quarta-feira, 26 de julho de 2006

História do Calendário



O CALENDÁRIO

E a sua evolução em Portugal

Introdução Calendário, é o sistema de medição do tempo que se necessita para a vida civil, dividindo o tempo em dias, semanas, meses e anos. As divisões do calendário estão baseadas nos movimentos aparentes do sol e da lua.. Um dia é a média de tempo necessária para uma rotação da terra no seu eixo. O ano está baseado no tempo necessário para uma rotação da terra à volta do sol, e é chamado o ano solar. Um ano solar ou trópico tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45,5 segundos.

O mês era calculado pelos povos antigos como o tempo entre duas luas cheias, ou o número de dias necessários para que lua desse uma volta ao redor da terra. ( 29,5 dias ).Esta medida chamada de mês lunar, resultava num ano lunar ( de 12 meses ) de 354 dias, 11 ¼ dias mais curta que o ano solar. A semana deriva da tradição Judia-Cristã, de descansar ao sétimo dia. Os romanos davam aos dias da semana, nomes em honra do sol, da lua e de vários planetas

Calendários antigos 

Hammurabi
Os antigos babilónios tinham um calendário lunar de 12 meses lunares de 30 dias cada, e adicionavam meses extras quando necessitavam acertar o calendário com as estações do ano. Os antigos egípcios foram os primeiros a substituir o calendário lunar pelo solar, baseado no ano solar.
Mediam o ano solar em 365 dias, divididos em 12 meses de 30 dias cada, com 5 dias extras no fim. 

Cerca de 238 AC, o rei Ptolomeu III ordenou que um dia extra fosse adicionado de cada 4 em 4 anos, similar ao moderno ano bissexto. Na antiga Grécia utilizou-se um calendário de ano lunar de 354 dias.

Os gregos foram os primeiros a intercalar meses extras com base científica, adicionando meses em intervalos específicos do ciclo dos anos solares.

O Primitivo Calendário Romano

O primitivo calendário da cidade de Roma, era um calendário lunar, e tinha 304 dias, divididos em dez meses, desde Março a Dezembro. O ano começava em 1 de Março. É atribuído a Rómulo. Numa Pompilius, que por tradição foi o segundo rei de Roma ( 715-673 BC ? ), acrescentou lhe mais dois meses, Janeiro e Fevereiro, para um ano de 354 dias. Em ( 616-579 BC ) o etrusco Tarquinius Priscus , por receio supersticioso dos meses com números pares, deu um dia mais a Janeiro, e sistema passou a ser de um ano con doze meses e 355 dias. 

Janeiro tinha 29 dias, Fevereiro tinha 28 dias, Maio, Julho e Outubro 31 dias, Janeiro, Abril, Junho , Agosto , Setembro, Novembro e Dezembro 29 dias. Mais tarde Júlio César, numa reforma aconselhada pelo astrónomo alexandrino Sosígenes,adoptou um calendário com 365,25 dias no ano trópico, que mesmo assim era maior que o ano solar em 11m e 14seg. Isto dava um erro de 3 dias em cada 400 anos.

Desta forma, atribuiu 445 dias ao ano de 46 A.C., para reajustar o ano civil ao solar. A diferença de 6 horas entre o ano solar e o ano civil ( na altura ) era ajustado de 4 em 4 anos, no mês de Fevereiro, dia 24, repetindo esse dia. Estes anos de 366 dias, chamam-se bissextos, porque os latinos chamavam ao dia 25 de Fevereiro "bi-sextus kalendas Martii" quando este tinha 29 dias. O começo do ano, passou nesta altura, de 1 de Março para 1 de Janeiro. 

Mudou-se também o nome do quinto mês do ano "quintilius" para Julho ( Julius )em homenagem a Júlio César, e mais tarde o sexto mês "sextilius" passa para o que hoje é Agosto ( Augustus )em homenagem a Octávio César Augusto.

O Calendário na Península Ibérica

Dama de Elche
Na Península Ibérica vigorou desde o século V, a chamada ERA de Espanha ou Hispânica, Gótica, de Augusto ou de César, usada nos mais antigos documentos dos arquivos portugueses, sob as formas sub era ou in era Começava no dia 1 de Janeiro do ano 38 A.C., ano 716 da fundação de Roma. 

É a chamada era de Espanha comemorando a conquista definitiva da península pelos romanos e a introdução nela do calendário Juliano. Procede 38 anos ao ano de nascimento de Cristo .

O primeiro da era cristã coincide com o ano 39 da era de Espanha. Para converter, pois, a era de Espanha ou de César, à do Nascimento é preciso tirar daquela 38 anos.
Decreto Régio de D.João I
 
Em Portugal, o decreto Régio de D. João I, em 22 de Agosto do ano da Era Juliana de 1460, ordenou que daí em diante se passasse a usar o ano do nascimento de Cristo como ano do começo ou referência, substituindo assim a era de César. Assim, o dia a seguir ao decreto régio, deixaria de ser o:
 
16 de Agosto de 1460 Era Juliana para ser o
16 de Agosto de 1422 Era de Cristo
Ano do Nascimento ou "ANNO DOMINI". Esta mudança já tinha sido efectuada em Aragão em 1350, Leão e Castela em 1383. Esta Era Cristã usada pela maioria dos povos ( Europeus ), fixada em 25 de Dezembro do ano do Nascimento de Cristo, ou seja o ano 753 da fundação de Roma. 

D. João I
Em alguns documentos portugueses encontra-se também a era - anno a Passione - cujo ponto de partida é posterior 33 anos à era cristã. Até ao século XIV o ano novo começava em 25 de Março ( Anunciação ). Era ou estilo da Incarnação ou Anunciação. Foi também adoptada na Idade Média, algumas vezes, a era ou estilo da Páscoa, variável pela mobilidade desta festa. A Era ou estilo da circuncisãocomeçava no dia 1 de Janeiro.

No entanto nos séculos XIV, XV e XVI usaram-se indiferentemente as datas de 25 de Dezembro ou de 1 de Janeiro para começo do ano , embora esta última tivesse predominado. Contudo o hábito de utilizar a era Juliana ou Hispânica persistiu durante décadas e ainda Zurara a menciona na CRÓNICA DA TOMADA DE CEUTA dando-lhe a data de 1453 ( 1415 DC ). 

Deve-se portanto ter,. cuidado na atribuição do ano aos documentos ou datas gravadas dos séculos XV e XVI, datados entre 25 e 31 de Janeiro, que o indicam muitas vezes acrescido de uma unidade em relação ao estilo actual . Só com a Reforma Gregoriana ( 15 de Outubro de 1582 ) se estabeleceu o 1 de Janeiro para começo do ano. Em alguns documentos dos arquivos portugueses foi também usada a Hégira ou ano arábico, que começa em 622 do ano de Cristo, data da fugida de Mahomed de Meca para Medina.

Calendário Gregoriano 

Para corrigir o erro, entre o ano solar e ano civil, que no ano de 1582 (D.C.) já era de 10 dias, ( o equinócio da Primavera que deveria ser em 21 de Março de 1582 ocorreu em 11 de Março ) o Papa Gregório XIII, pela sua Bula Inter Gravissimas de 24 de Fevereiro de 1582, ordenava a reforma do Calendário, para um ano trópico de 365,2425 dias. 

Nesta reforma os anos bissextos sucedem-se de 4 em 4 anos ( Fevereiro com 29 dias ). Todos os anos seculares são anos normais, ( 1.700, 1.800, 1.900 ) excepto os divisíveis por 400 ( 1.600, 2.000 ) que são ou serão anos bissextos. Para se conseguir a devida correcção, o dia a seguir a 04 de Outubro de 1582 ( quinta-feira), foi o dia 15 de Outubro de 1582 ( sexta-feira).

Gregório XIII

Desta maneira a diferença entre o ano civil e o natural ( solar ) não atingirá um dia em menos de 5.000 anos. O Calendário Gregoriano é também chamado Calendário Cristão porque considera a data do nascimento de Cristo como a data de começo. As datas da Era Cristã, são também designadas pr AD ( anno Domini ) e DC ( depois de Cristo ). No entanto o nascimento de Cristo originalmente dado para 25 de Dezembro, 1 DC, é hoje assumido como em 4 AC.

A aprovação desta Reforma foi imediata ( 04 de Outubro de 1582 ) em Portugal, Espanha e Roma. Em França e Holanda foi aprovada em Dezembro de 1582. Na Áustria em 1583, nos Estados Católicos de Alemanha e Suiça em 1584, na Polónia em 1586. Foi aprovada na Hungria em 1587 e em 1700 pelos Estados protestantes de Alemanha e Suiça. Foi aprovada na Inglaterra e Suécia em 1757, em 1918 na U.R.S.S., em 1923 na Grécia e na Turquia em 1923.

O calendário Juliano


No ano 46 a.C. Júlio César (Gaius Julius Cesar, 102-44 a.C.), orientado pelo astrónomo alexandrino Sosígenes (90-? a.C.), reformou o calendário romano, para uniformizar os calendários diferentes usados pelos territórios ocupados pelos romanos. Introduziu o Calendário Juliano, de doze meses, no qual a cada três anos de 365 dias seguia outro de 366 dias (ano bissexto). Assim, o ano juliano tem em média 365,25 dias.

Para acertar o calendário com a primavera, foram adicionados 67 dias àquele ano e o primeiro dia do mês de Março de 45 a.C., no calendário romano, foi chamado de 1 de Janeiro no calendário Juliano. Este ano é chamado de Ano da Confusão.

As principais reformas são: o início do ano passa de 1º de Março para 1º de Janeiro; os meses passam a ter 30 e 31 dias intercalados (excepto Fevereiro); quintilis e sextilis ficam com 31 dias porque têm nome de imperadores; o 13º mês, mercedonius, é suprimido.

O calendário egípcio

Primeiro calendário da história da humanidade e começa com a enchente anual do rio Nilo. Surge por volta de 3000 a.C. O ano tem 365 dias, divididos em 12 meses de 30 dias e mais cinco dias extras, dedicados aos deuses.

Os egípcios são os primeiros a utilizar um calendário solar , embora os 12 meses de 30 dias sejam de origem lunar. O ano tem 365 dias - e 6 horas a menos que o ano solar, o que significa atraso de um dia a cada quatro anos.

Havia três estações determinadas pelo fluxo do rio Nilo: Cheias (akket); Semeio (pert) e Colheita (shemu). A relação entre as estações definidas pelo Nilo e as estações naturais era feita pelo nascer heliacal da estrela Sirius, conhecida dos egípcios pelo nome de Sothis. A primeira aparição da estrela no céu da manhã, depois da sua conjunção com o sol determinava o início da contagem das estação das Cheias.

O calendário egípcio foi reconhecido pelos astrónomos gregos e tornou-se o calendário de referência da astronomia por muito tempo. Copérnico usou-o para construir suas tábuas da lua e planetas. Já no ano 238 a.C., o Rei Ptolomeu III tentou acrescentar um dia extra ao calendário a cada 4 anos, como no ano bissexto actual. No entanto sua proposta não teve eco. Somente entre 26 a.C. e 23 a.C., a modificação é realizada, sob o império romano na mão de Augusto que introduziu tal modificação no calendário.

O ano egípcio de 23-22 AC possui o mês correspondente a Agosto com 30 dias. A partir de então, este mesmo mês voltou a possuir 29 dias salvo nos anos bissextos, quando tinha um dia a mais. Esse novo calendário passou a se chamar Alexandrino.

Esta reforma não foi aceita integralmente e os dois calendários permaneceram paralelos até pelo menos 238 dC. Os astrónomos e astrólogos mantiveram a notação antiga. Ptolomeu usava-o, salvo no tratado de fenómenos anuais em que o novo calendário tinha mais conveniência.

Os persas adoptaram o antigo calendário egípcio em 500 aC. Não é bem certo se foi adoptado exactamente ou com modificações. Os arménios ainda o adoptam. Os três últimos meses do calendário arménio correspondem exactamente aos três primeiros do antigo calendário egípcio. Em seguida vêm os cinco dias finais, característicos deste.

O calendário alexandrino é ainda usado na Etiópia, na igreja Cóptica e para fins de agricultura no moderno Egipto e vizinhos do norte da África.

O primeiro calendário romano 

O primeiro calendário romano foi criado por Rômulo em 753 a.C., ano de fundação de Roma, baseado no calendário egípcio. Era um calendário lunar, e tinha 304 dias, divididos em dez meses, dez meses lunares, seis de 30 dias e quatro de 31, desde Março a Dezembro. O primeiro mês é o Martius (Março) e adopta a meia-noite para início do dia. Numa Pompilius, que por tradição foi o segundo rei de Roma (715-673 BC ?), discípulo de Pitágoras, reconhece a necessidade de se instalar um calendário com base astronómica. Elabora um calendário solar composto de 355 dias distribuídos em 12 meses.

Supersticioso, considerava os dias pares azarados. Por isso, diminuiu um dia dos seis meses de 30 dias. Aos seis dias juntou mais 51, formando dois novos meses.

Januarius, com 29 dias, é colocado sob a protecção de Janus, o deus da paz, representado por duas faces, uma olhando para o passado (fim do ano) outra para o futuro (ano novo).
Februarius, com 28 dias, azarado por ser número par, é dedicado ao deus da purificação dos mortos, Februa. Sua denominação faz referência à "febre", é o mês das doenças, considerado de mau agouro.

Assim, o ano fica com 355 em vez de 354, que era o valor do ano lunar, para evitar o suposto azar de um número par. A cada dois anos, há um 13º mês, Mercedonius, com 22 ou 23 dias.

Os anos no calendário romano eram chamados de A.U.C. (ab urbe condita), a partir da fundação da cidade de Roma. Neste sistema, o dia 11 de Janeiro de 2000 marcou o ano novo do 2753 A.U.C.

O imperador Júlio César reforma o calendário romano criando o calendário Juliano.

O calendário chinês 

O calendário surgiu com o terceiro herói cultural, Huang-ti, o Senhor Amarelo ou Senhor Augusto. Foi introduzido em 2.637 a.C., baseado nas fases da lua e, posteriormente, no ano lunissolar de 12 meses. Cada mês pode ter 29 ou 30 dias e o ano tem 354 ou 355 dias. 

 Comporta dois ciclos: um de 12 anos (354 ou 355 dias, ou 12 meses lunares) e um de sete anos (com anos de 383 ou 384 dias, ou 13 meses). Os chineses inserem meses adicionais em intervalos fixos para resolver a diferença entre o ano solar (365 dias) e o ano lunar (354 dias). O ano novo começa sempre em uma lua nova, entre 21 de Janeiro e 20 de Fevereiro.

Signos do calendário chinês
O calendário chinês é um dos mais antigos registros cronológicos que há na história dos povos. E com o calendário, onde cada ano recebe o nome de um dos 12 animais: galo, cão, porco, rato, búfalo, tigre, gato, dragão, serpente, cavalo, cobra e macaco, surgiu o horóscopo chinês, os 12 signos animais ou subdivisões do mundo (que formam o Astral Chinês).

Os anos do Dragão repetem-se a cada 12 anos. O ano do Dragão Dourado ocorre uma vez a cada 3000 anos (ocorreu no nosso ano 2000) e é suposto trazer a harmonia completa dos cinco elementos da filosofia chinesa (metal, madeira, água, fogo e terra), o que se reflectiria em um sentimento de felicidade para todos. 

Calendário azteca

O calendário azteca era basicamente igual ao dos maias. O ano possuí início no solstício de Inverno com um ciclo de 18 meses de 20 dias cada e mais um curto período, ou mês diminuto de 5 dias.

Com 104 anos comuns tinha-se um grande ciclo no qual intercalavam 25 dias.

Essa exactidão do ciclo de 260 anos sagrados em relação ao exacto movimento do Sol, possuía uma diferença de apenas 0,01136 de dia, ou seja, um pouco mais de um centésimo de dia.

O calendário azteca dava aos dias nomes próprios que correspondiam a números de ordem no decorrer do mês. Os dias corriam de 1 a 20, e os festivais eram comemorados no último dia do mês.

A escrita da data informava o ano em curso, o número e o nome do dia, sem mencionar o dia do mês e o próprio mês. Para citar umaO ocorrência de longa duração, os aztecas informavam apenas o ano em curso.

Os meses no calendário azteca eram 18, totalizando 360 dias, mais cinco dias suplementares, denominados Nemotemi ou"dias vazios"

O calendário Babilónico

É um dos calendários mais antigos, compreende 12 meses lunares (divididos em quatro semanas), de 29 ou 30 dias cada um, cujo início é assinalado pelo aparecimento da lua nova.

O ano tem 354 dias, 11 dias a menos que o ano solar. Ao fim de três anos há um desfasamento de cerca de um mês em relação ao ano solar. Para resolver essa diferença foi acrescentado um mês complementar (13º mês) ao final de cada período de três anos

O mês suplementar é introduzido após elul ou adar, conservando o mesmo nome seguido da indicação de segundo.

Para determinar a época de acrescentar o mês complementar, observava-se o nascer de determinadas estrelas e constelações. Muitas observações causavam erros.
Chegou-se a colocar dois meses suplementares no mesmo ano.

Em cerca de 480 a.C., os babilónios adoptam um ciclo de 19 anos, no qual introduzem os meses complementares em sete anos. Dessa forma conseguem maior concordância entre o ano lunar e o solar.

O calendário Muçulmano

Baseado no ano lunar de 354 dias, 355 nos anos abundantes, com 12 meses de 29 ou 30 dias intercalados. O mês começa quando o crescente lunar aparece pela primeira vez após o pôr-do-sol. Tem cerca de 11 dias a menos que o calendário solar. Para ajustar essa diferença, num ciclo de 30 anos, 11 anos são abundantes, com 355 dias (e o restante, 19 meses, tem 354).

O ano 1 é a data da Hégira, a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 16 de Julho de 622.

Os muçulmanos consideram o pôr-do-sol o começo de um novo dia. O dia santificado é a sexta-feira.

Para fazer uma aproximação entre os anos muçulmanos e gregorianos:
tira-se 622 (ano da Hégira) do ano em curso
multiplica-se o resultado por 1,031 (número de dias do ano gregoriano dividido pelo número de dias do ano lunar).

Exemplo: 2008 - 622 = 1386
1386 x 1,031 = 1429.

O calendário judaico

O calendário judaico, diferentemente do gregoriano, é baseado no movimento lunar. Onde cada mês se inicia com a lua nova (quando é possível visualizar o primeiro reflexo de luz sobre a superfície lunar. Antigamente o calendário era determinado simplesmente por observação.

O grande problema com o calendário lunar é que se compararmos com o calendário gregoriano, temos em um ano solar 12,4 meses lunares, o que ocorre uma diferença a cada ano de aproximadamente 11 dias, para compensar esta diferença, a cada ciclo de 19 anos acrescenta-se um mês inteiro (Adar II).São acrescidos no terceiro, sexto, oitavo, décimo-primeiro, décimo-quarto, décimo-sétimo e décimo-nono anos desse ciclo.

Início da contagem

O início da contagem do calendário judaico se refere à criação do mundo.

Os meses do calendário judaico

O primeiro mês do calendário judaico e o mês de Nissan, quando temos a comemoração de Pessach. Entretanto, o ano novo judaico ocorre em Tishrei (quando é acrescentado um número ao ano anterior).

O calendário Incaico

Não há muita documentação precisa sobre o calendário incaico, já que essa cultura passou por maior destruição por parte dos conquistadores. O conhecimento preciso das constelações levou a impressionantes semelhanças com as figuras usadas pelos criadores do Zodíaco para representá-las, e com os signos zodiacais

O observatório de Cuzco era o responsável pela base do calendário incaico: possuía oito torres voltadas para o nascente e outras oito apontando para o poente, com alturas desiguais (duas pequenas intercaladas entre duas bastante altas). Sua sombra projectada no terraço ao redor permitia aos observadores imperiais definir a exacta situação dos solstícios, enquanto as colunas zodiacais (curiosamente semelhantes ao zodíaco caldeu) permitiam definir os equinócios.

Essa exactidão do ciclo de 260 anos sagrados em relação ao exacto movimento do Sol, possuía uma diferença de apenas 0,01136 de dia, ou seja, um pouco mais de um centésimo de dia.

O calendário azteca dava aos dias nomes próprios que correspondiam a números de ordem no decorrer do mês. Os dias corriam de 1 a 20, e os festivais eram comemorados no último dia do mês


Bibliografia Enciclopédia Portuguesa ou Brasileira - Dicionário da História de Portugal - Joel Serrão - Manuais de Cronologia e DiplomáticaL’ Art de véréfier les Dates - Manuel de Diplomatique - A.Giry Que dia é hoje ( Internet)

terça-feira, 25 de julho de 2006

Salazar visto pelos brasileiros

Salazar visto pelos brasileiros

Por Boris Fausto


Um ditador fascista?





Político sem brilho, destituído de carisma, Salazar comandou Portugal por mais de 35 anos. A sua condução de um pequeno país, em meio a uma Europa sacudida por abalos, é motivo para que a biografia de um homem insosso esteja longe de ser insossa

Uma série de ditaduras marcou o mundo ocidental a partir dos anos 20 do século passado. Numa sequência que durou mais de vinte anos, Mussolini inaugurou o cortejo, ao tomar o poder na Itália, em 1922. Seguiram-se Salazar em Portugal (1932), Hitler na Alemanha (1933) e o general Franco na Espanha (1939). Atravessando o Atlântico, o Brasil teve a “glória” de figurar no cortejo, com o golpe de Getúlio Vargas, implantando o Estado Novo em novembro de 1937.

Os ditadores chegaram ao poder por diferentes vias, numa conjuntura em que a democracia liberal se enfraquecera e os regimes chamados fortes pareciam ser a fórmula regeneradora das nações doentes, corroídas pela desordem. Benito Mussolini se tornou Il Duce após um passeio, mitificado pelos seus seguidores: a marcha triunfal sobre Roma. António Salazar assumiu o poder sem abalos. Adolf Hitler foi chamado pelo presidente Hindenburg para salvar a Alemanha. Francisco Franco se destacou pela via sangrenta da guerra civil, da qual saiu vitorioso.

Nesse cortejo de ditadores da Europa Ocidental, segundo o grau de sinistra importância, Hitler ficou em primeiro lugar e Salazar na última posição, embora estivesse longe de ter exercido uma “ditadura branda”. Não por acaso, Hitler, Mussolini e Franco foram objeto de excelentes biografias. Salazar, pelo contrário, recebeu poucas atenções fora de Portugal. E é de um historiador português, Filipe Ribeiro de Meneses, uma qualificada e minuciosa biografia do ditador português. O livro foi escrito originalmente em inglês, sob o título de Salazar: A Political Biographye não há nessa edição o subtítulo publicitário “Biografia definitiva”, que consta da edição brasileira. Traduzido para o português de Portugal, o livro tem para nós, brasileiros, um sabor especial, pelo palavreado luso, que lhe dá um curioso gosto de autenticidade.

É de se perguntar: como é possível atravessar as mais de 800 páginas de uma biografia, cujo personagem central não é uma figura especialmente atraente? Se a minha receita servir, li o livro com grande interesse, prestando menos atenção em minúcias que me parecem secundárias para o leitor brasileiro.

António de Oliveira Salazar, ditador sem brilho, destituído de carisma, teve, entretanto, uma longa carreira política: comandou Portugal por 36 anos. Seus traços de personalidade, seu percurso na condução de um pequeno país, em meio a uma Europa sacudida por muitos abalos, o caráter sui generis do regime autoritário português são motivos suficientes para que a biografia de um homem insosso esteja longe de ser insossa.



alazar nasceu numa pequena cidade, com um desses nomes evocativos de uma aldeia lusa: Santa Comba Dão. Único filho homem da família, viveu a infância num período em que seu pai, vindo da pobreza, alcançara condição mediana. Ao chegar à adolescência, abriam-se para ele dois caminhos numa sociedade que gerava poucas oportunidades econômicas: o sacerdócio e a carreira militar. Salazar entrou para o seminário de Viseu e chegou a receber ordens menores, a caminho de tornar-se sacerdote. Apesar de os padres representarem forte influência na sua formação católica conservadora e no seu moralismo, não seguiu carreira eclesiástica. Seguiu um rumo mais prestigioso, ao ingressar na Universidade de Coimbra em 1910, onde se especializaria em economia e finanças.

Na vida privada, Salazar foi um solteirão, atendido por uma governanta cinco anos mais velha do que ele durante todo o tempo em que viveu em Lisboa. A natureza das relações entre Salazar e Maria de Jesus Caetano Freire, que o país conhecia como dona Maria, deu margem a muita especulação, mas nada de certo se sabe a respeito. Em compensação, dois casos amorosos de Salazar, depois de chegar ao governo, tornaram-se conhecidos. Ambos envolveram relações complicadas: um deles, com uma sobrinha casada; o outro, com Maria Emília Vieira, jovem de vida boêmia, em Paris e na noite lisboeta. Por mais que ele fosse discreto em seus affaires, não era o “monge castrado” como o chamou num panfleto seu opositor Cunha Leal, banido, aliás, para os Açores.

Os casos de Salazar estão bem longe do ideal de família e do papel da mulher que pregava em seus escritos. A família, segundo ele, era “a célula social cuja estabilidade e firmeza são condição essencial do progresso”. Quanto à mulher, o maior elogio que se poderia fazer-lhe resumia-se a um epitáfio romano: “Era honesta, dirigia a casa; fiava lã.”



o plano das ideias, além da raiz fundamental – o catolicismo conservador –, ele foi bastante influenciado pela Action Française, movimento de direita em que figuravam nomes como Charles Maurras, Maurice Barrès e Gustave Le Bon. Este último impressionou Salazar pela relativização das instituições políticas existentes e por não acreditar na capacidade intelectual da grande massa.

A aproximação de Salazar com a política se deu a partir de seus escritos em jornais católicos de província, que tinha em grande conta porque considerava “a imprensa católica do país a mais séria, a mais ponderada, a única decente e limpa, que pode entrar em todas as casas, sem ministrar à donzela incauta o veneno do romance perigoso e sem tecer, sob atraentes formas, a apologia dos criminosos”.

A República portuguesa nunca chegou a se estabilizar. Ficou dividida entre as correntes partidárias, as conspirações monárquicas, a anarquia administrativa e o desequilíbrio orçamentário – herança maldita dos tempos da monarquia, derrubada em 1910. Em dezembro de 1917, um golpe de Estado abriu caminho para a ditadura militar de Sidónio Pais. Figura extraordinária esse Sidónio Pais! Sempre rodeado de belas mulheres, charmoso, carismático, populista, era pessoalmente o oposto de Salazar, que então iniciava seus passos na carreira política. A “República nova” de Sidónio, porém, durou pouco porque o “presidente-rei” foi morto a tiros, num atentado nas ruas de Lisboa, em dezembro de 1918.

Portugal voltou a ser uma democracia cuja morte anunciada percorreu os anos caóticos de 1920 a 1926. Após uma tentativa fracassada, Salazar elegeu-se deputado por um pequeno partido, o Centro Católico Português. Mais tarde, manifestaria desprezo por essa breve experiência parlamentar. Em 1920, oito primeiros-ministros passaram de raspão pelo poder e os assassinatos políticos se tornaram moeda corrente. Por fim, em 1928, uma facção militar desfechou um golpe de Estado. A ditadura, como o regime democrático anterior, seria marcada pela instabilidade não só política, como também econômica e financeira.

Foi um quadro conhecido: gastos crescentes, arrecadação insuficiente, déficits orçamentários. Os ministros da área econômica consideravam essencial obter um empréstimo internacional que ancorasse as finanças portuguesas e permitisse ao país concentrar investimentos em áreas estratégicas. Mas, como lembra Ribeiro de Meneses, havia grande desconfiança de tudo o que fosse português, a ponto de ter-se inventado um verbo em francês – portugaliser –,sinônimo de virar tudo pelo avesso.

Nesse quadro, a estrela do professor Salazar subia. Adversário do empréstimo externo, ele propôs, num relatório amplamente divulgado, medidas fiscais duras para tirar Portugal de uma situação difícil. Entre outras vantagens, o relatório o aproximou dos grandes grupos econômicos, que não eram muitos. Não tardaria a ser chamado para assumir o Ministério das Finanças, como homem providencial. Na véspera de completar 39 anos, tomou posse do cargo, em 27 de abril de 1928. Cada vez mais prestigiado, em meio às divisões no Exército e na sociedade, Salazar foi nomeado presidente do Conselho de Ministros, em junho de 1932. Na realidade, o cargo de primeiro-ministro era mero formalismo. Salazar tornou-se um ditador civil que comandou Portugal quase até sua morte.

Em linhas gerais, as medidas drásticas tomadas por ele, seja como ministro das Finanças, seja como ditador, surtiram efeito. A obstinação pelo equilíbrio orçamentário assim como um choque fiscal, suportado sobretudo pelas camadas pobres, possibilitaram o reequilíbrio econômico de Portugal. O país atravessou relativamente bem a Grande Depressão mundial iniciada em 1929, mesmo sofrendo um corte significativo dos recursos enviados pelos emigrantes portugueses, provenientes principalmente do Brasil. Ribeiro de Meneses rebate a tese corrente de que o Estado Novo luso se caracterizasse pelo imobilismo. Ao contrário, o regime salazarista representaria uma tentativa frustrada, mas nem por isso menos séria, de permitir a Portugal se desenvolver e se modernizar, dentro da ordem e do respeito às hierarquias sociais.

Salazar tornou-se ditador de uma forma bem diversa de seus contemporâneos.Mussolini apelou para a mobilização popular e para o nacionalismo. Supostamente, a Itália, após a Primeira Guerra Mundial, fora desprezada por seus parceiros maiores, vencedores da guerra. Hitler, além de utilizar o terrível ingrediente da conspiração mundial judaico-comunista, inflamou parte da população alemã, batendo na tecla do nacionalismo, ao insistir no direito da Alemanha de ocupar um lugar central na Europa depois de ter sido humilhada pelo Tratado de Versalhes. Franco subiu ao poder como vitorioso em uma guerra civil desastrosa, para ele uma cruzada cristã contra ateus e comunistas.



em longe da retórica ribombante dos ditadores de fascio e suástica, Salazar notabilizou-se por ter salvado Portugal do caos, por uma via que se pode chamar de burocrática. Em torno dele, não se elaborou um culto da personalidade, apesar de seu prestígio na maioria da população. Tinha aversão a aparições públicas, recusava-se a participar de comícios e, para completar, era mau orador e não aceitava baixar o nível dos discursos ou ceder a slogans fáceis de lembrar.

Nem por isso deixou de zelar por sua imagem, a fim de obter ganhos políticos. Por iniciativa do Secretariado de Propaganda Nacional – órgão que lembra o Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP do Brasil do Estado Novo – e dele próprio, sempre se apresentou ao público como um homem humilde, destituído de ambições políticas, que se dispusera a salvar o país, sem medir sacrifícios pessoais. Não fora essa elevada missão, permaneceria na cátedra de Coimbra – um remanso diante das dificuldades de dirigir Portugal. Em maio de 1935, o Diário da Manhã, órgão do regime, lançou essa pérola ao comentar um discurso do ditador: “SALAZAR, ou o ANTIDEMAGOGO: Seria essa a sua melhor definição. O demagogo dirige-se aos maus instintos... Salazar dirige-se às consciências bem formadas, aos impulsos de altruísmo e de equilíbrio, à pequena luz da Graça que dorme, latente, no íntimo de todas as criaturas.”

O salazarismo enfatizava a religiosidade, o nacionalismo, o anticomunismo, a crítica a um liberalismo que a modernidade do século XX não podia contemplar. O nacionalismo era “territorialmente satisfeito”, não se destacava pelo expansionismo, e sim como um instrumento para abafar a luta de classes. O importante era se dar bem com os vizinhos – a Espanha em particular – e manter o status quo nas “províncias de além-mar”.

O anticomunismo tornou-se virulento quando eclodiu a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Para o regime, os republicanos e os “vermelhos” eram a mesma coisa, e ambos tinham pretensões negativas em relação a Portugal. Anos mais tarde, o perigo comunista viria a ser uma das justificativas de Salazar para tentar manter as colônias da África.

À primeira vista, pareceria que a ditadura salazarista era mais um regime fascista implantado na Europa Ocidental. A oposição portuguesa, na sua difícil luta política, tinha razões práticas para não olhar Portugal como um caso à parte. Mas, na verdade, apesar de seus namoros com o fascismo, o salazarismo distinguiu-se das correntes totalitárias tanto internas quanto externas.



omo nota Ribeiro de Meneses, no início do Estado Novo talvez a principal ameaça ao regime e a seu líder não viesse da esquerda, mas da extrema-direita, formada pelos integralistas e pelo Movimento Nacional-Sindicalista, de Rolão Preto. Os nacional-sindicalistas tendiam a transformar seu movimento, o dos “Camisas Azuis”, em um partido único. Insistiam em se constituir uma verdadeira representação corporativa da sociedade. Atacavam sem tréguas o comunismo e o capitalismo internacional. Batalhavam pela criação de um clima social propício ao surgimento de um líder carismático, condição que Salazar, sabidamente, não reunia.

Salazar preferiu seguir outro caminho – o da implantação de um regime autoritário, apoiado num setor do Exército. Se a garantia da ordem era cara aos militares, muitos oficiais, especialmente os fascistas e integralistas, faziam fortes restrições a Salazar, seja por sua atitude de transferir a cúpula do poder dos militares para os civis, seja pelos cortes orçamentários que impuseram restrições ao aparelhamento das Forças Armadas.

Como reafirmou Salazar nos últimos anos de vida, os limites do Exército eram claros: a instituição não poderia imiscuir-se nas lutas políticas, nem constituir um partido político, devendo cingir-se a suas tarefas específicas. Mais ainda, Salazar nunca pretendeu se apoiar na mobilização popular, como pretendiam as organizações fascistas, nem na força de um partido único. A União Nacional, lançada no início da ditadura, não teria as características de um partido único nos moldes do fascismo e, principalmente, do nazismo. Uma observação do historiador António Costa Pinto, citada no livro de Ribeiro de Meneses, lembrando que a União Nacional foi criada por decreto governamental, destaca com ironia: “A legislação sobre o partido foi passada do mesmo modo que a legislação sobre as ferrovias. A administração controlava-o, adormecia-o ou revitalizava-o de acordo com a situação de momento.”



alazar se referia a Portugal como país de “elites paupérrimas”. Mas ele pouco fez para ampliar essas elites. Na linguagem de hoje, o primeiro escalão do governo e o aparelho administrativo foram recrutados, essencialmente, nos meios universitários. Além do Exército, apesar das reticências, o regime contou com o apoio da Igreja Católica. Quem, como eu, viveu aqueles tempos associou ao salazarismo dois nomes: o do general Carmona, que foi presidente de Portugal, e o do cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Cerejeira.

O formato autoritário do regime deveu-se tanto às convicções de Salazar quanto a seu pragmatismo, na medida em que ele levava em conta as lentas mudanças da sociedade portuguesa. Comparando o Estado Novo salazarista com o implantado no Brasil, ao lado de muitas semelhanças há, pelo menos, uma diferença básica: no âmbito de uma sociedade em crescimento, na qual a industrialização ganhava ímpeto, Getúlio não poderia prescindir de uma política para a classe trabalhadora, configurada no populismo.

No terreno ideológico, se Salazar não se afinava com o fascismo, adotava alguns de seus modelos. Um bom exemplo é o Estatuto do Trabalho Nacional, de setembro de 1933, inspirado na Carta del Lavoro de Mussolini, de 1927. Quase dez anos depois, a Consolidação das Leis do Trabalho, baixada no Brasil no curso do Estado Novo, teve a mesma inspiração. 

O Estado devia ser o centro da organização política e seu papel seria de “promover, harmonizar e fiscalizar todas as atividades nacionais”, tendo como órgão principal o Poder Executivo. Esse Estado forte deveria intervir em todas as atividades e, decisivamente, no campo econômico, em face da crise de que padecia o capitalismo. Ao mesmo tempo, era necessário reconciliar a nação e o Estado, de uma forma nunca conseguida desde o despontar do liberalismo em Portugal, em 1820. A reconciliação teria de ser alcançada pela educação, por um lado, e, por outro, pelo advento de uma nova Constituição, capaz de reavivar o país, ao refletir realisticamente seus corpos sociais ativos: a família, a paróquia, o município e a corporação econômica. Nessa reconciliação, o papel dominante caberia ao Estado, ao qual a nação deveria se integrar.

Entretanto, Salazar insistia que havia limites morais e espirituais à ação estatal, em áreas que, para além da política, pertenciam à consciência individual. Essas áreas privadas serviam como baluarte teórico e prático contra a extrema-direita, e para manter os católicos em papel relevante. Nesse passo, Salazar se distinguia de seus mestres da Action Française, ao rejeitar a noção maurrasiana dela politique d’abord – a política antes de tudo.



ma expressão muito utilizada na época definiu o regime salazarista como uma “ditadura constitucional”. A expressão tinha razão de ser. Em abril de 1933, uma nova Constituição, aprovada por plebiscito, transformou o Estado numa República unitária e corporativa. A Constituição previa a eleição de um presidente pelo voto direto, cabendo a ele nomear um conselho de ministros e o seu presidente. Outros órgãos institucionais eram a Assembleia Nacional e a Câmara Corporativa.

Teoricamente, a maior soma de poderes cabia ao presidente, mas foi o primeiro-ministro – Salazar, como é óbvio – quem concentrou as decisões governamentais. A Assembleia Nacional e a Câmara Corporativa tinham um papel secundário. Ambas se reuniam apenas três meses por ano e esta última desempenhava papel opinativo. A Assembleia Nacional era uma caricatura de um Parlamento, mesmo porque Salazar – tal como outros ditadores de seu tempo – considerava o Parlamento uma instituição caduca, expressão de um liberalismo moribundo e palco para disputas estéreis dos partidos políticos. O corporativismo era parte de um programa político católico que Salazar sempre defendera. Na prática, porém, as organizações corporativas tiveram como funções prioritárias exercer uma forma de controle social, desenvolver o capitalismo nacional e reforçar o papel do Estado.



consolidação de Salazar no poder foi rápida. A oposição formava um arco que ia dos republicanos conservadores, empurrados para fora da ditadura militar e do Estado Novo, ao Partido Comunista Português, o PCP, liderado por Álvaro Cunhal. Até o fim da Segunda Guerra Mundial, os opositores tiveram escassa repercussão. O desinteresse pela política, a censura aos meios de comunicação, a repressão dos dissidentes, muitos deles sujeitos a prisões e torturas, foram elementos inibidores de uma oposição eficaz.

Em um país de reduzidas dimensões, a polícia política – a famosa Polícia Internacional e de Defesa do Estado, a Pide – estava por toda parte. Dois estabelecimentos penais eram especialmente temidos: Peniche, uma fortaleza no alto de um penedo, situado na ponta mais ocidental de Portugal, e o campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago em Cabo Verde, onde morreram dezenas de prisioneiros políticos. No verão de 1937, um atentado a bomba – façanha de uma célula anarquista – serviu para “justificar” a repressão e para demonstrações de apoio a Salazar.

Em 1945, na onda de democratização que se seguiu ao conflito mundial (como o fim do Estado Novo no Brasil), Salazar anunciou eleições legislativas para novembro daquele ano, abertas a todos quantos quisessem desafiar a lista da União Nacional. Meses antes, chegara a dizer que “as eleições seriam livres como as da livre Inglaterra”. Republicanos e comunistas uniram-se no Movimento de Unidade Democrática, mas a Pide passou a acossar e prender os membros do movimento, que acabou se retirando do pleito.

Uma variante desse cenário ocorreu nas eleições para presidente da República, de fevereiro de 1949. A oposição, na qual o PCP tinha grande influência, lançou o nome de Norton de Mattos, um general de tendências moderadas. Comícios entusiásticos mostraram que o antissalazarismo ganhava a opinião pública. Mas, ainda uma vez, a acossada oposição se complicou e Norton de Matos retirou a candidatura.

Tornou-se cada vez mais claro que as eleições, mesmo em condições anormais, tinham-se convertido em um problema para o salazarismo. No pleito de 1958, o país foi tomado por uma febre eleitoral com a candidatura de outro general, Humberto Delgado, salazarista histórico que passara para a oposição. Delgado manteve sua candidatura até o fim, e só a fraude eleitoral permitiu a vitória do almirante Américo Tomás.

A vida do general Delgado e de sua secretária brasileira, Arajaryr Campos, terminou de forma trágica, em fevereiro de 1965, quando ambos foram assassinados em território espanhol, ao tentar cruzar a fronteira para Portugal. As mortes, perpetradas por agentes da Pide com a autorização de Salazar, tiveram repercussão internacional e quebraram o prestígio do “manso ditador”. O ex-presidente Jânio Quadros enviou um telegrama a Salazar, insistindo numa investigação completa do caso pelas Nações Unidas.



spetacular foi a façanha do capitão Henrique Galvão, que em janeiro de 1961 fugiu da prisão em Portugal e, à frente de um grupo rebelde de nome quixotesco, o Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação, apresou no Caribe um navio de passageiros – o Santa Maria. Rumando para o sul, Galvão enviou uma saudação ao povo brasileiro, à imprensa e ao recém-eleito presidente brasileiro, Jânio Quadros. Ao que tudo indica, Galvão esperou a posse de Jânio para desembarcar no Recife, pois JK, seu antecessor, tinha boas relações com a ditadura portuguesa. O “homem da vassoura” enviou a Galvão uma mensagem de boas-vindas e lhe concedeu asilo político. Ele nunca mais voltaria a Portugal e, anos mais tarde, morreria no Brasil.



o plano das relações exteriores, Portugal mantinha tradicionalmente laços estreitos com a Inglaterra, numa posição de inferioridade. Apesar da oposição das correntes germanófilas, o país entrou na Primeira Guerra Mundial ao lado dos Aliados e enviou um contingente militar para lutar nos campos da França. A implantação da ditadura salazarista não impediu a continuidade das boas relações com a Inglaterra, mas esta nem sempre apoiou as decisões do governo português. Salazar suscitou severas críticas dos ingleses, por exemplo, quando, de forma dissimulada mas significativa, ele apoiou o general Franco durante a Guerra Civil Espanhola.

Ao eclodir a Segunda Guerra Mundial, porém, a neutralidade de Portugal foi apoiada sem ressalvas pela Inglaterra. Salazar manteve essa postura, mesmo quando a queda da França parecia prenunciar a vitória do nazifascismo, e procurou influenciar o general Franco para que a Espanha também se mantivesse neutra. Mas em 1941, quando Hitler invadiu a União Soviética, Franco se colocou abertamente do lado alemão, enviando um contingente militar – a Divisão Azul – para lutar, ou melhor, para ser destroçado, na Frente Oriental.

Salazar nunca se identificou com o regime nazista, embora agentes da Alemanha, como de outros países, circulassem em Portugal sem serem incomodados. Numa carta enviada a um de seus confidentes mais próximos, em setembro de 1941, ele afirmou: “Considero uma desgraça para a Europa que (...) o nazismo se imponha por toda a parte com a sua violência e rigidez de alguns de seus princípios. Para os que têm da Civilização uma noção moral, será um franco retrocesso.” 

Salazar não via os Estados Unidos com os mesmos bons olhos com que via a Inglaterra. Os americanos – segundo ele – eram estranhos aos princípios europeus. E representavam um capitalismo sem freios, com pretensões hegemônicas. Alguém perguntaria: que importava, afinal de contas, para os Estados Unidos, a postura do nanico Portugal? A resposta pode ser sintetizada na importância estratégica do arquipélago dos Açores. Em julho de 1941, o presidente Roosevelt enviou uma carta a Salazar, afirmando que a utilização do arquipélago, e de outras possessões portuguesas, nada tinha a ver com uma ocupação. Para o propósito de proteger os Açores, Roosevelt dizia ter todo o gosto em incluir forças brasileiras, mas não se chegou a tanto. Depois de muitas pressões e longos entendimentos, Portugal autorizou a utilização dos Açores, primeiro pelos britânicos e depois, com relutância, pelos americanos.

No pós-guerra, a insistência de Salazar na manutenção das colônias da África a qualquer preço acelerou a desagregação do Império português. Portugal invocava a ameaça da União Soviética no continente africano. Dizia que não havia racismo, e sim harmonia de raças nas colônias portuguesas. E lembrava o exemplo maior do Brasil – uma nação luso-tropical cuja história passava pelo papel desempenhado por Portugal. O defensor intelectual dessa ideologia foi Gilberto Freyre, particularmente no livro O Mundo que o Português Criou. Embora Salazar e seus acólitos tivessem horror da importância que ele atribuía à herança africana em Portugal, deixaram o aspecto de lado para utilizar as ideias de Gilberto Freyre, um intelectual de inegável prestígio. Alguns livros do sociólogo brasileiro foram publicados em Portugal e ele visitou o país várias vezes, a convite do governo português.

As colônias portuguesas na Ásia foram caindo, uma a uma: Timor, Goa, Macau. Mas Salazar não podia admitir o abandono das “províncias ultramarinas” da África, cada vez mais convencido de que a independência delas levaria ao domínio da União Soviética ou ao caos generalizado. Os movimentos de independência estendiam-se da Guiné-Bissau e Cabo Verde a Angola e Moçambique. Em busca de uma política integradora e assimilacionista, o governo tentou sem êxito a reforma – uma espécie de luso-tropicalismo em forma legislativa, na feliz expressão de Ribeiro de Meneses. Na verdade, a prolongada Guerra da Angola, cada vez mais impopular em Portugal e na África, a cujo final Salazar não chegou a assistir, foi um fator dos mais importantesna queda da ditadura.



alazar não teve a morte violenta de Mussolini e de Hitler. Como o general Franco, morreu na cama, de morte natural, em julho de 1970. Meses antes, quando sofrera um acidente cardiovascular, fora substituído no poder, sem seu conhecimento, por Marcelo Caetano, atitude que lhe causou profunda amargura. Caetano tentou inutilmente reformar o regime para garantir sua sobrevivência. A Revolução dos Cravos poria fim à ditadura em 1974, por iniciativa dos quadros médios do Exército, acolhidos pela população, num clima de forte emoção. O deus de Salazar poupou-o desse espetáculo de desordem, como certamente ele o denominaria.

Passadas muitas décadas, a Europa Ocidental de hoje é muito diversa do que foi dos anos 30 até meados da década seguinte. A era das ditaduras teve fim, a Alemanha e a França – inimigas mortais em três guerras – tornaram-se nações amigas, o comunismo deixou de ser um fantasma perturbador, o sonho da União Europeia converteu-se em realidade.

Não obstante, nos dias de hoje, a União Europeia atravessa ventos e tempestades, e os temas econômicos e financeiros – déficits orçamentários, irresponsabilidade fiscal – entraram na ordem do dia. Tudo isso soaria familiar aos ouvidos do professor Salazar e ele talvez pensasse que poderia retornar do “assento etéreo” a este mundo, como homem providencial. Nesse caso, alguém precisaria dizer-lhe que os tempos são outros, pois estamos em busca de líderes, aliás muito escassos, e não de homens providenciais.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

DESPORTO EM PORTUGAL


O Desporto Português - Atletismo
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Medalhas de Ouro Olímpicas
Carlos Lopes
Carlos Alberto de Sousa Lopes nasceu em 1947, em Vildemoinhos, uma pequena aldeia próxima de Viseu. Começou a trabalhar depois de ter concluído a quarta classe, para ajudar no sustento da casa. Começou com servente de pedreiro, depois, foi marçano, relojoeiro e serralheiro.
Carlos sonhava ser jogador de futebol no Lusitano de Vildemoinhos mas, a oposição do pai e de algumas pessoas ligadas ao clube (achavam-no muito franzino) não lhe permitiram concretizar esse sonho. Virou-se para o atletismo... 
Em 1967, surgiu-lhe em casa um emissário do Sporting. Era o sonho à beira de realizar-se. Já em Lisboa sofre a primeira desilusão, o prometido emprego de torneiro-mecânico, transformara-se em serralheiro numa pequena oficina. Manteve-se como serralheiro até ir para a tropa. Depois de cumprir o serviço militar ( em Lisboa ) despediu-se da serralharia e foi trabalhar para o " Diário Popular", como contínuo. Pouco depois passou para empregado bancário no Crédito Predial. Mais tarde trabalharia no BPA.
 

Rosa Mota

Rosa Mota
Em criança corria pelas vielas da Foz para fugir ao medo do escuro. Nessa altura, o atletismo não era a sua grande paixão, preferia a natação e o ciclismo. Foi obrigada a optar pelo atletismo porque era a modalidade mais económica.

Em 1980 ,Rosa Mota padeceu de estranha doença: asma de esforço. Saiu do FC Porto e foi para o CAP. Valeu-lhe o médico e amigo José Pedrosa que a tratou e lhe lançou o desafio da maratona. Nessa altura o seu treinador era Pompílio Ferreira.

Em 1982, em Atenas, sagrou-se Campeã da Europa
 exactamente no percurso feito pelo soldado Filipíades para anunciar a mictória sobre Tebas na batalha de Maratona. Esta foi a primeira vez que correu uma maratona
Fernanda Ribeiro
Fernanda Ribeiro protagonizou a 2 de Agosto de 1996, em Atlanta, uma das mais emocionantes finais Olímpicas de todos os tempos nos 10 mil metros. Ao entrar para a última volta tinha 20 metros de atraso em relação à chinesa voadora Wang Junxia(recordista Mundial da distância), tudo parecia perdido, mas, os últimos 200 metros foram fantásticos, na recta final,
Em Atlanta, Fernanda Ribeiro fechou o ciclo de ouro: Campeã Europeia, Mundial e Olímpica dos 10 mil metros. Mal cortou a meta, correu a telefonar à mãe. " Para a descansar, porque ela sofre muito mais do que eu com as impaciências dos meus desafios. Nem sequer pôde ver a minha corrida, por causa dos seus problemas cardíacos, os médicos não deixaram."
 
Nelson Évora

Nelson Évora é campeão Olímpico, Pequim 2008 (17,67m) e campeão do Mundo do Triplo Salto!No concurso do Estádio Nagai, em Osaka, Nélson só validou três vezes (primeiro, terceiro e sexto ensaios), o que foi suficiente para estar sempre no primeiro lugar, desde que entrou em competição.

O recorde nacional caiu (17,74 metros, mais 23 centímetros que o seu anterior máximo, estabelecido já este Verão, em Madrid), e Nelson atingiu o patamar mais alto da ambição de um atleta.

Cauteloso antes dos concursos (mesmo antes da qualificação...), concentrado e determinado esta noite, Nelson consegue, assim, a primeira medalha, e logo de ouro, para a delegação portuguesa presente nos 11ºs. Campeonatos Mundiais de Atletismo, em Osaka.
"A Portuguesa" vai ecoar e a bandeira nacional subirá ao mastro principal do Estádio Nagai! e também em Pequim !
Campeões Mundiais
Vanessa Fernandes

Campeã Mundial do Triatlo e medalha de prata em PequimVanessa de Sousa Fernandes (Perosinho, 14 de Setembro de 1985) é uma atleta portuguesa de Triatlo.

É filha do ciclista Venceslau Fernandes. Estreou-se na modalidade no Triatlo de Peniche. Os seus dotes naturais fizeram com que aos 15 anos ingressasse no Centro de Alto Rendimento do Jamor onde reside e passa a maior parte do seu tempo.

Actualmente conta com 19 vitórias em Taças do Mundo de Triatlo, igualando o número de vitórias a lendária Emma Carney.

Atleta do Sport Lisboa e Benfica e habitual da selecção portuguesa, esta atleta de 1,68m começou a sua carreira profissional em 1999 no Triatlo de Peniche. É filha do ciclistaVenceslau Fernandes, que venceu em 1984 a Volta a Portugal.

Os seus treinadores são Sérgio Santos e António Jourdan. Foi oitava no triatlo olímpico dos Jogos Olímpicos de Atenas. Em 2006, chegou à primeira posição do ranking mundial de triatlo renovando o marco em "casa" no dia 6 Maio de 2007

Medalha de prata nos Jogos Olímpicos em Pequim 2008

Fernando Mamede

Recordista mundial dos 10000 metros entre 1984 e 1989
 
Fernando Eugénio Pacheco Mamede (n. 1 de Novembro de 1951 em Beja) é um antigo atleta português do Sporting Clube de Portugal. Bateu recordes internacionais de atletismo. Foi um dos meio-fundistas do país com maior relevo, e deteve o recorde mundial dos 10000 metros entre 1984 e 1989
  • 27 recordes nacionais
  • 1 recorde mundial (10000 metros)
  • 3 recordes europeus
  • 20 títulos nacionais

Manuel Machado

A vitória nos Mundiais de Gutemburgo valeu a Manuela um Mercedes. " Mas que grande máquina! Vou escolher um verde garrafa, afinal sou do Sporting, só que também lhe digo que não é carro que faça muito o meu estilo, vai ser para o meu marido conduzir, eu vou ficar com o meu Opel Corsa."

1ª Manuela Machado POR
2:25:39
2ª Anuta Catuna ROM2:26:25
3ª Ornella Ferrara ITA2:30:11

Carla Sacramento

campeã do Mundo em Atenas 1997 - 1.500 metros

1 Carla Sacramento POR 4:04.24 (SB)
2 Jacobs Regina USA 4:04.63
3 Weyermann Anita SUI 4:04.70 (SB

Rui Silva


Campeão do Mundo de 1500 metros em pista coberta
Lisboa 2001

Rui Silva é  um meio-fundista, que tem como especialidade os 1.500 metros

É um dos melhores corredores Portugueses da actualidade e talvez com Fernando Mamede um dos melhores atletas portugueses do atletismo de meio-fundo. O seu clube é o Sporting.
O seu maior feito desportivo é a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Verão de 2004..

Conquistou igualmente a medalha de bronze no Campeonato do Mundo de 2005 em Helsínquia em 1500 metros.

Foi campeão do Mundo de 1500 metros em pista coberta em Lisboa em 2001 levando a pavilhão Atlântico ao delírio.

Foi campeão da Europa de 1500 metros em pista coberta em Valência em 1998

Foi campeão da Europa de 1500 metros em Viena em 2002
Foi vice-campeão do Mundo de 3000 metros em Budapeste em 2004.
Grandes Maratonistas e Campeões da Europa
 António Pinto
António Pinto deve grande parte do enorme prestígio internacional de que desfruta, aos excelentes resultados que tem obtido na Maratona de Londres.

Em sete participações, Pinto obteve 3 vitórias, em 1992, 1997 e 2000; um segundo lugar, em 1999 e três terceiros lugares, em 1995, 1996,2001.

Em 2000, Pinto bateu o recorde da prova e o recorde da Europa da Maratona António Pinto deve grande parte do enorme prestígio internacional de que desfruta, aos excelentes resultados que tem obtido na Maratona de Londres.

Em 2000, Pinto bateu o record da prova e o record da Europa da Maratona

Francis Obikwelu

Francis Obirah Obikwelu (Onitsha, 22 de Novembro de 1978) é um atleta português nascido na Nigéria, especializado nos 100 e 200 metros rasos. Ganhou a medalha de ouro no Campeonato da Europa de Atletismo de 2002 (apesar de ter terminado em 2º) face à revelação do uso de doping por parte do vencedor da corrida, o inglês Dwain Chambers.

Em 2004 ganhou a medalha de prata na prova dos 100m nos Jogos Olímpicos em Atenas, conquistando a primeira medalha da história de Portugal em provas rápidas, e em 2006 venceu as provas dos 100m e 200 m no Campeonato da Europa em Gotemburgo com os tempos de 9,99 s e 20,01 s, respectivamente. 

Foi eleito Atleta Europeu de 2006 pela Associação Europeia de Atletismo e é o detentor actual do recorde europeu dos 100 m com o tempo de 9,86 s.

História do Hoquei em patins em Portugal
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 hóquei em patins, ou hóquei sobre patins, é um desporto colectivo de interior, em que os atletas rolam sobre patins e usam um stick para conduzir uma bola que tentam introduzir na baliza adversária. Há duas modalidades: o hóquei em patins tradicional e o In-line.

O hóquei em patins tradicional é jogado por cinco jogadores, quatro em campo e um guarda-redes. Neste desporto é utilizado o seguinte equipamento: Patins (compostos por quatro rodas cada patim, travão, chassis e bota), stick e bola. Como equipamento de protecção utiliza-se caneleiras, joelheiras, luvas, coquilha e no caso dos guarda-redes, protecção de coxa e mascara para a cabeça. 

A modalidade é derivada do hóquei em campo.

 

Hóquei em patins tradicional

Hóquei patins tradicional foi a primeira modalidade da patinagem a conseguir o estatuto de desporto olímpico, algo que aconteceu em 1992, durante os Jogos Olímpicos de Barcelona. Praticada actualmente em cerca de trinta países, é muito apreciada em Portugal, Espanha (sobretudo Catalunha e Galiza), Itália e Argentina (desporto-rei em San Juan e Mendoza).

O país com o maior número títulos mundiais é Portugal, seguido pela Espanha. Em Portugal existem actualmente cerca de 150 clubes, com a modalidade de hóquei em patins no activo. No Brasil existem poucos clubes. O hóquei tradicional chegou ao Brasil em 1952, por influência dos emigrantes portugueses que viviam no Brasil. A primeira presença do Brasil em Campeonatos do Mundo foi em 1953, em Genebra, em que o Brasil se classificou na 10ª posição (total 13 países). Actualmente, e apesar das dificuldades económicas, o Brasil é a 5ª Melhor selecção masculina e a 2ª Melhor selecção feminina do mundo.

O hóquei em patins teve a sua criação em Inglaterra.

 

Foram Campeões Nacionais de Hóquei em patins  (de 1939 a 2007)

Sport Lisboa e Benfica - 20 vezes   F.C. Porto - 16 vezes   Paço de Arcos - 7 vezes   Sporting - 6 vezes

Clube de Futebol Benfica - 3 vezes   O.C. de Barcelos - 3 vezes   D.L. Marques - 3 vezes   H.C. Sintra - 2 vezes

C. Ourique - 1 vez  


1ª Equipa portuguesa campeã do mundo - em 1947

          
  Emídio Pinto             Raio             Edgar                Jesus Correia             C. dos Santos  
António Livramento - O melhor hoquista do mundo

António José Parreira do Livramento (São Mansos, 28 de Fevereiro de 1943 - Lisboa 7 de Junho de 1999) famoso jogador de hóquei em patins, considerado o melhor jogador do Mundo de todos os tempos, seguiu depois uma excelente carreira de treinador.
Palmarés como Jogador da Selecção Nacional 209 internacionalizações com 425 golos marcados Campeonatos do Mundo ganhos – 3 em 1962, 68 e 74 Campeonatos da Europa ganhos – 7 em 1961, 63, 65, 67, 73, 75 e 77
Palmarés como Seleccionador/Treinador da Selecção Nacional Campeonatos do Mundo Ganhos – 2 em 1982 e 1993 Campeonatos da Europa Ganhos – 3 em 1987, 1992 e 1994
Clubes representados como Jogador Sport Lisboa e Benfica: entre 1959 e 1974, com excepção de 1971 que não representou qualquer clube Banco Pinto & Sotto Mayor: 1975 e 1976 Sporting Clube de Portugal: 1977, 1979, 1980 e 1981 como sénior Sporting Clube de Portugal: 1981, 1982 e 1983 como veterano Amatori Lodi (Itália): 1978
Clubes representados como Treinador Sporting Clube de Portugal, Hóquei Clube de Turquel, Futebol Clube do Porto e  A.S. Bassano Hockey (Itália)

António Livramento




História do Andebol em Portugal
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 andebol (em Portugal) ou handebol (no Brasil), do alemão handball, é uma modalidade desportiva criada pelo alemão Karl Schelenz, em 1919 — embora se baseasse em outros desportos praticados desde fins do século XIX, na Europa setentrional e no Uruguai.

O desporto inicialmente era praticado na relva em um campo similar ao do futebol com dimensões entre 90m a 110m de comprimento e entre 55m a 65m de largura, a área do golo com raio de 13m, o gol com 7,32m de largura por 2,44m de altura (o mesmo usado no futebol, a bola usada é a mesma da versão em quadra e é disputado por duas equipes de onze jogadores cada. Hoje em dia a maioria dos jogadores praticam apenas o andebol de quadra.

O desporto já é largamente praticado em nível escolar, uma vez ser fácil o aproveitamento das já muito disseminadas quadras de futebol de salão para o andebol.
Andebol Feminino

Regras do andebol

Muito semelhante ao futebol o andebol é jogado com as mãos. os jogadores devem conduzir a bola (que tem de diâmetro entre 58 a 60 centímetros nos homens, e de 54 a 56 para as mulheres) pelo campo com o objectivo de fazer golo na baliza adversária.

O andebol é disputado tanto em recintos fechados "indoor"9) - modalidade mais conhecida -, em campos ao ar livre (outdoor) e também pode ser disputado nas praias (andebol de praia). como modalidade olímpica, o andebol é praticado num recinto fechado tendo cada equipa 7 jogadores ( um guarda-redes e 6 jogadores de campo)

O jogador só pode dar três passos com a bola, devendo batê-la no chão (driblar) se precisar dar mais passos. Também só é possível manter a bola nas mãos por 3 segundos. Nenhum jogador, excepto os guarda-redes, pode tocar a bola com os pés. O campo de andebol "indoor" tem 40 metros de comprimento por 20 de largura; próximo do guarda redes existe uma área de 6 metros de diâmetro que não pode ser pisada ou transposta pelos jogadores de campo. Geralmente os jogadores rematam a bola contra o guarda-redes no limite dessa área.

Não é permitido passar a bola ao guarda-redes, a menos que ele esteja fora da área. As faltas mais graves são punidas com livres de 7 metros , remate directo de uma linha a sete metros da baliza. As outras faltas são marcadas  numa linha de nove metros, com barreira. Os jogadores podem ser advertidos por meio de cartões, expulsos ou suspensos temporariamente (2 minutos), sem direito a substituição. A arbitragem é constituída por dois árbitros de campo auxiliados por um oficial de mesa.

 As partidas do andebol "indoor" são disputadas em dois tempos de 30 minutos (sem parada do relógio), com intervalo de 10 minutos.

Relativamente ao jogadores de campo podemos diferenciar quatro posições distintas: o central ( organizador do jogo), os pontas ( jogadores que jogam no limiar das linhas laterais do campo), o pivot ( jogador que se posiciona dentro da defesa adversária) e os laterais ( jogadores que se dispõem no interior do terreno de jogo próximo do jogador central
O Andebol iniciou-se em Portugal em Novembro de 1929, com a publicação das regras no extinto jornal Sports.


Fundada em 1 de Maio de 1939, por iniciativa das associações de Lisboa, Porto e Coimbra, a Federação Portuguesa de Andebol, actualmente Federação de Andebol de Portugal, foi o corolário lógico do desenvolvimento de uma modalidade que, segundo os dados existentes, tem o seu arranque em Portugal ligado a Armando Tschopp, responsável pela publicação das suas regras no extinto jornal Sports, em Novembro de 1929.

Divulgadas as regras e desenvolvidos os passos iniciais, as associações de Lisboa e Porto organizam as primeiras competições oficiais no ano de 1932, ainda na variante de onze, já que o andebol de sete só apareceria bastante mais tarde (1949). Para a história ficam, ainda, a realização do I Porto-Lisboa (Junho de 1934) e a entrada da FPA como estado fundador de Federação Internacional de Andebol (IHF), em 1946.

 Hoje, a realidade é bem diferente. Ninguém duvida de que o andebol está no top das modalidades e é uma referência a nível nacional e internacional. Os números dizem tudo: mais de 30 mil atletas e agentes desportivos; prática regular de norte a sul, no continente e nas regiões autónomas; a modalidade mais praticada pelas mulheres portuguesas. A presença regular do andebol português nas mais importantes actividades internacionais atrai mais público e provoca um crescendo de audiência, nomeadamente nas cada vez mais frequentes transmissões televisivas.

Actualmente o campeonato interno masculino está dividido em quatro divisões nacionais e restantes divisões regionais. A nível europeu Portugal ainda não se encontra na condição de disputar títulos internacionais com as grades potencias europeias ( Espanha. França, Alemanha, Rússia, por exemplo). contudo tem-se verificado uma constante evolução aos longos dos anos  em parte devido à falta de orçamentos dos clubes que apontaram as suas energias para a aposta na formação.

Selecção Portuguesa de andebol