sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Palácios

O Palácio de Queluz

IPA : Monumento

Nº IPA : 1111070008

Designação : Palácio Nacional de Queluz e jardins

Localização : Lisboa, Sintra, Queluz

Acesso : Queluz de Baixo

Enquadramento : Urbano, destacado, isolado



Descrição: De planta complexa (correspondendo à aglutinação de vários núcleos e fases distintas de construção), o edifício organiza-se genericamente em L enquadrando os jardins por meio de várias alas, as quais apresentam volumetria escalonada, sendo a cobertura efectuada por telhados a 2 e a 4 águas. 

Do lado externo a E., o palácio abre 2 braços curvos, sendo o braço N. ocupado pela cozinha e dependências anexas, e prolongando-se linearmente o braço S. numa ala caracterizada pelo volume da cobertura bolbosa da capela e pela abertura convexa do pórtico de acesso. 

Merece menção sobretudo a componente decorativa que caracteriza algumas salas, constituída por pintura a fresco (Sala das Açafatas), revestimento a espelhos, estuque e talha dourada (Toucador da Rainha, Sala do Trono), parquet de madeiras exóticas (Sala D. Quixote) ou azulejos (Corredor das Mangas).




Utilização Inicial : Residencial

Utilização Actual : Turística / Cultural

Propriedade : Pública: estatal

Afectação : IPPAR, DL 106F/92, de 01 Junho

Época Construção : Séc. 18

Arquitecto/Construtor/Autor : Arq. Mateus Vicente de Oliveira (1706 - 1785), Arq. Jean-Baptiste Robillon (1704 - 1782), Arq. Manuel Caetano de Sousa (1742 - 1802)

Cronologia 

1654 - a quinta de Queluz, pertença do Marquês de Castelo Rodrigo, passa para a posse da Casa Real e é incorporada na Casa do Infantado; 

1747 - início da construção de um palácio, por iniciativa do príncipe D. Pedro (o m. q. D. Pedro III, pelo seu casamento com a rainha D. Maria I); 

1756 - revestimento azulejar (da autoria de João Nunes de Oliveira) do canal de recreio que anima o jardim

1758 - até esta data as obras prosseguem sob a direcção de Mateus Vicente de Oliveira, cuja presença é então requerida em Lisboa para efeitos da reconstrução da cidade sendo substituído em Queluz por Robillon, o qual será responsável designadamente pela concepção dos jardins; 

1760 - conclusão da ala ocidental; 

1761 - ornamentação da Sala das Talhas; 

1765 - construção de uma pequena praça de touros no jardim; 

1768 - remodelação da Sala do Trono; 1778 - construção do teatro; 

1782 - a morte de Robillon faz com que a direção das obras seja entregue a Manuel Caetano de Sousa, sendo então o palácio dotado de quartéis para a guarda real, casa de administração, cavalariças e outras dependências anexas; 


1784 - revestimento azulejar do Corredor da Manga, da responsabilidade do azulejador Francisco Jorge da Costa; 

1786 - fim da primeira grande fase de construção do palácio, coincidindo com a morte de D. Pedro III; 

1794 - o palácio passou a ser residência oficial da família real portuguesa; 

1807 - aquando da partida da família real portuguesa para o Brasil, o palácio é despojado de parte do seu recheio; 

1908 - por cedência de D. Manuel II, o palácio passa para a Fazenda Nacional; 

1934 - violento incêndio destrói parcialmente o palácio



O Palácio dos Duques de Bragança

Protecção Legal : Monumento Nacional (MN);

Dec. 16-06-1910, Zona Especial de Protecçao DG, 2ª série, nº 170, 23-07-1955

Endereço : Paço dos Duques de Bragança
Rua Conde D. Henrique
4810-245 Guimarães

Freguesia :Oliveira do Castelo

Guimarães

Mandado construir no primeiro quartel do século XV, provavelmente entre 1420 e 1422, por D. Afonso, Conde de Barcelos - filho bastardo de D. João I e futuro Duque de Bragança -, a edificação do Paço coincidiu com a concretização do seu segundo casamento, altura em que fixou residência em Guimarães. O século XVI marcou o início do abandono progressivo e consequente ruína, processo que se agravou durante o século XIX, quando o Paço serviu de pedreira para as populações vizinhas. A partir de 1937 procedeu-se à reedificação arquitectónica, possível a partir da análise da estrutura e da reformulação de numerosos elementos, que lhe conferiram o carácter de Paço europeu que hoje detém.


Das colecções destaca-se, pelo seu valioso contributo para a História dos Descobrimentos Portugueses, o conjunto das quatro cópias das tapeçarias de Pastrana, cujo desenho é atribuído ao pintor Nuno Gonçalves, autor do políptico de S. Vicente de Fora, que narram alguns dos passos das conquistas do Norte de África; a colecção de porcelanas da Companhia das Índias; o conjunto de faianças portuguesas das principais fábricas da época: Prado, Viana, Rocha Soares, Rato; o núcleo de tapeçarias flamengas, nomeadamente as que foram executadas segundo cartões de Pieter Paul Rubens, entre muitas outras obras.


O Paço dos Duques está hoje classificado como Monumento Nacional (MN) e engloba na sua estrutura, para além de uma área de Museu, uma ala (fachada principal, 2° piso) destinada à Residência Oficial da Presidência da República.


O Palácio da Ajuda
IPA : Monumento

Designação : Paço da Ajuda / Palácio Nacional da Ajuda (v. 1106010061)

Localização : Lisboa, Lisboa, Ajuda

Acesso : Lg. da Ajuda

Enquadramento : Urbano, destacado, isoladoDescrição :



De planta sensivelmente quadrada, organizando, em torno de um pátio quadrangular, 4 alas (encontrando-se a O. incompleta) cuja volumetria paralelepipédica é coberta por telhados a 2 águas articulados nos ângulos. A fachada E. do palácio, tornada principal, apresenta uma organização em 3 corpos, integralmente em cantaria de lioz.

No nível térreo do corpo central abrem-se 3 arcos - de acesso ao grande vestíbulo onde se rasgam vários nichos preenchidos com estátuas figurando Virtudes - sobre os quais se eleva a varanda nobre para onde abrem 3 janelões rectangulares inscritos em arcos de volta inteira e ladeados por colunas.


No INTERIOR há a destacar, entre as inúmeras salas do Palácio, no 1º andar:

Sala dos Archeiros, Sala do Porteiro da Cana, Sala de Espera ou da Audiência , Sala de D. Sebastião ou dos Cães, Sala do Despacho ou do Beija-mão, Sala de Música e ainda a Salinha de Saxe e a Sala de Mármore ou Jardim de Inverno.
Utilização Inicial : Residencial / Administrativa

Utilização Actual : Administrativa / Cultural / Marco histórico-cultural

Propriedade : Pública: estatal

Época Construção : Séc. 18 / 19

Arquitecto/Construtor/Autor : Manuel Caetano de Sousa, arquitecto; Francisco Xavier Fabri, arquitecto; José da Costa e Silva, arquitecto; António Francisco Rosa, arquitectoNo 2º andar: Temos a Sala Oriental ; Sala de D. Fernando , Sala Império, Sala dos Gobelins , Sala do Trono , Sala de Jantar e ainda a Sala do Corpo Diplomático, aSala de D. João VI e a Sala da Aclamação ou da Tocha.

Familia Real
Cronologia : 1795 - lançada a 1ª pedra do palácio real a construir segundo projecto de Manuel Caetano de Sousa, sendo as obras interrompidas pouco depois;

 1802 - aprovação dos projectos de Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva, reiniciando-se as obras; 

 1807 / 1813 - suspensão das obras (invasões francesas e fuga da família real para o Brasil); 

 1818 - aprovação do projecto de António Francisco Rosa, que consiste numa redução dos projectos anteriormente aprovados; 

 1821 - apresentação de um 2º projecto de A. Francisco Rosa, que corresponde a nova redução; 

 1826 - o palácio é pela 1ª vez usado como residência régia, instalando-se nele a infanta D. Isabel Maria, regente do reino; séc. 19, 2ª metade - realização de obras significativas e utilização do palácio como residência da família real; 

D. Luis

 1910 - cessam os trabalhos, ficando o palácio incompleto; 

 1925 - inundação da Biblioteca por águas pluviais; 

 1974 - um incêndio destrói parte significativa da ala Norte


Tipologia : Arquitectura civil pública neoclássica

Características Particulares :

Dados Técnicos : Paredes autoportantes

Materiais : Alvenaria mista, cantaria de calcário e mármore, reboco pintado, madeira, estuque pintado

( Condensado da Informação na Net da DGMN )


O Convento ou Basílica de Mafra

Localização : Lisboa, Mafra, Mafra no Terreiro de D. João V

Este monumental palácio e convento barroco domina a pequena vila de Mafra. Foi mandado construir por D. João V, em consequência de um voto que o jovem rei fizera se a rainha D. Mariana da Áustria lhe desse descendência. ( Assunto tratado em forma de ficção no famoso livro deSaramago - O Convento ).


O nascimento da princesa D. Maria Bárbara, determinou o cumprimento da promessa. Os trabalhos começaram em 1717 com um modesto projecto para albergar 13 frades franciscanos ( arrábidos ), mas o dinheiro do Brasil começou a entrar nos cofres, pelo que D. João V e o seu arquitecto, Johann Friedrich Lwdwig (1670-1752) que estudara na Itália, iniciaram planos mais ambiciosos não se poupando a despesas.

A construção chegou a ocupar cerca de 50.000 trabalhadores e o projecto final acabou por abrigar330 frades, um palácio real e uma das mais belas bibliotecas da Europa, decorada com mármores preciosos, madeiras exóticas e incontáveis obras de Arte. Com os seus cerca de 40.000 metros quadrados, é maior edifício de Portugal.


A magnifica Basílica, que impressiona pelo seu sofisticado e perfeito acabamento ( Como se poderia acabar assim, sem máquinas naquela época ? ), foi consagrada no 41º aniversário do rei, em 22 de Outubro de 1730, com festividades que duraram oito dias. O palácio nunca foi um local favorito da família real, excepto para os que gostavam de caçar na tapada.

 As melhores mobílias e obras de arte foram levadas para o Brasil, para onde partiu a família real quando das invasões francesas em 1807. O Mosteiro foi abandonado em 1834, após a dissolução das ordens religiosas, e dali também saiu D. Manuel II, para o exílio em Inglaterra. O maior tesouro de Mafra é a Biblioteca com o chão em mármore, estantes rococó e uma colecção de 40.000 livros com encadernações em couro, gravadas a ouro, incluindo uma primeira edição dos Lusíadas impresso em 1572.


Os trabalhos começaram a 17 de Novembro de 1717 com um modesto projecto para abrigar 13 frades franciscanos, mas o dinheiro do ouro do Brasilcomeçou a entrar nos cofres, pelo que D. João V e o seu arquitecto, Johann Friedrich Ludwig que estudara na Itália, iniciaram planos mais ambiciosos.O palácio só era popular para os membros da família real, que gostavam de caçar na tapada. Como já se disse, as melhores mobílias e obras de arte foram levadas para o Brasil, para onde partiu a família real quando das invasões francesas, em 1807. 

Desconhece-se, no entanto, o destino da maior parte desse património, visto que não constam eO mosteiro foi abandonado em 1834, após a dissolução das ordens religiosas. Durante os últimos reinados da Dinastia de Bragança, o Palácio foi utilizado como residência de caça e dele saiu também em 5 de Outubro de 1910 o último rei D. Manuel II para a praia da Ericeira, onde o seu iate real o conduziu para o exílio.

No palácio pode-se visitar, a farmácia, com belos potes para medicamentos e alguns instrumentos cirúrgicos, o hospital, com dezasseis cubículos privados de onde os pacientes podiam ver e ouvir missa na capela adjacente, sem saírem das suas camas. No andar de cima, as sumptuosas salas do palácio estendem-se a todo o comprimento da fachada ocidental, com os aposentos do rei numa extremidade e os da rainha na outra, a 232 m de distância.

Ao centro, a imponente fachada é valorizada pelas torres da basílica coberta com uma cúpula. O interior é forrado a mármore e equipado com seis orgãos do princípio do século XIX, com um repertório exclusivo que não pode ser tocado em mais nenhum local do mundo.

O átrio da basílica é decorado por belas esculturas da Escola de Mafra, criada por D. José I em 1754, foram muitos os artistas portugueses e estrangeiros que aí estudaram sob a orientação do escultor italiano Alessandro Giusti. A sala de caça exibe troféus de caça e cabeças de javalis.

O Palácio possui ainda dois carrilhões, mandados fabricar em Antuérpia por D. João V, com um total de 92 sinos que pesam mais de 200 mil quilos e são considerados dos maiores e melhores do mundo.

Contudo o maior tesouro de Mafra é a biblioteca, com chão em mármore, estantes rococó e uma colecção de mais de 40 000 livros com encadernações em couro gravadas a ouro, incluindo uma segunda edição de Os Lusíadas de Luís de Camões.




Cronologia 

 1712 - Deliberação de D. João V no sentido de se edificar um convento de religiosos da província da Arrábida, no local denominado Alto da Vela; 

1713 - Aquisição dos terrenos; 

1717 - Lançamento da 1ª pedra do edifício, a 17 de Novembro, o qual tinha visto o seu programa alterado (sendo sucessivamente aumentado o nº de religiosos que albergaria, acrescentando-se uma área de residência régia e uma zona hospitalar) e obedecia a um projecto do Arq. João Frederico Ludovice; 

1728 - Conclusão da basílica (à excepção do zimbório), quanto à obra fundamental de arquitectura, lançamento dos alicerces do convento que se destinava então a acolher 300 religiosos; 1729 - Trabalhavam no estaleiro de Mafra 47.836 operários; 

1730 - Realização, em Antuérpia, dos carrilhões da basílica (57 sinos para cada uma das torres), por Nicolau Lepache e Guilherme Withlockx; 

1730 - Sagração da basílica, a 21 de Outubro, os trabalhos prosseguem num ritmo mais lento e sob a direcção do Arq. Custódio Vieira (c. 1690 - 1744); 

1731 / 1733 - Realização em Itália da componente escultórica da basílica (estátuas destinadas à fachada, galilé e a todas as capelas do interior); 

1734 -Inauguração do refeitório conventual; 

1735 - Conclusão de importantes detalhes do zimbório da basílica, sendo a obra exterior do convento também dada por concluída; 

1744 - São considerados concluídos os trabalhos do complexo arquitectónico de Mafra, ainda que muitos pormenores se encontrem por realizar, o convento é então habitado por 342 religiosos, 203 sacerdotes, 45 coristas, 10 noviços, 60 leigos e 24 donatos; 

1750 - Celebração das exéquias fúnebres de D. João V na basílica; 

1754 - celebração das exéquias fúnebres da rainha D. Mariana de Áustria na basílica; 

1755 - Conclusão do retábulo dos Santos Bispos, pelo escultor italiano activo em Portugal Alessandro Giusti (1715 - 1799); 

1765 - Uma descarga eléctrica atinge o zimbório destruindo as colunas de mármore do interior; 1770 - Breve pontifício determinando a ocupação do convento de Mafra por uma comunidade de cónegos regrantes de Santo Agostinho; 

1771 - Os religiosos arrábidos são obrigados a abandonar o convento, o qual passa a ser ocupado pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho, que aí assegurarão o funcionamento de um colégio, sob a supervisão do Cardeal da Cunha e que encomendarão ao Arq. Manuel Caetano de Sousa (1742 - 1802) a conclusão da obra da biblioteca; 

1772 - Chegam ao denominado Colégio Real de Mafra 54 alunos; 

1772 - Cerimónia de inauguração do colégio; 

1792 - por determinação de D. Maria I, os agostinhos abandonam Mafra, regressando os arrábidos ao convento; 

1806 / 1807 - O palácio funciona como residência real principal de D. João VI e D. Carlota Joaquina, registando-se variadas obras de beneficiação e redecoração dos interiores do palácio; 

1807 - Conclusão da reconstrução dos 6 órgãos da basílica; 

1807 - Tem lugar na basílica o baptismo da infanta D. Ana de Jesus Maria, filha de D. João VI; 

1808 - Instalação, em parte do edifício, uma pequena fracção do exército aliado inglês; 

1820 - Encerramento do Real Colégio de Mafra, a comunidade arrábida não ultrapassava os 40 religiosos; 

1828 - Retira-se do edifício a fracção do exército inglês aí instalada desde 

1808; 1833 - Fuga da comunidade religiosa, constatando a aproximação das tropas liberais; 

1834 - Com a expulsão das ordens religiosas, o convento de Mafra é incorporado na Fazenda Nacional; 

1835 - A basílica funciona como igreja paroquial da vila; 

1841 - Á excepção dos compartimentos do palácio, da Sala dos Actos, refeitório, cozinha e botica dos religiosos, o edifício de Mafra fica à disposição do Ministério da Guerra (para aproveitamento conforme sua vontade); 

1848 - O Real Colégio Militar é transferido de Carnide para o edifício de Mafra; 

1859 - O Real Colégio Militar deixa Mafra; 

1868 - Depois de apeada é conduzida para o real Museu de Belas-Artes de Lisboa, a grade de ferro da entrada da capela-mor da basílica; 

1870 - O Real Colégio Militar abandona Mafra. 


Site do Convento de Mafra


O Palácio Nacional de Sintra


PA : Monumento Designação : 

Palácio Nacional de Sintra / Palácio da Vila

Localização : Lisboa, Sintra, São Martinho 

Acesso : Lg. Rainha D. Amélia

Enquadramento : Urbano, destacado, isolado por terreiro e escadaria, em posição altimétrica dominante


Descrição : 

De planta complexa organizando-se em V, segundo eixos SO.-E. e NO.-E., o edifício apresenta volumetria escalonada constituída sobretudo por paralelipípedos, sendo a cobertura efectuada por múltiplos telhados diferenciados a 4 águas. Volumetricamente destaca-se ainda o par de altas chaminés cónicas.

O alçado principal, a S., apresenta-se organizado em 3 corpos, sendo o central mais elevado e recuado relativamente aos extremos, sendo visível no seu piso térreo uma arcaria (4 arcos quebrados) encimada, no andar nobre, por 5 janelas maineladas e emolduramento calcário, iluminantes da Sala dos Cisnes. 

O remate deste corpo é efectuado por cornija merloada, tal como a designada ala Manuelina, a E. e ligeiramente recuada em relação a este alçado, desenvolvida em 2 andares ritmados pela abertura de janelas maineladas e emolduramento calcário com abundante decoração vegetalista em relevo. As restantes frentes do edifício (N. e SO.) apresentam uma complexa articulação de corpos salientes e reentrantes, destacando-se, no extremo do alçado N., o volume cúbico da Sala dos Brasões. 

Merecem menção os seguintes compartimentos: Sala dos Archeiros, adaptação coberta de um antigo terraço caracterizado pela presença de 2 planos de um pórtico arquitravado, formando ângulo recto; Sala Moura ou dos Árabes, de planta quadrada, ostentando ao centro do pavimento, de tijoleira, uma fonte e nas paredes, lambril de azulejos polícromos quinhentista;


Sala das Pegas, de planta rectangular, coberta por tecto de masseira ostentando figurações de pegas, reconhecendo-se nos muros revestimento azulejar quinhentista e uma lareira renascentista esculpida, em mármore de Carrara; 

 Sala dos Cisnes, de planta rectangular, coberta por tecto de masseira apresentando painéis octogonais onde se inscrevem figurações de cisnes;

Sala dos Brasões, de planta quadrada, e paredes inteiramente revestidas com painéis de azulejos azuis e brancos figurando cenas galantes e de caça, é coberta por cúpula gomada octogonal (ligada nos ângulos através de trompas curvas) cujo intradorso se encontra compartimentado em painéis ostentando a representação das armas de 72 famílias nobres portuguesas e dos 8 filhos de D. Manuel I, sendo o fecho decorado com as armas reais. 

A Capela, de planta rectangular e nave única, apresentando os muros revestidos por pintura ornamental e tecto de madeira; a cozinha, na qual se reconhecem os arranques octogonais das chaminés monumentais; alguns compartimentos da denominada ala manuelina, ostentando emolduramentos de vãos e lareiras em calcário caracterizadas por decoração relevada.

Temos ainda : a Sala de D. Afonso V (das Duas Irmãs ou das Colunas), a Sala das Sereias ou da Galé, a Sala da Audiência ou de D. Sebastião.

Utilização Inicial : 

Residencial: palácio real 

Utilização Actual : Turística / Cultural 

Propriedade : Pública: estatal 

Afectação : IPPAR, DL 106F/92, de 01 Junho Época Construção : Idade Média, Séc. 16 / 18 / 19

Cronologia :

1385 - D. João I doa o palácio então existente na vila de Sintra a D. Henrique Manuel, conde de Seia; 

1386 - o palácio volta para a posse da coroa, tendo início uma importante campanha de obras da qual data a hoje denominada ala joanina, na qual terá intervido o mestre João Garcia de Toledo; 

1489 - campanha de obras tendo por objectivo aligeirar a massa da construção (constituída por volumes muito opacos) e enriquecer a decoração interior (aplicação dos azulejos andaluzes); 

1505 - 1520 - edificação da denominada ala manuelina; 1508 - tem início a construção da sala dos Brasões; 

1521 - 1555 - durante o reinado de D. João III constroi-se o corpo saliente entre as alas joanina e manuelina, o corpo que arranca do pátio de Diana, o pórtico e a escada elicoidal a ele conducente;

Séc. 17 - sob a orientação do conde de Soure decorrem obras de alteração e ampliação;

1683 - 1706 - durante o reinado de D. Pedro II renovaram-se as pinturas dos tectos de alguns compartimentos;

1755 - importantes obras de restauro no seguimento dos danos causados pelo terramoto e edificação da ala que vai do denominado Jardim da Preta ao pátio dos Tanquinhos; 

1863 - campanha de redecoração de carácter revivalista das janelas do alçado principal; 1969 - estragos provocados pelo sismo 

Tipologia: Arquitectura civil residencial, medieval, gótica, manuelina, renascentista e romântica: palácio real

Caracteristicas Particulares : Exemplo de arquitectura orgânica, com conjunto de corpos aparentemente separados mas fazendo parte de um todo articulado entre si através de pátios, escadas, corredores e galerias. Misto de elementos muçulmanos e europeus. Não se reconhece pelo exterior a multiplicidade de cambiantes arquitectónicas e riqueza ornamental do seu interior.

Dados Técnicos : Paredes autoportantes, estrutura mista

Materiais : Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, azulejos, estuque pintado, madeira pintada e dourada( Condensado da Informação na Net da DGMN )

Site oficial do Palácio de Sintra
http://pnsintra.imc-ip.pt/

O Palácio Ducal de Vila Viçosa

O Paço Ducal de Vila Viçosa é importante monumento situado no Terreiro do Paço da vila alentejana do distrito de Évora. Foi durante séculos a sede da sereníssimaCasa de Bragança, uma importante família nobre fundada no século XV, que se tornou na Casa Reinante emPortugal, quando em 1 de Dezembro de 1640 o 8ºDuque de Bragança foi aclamado Rei de Portugal (D.João IV).


Vila Viçosa tornou-se sede do importante ducado de Bragança quando D.Fernando (1403-1461) sucedeu a seu pai, tornando-se o 2ºDuque de Bragança, em 1461. Na verdade, o 2º Duque de Bragança recebera de seu avô, o Condestável do Reino, D.Nuno Álvares Pereira, o título de Conde de Arraiolos, pelo que quando chegou a Duque, não quis trocar as planuras alentejanas pelo Paço Ducal de Guimarães. 

Assim se estabeleceram os Bragança em Vila Viçosa, no primitivo Paço do Castelo. Porém, o seu filho, também D.Fernando (3º Duque de Bragança), veio a ser executado em 1483, por ordem deD.João II, acusado de traição, tendo a família sido exilada para Castela, de onde só regressaram em 1496, após a morte do Rei. Uma vez reabilitado o Ducado, o 4º Duque, D.Jaime, não quis habitar o Paço do Castelo, por estar ligado à memória do seu pai, mandando construir um palácio novo, no sítio chamado do Reguengo, assim começou a ser erguido o que é hoje o magnífico Palácio Ducal de Vila Viçosa.

D. Jaime IV

Vila Viçosa tornou-se sede do importante ducado de Bragança quando D.Fernando (1403-1461) sucedeu a seu pai, tornando-se o 2ºDuque de Bragança, em 1461. Na verdade, o 2º Duque de Bragança recebera de seu avô, o Condestável do Reino, D.Nuno Álvares Pereira, o título de Conde de Arraiolos, pelo que quando chegou a Duque, não quis trocar as planuras alentejanas pelo Paço Ducal de Guimarães. Assim se estabeleceram os Bragança em Vila Viçosa, no primitivo Paço do Castelo. 

Porém, o seu filho, também D.Fernando (3º Duque de Bragança), veio a ser executado em 1483, por ordem deD.João II, acusado de traição, tendo a família sido exilada para Castela, de onde só regressaram em 1496, após a morte do Rei. Uma vez reabilitado o Ducado, o 4º Duque, D.Jaime, não quis habitar o Paço do Castelo, por estar ligado à memória do seu pai, mandando construir um palácio novo, no sítio chamado do Reguengo, assim começou a ser erguido o que é hoje o magnífico Palácio Ducal de Vila Viçosa.



sexta-feira, 28 de julho de 2006

Deus existe ? Ou é só uma invenção do homem ?


Deus realmente existe ou é só uma invenção do homem?

Há pessoas que dizem que Deus é uma invenção de alguns homens para conseguir exercer uma influência sobre os demais. O escritor José Saramago é uma delas, e vivia tão obcecado pela sua "convicção" de que Deus só existe na mente de alguns homens, que passou a vida a escrever livros sobre o seu ateísmo, para provar a sua "verdade". No entanto e estranhamente, afirmou numa entrevista recente, que no fundo a sua "mentalidade é uma mentalidade cristã" ! Estranho.

O pensamento de Deus ronda a mente do homem desde tempos imemoriais. Aparece com teimosa insistência em todos os lugares e todos os tempos, até nas civilizações mais arcaicas e isoladas que já se teve conhecimento. Não há nenhum povo nem período da humanidade sem religião. É algo que tem acompanhado o homem desde sempre, como a sombra que segue o corpo.


A existência de Deus se apresenta como a maior das questões filosóficas. E -como diz J.R.Ayllón- não por sua complexidade, mas por apresentar-se ao homem com um carácter radicalmente comprometedor. Como dizia Aristóteles, "Deus não parece ser um simples produto do pensamento humano, nem um inofensivo problema intelectual ?"

Por mais forte que tenha às vezes sido a influência secularizante ao seu redor, jamais o homem ficou totalmente indiferente frente ao problema religioso. A pergunta sobre o sentido e a origem da vida, sobre o enigma do mal e da morte, sobre o além, são questionamentos que jamais se pôde evitar. Deus está na própria origem da pergunta existencial do homem.

Por isso, desde tempo imemorial, o homem tem se perguntado com assombro qual seria a explicação de toda essa harmonia que há na configuração e nas leis do Universo.


Quando se observa a complexidade e perfeição dos processos bioquímicos no interior de uma diminuta célula, ou dos mais gigantescos fenómenos e movimento e transformação das galáxias; quando se assoma ao mundo micro-físico e se propõe leis que tentam explicar fenómenos que ocorrem em escalas de até um bilionésimo de centímetro; ou quando se aprofunda na estrutura em grande escala do Universo em limites de mais de um bilhão de biliões de quilómetros; contemplando este grandioso espectáculo, cada dia com mais profundidade graças aos avanços da ciência, fica cada vez mais difícil sustentar que tudo obedece a una evolução misteriosa, governada pelo azar, sem nenhuma inteligência por detrás.

Onde existe um plano, deve haver alguém que o planeja. E atrás de uma obra de tal qualidade e de tais proporções, deve haver um criador, cuja sabedoria transcenda toda medida e cuja potência seja infinita.

Pensar que toda a harmonia do universo e todas as complexas leis da natureza são fruto do azar, seria como pensar que as andanças de Dom Quixote de la Mancha, de Cervantes, puderam aparecer íntegras tirando-se letras ao azar de um gigantesco prato de sopa de letras. Recorrer a uma gigantesca casualidade para explicar as maravilhas da natureza é uma audácia excessiva.

Pode o mundo ter existido desde sempre?

Quando vemos um livro, um quadro, ou uma casa, imediatamente pensamos que por detrás destas obras haverá, respectivamente, um escritor, um pintor, um arquitecto. E da mesma maneira que não ocorre a ninguém pensar que o Quixote surgiu de uma imensa massa de letras que caiu ao azar sobre o papel e ficou ordenada precisamente dessa maneira tão engenhosa, tampouco ninguém sensato diria que o edifício "está aí desde sempre", nem que esse quadro "foi pintado sozinho", ou coisas do estilo. Não podemos sustentar seriamente que o mundo "se fez sozinho", "foi criado por si mesmo". São incongruências que caem pelo seu próprio peso.

Desta maneira, pressupõe-se a existência de uma "causa primeira", já que do nada, segundo explicava Leo J. Trese, "não se pode obter algo". Se não temos Se não temos semente, não podemos plantar um carvalho. Sem pais, não há filhos. Assim, pois, se não existisse um Ser que fosse eterno (quer dizer, umSer que nunca tenha começado a existir), e omnipotente (capaz portanto de criar algo do nada), não existiria o mundo, com toda sua variedade de seres, e nós não existiríamos. Um carvalho procede de uma semente, mas as sementes crescem nos carvalhos. Quem fez a primeira semente ou o primeiro carvalho? Os filhos têm pais, e esses pais são filhos de outros pais, e estes de outros. Pois bem, quem criou os primeiros pais?

Alguns dizem que tudo começou de uma massa informe de átomos; bem, mas quem criou esses átomos? De onde procediam? Quem guiou a evolução desses átomos, segundo leis que podemos descobrir, e que evitaram um desenvolvimento caótico? Alguém teve que faze-lo. Alguém que, desde toda a eternidade, tem gozado de uma existência independente.

Todos os seres deste mundo, houve um tempo em que não existiram. Cada um deles deverá sempre sua existência a outro ser. Todos, tanto os vivos quanto os inertes, são elo de uma longa cadeia de causas e efeitos. Mas essa cadeia deve chegar a uma primeira causa: pretender que um número infinito de causas pudesse nos dispensar de encontra uma causa primeira, seria o mesmo que afirmar que um pincel pode pintar por si mesmo com tanto que tivesse um cabo infinitamente longo.

Teoria do Big-Bang

Em 1927, o padre católico, astrónomo e físico belga Georges Lemaitre (1894-1966), derivou independentemente as equações de Friedman a partir das equações de Einstein e propôs que os desvios espectrais observados em nebulosas se deviam a expansão do universo, que por sua vez seria o resultado da "explosão" de um "átomo primeval".

Em 1929, Edwin Hubble forneceu base observacional para a teoria de Lemaitre ao medir um desvio para o vermelho no espectro ("redshift") de galáxias distantes e verificar que este era proporcional às suas distâncias, o que ficou conhecido como Lei de Hubble-Humason.

Assim é importante que agnósticos e ateus, ponham em "cache" nos seus CPU' S que foi um cientista religioso, um padre, o criador do Big Bang!

É possível a auto criação?

O Big Bang e a auto criação do universo são duas coisas bem diferentes. A teria do Big Bang, como tal, é perfeitamente conciliável com a existência de Deus. Entretanto, a teoria da auto criação -que sustenta, mediante explicações mais ou menos engenhosas, que o universo foi criado por si mesmo, e do nada, deveria objectar duas coisas: primeiro, que desde o momento que falasse de criação partindo do nada, estaríamos já fora do método científico, posto que o nada não existe e portanto não se pode aplicar o método científico; e segundo, que faz falta muita fé para pensar que uma massa de matéria ou de energia possa Ter-se criado a si mesma.

Tanta fé parece fazer falta, que o próprio Jean Rostand -por citar um cientista de reconhecida autoridade mundial nesta matéria e, ao mesmo tempo, pouco suspeitoso de simpatia pela fé católica -, chegou a dizer que a teoria da auto criação é "um conto de fadas para adultos".

Afirmação que André Frossard remarca ironicamente dizendo que "Há que se admitir que existem pessoas adultas que não são mais exigentes que crianças a respeito de contos de fadas"

As partículas originais -continua com a sua ironia o pensador francês -, sem impulso nem direcção exteriores, começaram a associar-se, a combinar-se aleatoriamente entre elas para passar dos quarks aos átomos, e dos átomos a moléculas de arquitectura cada vez mais complicada e diversa, até produzir depois de milhares de milhões de anos de esforços incessantes, um professor de física com óculos e bigodes.» 

A maior das Maravilhas ! 

A doutrina da criação não pedia mais do que apenas um milagre de Deus. 

A da auto criação do mundo exige um milagre a cada décimo de segundo.

A doutrina da auto criação exige um milagre contínuo, universal, e sem autor


quinta-feira, 27 de julho de 2006

Privilégios do Patriarcado de Lisboa

Privilégios do Patriarcado de Lisboa

Sempre foi comum que os Papas, de algum modo, demonstrassem particular atenção alguma Ordem, circunscrição eclesiástica, nação, templo ou personalidade concedendo alguma condecoração ou privilégio, temporária ou permanente. Citamos, por exemplo, a Rosa de Ouro: ornamento precioso em forma ou de uma única flor ou um de buquê de rosas, feito de ouro puro, abençoado pelo Papa e enviado a quem ou àquele que se quer homenagear ou expressar estima. Entre outros, a Basílica de São Pedro detém cinco rosas e a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, duas rosas. 

O Papa Leão XXIII enviou uma à Princesa Isabel do Brasil em homenagem à assinatura do decreto de abolição da escravatura. Também há privilégios litúrgicos outorgados em ocasiões especiais: durante a discussão teológica sobre a proclamação do dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, o Papa Pio IX concedeu que a Espanha, defensora do dogma e intitulada “imaculista”, e suas colônias usassem o azul em seus paramentos na Solenidade do dia 08 dezembro e nas missas marianas aos sábados. 

Sé de Liboa
Segundo alguns, o privilégio do uso da cor cerúlea também estende-se às Filipinas, à Áustria e à Bavária, à Arquidiocese de Los Angeles, à Arquidiocese de Saint Louis (EUA), aos carmelitas, aos beneditinos ingleses, ao Instituto Cristo Rei e Sacerdote e a alguns santuários marianos. Também falam de seu uso em Portugal, na Universidade de Coimbra, pelo mesmo motivo imaculista que marcou a Espanha. 

É sobre alguns privilégios – alguns litúrgicos – concedidos ao Patriarcado de Lisboa que trataremos neste artigo.

A Diocese de Lisboa, repleta de privilégios dados pelos Papas, foi criada no século IV. O primeiro bispo conhecido historicamente foi S. Potâmio 356. 

Dizem que durante o período da invasão muçulmana, a cátedra esteve vacante ou, segundo outros, até mesmo supressa a partir do ano 716, com seu território perdido (anexado) para as dioceses de Coimbra, Lamego e Viseu; foi restabelecida em 1147. O primeiro bispo de Lisboa depois da reconquista fo Gilbert of Hastings (1147- 1166), um cruzado inglês. 

ARQUIDIOCESE - Em 10 novembro 1394, foi elevada à Arquidiocese, e D. João Eanes foi omprimeiro Arcebispo. O Papa Clemente XI, em 1716, dividiu a Arquidiocese e sua Cidade Arquiepiscopal (Lisboa) em duas circunscrições, seguindo o eixo da Rua dos Fanqueiros: o Patriarcado de Lisboa Ocidental era sediado na Patriarcal Capela Régia, e o Arcebispo de Lisboa Oriental, na Antiga Sé. 

Após desentendimentos sobre os limites eclesiásticos, em 1740 o Papa Bento XIV reunificou as duas dioceses, excluindo o título de catedral da Antiga Sé e determinando como Santa Igreja Catedral de Lisboa a igreja de Santa Maria, que já era intitulada “Patriarcal”. Portanto, desde sua ereção canônica em 1716, o Patriarcado já goza de um privilégio, o primeiro:

D.Tomás de Almeida
PATRIARCADO - O patriarca-arcebispo de Lisboa, assim como o Patriarca de Veneza, por direito "ex officio", é criado cardeal no primeiro consistório após sua nomeação canônica para a sede lisboeta. = primeiro Patriarca de Lisboa foi D.Tmás de Almeida (1716-1754)

Com a designação desta dignidade patriarcal, o Arcebispo de Lisboa ultrapassa em honorificência o Arcebispo de Braga, conhecido por Primaz das Espanhas, e, até 1716, o mais elevado clérigo português. O Arcebispo de Toledo intitula-se como Primaz da Espanha.

Ainda que por determinação Bula “Salvatoris nostri Mater“, que reunificou as duas dioceses, o Cabido tenha sido extinto, antes, ele gozava do seguinte direito:

O fano 

Segundo o antigo Pontifical, é um paramento usado nas missas pontificais pelo Papa, sobre a casula e sob o pálio; é uma espécie de pequena capa de ombros, de dimensões menores do que a mozzeta, de seda branca com listras douradas e avivada de vermelho, com uma abertura no centro para passar a cabeça. Depois do século XV, o fano passou a ter forma quadrada. Tem, em uma de suas faces, uma cruz bordada a ouro.

O Papa Paulo VI usou o fano durante seu pontificado. João Paulo II também o usou uma vez (talvez a única) no início do seu pontificado, durante missa em uma paróquia (de Santa Cecília, dados os paramentos vermelhos?) no bairro romano de Trastevere.

Cardeal Cerejeira sobe ao altar para Missa Pontifical
endossando “mitra-tiara”, fano e falda
FANO -  O uso do fano, sob o pálio arquiepiscopal, foi concedido ao Patriarca de Lisboa. Além do Cardeal Cerejeira, que governou Lisboa de 1929 a 1971 e que vemos na foto seguinte paramentado com o fano, mesmo após a reforma litúrgica (que não está diretamente ligada ao desuso do paramento) o Cardeal Ribeiro (1971-1998) ainda usou a peça litúrgica.

A falda, ainda segundo o antigo Pontifical, é uma veste litúrgica de uso exclusivo do Sumo Pontífice. Trata-se de uma longa túnica, de seda de cor clara (inicialmente era creme), usada sobre a batina (quando não era celebrada a Missa) e debaixo da alva, inclusive sobressaindo-se desta. Seu comprimento é tão longo que o Papa, para caminhar, deve ser auxiliado por dois monsenhores protonotários apostólicos da Cúria Romana (assim reza as rubricas da missa papal segundo o rito antigo), que devem suspender as bordas da referida veste. A falda, além de dar imponência à figura do Pontífice Romano, evitava que seus pés e suas pernas fossem avistados quando ele era transportado na sedia gestatoria.

FALDA - Foi dado ao Patriarca lisboeta o direito ao uso da falda, como podemos ver adiante.



Cardeal Cerejeira, caminhando debaixo do pálio processional e usando a falda

Papa adotou, de altos dignitários do Oriente e da África, o uso dos flabelos que são grandes leques de penas de avestruz. Entre os antigos romanos, eles eram usados durante os sacrifícios e refeições que, agitados pelos flabelíferos, afastavam insetos e refrescavam o ambiente. A cerimonial pontifício prescreve o uso de 2 flabelos, que ladeiam a sedia gestatoria enquanto o Papa nela é transportado e permanecem próximos a ele. durante toda a cerimônia.

FLABELOS - O Papa cedeu no século XVIII ao Patriarca de Lisboa o uso dos flabelos. Na ocasião, o Bispo de Roma doou ao Patriarcado dois de seus quatro flabelos. O Patriarca nunca substituiu os flabelos doados, é provavelmente devido a isso que os flabelos papais, evoluídos ao longo dos anos e vistos nas fotos de Pio XII são diferentes dos do Patriarcado, que possuem penas mais longas. Vejam:

Cardeal de Lisboa - Flabelos
As antigas Constituições Apostólicas já mencionam o uso pelos Papas da sedia gestatoria, consistindo-se em uma cadeira de braços, ricamente ornada, coberta de seda vermelha, com o brasão do Pontífice reinante, apoiada em um estrado, onde situam-se quatro anéis dourados, nos quais inserem-se duas varas por meio das quais doze homens carregam a sedia.

É imemorial o costume de carregar os vencedores de batalhas sobre seus escudos, como também é antiga a tradição de carregar triunfalmente os Papas depois de eleitos. Na Roma arcaica, os cônsules recém-eleitos eram carregados através da Cidade.

Os Papas foram carregados na sedia gestatoria por aproximadamente um milênio, quando deveriam se deslocar para algum lugar nas cerimônias litúrgicas. Nas procissões eucarísticas, era retirado o trono e um pequeno altar era fixado na sedia, permitindo que o Papa permanecesse em adoração ajoelhado em um genuflexório. O Papa João Paulo I ainda fez uso dela na missa do início de seu pontificado, unicamente com o propósito de não deixar de ser vistos pelos fiéis; abandonou-a logo em seguida.

SEDIA GESTATORIA - O Papa concedeu no século XVIII ao Patriarca de Lisboa o uso da sedia gestatoria. O número de doze homens encarregados de transportar asedia deu lugar ao número de oito para o Patriarca, que era ladeado pela Guarda de Honra. Semelhantemente aos flabelos da capital portuguesa, a sedia também nunca foi substituída, permanecendo sempre a original. O Cardeal era nela transportado para a Catedral e durante as procissões. O último Patriarca a usá-la foi o Cardeal Cerejeira.

Infelizmente, não há fotos de quando a sedia portuguesa foi usada em Lisboa. Dizem que, de modo até agora desconhecido, ela foi usada em 1982 quando da visita do Papa João Paulo II.

Tiara - Pio XII
TIARA - A tiara papal sempre despertou um fascínio e devido respeito aos amantes da Tradição. As três coroas que foram acrescentadas ao longo do tempo representavam a natureza do Pontífice Romano como “Solicitude universal, jurisdição eclesiástica universal e poder temporal”. 

Este último, apesar da esmagadora diminuição dos Estados Pontifícios, ainda existe devido às propriedades físicas previstas nos Tratados de Latrão. Ela, segundo o antigo Pontifical, não substitui a mitra nas celebração da missa, mas é usada na procissão inicial e no fim e é posta sobre o altar quando não coroa a fronte do Papa; nas definições dogmáticas e na bênção Urbi et Orbi que o Papa concede no fim da missa de sua coroação, como também no Natal na Páscoa.

Pode-se dizer que o direito ao uso da tiara pelo Patriarca de Lisboa foi o mais alto privilégio concedido a este pelo Papa. Isso é inaudito na História Eclesiástica. A concessão foi feita devido ao pedido insistente do rei João V de Portugal, que queria ver o Patriarcado ainda mais elevado honorificamente do que as outras dioceses. 

Pedidos como este não são tão raros: há tempos que o Núncio no Brasil goza do direito de ser criado cardeal 10 anos após o início de sua missão diplomática aqui. Isso foi concedido mediante o pedido do Império brasileiro.

Cardeal Cerejeira com Fano, Mitra e Tiara
Parece-nos que os Patriarcas lisboetas, por respeito ao Papa, nunca quiseram usar plenamente esse direito concedido. Mas, para não desagradar a Casa real portuguesa, conseguiram um meio de nem deixaram de usar o privilégio da tiara, mas também, usando-o, não igualarem-se em insígnias ao Bispo de Roma: mitra-tiara. No modelo tradicional da mitra, inseriram três circulus (linhas horizontais) em alusão às três coroas do triregnum papal. As fotos de que dispomos não mostram algo de que esperamos aliado à beleza das tiaras papais. Infelizmente.



A tiara, como conhecemos, continua a figurar no brasão do Patriarcado. E esse item, nessa circunstância, é o único em uso nos nossos dias.

Último Patriarca de Lisboa

D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente (Torres Vedras, 16 de julho de 1948) é um bispo católico português, 17.º e atual Patriarca de Lisboa, com o título de D. Manuel III.

D. Manuel III
Ingressou em 1973 no Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais e, no ano seguinte, licenciou-se em História na Faculdade de Letras de Lisboa. A partir de 1975 lecciona História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa. 

Formou-se em Teologia nesta mesma universidade em 1979, ano em que foi ordenado presbítero a 29 de junho, já com 31 anos, pelo Cardeal-Patriarca D. António Ribeiro, naSé de Lisboa. Doutorou-se em Teologia Histórica em 1992 com a tese intitulada ‘Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal. 

A «Sociedade Católica»’ (1843-1853). Foi director doCentro de Estudos de História Religiosa da mesma universidade entre 2000 e 2007. É, desde 1993, membro da Sociedade Científica da Universidade Católica e, desde 1996, 

Sócio Académico Correspondente da Academia Portuguesa de História. D. Manuel Clemente foi ainda coordenador de dois projectos financiados pela antiga Junta Nacional da Investigação Científica (actual Fundação para a Ciência e Tecnologia): Igreja e movimentos sociais: as organizações católicas em Portugal no século XX(1993-1995) e O movimento católico e a presença da Igreja na sociedade portuguesa (1996-1998).

Resumo da História da Ucrânia e da Crimeia

Resumo da História da Ucrânia 

A Ucrânia (em ucraniano: Україна; Ukrayina), um termo ou palavra que quer dizer fronteira ou confim5 , é um país da Europa Oriental que faz fronteira com a Federação Russa a leste e nordeste; Bielorrúsia a noroeste; Polónia, Eslováquia e Hungria a oeste; Roménia e Moldávia a sudoeste; e Mar Negro e Mar de Azov ao sul e sudeste, respectivamente. O país possui um território que compreende uma área de 603.628 quilómetros quadrados, o que o torna o maior país totalmente no continente europeu.

O território ucraniano começou a ser habitado há cerca de 44 mil anos e acredita-se que a região seja o lar da domesticação do cavalo e da família de línguas indo-europeias Na Idade Média, a nação se tornou um polo da cultura dos eslavos do leste, conhecido como o poderoso Estado Principado de Kiev. Após a sua fragmentação no século XIII, a Ucrânia foi invadida, governada e dividida por uma variedade de povos. Uma república cossaca surgiu e prosperou durante os séculos XVII e XVIII, mas a nação permaneceu dividida até sua consolidação em uma república soviética no século XX. Tornou-se um Estado-nação independente apenas em 1991.

A Ucrânia é considerada o "celeiro da Europa" devido à fertilidade de suas terras. Em 2011, o país era o terceiro maior exportador de grãos do mundo, com uma safra muito acima da média- A Ucrânia é uma das dez regiões mais atraentes para a compra de terras agrícolas no mundo. Além disso, tem um setor de manufatura bem desenvolvido, especialmente na área de aeronáutica e de equipamentos industriais.

Ficheiro:Ukraine in Europe.svg
Localização da Ucrânia (em vermelho)
Localização na Europa (em branco)
O país é um Estado unitário composto por 24 oblasts (províncias), uma república autônoma (Crimeia) e duas cidades com estatuto especial: Kiev, a capital e maior cidade, e Sevastopol, que abriga a Frota do Mar Negro da Rússia sob um contrato de leasing. A Ucrânia é uma república sob um sistema semipresidencial com separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário. 

Desde a dissolução da União Soviética, o país continua a manter o segundo maior exército da Europa, depois da Rússia. O país é o lar de 44,6 milhões de pessoas, 77,8% dos quais são ucranianos étnicos, com minorias de russos (17%), bielorrussos e romenos. O ucraniano é a língua oficial e o seu alfabeto é cirílico. O russo também é muito falado. A religião dominante é o cristianismo ortodoxo oriental, que influenciou fortemente a arquitetura, a literatura e a música do país.

Idade de ouro em Kiev (800 - 1100)

Durante os séculos X e XI, o território da Ucrânia tornou-se o centro de um Estado poderoso e prestigioso na Europa, a Rus Kievana, o que estabeleceu a base das identidades nacionais ucraniana e das demais nações eslavas orientais nos séculos subsequentes. A capital do principado era Kiev, conquistada aoscazares por Askold e Dir por volta de 860. Conforme as Crônicas Nestorianas, a elite do principado era inicialmente formada por varegues provenientes daEscandinávia que foram mais tarde assimilados à população local de modo a formar a dinastia Rurik.

O Principado de Kiev era formado por diversos domínios governados por príncipes ruríkidas aparentados. Kiev, o mais influente de todos os domínios, era cobiçado pelos diversos membros da dinastia, o que levava a enfrentamentos frequentes e sangrentos. A era dourada do principado coincide com os reinados de Vladimir, o Grande (Volodymyr, 980-1015), que aproximou o seu Estado do cristianismo bizantino, e seu filho Iaroslav, o Sábio (1019-1054), que viu o principado atingir o ápice cultural e militar.

O processo de fragmentação que se seguiu foi interrompido, em alguma medida, pelos reinados de Vladimir Monomakh (1113-1125) e de seu filho, o príncipe Mstislav (1125-1132), mas o território terminou por desintegrar-se em entidades separadas após a morte do último. A invasão mongol do século XIII desferiu ao principado o golpe de misericórdia, do qual nunca se recuperaria.
 

Era soviética


O colapso do Império Russo e do Império Áustro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial, bem como a Revolução Russa de 1917, permitiram o ressurgimento do movimento nacional ucraniano em prol da auto-determinação. Entre 1917 e 1920, diversos estados ucranianos se declararam independentes: o Rada Central, o Hetmanato, o Diretório, a República Popular Ucraniana e a República Popular Ucraniana Ocidental.

Contudo, a derrota daquela última na Guerra Polaco-Ucraniana e o fracasso polonês na Ofensiva de Kiev (1920) da Guerra Polaco-Soviética fizeram com que a Paz de Riga, celebrada entre a Polônia e os bolcheviques em março de 1921, voltasse a dividir a Ucrânia. A porção ocidental foi incorporada à nova Segunda República Polonesa e a parte maior, no centro e no leste, transformou-se na República Socialista Soviética Ucraniana em março de 1919, posteriormente unida à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, quando esta foi criada, em dezembro de 1922.
 
Ficheiro:Voyaky unr.jpg
Soldados do Exército Insurgente da Ucrânia em 1917
O ideal nacional ucraniano sobreviveu durante os primeiros anos sob os soviéticos. A cultura e a língua ucranianas conheceram um florescimento quando da adoção da política soviética de nacionalidades. Seus ganhos foram postos a perder com as mudanças políticas dos anos 1930.

A industrialização soviética teve início da Ucrânia a partir do final dos anos 1920, o que levou a produção industrial do país a quadruplicar nos anos 1930. O processo impôs um custo elevado ao campesinato, demograficamente a espinha dorsal da nação ucraniana. Para atender a necessidade de maiores suprimentos de alimentos e para financiar a industrialização, Josef Stálin estabeleceu um programa de coletivização da agricultura pelo qual o Estado combinava as terras e rebanhos dos camponeses em fazendas coletivas. 

O processo era garantido pela atuação dos militares e da polícia secreta: os que resistiam eram presos e deportados. Os camponeses viam-se obrigados a lidar com os efeitos devastadores da coletivização sobre a produtividade agrícola e as exigências de quotas de produção ampliadas. Tendo em vista que os integrantes das fazendas coletivas não estavam autorizados a receber grãos até completaram as suas impossíveis quotas de produção, a fome tornou-se generalizada. Este processo histórico, conhecido como Holodomor (ou Genocídio Ucraniano), levou milhões de pessoas a morrer de fome.

Na mesma época, os soviéticos acusaram a elite política e cultural ucraniana de "desvios nacionalistas", quando as políticas de nacionalidades foram revertidas no início dos anos 1930. Duas ondas de expurgos (1929-1934 e 1936-1938) resultaram na eliminação de quatro-quintos da elite cultural da Ucrânia.
 

Segunda Guerra Mundial


Durante a Segunda Guerra Mundial, alguns membros do subterrâneo nacionalista ucraniano lutaram contra nazistas e soviéticos, indistintamente, enquanto que outros colaboravam com ambos os lados. Em 1941, os invasores alemães e seus aliados do Eixo avançaram contra o Exército Vermelho. No cerco de Kiev, a cidade foi designada pelos soviéticos como "Cidade Heroica" pela feroz resistência do Exército Vermelho e da população local. Mais de 660 000 soldados soviéticos foram capturados ali.

De início, os alemães foram recebidos como libertadores por muitos ucranianos na Ucrânia Ocidental. Entretanto, o controle alemão sobre os territórios ocupados não se preocupou em explorar o descontentamento ucraniano com as políticas soviéticas; ao revés, manteve as fazendas coletivas, executaram uma política de genocídio contra judeus e de deportação para trabalhar na Alemanha. Dessa forma, a maioria da população nos territórios ocupados passou a opor-se aos nazistas.
 
Ficheiro:Ruined Kiev in WWII.jpg

Kiev em ruínas durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade foi ocupada pelaAlemanha nazista entre 1941 e 1943.
As perdas totais civis durante a guerra e a ocupação alemã na Ucrânia são estimadas em entre cinco e oito milhões de pessoas, inclusive mais de meio milhão de judeus. Dos onze milhões de soldados soviéticos mortos em batalha, cerca de um-quarto eram ucranianos étnicos.

Com o término da Segunda Guerra Mundial, as fronteiras da Ucrânia soviética foram ampliadas na direção oeste, unindo a maior parte dos ucranianos sob uma única entidade política. A maioria da população não-ucraniana dos territórios anexados foi deportada. Após a guerra, a Ucrânia tornou-se membro das Nações Unidas. Em 1986, no norte da Ucrânia, aconteceu o pior acidente nuclear da história, na cidade de Chernobyl.

acidente nuclear de Chernobil 

O acidente nuclear de Chernobil ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Ilyich Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética). É considerado o pior acidente nuclear da história, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido, com a libertação de 400 vezes mais contaminação que a bomba que foi lançada sobre Hiroshima. Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússiaforam muito contaminadas resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas.
 
Imagem de satélite da área atingida pelo acidente.
Cerca de 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso.

O acidente fez crescer preocupações sobre a segurança da indústria nuclear soviética, diminuindo sua expansão por muitos anos, e forçando o governo soviético a ser menos secreto. Os agora separados países de Rússia, Ucrânia e Bielorrússia têm suportado um contínuo e substancial custo de descontaminação e cuidados de saúde devidos ao acidente de Chernobil. 

É difícil dizer com precisão o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido às mortes esperadas por câncer, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente. Um relatório da Organização das Nações Unidas de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com câncer de tireoide – e estimou que cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas com o acidente.2 O Greenpeace, entre outros, contesta as conclusões do estudo.

O governo soviético procurou esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada em outros países. Segue um trecho do pronunciamento do líder daUnião Soviética, na época do acidente, Mikhail Gorbachev, quando o governo admitiu a ocorrência:

"Boa tarde, meus camaradas. Todos vocês sabem que houve um inacreditável erro – o acidente na usina nuclear de Chernobil. Ele afetou duramente o povo soviético, e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, nós confrontamos a força real da energia nuclear, fora de controle."

A instalação



A Central nuclear de Chernobil está situada no assentamento de Pripyat, Ucrânia, 18 km a noroeste da cidade de Chernobil, 16 quilómetros da fronteira com a Bielorrússia, e cerca de 110 km a norte de Kiev.
A central era composta por quatro reatores, cada um capaz de produzir um gigawatt de energia elétrica (3,2 gigawatts de energia térmica). Em conjunto, os quatro reatores produziam cerca de 10% da energia elétrica utilizada pela Ucrânia na época do acidente.

A construção da instalação começou na década de 1970, com o reator nº 1 comissionado em 1977, seguido pelo nº 2 (1978), nº 3 (1981), e nº 4 (1983). Dois reatores adicionais (nº 5 e nº 6, também capazes de produzir um gigawatt cada) estavam em construção na época do acidente. As quatro unidades geradoras usavam um tipo de reator chamado RBMK-1000.3
As causas do acidente foram atribuídas a erro humano e defeitos na construção do reactor.

Era contemporânea

O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o país experimentou uma profunda desaceleração econômica, maior do que a de algumas das outras ex-repúblicas soviéticas. Durante a recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, além de ter sofrido com taxas de inflação de cinco dígitos. Insatisfeitos com as condições econÓmicas, bem como as taxas de crime e corrupção, os ucranianos protestaram e organizaram greves.

A economia ucraniana estabilizou-se até o final da década de 1990. A nova moeda, o hryvnia, foi introduzida em 1996. Desde 2000, o país teve um crescimento económico real constante, com média de expensão do PIB de cerca de 7% ao ano.

A nova constituição ucraniana, que foi adotada durante o governo do presidente Leonid Kuchma em 1996, acabou por tornar a Ucrânia uma república sem-presidencial e estabeleceu um sistema político estável. Kuchma foi, no entanto, criticado por adversários por corrupção, fraude eleitoral, desestimulação da liberdade de expressão e muita concentração de poder em seu cargo. Ele também transferiu, por várias vezes, propriedades públicas para as mãos de oligarcas fiéis a ele.

Em 2004, Viktor Yanukovych, então primeiro-ministro, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, que tinham sido largamente manipuladas, como o Supremo Tribunal da Ucrânia constatou mais tarde. Os resultados causaram um clamor público em apoio ao candidato da oposição, Viktor Yushchenko, que desafiou o resultado oficial do pleito. Isto resultou na pacífica Revolução Laranja, que trouxe Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko ao poder, enquanto lançou Viktor Yanukovych à oposição.

Yanukovych retornou a uma posição de poder em 2006, quando se tornou primeiro-ministro da Aliança de Unidade Nacional, até que eleições antecipadas em setembro de 2007 tornaram Tymoshenko primeiro-ministro novamente.
 
Ficheiro:Joesjtsjenko Marion Kiev 2004.jpg

Manifestantes na 
Praça da Independência (Maidan Nezalejnosti), no primeiro dia da Revolução Laranja
Disputas com a Rússia sobre dívidas de gás natural interromperam brevemente todos os fornecimentos de gás à Ucrânia em 2006 e novamente em 2009, levando à escassez do produto em vários outros países europeus. Viktor Yanukovych foi novamente eleito presidente em 2010, com 48% dos votos.

O protestos do Euromaidan começaram em novembro de 2013, quando os cidadãos ucranianos exigiram uma maior integração do país com a União Europeia (UE). As manifestações foram provocadas pela recusa do governo ucraniano em assinar um acordo de associação com a UE, que Yanukovych descreveu como sendo desvantajoso para a Ucrânia. Com o tempo, o movimento Euromaidan promoveu uma onda de grandes manifestações e agitação civil por todo o país, o contexto que evoluiu para incluir clamores pela renúncia do presidente Yanukovich e de seu governo.

A violência intensificou-se depois de 16 de janeiro de 2014, quando o governo aceitou as leis Bondarenko-Oliynyk, também conhecidas como leis anti-protestos. Os manifestantes anti-governo então ocuparam edifícios do centro de Kiev, incluindo o prédio do Ministério da Justiça, e tumultos deixaram 98 mortos e milhares de feridos entre os dias 18 e 20 fevereiro. Em 22 de fevereiro de 2014, o Parlamento da Ucrânia destituiu Yanukovych por considerar o presidente incapaz de cumprir seus deveres e definiu uma eleição para 25 de maio para selecionar o seu substituto.

A História da Crimeia

A Crimeia, oficialmente República Autónoma da Crimeia (em ucraniano Автономна Республіка Крим, Avtonomna Respublika Krym; em russo: Автономная Республика Крым, Avtonomnaia Respublika Krym; em tártaro da Crimeia: Qırım Muhtar Cumhuriyeti) é uma península e uma república autônoma da Ucrânia situada na costa setentrional do Mar Negro.

Ficheiro:Crimea Emblem.pngEra chamada Táurica (Chersonesus Taurica ou Scythica) pelos antigos gregos e romanos. Seu nome atual deriva do nome tártaro Qırım (que provavelmente significa «fortificação», devido à topografia), através do grego: Κριμαια (Krimaia).

Geografia

Crimeia faz fronteira com a região do Kherson a norte, com ao Mar Negro ao sul e ao oeste, e com o Mar de Azov ao leste. Tem uma área de 26 000 km², com uma população de 1,9 milhão de habitantes (2005). Sua capital é Simferopol.

A Crimeia conecta-se ao resto da Ucrânia pelo istmo de Perekop, com uma largura de 5 a 7 km. No extremo oriental encontra-se a península de Kerch, que está diretamente em face da península de Taman, em terras russas. Entre as penínsulas de Kerch e Taman encontra-se o Estreito de Kerch, com 4,5 a 15 km de largura, que liga o Mar Negro ao Mar de Azov.

A costa da Crimeia é repleta de baías e portos. Esses portos encontram-se no lado ocidental do Istmo de Perekop, na Baía de Karkinit; no sudoeste, na baía aberta de Kalamita, com os portos de Eupatória, Sebastopol e Balaclava; na Baía de Arabat, no lado norte do Istmo de Yenikale ou Kerch; e na Baía de Caffa ou Teodósia, com o porto homónimo no lado sul.

A costa sudeste é flanqueada a uma distância de 8 a 12 km do mar por uma cadeia de montanhas também conhecidas como Cordilheira da Crimeia. Essas montanhas são acompanhadas por uma segunda cadeia paralela. 75% do resto da superfície da Crimeia consiste de pradarias semiáridas, uma continuação sul das estepes Pontic, que se inclinam levemente para o nordeste a partir dos pés das montanhas.


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A cadeia principal dessas montanhas ergue-se abruptamente do fundo do Mar Negro, alcançando uma altitude de 600 a 750 metros, começando no sudoeste da península, chamado Cabo Fiolente (ant. Parthenium). Era esse cabo que, supõe-se, era coroado com o templo de Ártemis, onde Ifigênia teria exercido como sacerdotisa.

Diversos kurgans, ou restos de sepulturas, dos antigos citas espalham-se através das estepes da Crimeia.

Durante os anos de poder soviético, as vilas e as dachas da costa da Crimeia eram privilégio dos politicamente fiéis ao regime. Também encontram-se vinhedos e pomares nessa região; a pesca, a mineração e a produção de diversos óleos também são importantes. Inúmeros edifícios da família imperial russa também embelezam a região, assim como pitorescos castelos gregos e medievais.


Primeiros habitantes da Crimeia

Os primeiros habitantes da Crimeia de quem se têm resquícios autênticos foram os Cimerianos, que foram expulsos pelo Citas durante o século VII a.C.. Uma pequena população que se refugiara nas montanhas ficou conhecida posteriormente como os Tauri. Neste mesmo século, os antigos colonos gregos começaram a ocupar a costa, isto é, dórios de Heracleia em Quersoneso, e jônios de Mileto em Teodósia e Panticapeia (também chamado Bósforo).

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Foto Satélite da península da Crimeia e do Mar de Azov, (NASA/MODIS/Blue Marble)
Dois séculos mais tarde, (438 a.C.) Espártaco I, o archon, ou líder, dos Jônios assumiu o título de Rei do Bósforo,1 um Estado que manteve relações importantes com Atenas, fornecendo àquela cidade trigo e outros produtos. O último destes reis, Perisades V, sendo pressionado pelos Citas, pediu proteção a Mitrídates VI, rei do Ponto, em 114 a.C.. Depois da morte de seu protetor, seu filho Farnaces, como recompensa pelo auxílio dado aos romanos na guerra contra o próprio pai, recebeu em 63 a.C. de Pompeu o reino do Bósforo. Em 15 a.C. foi mais uma vez devolvido ao rei de Ponto, mas daí em diante acabou mantendo-se um território tributário de Roma.

Durante os séculos seguintes a Crimeia foi invadida, atravessada ou ocupada sucessivamente pelos godos (250, pelos hunos (376), pelos Cazares (século VIII), pelos gregos bizantinos (1016), pelos kipchaks (1050), e pelos mongóis (1237).

No século XIII, os Genoveses destruíram ou tomaram as colônias que seus rivais Venezianos haviam fundado na costa da Crimeia e se estabeleceram em Cembalo (Balaclava), Soldaia (Sudak), e Caffa (Teodósia). Essas prósperas cidades comerciais existiram até a conquista da península pelos Turcos Otomanos em 1475.

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Mapa da península da Crimeia.
Enquanto isso, os tártaros haviam fincado pé no norte e no centro da península desde o século XIII. O pequeno enclave de Karaites instalou-se entre os Tártaros da Crimeia, principalmente em Çufut Qale. Depois da destruição da Horda Douradapor Timur, eles fundaram um Canato da Crimeia em 1427 com Haci I Giray, um descendente de Gêngis Khan. Seus sucessores e ele próprio reinaram primeiramente em Solkhat (Eski Qırım) e, a partir do início do século XV, em akhchisaray. Depois de 1478, reinaram como príncipes tributários do Império Otomano até 1777, quando, tendo sido derrotados pelo general russo (futuro generalíssimo) Suvorov, tornaram-se dependentes da Rússia; finalmente, em 1783, toda a Crimeia foi anexada ao Império Russo.

A Guerra da Crimeia

A Guerra da Crimeia foi um conflito que se estendeu de 1853 a 1856, na península da Crimeia (no mar Negro, ao sul da atual Ucrânia), no sul da Rússia e nos Bálcãs. Envolveu, de um lado o Império Russo e, de outro, uma coligação integrada pelo Reino Unido, a França, o Reino da Sardenha - formando a Aliança Anglo-Franco-Sarda - e o Império Otomano (actual Turquia). Esta coalizão, que contou ainda com o apoio do Império Austríaco, foi formada como reacção às pretensões expansionistas russas.

Nessa guerra, foi importante o papel da marinha de corso, pela França e Reino Unido.

Desde o fim do século XVIII, os russos tentavam aumentar a sua influência nos Balcãs, região entre o mar Negro e o mar Mediterrâneo. Em 1853, o czar Nicolau I invocou o direito de proteger os lugares santos dos cristãos em Jerusalém, então parte do Império Otomano. Sob esse pretexto, as suas tropas invadiram os principados otomanos do Danúbio (Moldávia e Valáquia, na atual Roménia). O sultão da Turquia, contando com o apoio do Reino Unido e da França, rejeitou as pretensões do czar, declarando guerra à Rússia. Mediante a declaração de guerra, a frota russa destruiu a frota turca naBatalha de Sinop.
Ficheiro:Fall of Sevastopol.jpg
O Reino Unido, sob a rainha Vitória, temia que uma possível queda de Constantinopla diante das tropas russas lhe pudesse retirar o controle estratégico dos estreitos de Bósforo eDardanelos, cortando-lhe as comunicações com a Índia. Por outro lado, Napoleão III de França mostrava-se ansioso para mostrar que era o legítimo sucessor de seu tio, Napoleão I. Mediante a derrota naval dos turcos, ambas declararam guerra à Rússia no ano seguinte, seguidos pelo Reino da Sardenha (governado por Vítor Emanuel II e o seu primeiro-ministroCavour). Em troca, os turcos permitiriam a entrada de capitais ocidentais na Turquia.

O conflito iniciou-se efectivamente em março de 1854. Em agosto, a Turquia, com o auxílio de seus aliados, já havia expulsado os invasores dos Balcãs. De forma a encerrar definitivamente o conflito, as frotas dos aliados convergiram sobre a península da Crimeia, desembarcando tropas a 16 de setembro de 1854, iniciando o bloqueio naval e o cerco terrestre à cidade portuária fortificada de Sebastopol, sede da frota russa no mar Negro. Embora a Rússia tenha sido vencida em batalhas como a de Balaclava e em Inkerman, o conflito arrastou-se com sua recusa em aceitar os termos de paz. Entre as principais batalhas desta fase da campanha registam-se:

Batalha do rio Alma;
Batalha de Balaclava (imortalizada por Alfred Tennyson no poema A carga da brigada ligeira); e
Batalha de Inkerman.

Durante o cerco a Sebastopol, a doença cobrou um pesado tributo às tropas britânicas e francesas, tendo se destacado o heroico esforço de Florence Nightingale dirigindo o atendimento hospitalar de campanha. A praça-forte, em ruínas, só caiu um ano mais tarde, em setembro de 1855
.
O Cerco de Sebastopol

O Cerco de Sebastopol foi o principal combate ocorrido durante a Guerra da Crimeia, tendo durado de setembro de 1854 a setembro de 1855. Um dos primeiros livros de Leão Tolstoi, Relatos de Sebastopol detalha os combates num misto de ficção e relato histórico.

Descrição
Em setembro de 1854, as tropas aliadas do Reino Unido,França e Piemonte chegaram à Crimeia e sitiaram a cidade de Sebastopol, base oficial da Marinha Tsarista noMar Negro, de onde ameaçava o Mediterrâneo. Antes que viesse a ser encurralado, as tropas russas se retiraram.

No começo de outubro, engenheiros franceses e britânicos, movendo sua base para Balaclava, começaram a erguer as construções da linha de assédio ao longo dos planaltos de Chersonese, ao sul de Sebastopol. As tropas escavaram abrigos, baterias armadas e trincheiras.

Com a saída do exército russo e seu comandantePríncipe Menshikov, a defesa de Sebastopol ficou a cargo dos Vice-Almirantes Vladimir Kornilov e Pavel Nakhimov, auxiliados pelo engenheiro-chefe de Menshikov, Tenente-Coronel Eduard Totleben. As forças militares disponíveis para a defesa eram de 4500 milicianos, 2700 artilheiros, 4.400 marinheiros, 18.500 fuzileiros-navais e 5000 auxiliares de serviço, totalizando pouco mais de 35 000 homens.

Os russos primeiro puseram a pique alguns navios, para a proteção do porto, usando seus canhões navais como artilharia adicional e seus tripulantes como fuzileiros. As embarcações propositadamente postas a pique incluíamGrão-Duque Constantino, Cidade de Paris (ambos com 120 peças de artilharia), Valente, Imperatriz Maria,Chesme, Yagondeid (84 peças), Kavarna (60),Konlephy (54), fragata a vapor Vladimir, navios a vaporTroante, Bessarábia, Danúbio, Odessa, Elbrose e Krein.

Em meados de outubro de 1854 os Aliados possuíam 120 peças de artilharia prontas para abrir fogo contra Sebastopol; os russos tinham cerca de três vezes mais armas para responder ao fogo e defender-se dos ataques da infantaria.

A 17 de outubro começou a batalha de artilharia. As armas russas destruíram inicialmente um paiol francês, inutilizando suas armas. O fogo britânico destruiu o paiol russo durante a batalha de Malakoff, matando o Almirante Kornilov, destruindo a munição russa no lugar e abrindo uma brecha na defesa citadina. As tropas britânicas e francesas, porém, adiaram o plano de ataque da infantaria, perdendo assim ocasião para um possível desfecho prematuro do cerco.

A este tempo, os navios Aliados combatiam as defesas russas, causando danos mas logo recuando para suas posições defensivas. O bombardeio foi retomado no dia seguinte; mas, trabalhando durante a noite, os russos repararam os danos sofridos. Isto tornou-se um padrão repetido ao longo do cerco.

Durante outubro e novembro de 1854, as batalhas de Balaclava e de Inkerman aconteciam distantes das linhas de assédio. Depois de Inkerman, perceberam os russos que o cerco de Sebastopol não poderia ser levantado com uma batalha campal, conseguiram enviar pouco a pouco suas tropas para dentro da cidade, a fim de ajudarem na sua defesa. Nos fins de novembro o tempo mudou e uma tempestade de inverno arruinou os acampamentos aliados e interrompeu suas linhas de provisão. Homens e cavalos sofreram doenças e fome, diante daquelas condições precárias.

Enquanto Totleben estendia as fortificações ao redor de Redan, do bastião da bandeira e de Malakoff, o engenheiro-chefe britânico John Burgoyne percebeu em Malakoff a chave para a entrada na cidade. Foram iniciados os trabalhos a fim de permitir um cerco concentrado a Malakoff, e permitir uma maior aproximação das tropas aliadas; como resposta, Totleben escavou casamatas onde franco-atiradores armados com rifles pudessem alvejar, escondidos, os sitiadores. Antecipação da guerra de trincheiras que se tornou o símbolo maior da I Guerra Mundial, estes postos se tornaram o principal foco dos assaltos aliados.

Quando o inverno amainou, os Aliados puderam restabelecer muitas rotas de provisão. Uma nova ferrovia, a "Ferrovia Central da Grande Crimeia", foi construída pelos contratados Thomas Brassey e Samuel Peto, servindo para transportar materiais de Balaclava até a linha de cerco, entregando ainda mais de quinhentas peças de artilharia e farta munição. Começando em 8 de abril de 1855 (Domingo de Páscoa), os Aliados retomam o bombardeio das defesas russas. Em 28 de junho o Almirante Nakhimov morreu, alvejado na cabeça por um vigia Aliado.

Em 24 de agosto os Aliados iniciaram o sexto e mais severo bombardeio da fortaleza. 307 canhões dispararam 150 000 tiros, sofrendo os russos baixas diárias entre dois e três mil homens. No dia 27 de agosto 13 divisões e uma brigada aliadas (numa força total de 60 000 homens) iniciaram o último assalto. Os franceses conseguiram capturar o reduto de Malakoff, fazendo com que a defesa russa se tornasse insustentável. Na manhã de 28 de agosto as tropas russas abandonaram o lado sul de Sebastopol.

Embora defendida heroicamente e às custas de pesadas baixas aliadas, a queda de Sebastopol levou à derrota russa na Guerra da Crimeia. A maioria dos defensores russos da cidade foi enterrada em mais de 400 sepulturas coletivas, no Cemitério da Fraternidade, em Sebastopol.

Destino dos canhões de Sebastopol
Os britânicos enviaram um par de canhões capturados em Sebastopol a cada uma das cidades mais importantes do Império. Alguns autores acreditam que outros canhões foram derretidos, e usados para fazer as medalhas daCruz da Vitória, embora isso seja contestado por estudiosos.

A Batalha de Malakoff foi uma batalha da Guerra da Crimeia, travada entre o Império Russo e o Segundo Império Francês. Foi travada em 7 de setembro de 1855, em Sebastopol. Foi uma vitória decisiva dos franceses, tendo morrido em combate todos os comandantes russos.

Esta vitória assegurou a queda de Sebastopol e fez terminar o respectivo cerco, alguns dias mais tarde, abrindo o caminho para a vitória aliada (Reino Unido, França, Império Otomano e Reino da Sardenha). A comuna francesa de Malakoff recebeu o seu nome em honra desta batalha histórica.

Na região correspondente ao atual território da Ucrânia, sucedeu ao Principado de Kiev os principados de Aliche e de Volínia, posteriormente fundidos no Estado de Aliche-Volínia, liderado porDaniel Romanovitch. Em meados do século XIV, o Estado foi conquistado por Casimiro IV da Polônia, enquanto que o cerne do antigo Principado de Kiev - inclusive a cidade de Kiev - passou ao controle do Grão-Ducado da Lituânia. O casamento do grão-duqueJagelão da Lituânia com a rainha Edviges da Polônia pôs sob controle dos soberanos lituanos a maior parte do território ucraniano.
Tratado de Paris

A guerra terminou com a assinatura do tratado de Paris de 30 de março de 1856. Pelos seus termos, o novo czar, Alexandre II da Rússia, devolvia o sul da Bessarábia e a embocadura do rio Danúbio para o Império Otomano e para a Moldávia, renunciava a qualquer pretensão sobre os Balcãs e ficava proibido de manter bases ou forças navais no mar Negro.

Por outro lado, a Turquia representada por Aali-pachà ou Meliemet Emin era admitida na comunidade das potências europeias, tendo o sultão se comprometido a tratar seus súditos cristãos de acordo com as leis europeias. A Valáquia e a Sérvia passaram a estar sob protecção internacional.
Novas hostilidades[editar | editar código-fonte]

Na Conferência de Londres (1875), a Rússia obteve o direito de livre trânsito nos estreitos de Bósforo e Dardanelos. Em 1877, iniciou nova guerra contra a Turquia, invadindo os Balcãs em consequência da repressão turca a revoltas de eslavos balcânicos. Diante da oposição das grandes potências, os russos recuaram outra vez. 

O Congresso de Berlim (1878), consagrou a independência dos Estados balcânicos e as perdas turcas de Chipre, para o Reino Unido, da Arménia e parte do território asiático para a Rússia e da Bósnia e Herzegovina para o Império Austro-Húngaro. Em 1895, o Reino Unido apresentou um plano de partilha da Turquia, rechaçado pela Alemanha, que preferia garantir para si concessões ferroviárias. Nos Bálcãs, no início doséculo XX, o crescente nacionalismo eslavo contra a presença turca levou a região à primeira das Guerras Balcânicas.

Segunda Guerra Mundial

A Crimeia foi palco de uma das mais sangrentas batalhas da Grande Guerra Patriótica (Segunda Guerra Mundial). Os invasores alemães tiveram inúmeras perdas quando tentaram avançar através do istmo ligando a Crimeia à Ucrânia, emPerekop, no verão de 1941. Quando finalmente conseguiram atravessar, os alemães ocuparam a maior parte da Crimeia, com exceção da cidade de Sebastopol (Cidade Heróica). Sebastopol resistiu heroicamente de Outubro de 1941 até 4 de Julho de 1942, quando os alemães finalmente capturaram a cidade. As tropas soviéticas conseguiram liberar Sebastopol somente em 1944.

Sebastopol

Sebastopol (em ucraniano: Севасто́поль; em russo: Севасто́поль; em tártaro da Crimeia: Aqyar) é uma cidade do sul da Ucrânia com cerca de 330 000 habitantes localizada na península da Crimeia1 .

É uma das duas cidades ucranianas com status especial de cidade independente, sendo a outra a capital do país, Kiev. É o segundo maior porto da Ucrânia, o maior sendo o Porto de Odessa.

Foi fundada pelos russos em 1783. Ficou célebre na Guerra da Crimeia o Cerco de Sebastopol (1854-1855). Esteve ocupada pelo exército alemão entre 3 de julho de 1942 e 9 de maio de 1944.

Administrativamente, Sebastopol é uma cidade independente e não é parte, portanto, da República Autônoma da Crimeia. Abrange o distrito de Balaclava. Nos tempos da União Soviética, Sebastopol foi declarada como cidade fechada.
 
Demografia

A população da cidade de Sevastopol é de 342 451 habitantes (censo de 2001), sendo a 15ª cidade mais populosa da Ucrânia e mais populosa da península da Crimeia. Toda a área da cidade independente, incluída Balaclava, tem uma população de 961 885 (2008). De acordo com o censo ucraniano de 2001, os russos são 71,6% dos habitantes, os ucranianos são 22,4% e os bielorrussos são 1,6%2 .

Deportações

Em 1944 a população de etnia Crimeia-Tártara foi deportada a força pelo governo soviético. Estima-se que 46% desses deportados tenham morrido de fome e doenças.

Dominação Soviética

Durante a era soviética, a Crimeia foi governada como parte da República Socialista Federada Soviética da Rússia até que, em 1954, fosse transferida por Khrushchov para a RSS da Ucrânia como presente de comemoração do 300.° aniversário da unificação da Rússia e da Ucrânia. Com o colapso da União Soviética, a Crimeia tornou-se parte da recém independente Ucrânia, uma situação ressentida por parte da população majoritaramente russa e causadora de tensões entre a Rússia e a Ucrânia. Com a Frota do Mar Negrobaseada na península, houve apreensões de conflito armado.


Ficheiro:SovietUnionUkraine.png
Localização da RSS da Ucrânia na URSS
Com a derrota eleitoral das principais forças políticas radicais nacionalistas da Ucrânia a tensão diminuiu progressivamente.

Autonomia

A Crimeia proclamou sua autonomia em 5 de Maio de 1992, mas concordou mais tarde permanecer parte integrante da Ucrânia como uma república autônoma.

A cidade de Sebastopol está situada dentro da República, mas tem um status municipal especial na Ucrânia. O Presidente da República é Boris Davydovych Deich, desde 2002, e o primeiro-ministro é Anatolii Fedorovych Burdyugov, desde 23 de Setembro de 2005.