias com Sá Carneiro. Em 1978 ascende ao cargo de 1º Ministro no IV Governo Constitucional. Exerceu as funções de presidente do PSD de 1984 a 1985.



Passos Coelho, Pedro Manuel Mamede

Filho de António Passos Coelho (Vila Real, Vale de Nogueiras, 31 de Maio de 1926), médico, e de sua mulher (casados em 1955) Maria Rodrigues Santos Mamede (Ourique,Santana da Serra, c. 1930)[2], cresceu com a irmã Maria Teresa e o irmão entre Silva Porto e Luanda, em Angola, onde o pai exercia medicina. Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, tendo ido viver com a família para Vale de Nogueiras, concelho de Vila Real, donde o seu pai é originário.

Concluiu o ensino secundário na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, no mesmo concelho.Aderiu à Juventude Social Democrata em 1978, tendo chegado a presidente da sua Comissão Política Nacional, em 1990, cargo que ocupou até 1995. Foi deputado à Assembleia da República, pelo círculo eleitoral de Lisboa, entre 1991 e 1999. 

Integrou a Assembleia Parlamentar da OTAN, até 1995, e foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, de 1996 a 1999. Foi candidato a presidente da Câmara Municipal da Amadora, em 1997, exercendo o cargo de vereador até 2001.É licenciado em Economia pela Universidade Lusíada de Lisboa, desde 2001
.


Sá Carneiro, ( Francisco de ) 

Advogado e político, nasceu no Porto em 19 de Julho de 1934. Morreu num acidente de aviação em Camarate, perto de Lisboa, a 4 de Dezembro de 1980. Licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa em 1956. Em 1969 "durante a primavera marcelista", foi convidado a participar na lista de candidatos da ANP - Acção Nacional Popular. 

Assim tomou assento na Assembleia Nacional. Com o eclodir do 25 de Abril, Sá Carneiro vem a constituir com Magalhães Mota e Pinto Balsemão, o PPD - Partido Popular Democrático. Eleito secretário-geral do PPD, teve que retirar-se em 1974 devido a graves problemas de saúde. 

Em Outubro de 1976 o PPD passou a chamar-se PSD - Partido Social-Democrata. as eleições de 1979, coligado com o CDS, com a designação de AD, ganha a maioria absoluta e forma governo ( o primeiro governo à direita desde o 25 de Abril de 1974).


A Figura de Salgueiro Maia

Honor ao Mérito - 

O mais honesto da Revolução dos Cravos ! 

Militar de méritos reconhecidos, dotado de uma inteligência superior e de uma coragem e lealdade invulgares, dele se diz "ter sido o melhor de entre os melhores dos corajosos e generosos Militares de Abril". Nasceu em Castelo de Vide. Fez os estudos secundários no Colégio Nun'Álvares, em Tomar e no Liceu Nacional de Leiria.

Entrou para a Academia em 1964 e em 1966 ingressou na Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Combateu na Guiné e em Moçambique, já com a patente de capitão. Foi um dos elementos activos do MFA. 
No dia 25 de Abril de1974, comandou a coluna militar que saiu da EPC de Santarém e marchou sobre Lisboa, ocupando o Terreiro do Paço. Horas mais tarde comanda o cerco ao Quartel do Carmo que termina com a rendição de Marcelo Caetano. 

Foi membro activo da Assembleia do MFA, durante os governos provisórios, mas não aceitou qualquer cargo político no pós 25 de Abril.

A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santa Margarida. Em 1984 regressa à EPC.



Em 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1992, a título póstumo, o grau de Grande Oficial da Ordem da Torre e Espada e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém. Faleceu em Santarém, a 3 de Abril de 1992, vítima de cancro. 

Condensado do Site sobre o 25 de Abril da Universidade de Coimbra.


Sampaio ( Jorge Fernando Branco de Sampaio)

Nasceu em 1939. Iniciou a sua carreira política ainda como estudante da Faculdade de Direito de Lisboa (por onde se licenciou pouco depois) quando, em 1962, o governo de Salazar proibiu a comemoração do Dia do Estudante, desencadeando uma crise marcada pela greve estudantil . 

Terminado o curso, dedicou-se à advocacia, participando, como muitos outros advogados oposicionistas, em julgamentos nos Tribunais Plenários, como defensor de oposicionistas presos. próximos do Partido Socialista (Movimento de Esquerda Socialista e Grupo de Intervenção Socialista), acabando por aderir ao Partido Socialista, do qual foi mais tarde Secretário-Geral. Como militante socialista, candidatou-se e foi eleito por três vezes para o Parlamento, tendo cumprido um biénio como presidente do Grupo Parlamentar do seu partido. 


Se a sua experiência governativa é curta ( Secretário de Estado em 1975 ), o mesmo já não se pode dizer da sua permanência à frente da edilidade lisboeta, pois nesta assumiu dois mandatos sucessivos, o último dos quais interrompido para Sampaio se candidatar à Presidência da República em 1996. Beneficiando de um apoio vasto de figuras da política e da cultura, e beneficiando também da solidariedade institucional do PS, de que continua a ser militante, venceu (com 53,8% dos votos) os seus transformando-se no terceiro presidente eleito depois da restauração da Democracia.


Santana Lopes, Pedro Miguel de

Nasceu em 29 de Junho 1956, em Lisboa, é um político português, actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa e antigo Primeiro-ministro de PortugalSantana Lopes é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Aderiu ao Partido Social Democrata Português (PSD) em 1976, onde hoje exerce as funções de presidente.


Fez parte do governo português de Aníbal A. Cavaco Silva, tendo sido o seu Secretário de Estado para a Cultura. Foi também presidente do Sporting Clube de Portugal, e presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz - até ao momento um dos raros cargos que cumpriu até ao fim do mandato - e, posteriormente, foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que ganhou nas Eleições Autárquicas de 2001.

Depois da demissão de Durão Barroso do cargo de Primeiro Ministro de Portugal em 6 de Julho de 2004 (aceitando o convite para ser candidato a presidente da Comissão Europeia), Santana Lopes, que era então o vice-presidente do Partido Social Democrata (PSD) assumiu a sua presidência. Pondo fim à crise política aberta no país com a demissão do Primeiro Ministro, o Presidente da República Jorge Sampaio convidou Santana Lopes a formar novo governo, a 12 de Julho foi indigitado primeiro ministro e a 17 de Julho tomou posse. No entanto, a 30 de Novembro, Sampaio anunciou que iria convocar eleições antecipadas devido ao que entendeu ser a instabilidade politica existente.

Após a tomada de posse do executivo de José Sócrates, Santana Lopes decidiu reassumir automaticamente o lugar de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É pai de cinco filhos e filhas.



Soares ( Mário) 

Ex-Presidente da República de Portugal, de seu nome completo Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1924. É licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Lisboa,(1951) e em Direito pela Faculdade de Direito desta mesma cidade (1957) e exerceu a advocacia durante muitos anos.

Quando do seu exílio em França exerceu actividades de ensino em v+árias Universidades Francesas. Desde novo que enveredou pela actividade política contra o regime de Oliveira Salazar. Englobou a candidatura de Humberto Delgado em 1958. Actuou como advogado de defesa de diversos presos políticos. Foi preso 12 vezes, deportado para S.Tomé e teve que exilar-se para França. Depois do 25 de Abril regressou a Portugal. 

Embora participando dos primeiros governos após o Abril, entrou em conflito com o V Governo provisório que provocou a queda de Vasco Gonçalves. Foi primeiro Ministro do IX Governo durante a coligação PS/PSD (1983-1985). Ultima o processo de adesão de Portugal à CEE.

Sócrates, José ( José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa )

Nascido em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real, em 6 de Setembro de 1957
Engenheiro Civil. Pós-graduado em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública

Militante do Partido Socialista desde 1981.Presidente da Federação Distrital de Castelo Branco entre 1986 e 1995. Membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista desde 1991, e membro da Comissão Política do PS. Porta-voz do PS para a área do Ambiente a partir de 1991


Deputado à Assembleia da República de 1987 a 1995 e desde 2002 (V, VI, VII, VIII e IX Legislaturas), pelo círculo de Castelo Branco, tendo sido, na IX Legislatura, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS, membro da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República

Membro da Assembleia Municipal da Covilhã. Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território do XIV Governo Constitucional. Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro do XIII Governo Constitucional. Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente do XIII Governo Constitucional

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Alexandre Herculano

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, 

Nasceu em Lisboa a 28 de Março de 1810, faleceu em Santarém a 3 de Setembro de 1877 ), historiador, novelista, e poeta, um dos escritores a quem é creditado a introdução do Romancismo em Portugal. Como historiador foi líder da opinião liberal, desfrutando de um prestígio nacional comparável ao de Victor Hugo em França. 

Em jovem Herculano tomou parte numa revolta sem sucesso contra D. Miguel e foi forçado em exilar-se na Inglaterra e em França. Em 1832 regressou a Portugal no pequeno exército de D. Pedro que derrotou D. Miguel e estabeleceu um regime democrático

Convencido de que deveria fazer-se uma importante reforma cultural para acompanhar a mudança política, abandonou a poesia e tornou-se editor de O Panorama (1837-39), onde publicou lendas históricas, mais tarde publicadas em dois volumes como Lendas e narrativas (1851). 

Eleito para as Cortes em 1840, lutou por uma reforma democrática da educação, mas as reviravoltas políticas de 1841, com Costa Cabral estabeleceram um regime autoritário. Desde 1839 colocado na Biblioteca Real da Ajuda, escreveu a sua ambiciosa História de Portugal. Também escreveu novelas históricas à maneira de Sir Walter Scott, um género que introduziu em Portugal.

O primeiro volume da História de Portugal apareceu em 1846. É um dos mais sofisticados trabalhos da historiografia Romântica, cobrindo todo o período iniciais da história de Portugal até 1279. Como resultado da sua pesquisa de manuscritos originais ele chocou os seus contemporâneos eliminando muitas lendas históricas de tipo religioso.

A batalha de Ourique, cuja vitória se atribuía ao aparecimento de Cristo ao primeiro rei de Portugal, não passava de uma lenda, e a batalha de Ourique como hoje realmente se esclarece, não passou de um "fossado" das hostes de D. Afonso Henriques a território muçulmano.

Isto provocou a reacção da Igreja, que protestou desde o púlpito e nos jornais, levando Herculano a replicar denunciando a ignorância do clero. Em 1851 Costa Cabral foi derrubado pelo movimento da Regeneração no qual tomou parte Herculano.

Para combater os elementos ultra-conservadores que tentavam minar o novo regime, Herculano ajudou a fundar dois jornais donde atacava o centralismo político e a influência do clero. Apesar de ser católico romano e cristão convicto, a sua guerra contra o clero levou-o a ver o ultramontanismo (a doutrina da supremacia papal sobre as igrejas nacionais) como o maior inimigo das instituições liberais. A este período pertencem Da origem e estabelecimento da inquisição em Portugal(1854-59). 

Baseado em documentos desconhecidos até então, tenta demonstrar que o absolutismo real e o poder do clero tinham sido aliados na confiscação da propriedade dos "Cristãos Novos" (judeus convertidos) através da Inquisição. Herculano batalhou contra a restauração das ordens monásticas e lutou pelo casamento civil. Desde 1871 ele foi abertamente crítico dos novos dogmas da Imaculada Conceição e da inefabilidade do Papa. 

O quarto e último volume da sua historia foi publicado em 1853. A nomeação de um inimigo pessoal para os arquivos nacionais em 1856, levaram Herculano a retirar-se para sua quinta no vale de Lobos perto de Santarém.

Condensado da informação da Enciclopédia Britanica